quinta-feira, agosto 10, 2006
Quem tem medo do lobo mau?
Para além da questão moral (do nosso país estar a apoiar um país belicista em plena acção militar) ou de questões internacionais que nos obriguem (com ou sem aspas), a colaborar com Israel, o que mais me chamou à atenção foi a atitude comprometida do secretário de Estado português dos Negócios Estrangeiros.
Diz Manuel Lobo Antunes que Israel solicitou a aterragem e, depois de ouvido o embaixador israelita em Lisboa, a aterragem foi autorizada por se tratar de material bélico não ofensivo.
"Tivemos que decidir perante um caso concreto, com circunstâncias concretas, com condicionalismos concretos. Tínhamos vários elementos de informação e várias circunstâncias a que tínhamos que atender. Foi reunindo todas essas informações e circunstâncias que tomámos a decisão que tomámos".
O secretário de Estado acrescentou, no entanto, que Israel foi advertido que no futuro não seriam concedidas novas autorizações.
É que, das duas uma: ou não há problema nenhum e Israel pode vir quando quiser... ou Portugal não pactua com guerras destas e não pode deixar que aviões destes utilizem as Lajes como têm utilizado nos últimos meses.
Estas "meias tintas" e explicações atrapalhadas, meio a medo, com a "garantia" de que esta foi a única vez... isso é que não cola nada bem.
E aquela do "material bélico não ofensivo" é de chorar...
PS: Entretanto, a situação no terreno parece longe de uma solução e os civis continuam a morrer às centenas.
Portugueses de segunda
Na prática, os projectistas e donos de obra terão de cumprir regras legais - que permitem eliminar as barreiras arquitectónicas - quando constroem habitações ou outro tipo de edifícios privados.
O objectivo das normas técnicas - aplicadas de forma gradual ao longo de oito anos no que respeita às áreas privativas dos fogos destinados à habitação - é melhorar as acessibilidade dentro e fora dos edifícios."
Sem mais comentários, gostaria só de reforçar o excerto desta notícia com algumas palavras a bold e lamentar que isto ainda aconteça num país (?!) civilizado (!?) e moderno (!?) em pleno século XXI.
Lamentável...
sexta-feira, agosto 04, 2006
Politiquices
Seguramente, a pensar neste ditado, dois países levaram a "coisa" à letra:
Polónia
O Presidente da República chama-se Lech KACZYNSKI e é Chefe de Estado desde Dezembro do ano passado quando ganhou as eleições. Já o Primeiro-ministro é Jaroslaw KACZYNSKI e foi nomeado pelo Presidente no mês passado.
Ora, como está bom de ver, o senhor Presidente escolheu o seu irmão (gémeo) para liderar o Governo.
Belíssima solução... assim tudo fica em casa.
Ucrânia
Já aqui, a solução foi outra: depois de quatro meses de crise política em que não foi possível formar Governo, o Presidente Victor Yuchtenko escolheu Victor Yanukovitch.
Ora, e quem é Yanukovitch: pois, nada mais nada menos que o líder da oposição, o maior rival de Yuchtenko, aquele com quem travou a batalha pela presidência.
A luta foi dura, renhida e até com envenenamentos à mistura.
Lá está, assim se resolve um problema político e se mantém o adversário controlado.
Gisberta
Sem mais comentários, apenas uma pergunta:
E se, em vez da vítima ser um sem-abrigo, doente, transsexual, fosse um qualquer doutor, arquitecto, advogado, filho de alguém "importante"?
Ah... pois é.
terça-feira, agosto 01, 2006
Curtas e Grossas
De regresso à actividade "blogueira", apetece-me fazer “Tiro ao Alvo” e atirar a matar, rápida e certeiramente…
- No Médio Oriente a situação agravou-se com Israel, em duas frentes, a atacar, especialmente civis, com o pretexto de que soldados seus foram raptados por “terroristas”. Resposta claramente desproporcionada... e quem sofre são os libaneses e os palestinianos.
- No Iraque continuam os atentados constantes e a contagem sangrenta de vítimas. A comunidade internacional (os Estados Unidos) parecem incapazes de parar a escalada da violência.
- Um tsunami na Indonésia fez centenas de mortos e, entretanto, enquanto de um lado do mundo se morre devido às cheias (India), do outro, morre-se devido à vaga de calor (Europa).
- Por cá, estamos em plena “época dos incêndios” mas, para já, apesar de tudo, a situação está menos grave que em anos anteriores.
- A polémica das últimas semanas teve a ver com os exames nacionais. As notas de Português e Matemática voltaram a descer, mas foi na Química e na Física que houve mais confusão com o Ministério a abrir um precedente e a autorizar a repetição de alguns exames.
- A lista dos maiores devedores ao fisco está publicada na internet, numa espécie de “lista negra” que envergonhe os devedores. Todos foram várias vezes avisados da dívida antes da publicação e podem regularizá-la a qualquer momento. Curiosamente o CDS-PP foi o partido que colocou mais dúvidas a esta iniciativa.
- Na Madeira, Alberto João Jardim e “sus muchachos” continuam a viver num mundo à parte em que tudo é permitido. Depois do episódio das vestimentas dos jornalistas no parlamento, eis que surge o habitual insulto ao Governo do Continente com o Primeiro-ministro a ser o principal alvo.
- Entretanto, José Sócrates admitiu, em entrevista à SIC, que “aprende” (?!) com Cavaco Silva durante as reuniões semanais.
segunda-feira, julho 10, 2006
"Tiro ao Alvo"... a banhos
Reabriremos nos primeiros dias de Agosto com "pontaria afinada" ao que se for passando "no país e no mundo".
Sim, porque eu "vou andar por aí"...
"Época dos fogos"
O Governo garante que o país está melhor preparado para combater os fogos, vamos ver se as temperaturas e tudo o resto dão uma ajuda.
Infelizmente, o dia acabou mal com um grave acidente que fez seis mortos em Famalicão.
Que Deus ajude os bombeiros a combater a tragédia dos incêndios.
quinta-feira, julho 06, 2006
A brincar com o fogo
A comunidade internacional já criticou esta iniciativa, com especial destaque para Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul.
De recordar que se tem tentado, pela diplomacia, levar a que o regime de Pyongyang abandone a sua política nuclear, mas as negociações a seis não têm corrido bem.
Estes testes não ajudam nada a acalmar a situação e até já a China e a Rússia, os dois grandes países que têm evitado sanções internacionais, começam a pensar nisso.
Convém mesmo que os países se entendam e que os senhor Kim Yong Il tenha a cabeça no lugar para não provocar, mais cedo ou mais tarde, uma guerra à escala mundial, até com utilização de armas nucleares.
É realmente impressionante como um país como uma Coreia do Norte (uma das ditaduras que ainda resiste) se dê ao luxo de deixar morrer pessoas à fome para se entreter com perigosos "brinquedos de guerra".
Situação para continuar a acompanhar com apreensão.
terça-feira, julho 04, 2006
Necessidades...
Independentemente desta questão, que obviamente, condiciona qualquer pessoa (e especialmente um MNE que tem sempre que viajar e até que preparar uma presidência da UE), há quem diga que essa não foi a única razão.
Não quero especular muito sobre isso, mas o certo é que, para além de aspectos positivos que possam ser destacados (o Primeiro-ministro lembrou as negociações do quadro comunitário de apoio) há algumas "gaffes" que marcaram estes 15 meses.
Sem pensar muito destaco duas que são, seguramente, as que as pessoas mais recordam: o caso dos cartoons e o caso dos emigrantes no Canadá. Por outro lado há um eventual mal estar com o embaixador dos Estados Unidos.
Enfim, curioso é notar também que os primeiros que criticaram Freitas do Amaral, agora deixam o receio para o sucessor. A oposição nunca está satisfeita, mas também é esse o seu papel.
Para a Palácio das Necessidades segue Luís Amado, um homem experiente, até porque já por lá passou como secretário de Estado (ele sim um pró-Estados Unidos) que deixa a pasta da Defesa para Severiano Teixeira (um regresso ao Governo, agora noutra pasta).
Nota também para o facto (destacado por todos) do Executivo já ter perdido as suas duas "estrelas" (Campos e Cunha e, agora, Freitas do Amaral), o que vale o que vale, mas...
Por outro lado, esta não é ainda a remodelação que a oposição pede e exige. Sócrates continua a segurar a sua equipa, mas estará o guardar o "refresh" do seu plantel para outra altura. Dois ou três ministros suspiram de alívio.
sexta-feira, junho 30, 2006
O sítio em que vivemos IV
O presidente da Câmara de Sintra discutiu na reunião da autarquia a atribuição de um subsídio de cerca de 20 mil contos a Betty Grafstein e José Castelo Branco para as obras na casa de ambos na vila.
Fernando Seara justifica-se com o facto das obras exteriores na mansão "ajudarem a melhorar o aspecto da vila".
Talvez por problemas de consciência, o autarca retirou a proposta à última hora para "reanalisar" o processo.
Por mim, tudo bem para o apoio à "lady" desde que não seja uma situação de excepção e todos os sintrenses com casas em obras possam receber o apoio da sua autarquia.
quinta-feira, junho 29, 2006
"Chuva de Verão"
Menos de um ano depois de terem acordado a retirada de alguns colonatos judaicos da região, israelitas e palestinianos voltam a desentender-se de forma evidente.
Israel diz que só recua se o soldado Gilad Shalit for "devolvido" e a Autoridade Palestiniana acusa o Governo de Olmert de estar a dificultar a situação com esta iniciativa.
Apesar de dizer que não quer reocupar as zonas que deixou em Agosto, Israel mantém o cerco.
Para além deste incidente grave, há ainda o caso não resolvido do Hamas estar a liderar o Governo palestiniano. Israel, a comunidade internacional e até a Fatah não estão a aceitar a situação e as populações é que estão a sofrer.
Vamos ver como acaba esta "chuvada"... a coisa está "preta" e pode ser grave.
quarta-feira, junho 28, 2006
O sítio em que vivemos III
Vou, sem mais comentários, transcrever os primeiros parágrafos da notícia:
"O coordenador de investigação, responsável pela área de criminalidade económica e financeira, na directoria da PJ de Coimbra, Nuno Maurício, é um dos novos vice-presidentes da recém-empossada direcção de Aprigio Santos à frente da Naval 1º de Maio, o clube da Figueira da Foz que está inscrito na Liga Portuguesa de Futebol Profissional.
Aprígio Santos é um dos arguidos das certidões nascidas do processo Apito Dourado e Nuno Maurício foi também o responsável pela detenção dos familiares do juiz Artur Oliveira, em Maio de 2004, e que motivou então a queda da direcção da PJ do Porto - que um mês antes havia desencadeado a maior investigação de sempre ao futebol português, com buscas em vários clubes do país, entre eles a Naval".
in "Público"
segunda-feira, junho 26, 2006
Sol Nascente
Primeiro foi um conjunto de ex-militares a revoltar-se, depois milícias armadas por elementos do Governo a entrarem em acção, uma alegada divisão entre timorenses, manifestações nas ruas, as divergências entre o Presidente da República e o Primeiro-ministro, a interferência australiana... tudo ingredientes que levaram à actual situação.
O último capítulo conhecido é a demissão confirmada de Mari Alkatiri e não havia outra solução.
De toda esta situação, algumas coisas parecem claras:
- Xanana Gusmão é imprescindivel e não pode deixar a Presidência
- Os envolvidos nesta crise devem ser todos encontrados para que a situação acalme
- Os timorenses devem decidir por si e não se deixar influenciar por terceiros (leia-se Austrália ou Indonésia)
Espero que esta crise seja só "dores de crescimento" e não represente que Timor é inviável enquanto Estado independente.
sábado, junho 03, 2006
A força do futebol
Desta vez, a bola vai conseguir fazer com que os nossos deputados se levantem mais cedo da cama e façam a sessão parlamentar de dia 21(*) da parte da manhã e não de tarde, como habitualmente.
Esta é a segunda vez que os nossos deputados se levantam cedo para ir trabalhar: a primeira foi, há uns anos, por culpa de Belmiro de Azevedo e, portanto, é digna de nota.
Por um lado lamento que os nossos deputados (talvez por serem o espelho do país) só se mobilizem por causa do futebol, e pouco mais. Que bonito seria ver os nossos deputados a trabalharem, com vontade, para bem do país.
Por outro lado, apesar de tudo, prefiro esta solução (que finta os horários) a mais uma escandalosa falta colectiva que se estaria certamente a preparar. O que já me custa mais a entender é a facilidade e a ligeireza com que os nossos deputados assumem a "preferência futebolistica".
Quantos milhões de portugueses gostariam de ter a facilidade dos nossos deputados e a possibilidade de, a uma quarta-feira, não ir trabalhar para ficar a ver o jogo? Eu, certamente, seria um deles, mas não posso.
(*) Dia do Portugal - México, 15 horas, 3º jogo da primeira fase.
Boa pergunta
Eu próprio já fiz a mesma pergunta de Bento XVI noutras ocasiões "estóricas" mas, já agora, alargo a situações do nosso dia a dia: os milhões de pobres, os doentes, os oprimidos...
Realmente faz impressão e é mesmo necessário ter um grande estômago para conviver com isso.
segunda-feira, maio 15, 2006
"General sem Medo"
Dissidente da Ditadura de Salazar teve o ponto alto da sua vida em 1958 ao ir contra o regime e concorrer contra Américo Tomás nas presidenciais.
Dai veio a sua frase mais célebre: "Obviamente demito-o", referindo-se ao presidente do Conselho Oliveira Salazar.
Nas urnas venceu mas foi vítima de fraude eleitoral, foi perseguido e teve que se exilar no Brasil. Tentou fazer cair o Governo mas falhou.
Acabou por cair numa cilada da PIDE (#) e foi assassinado em Espanha, perto de Badajoz, em 1965.
(#) O PIDE Rosa Casaco continua por aí e, agora, até já escreve livros... Este país, às vezes, é muito injusto.
Bebés...
Passando por cima de outros pormenores que complicaram ainda mais a questão, o meu azar não foi não ter maternidade à porta de casa (que não tinha e ainda não tenho), o problema foi a incompetência de um médico que não percebeu que estava perante uma gravidez de risco.
Vem isto a propósito porque a polémica das maternidades continua e a troca de argumentos continua...
O Governo baseia a decisão de fechar com um estudo feito por especialistas, as autarquias e populações afectadas defendem-se com outros estudos e com o risco da desertificação e, já agora, com o direito dos bebés "nascerem em Portugal".
Obviamente, não sou especialista, mas, confesso, que me sinto tentado a apoiar esta medida do Executivo e a minha "dúvida" foi tirada por Albino Aroso, aquele que é chamado o "pai do planeamento familiar" e que, quando esteve no Governo PSD, mandou encerrar 150 maternidades.
Graças a estas e outras medidas, Portugal tem hoje uma das menores taxas de mortalidade infantil do mundo e este é um facto de que nos devemos orgulhar.
Se, agora, as quatro maternidades em causa realizam menos partos, têm falta de médicos especialistas e poêm em risco os bebés e as crianças então devem mesmo encerrar.
Desde, claro, que possam ser devidamente acompanhados e monitorizados por profissionais competentes e especializados.
Convém, já agora, referir que uma família não tem filhos todos os dias e que os bebés não nascem de geração espontânea. Por isso, uma maternidade não é uma valência que tenha que estar, obrigatoriamente, à porta de casa.
quarta-feira, maio 10, 2006
“Seja bem-vindo quem vier por bem”
Vem isto a propósito da iniciativa da Câmara de Vila de Rei que, face à desertificação da localidade, decidiu apostar em jovens famílias brasileiras para repovoar a localidade.
A habitação, o emprego e o visto de residência ficam, para já, a cargo da autarquia e as primeiras quatro famílias escolhidas chegaram no passado dia 4. Mais vão chegar nos próximos tempos.
A questão é simples: se os portugueses fogem do interior como “o Diabo da Cruz”, se os brasileiros, conhecendo as regras do programa, quiseram arriscar, não vejo razão para não aplaudir esta medida.
Só espero é que algumas “mentes brilhantes” não venham, mais tarde ou mais cedo, com atitudes xenófobas ao primeiro caso que apareça.
domingo, maio 07, 2006
Ah, e tal…
A explicação surgiu por Pires de Lima, deputado do CDS-PP, em jeito de pergunta, durante o congresso do seu partido na Batalha.
“Quando eu estou no Parlamento a irritar o PS e o Governo não estou ao serviço do CDS, não estou a servir o presidente do partido?”
Claro que sim.
Então é isto que eles fazem… Estou esclarecido.
terça-feira, maio 02, 2006
1º de Maio
Portugal tem:
- quase 500 mil desempregados
- dois milhões de pobres
E como se isto não bastasse é o mais desequilibrado da União Europeia, ou seja, Portugal é o país em que os ricos são mais ricos e os pobres mais pobres.
Entretanto, mesmo quem tem o privilégio (é mesmo esta a palavra) de ter emprego e estar a trabalhar não está seguro porque com as teorias neo-liberais, a defesa da flexibilidade e o corte de direitos adquiridos, nunca se sabe o que poderá acontecer.
Por favor, alguém que ponha mão nisto, nem que seja o Presidente da República e o seu Roteiro Social.
segunda-feira, maio 01, 2006
Guerra Civil
Está na estrada uma nova operação da Brigada de Trânsito da GNR, agora chamada "Primavera", mas, mais uma vez, os números são trágicos.
Desde sexta-feira morreram 14 pessoas (mais do dobro das que morreram o ano passado no mesmo período), outras 24 ficaram gravemente feridas e 267 sofreram ferimentos ligeiros, em 684 acidentes. Só hoje, foram quatro as vítimas mortais.
Estes números são assustadores e, por mais operações da BT ou campanhas de sensibilização que se façam, não parece haver maneira de os melhorar.
É certo que as estradas não são boas - e até já foram piores -, que a sinalização é péssima em algumas situações mas - não me lixem - o principal problema são os condutores e a sua completa falta de civismo.
A maioria dos portugueses não cumpre as regras de trânsito, não respeita o próximo e, pior do que isso, arrisco mesmo dizê-lo: não sabe conduzir.
Alguém tem que pôr mãos nisto... seja melhorando a sinalização, aumentando as operações STOP e as multas, baixando ainda mais o nível de alcoolemia ou até mandando toda a gente de volta à escola de condução.
quarta-feira, abril 26, 2006
Malária
Só em África a malária mata um milhão de pessoas por ano e na Guiné Conacri é mesmo a principal causa de morte.
Segundo os "Médicos Sem Fronteiras", a doença mata uma criança a cada 30 segundos.
Vale a pena pensar nisto...
terça-feira, abril 25, 2006
Sinais dos tempos?
Queria, no final do dia, deixar três nota preocupantes:
- Pela primeira vez um Presidente da República (Cavaco Silva) participou nas cerimónias oficiais sem ter um cravo na lapela.
- As bancadas da direita no Parlamento não aplaudiram os Capitães de Abril
- Muito poucos deputados e dirigentes do PS participaram no desfile do 25 de Abril
Espero que estes dados sejam, só e apenas, coincidência e que não correspondam ao princípio do fim do 25 de Abril e do que ele representa.
segunda-feira, abril 24, 2006
25 de Abril... Sempre
Pior do que isso, o presidente do Governo Regional do arquipélago vai, ao que parece, festejar o “24 de Abril”, lembrando a ditadura e criticando a Revolução e os 32 anos de Democracia.
Por muito que custe a algumas pessoas (acredito que uma minoria), o dia que se comemora(*) amanhã é de fundamental importância para o nosso país.
É justamente graças a este dia e, claro, ao que ele representa, que alguém como Jardim pode dizer as alarvidades que diz e fazer o que faz, sem que nada lhe aconteça.
Já vamos no quarto Presidente da República e em não sei quantos líderes do PSD e todos têm assobiado para o ar como se nada fosse.
Por outro lado, para além do fundamental ganho de Liberdade, é preciso não esquecer que foi a partir daí (depois reforçado com a entrada na União Europeia) que Portugal se começou a desenvolver e a, aos poucos, recuperar o atraso provocado por quase 50 anos de “orgulhosamente sós”.
Obviamente que nem tudo correu como estava planeado, nem todos os “D” (Democratizar, Descolonizar e Desenvolver) do 25 de Abril se cumpriram como deveriam e há muito por fazer.
Na "Revolução dos Cravos" nem tudo foram "rosas" e, claro, todas as rosas têm espinhos.
Estamos, aliás, numa altura deveras complicada com quase 500 mil desempregados e, além disso, com o nosso país a ser precisamente o mais “desequilibrado” da União Europeia no balanço entre ricos e pobres e isso é muito preocupante.
Queria, já agora, aproveitar para homenagear os Capitães de Abril em geral e Salgueiro Maia em particular, um herói, infelizmente, algo esquecido.
(*) Reparem que escrevi “comemora”, não escrevi “assinala” ou “passa” e a escolha é intencional. Não patrocino a tentativa de branqueamento de um dos mais importantes dias da História de Portugal.
sexta-feira, abril 14, 2006
Pecador
Já o sabia, sempre o soube (normalmente não vou à missa, só me lembro de "Santa Bárbara quando troveja"), apesar de não o fazer por mal... até tive uma educação católica.
O que não sabia é que estou a piorar. Aliás, neste exacto momento peco: estou a escrever um post num dos meus blogs, a televisão está ligada, tenho um jornal junto a mim... e ainda (como dizia o outro) tenho alí uma revista com a Soraia Chaves na capa.
Pois é, vem isto a propósito dos "novos" pecados, apresentados pelo cardeal Francis Stafford, que, segundo diz "diminuem a fé cristã".
Não sei se é com estas ideias que a Igreja vai recuperar fiéis... e mais não digo (lá estou a lembrar-me do outro).
quinta-feira, abril 13, 2006
119
Quando chegou a altura de votar, o presidente da Assembleia da República reparou que dos 230 deputados só 111 estavam presentes.
Como o quórum obriga a 116, a votação de nove diplomas foi adiada.
Que belo exemplo nos dão os nossos deputados, que dedicação ao trabalho, que caso extremo de serviço público e amor à causa.
É caso para dizer: Belos empregos.
Xutos e Pontapés
Depois de ver este acórdão confesso que fiquei com receio das decisões que estes senhores juizes tomam.
Não consigo perceber que se defenda ou se aceite com esta ligeireza que palmadas e estaladas sejam empregues para educar crianças, ditas "normais", mas especialmente para educar deficientes.
Atenção, não estou a dizer que nunca se deve bater nos meninos (eu próprio levei algumas palmadas e isso não me fez mal nenhum). O que estou a dizer é que as palmadas devam ser o último recurso, após uma série de outras opções e alternativas pedagógicas.
Não sou eu que o digo - não sou obviamente especialista - dizem-no vários especialistas (psicólogos, psiquiatras, educadores de infância) que ouvimos durante o dia em reacção a este caso.
É necessário ter ainda em atenção que as palmadas (ou pior, por exemplo, fechar crianças em quartos escuros) deixam, para além de marcas físicas, marcas psicológicas que vão depois reflectir-se na vida adulta e podemos ter uma uma "passagem de testemunho" de pai para filho.
Espero, quando os tiver, não ter que bater nos meus filhos.
PS: Nesta altura apetece-me é dar umas palmadinhas nos senhores juizes.
quarta-feira, abril 12, 2006
Menino mimado
No fim das contas a grande coligação de centro-esquerda venceu na Câmara de Deputados e na Câmara do Senado.
A vantagem foi curta, muito curta, (25 mil votos), a incerteza durou muitas horas, e só um "prémio" atribuido ao vencedor vai permitir a Prodi começar a governar com alguma segurança.
No entanto, apesar dos votos já terem sido contados e estarem oficializados, Berlusconi não aceita os resultados, não assume a derrota e denuncia fraudes.
É curioso que seja Berlusconi a falar nisto. Enfim...
Em democracia, há que saber ganhar e perder e há que saber sair na altura certa.
segunda-feira, abril 10, 2006
País do "faz de conta(s)"
No entanto, apesar disso, há quem não tenha ou não pareça ter essas dificuldades.
É que estamos em plenas férias da Páscoa e as agências de viagem exultam com o aumento da procura: Algarve, mas especialmente Brasil, México ou Cabo Verde, são os destinos mais procurados.
Aliás, como se pode ver "Este ano a Páscoa foi um êxito"...
Ainda bem que há estes oásis para desanuviar a cabeça. Vamos ver depois quando chegar o fim do mês e voltarmos a aterrar no "mundo real"
Marbella
No princípio do mês, a autarca de Marbella foi detida no âmbito de um processo de corrupção que envolve milhões de euros.
Juntamente com a senhora Marisol Yague foram também constituidos arguidos um assessor e um empresário, entre outros, num total de 23 pessoas.
Sem mais comentários... que pena Marbella não ser Felgueiras.
segunda-feira, abril 03, 2006
Imigrante, emigrante
Estes recentes casos do Canadá fazem alguma impressão porque são pessoas que estavam no país há vários anos, alguns já com filhos nascidos lá, com trabalho, ao que consta pagando os impostos respectivos e há algum tempo a tentar a legalização.
Por outro lado, algumas famílias queixam-se que foram avisadas com 15 dias de antecedência, o que o Ministério dos Negócios Estrangeiros desmente.
Seja como for, há diferenças que é necessário fazer e, daí, tirar ilações. Encontro três situações distintas:
- uns estão plenamente integrados (com raizes) e poderiam (deveriam) ser tratados com mais respeito por Otava.
- outros terão sido enganados por "empresas" de recrutamento, com promessas de vida fácil, trabalho e casa garantida. Aqui é caso de polícia e é necessário acabar com estas redes organizadas.
- "last but not least" há os portugueses "chico-espertos" que foram para o Canadá com o estatuto de refugiados políticos e/ou religiosos (!). Esses, só pela "lata", são bem expulsos.
Freitas do Amaral foi ao Canadá perceber o que se estava a passar. Ao que parece trouxe de lá a garantia essencial: "isto" não é uma perseguição à comunidade portuguesa.
Nota final para os partidos de direita que, no nosso país, querem apertar as malhas da imigração.
Não se esqueçam de dois aspectos: Portugal precisa de imigrantes, Portugal é país de (muitos) emigrantes.
sábado, abril 01, 2006
Geração à rasca
Antes de mais, convém recordar que esta lei permitiria que qualquer jovem até 26 anos fosse despedido nos primeiros dois anos de contrato sem justa causa.
Ora, tendo em atenção o articulado desta lei neo-liberal parece-me perfeitamente normal que os jovens tenham vindo para a rua protestar.
A lei, tal como estava a ser proposta, era, no mínimo, injusta e discriminatória, já para não dizer escandalosa.
Agora, o Presidente francês tornou-a, aparentemente, mais suave ao obrigar a que seja esclarecida a causa do despedimento e ao dimunuir de dois para um ano o prazo em que o CPE está em vigor.
Estas são decisões no bom sentido e que, finalmente, mostram algum bom senso do Chefe de Estado francês. Vamos ver se são suficientes e como as aceitam os jovens manifestantes.
quinta-feira, março 30, 2006
Falou e disse...
No passado dia 20, na sua habitual declaração semanal, Hugo Chavez não foi nada meigo com o seu homólogo norte-americano.
"Mr. Danger, you are a donkey" foi o mínimo que se ouviu da boca do líder venezuelano.
"És um perigo, és um ignorante, és um burro", "cobarde" e "genocida", disse Chavez de Bush.
segunda-feira, março 20, 2006
IRAque
Sob falsos pretextos, os norte-americanos iniciaram uma operação militar que, agora, estão com dificuldades em controlar.
A ONU foi chutada para canto e o mundo enganado: não havia armas de destruição maciça, nem ligações à Al-Qaeda.
Agora, os "senhores da guerra", incluindo Durão Barroso, já assumem isso, mas o mal está feito.
É verdade que capturaram Saddam, mas ninguém pode dizer que o país esteja melhor.
É verdade que já aconteceram eleições e a participação foi massiva, mas ninguém pode afirmar que o país vá caminhar para uma democracia À ocidental.
Milhares de pessoas, inocentes, morreram nestes três anos, a instabilidade é diária e não parece ter fim...
Xiitas, curdos e sunitas dificilmente vão conseguir entender-se.
Entretanto, não querendo aprender com os erros, nem com os alertas, George W. Bush continua a falar (e a defender) em "guerras preventivas".
Como se lia num cartaz em Lisboa: "Depois do Iraque, para ondeIRÃO a seguir?"
segunda-feira, março 13, 2006
Um ano...
Para já, há aspectos positivos e negativos, mas confesso que esperava mais e melhor da equipa Sócrates, especialmente porque a maioria absoluta é forte, porque o Presidente da República era favorável e porque a oposição estaria, mais ou menos, em reconstrução.
Gosto que o Executivo tenha acabado com alguns privilégios de algumas classes e que esteja a fazer do combate à fuga aos impostos uma das suas lutas principais. De todos os ministros destaco Maria de Lurdes Rodrigues na Educação, que deve continuar a ser prioritária.
Acho que está na altura de se combater o desemprego seriamente, ao mesmo tempo que se deve apoiar, por um lado, quem mais necessita (os idosos e as famílias desfavorecidas) e, por outro, quem está em início de vida (os jovens à procura do primeiro emprego).
A vertente "socialista" deveria ser reforçada, apesar de se estar em crise.
Depois à áreas que necessitam de atenção: a Justiça (no geral) e o novo PGR (em particular), a Saúde (os novos hospitais, as novas taxas, os medicamentos e o lobby das farmácias) e o Ambiente (a co-incineração, as energias alternativas, a energia atómica).
Falta ainda que me convençam que a Ota e o TGV são absolutamente necessários.
parece, agora, que o novo amor do Governo é a Finlândia. Percebe-se bem porquê (lidera quase todos os rankings positivos da Europa), não sei se alguma vez lá chegaremos.
A corrupção, o clientelismo e o amiguismo estão instalados em detrimento do mérito e, enquanto assim for...
domingo, março 12, 2006
Como é possível?
É o que diz Daniel Bessa, antigo ministro da Economia, no segundo dia das Semanas Sociais Portuguesas, organizadas pela Conferência Episcopal Portuguesa.
Juro que só acredito que o homem disse isto porque ouvi as suas declarações, mas ainda não estou em mim.
Isto depois de, há algumas semanas, o mesmo personagem ter dito que apoiava o fim do subsídio de desemprego e das reformas.
Acho inacreditável, acho mesmo vergonhoso, que um ex-governante e pessoa com altas responsabilidades tenha o descaramento de fazer este tipo de comentários.
Numa altura em que há cerca de 500 mil desempregados e cerca de dois milhões abaixo do limiar da pobreza, não concebo e não admito que essa não seja a prioridade de um Governo do meu país.
quinta-feira, março 09, 2006
A troca...
Sem mais comentários, nesta altura, só me apetece repetir um título do "Inimigo Público" de há algumas semanas:
"Já só faltam dez anos"
segunda-feira, março 06, 2006
Em grande...
Aqui fica uma: "Nos filmes deste ano, há vários temas importantes como a corrupção, a censura, o racismo... É por isso que vamos ao cinema: para escapar".
Certeiro... infelizmente.
sexta-feira, fevereiro 17, 2006
A invasão
Três jornalistas do jornal “24 Horas” terão sido constituidos arguidos depois de um juíz de Instrução, um procurador do Departamento de Investigação e Acção Penal e investigadores da Polícia Judiciária terem entrado pela redacção e investigado, em especial, o computador de um jornalista que divulgou as listas com os registos telefónicos do processo Casa Pia.
Acho realmente extraordinário que a Procuradoria se preocupe mais com os jornalistas, que estão simplesmente, a fazer o seu trabalho, do que com a investigação em si.
É fantástico que os jornalistas sejam considerados os maus da fita e o MP, a Procuradoria ou a PJ não consigam evitar as fugas de informação.
Por outro lado, esta invasão pode pôr em causa o trabalho e um jornalista. Sem segurança, nenhuma fonte mais vai “avançar”.
O sigilo profissional é um direito fundamental e não pode ser posto em causa por ninguém, isto se ainda vivermos numa Democracia.
Começo a duvidar...
PS: Fantástica a capa de ontem do “24 horas”, demonstra unidade, solidariedade, convicção, coragem...
quinta-feira, fevereiro 09, 2006
O negócio do século
Belmiro de Azevedo lança-se no "negócio da sua vida" (aquele que poderá ser o último antes de passar a pasta ao filho) e entra para "ganhar à primeira volta".
São mais de 11 (?!) mil milhões de euros que estão envolvidos nesta transação (se for realizada a 100%) e só este número respeitável já assusta.
Mais incrivel ainda é que a Sonae é cinco (5) vezes mais pequena que a PT e, só assim, se percebe a tremenda audácia deste negócio.
É certo que, a apoiar o "senhor Sonae", estão o Banco Santander e, eventualmente, a France Telecom, que terá sido avisada da operação apenas na véspera, mas isso, de maneira nenhuma, tira mérito ao empresário português.
Agora, ao que parece, o processo vai ser longo e pode ter ainda outros personagens (ao que consta estará a ser preparada uma contra-OPA com o BES a liderar e há ainda a Telefónica), mas foi iniciado um caminho que parece não ter retrocesso: a PT vai mudar de mãos.
Vamos ver como tudo vai ficar... vamos especialmente esperar que, fique como fique este negócio, por um lado, a PT melhore os seus serviços e, por outro, a concorrência esteja assegurada.
Achas de uma fogueira
Manifestações em alguns países (europeus e islâmicos), distúrbios, ameaças de morte, apelos à calma, explicações várias - tudo tem acontecido nas últimas semanas.
Para a religião muçulmana é proibido representar o Profeta e, portanto, estas imagens são consideradas atentatórias, especialmente por parte de grupos radicais.
É certo que para nós, ocidentais, que baseamos a nossa sociedade em direitos como a liberdade, a democracia, a tolerância, a fraternidade, e, já agora, na separação entre o Estado e as Igrejas, parece-nos estranho este fanatismo por culpa de um "turbante bomba", mas o certo é que, talvez por isso mesmo, poderiamos ter algum cuidado.
A liberdade de impresa deve ser assegurada, mas, a repetição destas imagens, ao longo dos últimos meses (tudo começou em Setembro) talvez pudesse ter sido evitada.
Os grupos radicais são isso mesmo, radicais, fanáticos, e, enquanto tal, estão desejosos que o "inimigo" lhes dê uma "desculpa" para actuar.
No fundo, esta insistência não resolveu nenhuma questão e só lançou gasolina para uma lareira que já estava acesa.
A solução só pode passar por grupos de muçulmanos moderados, equilibrados, que, de uma vez por todas, expliquem que o Islão não é "isto"e defende exactamente o contrário (a tolerância e o respeito pelo outro).
PS: só para assinalar - este é o centésimo "tiro" neste blog.
A Palestina e o Hamas
Este "grupo terrorista", responsável por muitos dos atentados contra Israel ao longo dos anos, superou, surpreendentemente, a Fatah.
Agora, o processo de paz do Médio Oriente teve um percalço, já que o Hamas não reconhece Israel e estes recusam-se a dialógar enquanto estes não depuserem as armas.
Seguramente as partes vão ter que entender-se, seguramente com os Estados Unidos e a União Europeia pelo meio, e vão ter que recuar...
A Palestina já foi considerada o "primeiro Estado terrorista", dada esta vitória, mas o Hamas continua a chamar terrorista ao Estado de Israel.
O que é certo é que o Hamas tem o apoio do povo palestiniano e, no terreno, esta organização tem um intenso trabalho social de apoio aos mais desfavorecidos, o que, por certo, lhes valeu a vitória.
Em última instância, o facto do Hamas ir liderar o Governo, com ou sem Fatah, pode até acabar por ajudar o processo de paz. Deixando as armas e com as iniciativas sociais no terreno, a Palestina pode avançar.
Vamos ver, por um lado, como Mahmoud Abbas, o líder da Autoridade Palestiniana, gere o processo do novo Executivo e, por outro, como reage Israel à, eventual, democratização do Hamas.
As eleições de Israel estão para breve e não é indiferente saber quem vai ganhar. Olmert e Netanyahu são pessoas bem diferentes.
terça-feira, janeiro 31, 2006
Provas ou a falta delas
Por mim, tudo bem. Há muito que atacar nessa área. O problema é o “ângulo de ataque”.
Sabe-se, é do senso comum, que são os mais ricos e poderosos que, com truques, subterfúgios e extrema “lata”, fogem e não pagam impostos.
A classe média, que trabalha para outrem, e os velhotes coitados, que trabalharam durante toda a vida, mas que, por esta ou aquela razão, nem sempre descontaram e recebem pensões de miséria, é não tem hipótese de fugir ao inevitável.
Dito isto, recordo que o Estado vai passar a exigir uma prova de rendimentos aos pensionistas com reformas inferiores a 14 salários mínimos nacionais, ou seja, cinco mil e 400 euros por ano.
A prova tem de ser apresentada no respectivo Centro de Saúde até dia 31 de Março de cada ano, a começar neste, e quem não o fizer perde o direito à comparticipação acrescida de medicamentos.
A questão que se coloca é: não haveria maneira de fazer este controlo, daqueles que enganam o Estado e recebem o que não deviam receber (aliás como acontece também com o Rendimento Mínimo Garantido), sem incomodar os idosos que, sem dúvida nenhuma merecem continuar a receber as pensões e a comparticipação acrescida para os medicamentos?
Seguramente que havia…
quarta-feira, janeiro 25, 2006
Ordem de Mérito
Que “funções públicas ou privadas, sem interesse pessoal, com actos meritórios em favor da colectividade” tiveram estes senhores?
Para além de engordarem as respectivas contas bancárias, que mais fizeram estes senhores?
Sinceramente, não consigo entender.
De saída de Belém, não poderia o Chefe de Estado ter encontrado 21 desconhecidos, da sociedade civil, que, realmente, tivessem feito algo “sem interesse pessoal, em favor da colectividade”?
segunda-feira, janeiro 23, 2006
O voto…
Agora, se tudo decorrer normalmente, os portugueses só voltam às urnas daqui a três anos e tal.
O que acho incrível é que várias pessoas, incluindo políticos e até o novo Chefe de Estado, digam: “Ainda bem, finalmente”, como se ir a votos fosse “uma chatice”, uma “perda de tempo”.
Ir a votos é saudável e desejável, é a arma do povo e deve ser utilizada sempre que se justificar.
O facto dos portugueses irem a votos democraticamente nunca pode ser considerado um empecilho para o desenvolvimento do país.
O voto é a voz do povo que não pode ser calada por ninguém. Tem que ser o país a escolher o que quer fazer, para onde ir, se quer ou não alternância.
Isto é que é a democracia e isso não pode ser alterado por nenhum (bolo)-Rei.
PS: Continuo a achar que, salvo motivos de força maior, não votar é uma falta de respeito, por si próprio, pelos outros e por aqueles que muito lutaram para nos livrar da ditadura.
Faltou um bocadinho assim…
O “senhor do bolo” ganhou e democraticamente é obrigatório felicitá-lo pela vitória. Agora, ele não é o meu Presidente e há vários culpados para este triunfo.
O meu desejo por uma segunda volta nas presidenciais ficou por cumprir por culpa de umas escassas décimas…
Tudo por culpa de 1.8% dos votos, que foram desperdiçados por serem nulos ou brancos, ou pelos 37% que desrespeitaram a Democracia e ficaram em casa. (*)
Tudo por culpa de um PS que não se soube mobilizar e não soube empenhar os seus.
Tudo por culpa de Sócrates que tudo fez para minar a candidatura de Alegre, até na altura dos discursos (vergonhosa a atitude do secretário-geral-Primeiro-ministro) e que até parece que preferia Cavaco na presidência.
Tudo por culpa das eleições serem ao domingo e não à terça-feira (como nos Estados Unidos). À velocidade que o Cavaco estava a descer nas percentagens, faltou mesmo só “um bocadinho assim” para haver segunda volta.
Manuel Alegre disse-o ontem e eu concordo: “contra ventos e marés”, contra tudo e todos, quase conseguia um milagre cívico. Atenção que conseguiu mais de um milhão de votos, falta saber, agora, o que vai fazer com eles e como vai ser recebido no seu partido. As minhas homenagens.
Mário Soares não merecia acabar assim a sua carreira política, perdendo de goleada. Enxovalhado e quase sem o apoio do seu partido, mas também podia ter gerido a “coisa” melhor, especialmente com o amigo (?) Alegre que até esqueceu no discurso da derrota.
Jerónimo de Sousa continua a surpreender e ontem até suplantou os números da CDU nas últimas legislativas (mais 1%).
O grande derrotado da noite acabou por ser José Sócrates, não só pelo resultado humilhante do seu candidato, mas especialmente pela atitude inqualificável para com Manuel Alegre.
Aliás é curioso que, no “consulado” de Sócrates, o PS consegue o melhor e o pior resultado da “estória” do partido (primeira derrota numas presidenciais).
Falta agora saber o que Cavaco quis dizer quanto, no discurso de vitória, afirmou: "É altura de "deitar mãos à obra, não é pequena a tarefa que temos à nossa frente e o trabalho será longo".
(*) Nota para a fórmula de contagem dos votos. Se estas fossem uma legislativas ou autárquicas, Cavaco não tinha ganho com maioria.
sábado, janeiro 07, 2006
Curta e grossa…
No entanto, aqui fica uma nota que não posso deixar passar.
O Governo divulgou que vai dar 1.5% de aumento aos funcionários públicos e 3% no salário mínimo.
Os senhores, que se dizem socialistas, dão um aumento abaixo da inflação e os portugueses vão já para o oitavo ano a perder poder de compra.
Entretanto, todos os produtos aumentam em percentagem igual ou superior à inflação. Destaque para o pão que sobe uns escandalosos 10%.
Haja vergonha...
sexta-feira, dezembro 23, 2005
Crise?!
“Nos primeiros 20 dias deste mês, os portugueses já levantaram no Multibanco mais de 1,3 mil milhões de euros.
Segundo o "Correio da Manhã", somados os levantamentos na Multibanco aos pagamentos nas lojas, o valor ascende aos 2,8 mil milhões de euros - números obtidos junto da Sociedade Interbancária de Serviços (SIBS).
O valor dos levantamentos indica crescimento, face a igual período do ano passado, de 16%, enquanto que as compras pagas com cartão de débito subiram 9%, revela o jornal.
Nas compras com débito directo, os cartões foram usados em cerca de 40 milhões de operações. Em termos globais, os cartões foram mais usados para levantamentos na primeira semana.”
"Ainda bem" que estamos em crise e estagnados economicamente. O que seria se não estivéssemos...
quarta-feira, dezembro 14, 2005
Frente a frente, lado a lado
Muito se tem falado sobre a fórmula encontrada entre as candidaturas e as televisões, ponto prévio: mais vale “debates”, que são quase duas entrevistas em simultâneo, que nada.
Este formato e até a colocação em estúdio, impede uma discussão mais acesa e a troca directa de argumentos, mas deixa espaço a algum esclarecimento e à visibilidade de algumas diferenças entre os candidatos.
Para já, o grande vencedor é Cavaco Silva, que, obviamente, ganha com a calma da discussão, com a limitação dos tempos e com as dificuldades económicas do país que lhe permitem realçar as suas qualidades enquanto economista.
Se havia dúvidas quanto ao “profissionalismo” do professor, o final do debate de ontem com Jerónimo foi paradigmático: primeiro, ainda em estúdio, lembrando o “Olhe que não, olhe que não”, de Álvaro Cunhal, o que lhe permitiu “sair” de um ataque e, depois, já cá fora, exemplar a forma como Cavaco “se fez” à câmara da SIC, enquanto respondia ao repórter, sempre em andamento.
Cavaco Silva parece ter “o controlo do jogo” e estar a “gerir” bem os resultados das sondagens.
A maior desilusão, até agora, é Manuel Alegre. O poeta, o mais inexperiente nestas andanças, parece tenso e pouco à vontade, inadaptado às câmaras, hesitante em algumas respostas.
O “independente” socialista tem que se soltar e ir além da estratégia de “vitimização”, de que terá sido alvo por parte do PS, e do “trunfo” de ter uma candidatura que não está ligada a nenhum aparelho partidário.
O debate Cavaco - Louçã terá sido o melhor até agora, talvez porque estávamos perante duas pessoas com a mesma formação, mas ainda faltam, por exemplo, os debates Soares – Alegre e Cavaco – Soares.
Posto isto ficam duas perguntas no ar: estes debates servem para alterar opções de voto? Será que vai haver segunda volta?
Cada vez me parece mais improvável (resposta às duas perguntas).
Indemnizações
De recordar que o ex-deputado foi acusado de 23 crimes de abuso sexual no âmbito deste caso e esteve em prisão preventiva quase cinco meses.
Não vou falar deste caso especificamente, este é só o ponto de partida que se aplica, ou deve aplicar, em minha opinião, a todas as situações idênticas, sejam elas mediáticas ou não.
Vejo-me obrigado a concordar que uma pessoa, qualquer que seja, exija uma indemnização ao Estado ou a alguém em particular se se provar que, afinal, esteve injustamente detida.
A investigação deve ser feita com toda a liberdade, isenção e rapidez e, depois, quando se passar à fase seguinte tem que haver certezas.
A lei permite um conjunto se opções, antes de se chegar à prisão preventiva, que deveria impedir que algum arguido fosse detido preventivamente sem o mínimo de garantias.
Quando há erros… alguém tem que pagar, alguém tem que minimizar as
domingo, dezembro 04, 2005
Só?!
Sem mais comentários, apenas faço “copy-past” do título:
“Emprego: 28 por cento do emprego que é criado em Portugal é através de cunhas”
quinta-feira, dezembro 01, 2005
Contra a SIDA…

Portugal já perdeu mais de seis mil pessoas para a SIDA, segundo dados do Centro de Vigilância Epidemiológica das Doenças Transmissíveis, do Instituto Nacional Ricardo Jorge.
Até ao dia 30 de Junho deste ano, 22 anos depois dos primeiros registos da patologia, foram contabilizados 27013 casos no País.
Segundo os dados do CVEDT, entre 1983 e 2005 foram identificados 12210 casos de SIDA em Portugal, dos quais mais de cinco mil na área de Lisboa, 2716 são do Porto e 1685 de Setúbal.
O número de mortes representa cerca de 50% do número de casos diagnosticados. Há ainda a registar 12355 de seropositivos e quase 2500 doentes com patologias associadas à imunodeficiência, mas aos quais ainda não se atribui a designação de Sida - casos sintomáticos não-Sida.
Já a ONUSida, das Nações Unidas dedicado ao combate à epidemia, revela que Portugal é o segundo país europeu com mais altas taxas de infecção com o HIV - 280 novos casos por milhão de habitantes. Em cada milhão de habitantes, há 80 que são diagnosticados quando já sofrem de sida, ou seja, só descobrem a doença muitos anos depois de terem sido infectados.
Só em 2004 foram diagnosticados 642 novos casos.
E isto é só em Portugal, em África, por exemplo, a situação é muito (muito) pior com 2/3 dos portadores mundiais.
Vale a pena pensar nisto… no Dia Mundial de Luta contra a SIDA.
Paguem...
Vai ser repetido o julgamento do caso de uma criança que morreu (depois de cair numa estação de esgoto que estava destapada), no Seixal, porque algumas gravações de testemunhos estão inaudíveis.
O caso foi julgado há apenas quatro meses e condenou a autarquia a pagar uma indemnização de 250 mil euros à família da criança.
Colocados os dados em cima da mesa, há duas situações que me enojam:
Primeiro, como é que uma autarquia tem o descaramento e a suprema lata de interpor recurso numa sentença como esta. Vai obrigar a família a voltar a tribunal, a reviver o acidente, só na esperança de pagar uns tostões a menos de indemnização.
Segundo, como é possível que uma sentença seja anulada só porque os tribunais não têm condições de gravação.
Como é possível? Ainda queremos nós fazer parte do “pelotão da frente” dos países civilizados.
Francamente, tenham vergonha.
quarta-feira, novembro 23, 2005
A verdade da mentira
Só para que conste estamos a falar de um deputado, vice-presidente da Assembleia da República, e do Primeiro-ministro do país e, que não haja dúvidas, um dos dois “artistas” está a mentir.
Manuel Alegre garante que falou várias vezes com Sócrates para ser o candidato apoiado pelo PS à presidência da República, depois das recusas de Guterres e Vitorino.
O secretário-geral dos socialistas desmente Alegre e diz que só falou com o deputado para este apoiar Soares.
Entretanto, Mário Soares diz que não tem nada a ver com este “imbróglio” e que o “caso” não é com ele, afirmando só que “não é, nem nunca foi traidor”.
Não sei quem tem razão nesta lamentável “estória”, a única certeza é que – como já disse - alguém está a enganar os portugueses e isso é muito grave.
É incrível como três destacados elementos do mesmo partido dão este triste espectáculo que, para além de ser tudo menos dignificante, só dá trunfos ao adversário.
Qualquer pessoa que pense votar em Alegre ou Soares para Belém pode, depois disto, pensar: “Mas se estes gajos mentem uns aos outros e não se entendem, como é que vão servir para a presidência da República?”
Será que Portugal não merece uns políticos melhores?
As perguntas são legítimas e Cavaco Silva já se está a rir.
quarta-feira, novembro 16, 2005
Sobe sobe, desemprego sobe
São já 430 mil as pessoas inscritas nos Centros de Emprego, o que equivale a 7.7% da população activa, o valor mais elevado desde 1998.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística, comparando com o mesmo trimestre de 2004, o número de desempregados cresceu 14,4% entre Julho e Setembro.
Estes são números preocupantes, diria mesmo alarmantes, especialmente se acrescentarmos que uma boa parte destes são jovens licenciados à procura do primeiro emprego.
Estranho mais uma vez que, ao mesmo tempo que se diz que o nosso país tem um atraso na formação, não se aposte, precisamente, em pessoas formadas.
Mais extraordinário ainda é que, agora, oito meses depois de ter tomado posse, o ministro do Trabalho venha dizer que “vai tomar medidas” e que é preciso que “os centros de emprego se aproximem dos desempregados”.
Vieira da Silva acrescenta que “não é o Estado que cria postos de trabalho” (!)
Queria só aproveitar para lembrar uma das promessas de José Sócrates em plena campanha eleitoral: criação de 150 mil empregos e 25 mil estágios para jovens.
Desculpem, devo ter sonhado...
segunda-feira, novembro 14, 2005
Portugal maior
O candidato abriu hostilidades, obviamente, no “Cavaquistão” (Viseu), “território amigo”, para se ir ambientando à “luta”.
Esta "aparição" é notícia porque foi a primeira e porque Cavaco deve limitar as intervenções ao mínimo e fugir o máximo a debates – truque habitualmente utilizado por quem está na frente das sondagens.
Bom, mas isto são contas de outro rosário…
Este “post” surgiu simplesmente porque me lembrei do slogan de campanha de Cavaco Silva: “Portugal Maior”.
Partindo do princípio que não é uma gralha, confesso que esta frase me faz uma certa confusão (para não dizer outra coisa).
Este slogan remete para o tempo da outra Senhora, as tendências expansionistas do Império, ou, noutro âmbito, o Portugal dos “maiores”, que esquece quem mais necessita.
Posso, obviamente, estar enganado e não ser nada disto que a frase quer dizer ou tem subentendido, mas lá que parece, parece.
Eu, por mim, não quero um Portugal maior, quero um Portugal Melhor, mais solidário, mais eficaz, menos corrupto.
sexta-feira, novembro 11, 2005
Quanto pior… melhor
Obviamente que os governantes não são obrigados a seguir os resultados dessas análises. No entanto, no caso de isso não acontecer, tem que haver razões fortes.
O que não deve e não pode acontecer é encomendar estudo atrás de estudo até que este dê o resultado que nós “gostamos”.
É, exactamente, para isso que servem os estudos: para se avaliarem as situações e, depois, deixar aos governantes a decisão final, supostamente a melhor para o país.
Vem isto a propósito de um estudo da Direcção Geral de Saúde, baseado em dados de 2003, que confirma que, salvo raras excepções, os hospitais-empresa são menos eficientes que os outros.
Ora, acontece que, apesar deste resultado, o modelo dos hospitais-empresa é o que também vai ser seguido por este Governo.
O que é incrível é que, sabe-se agora, devido ao resultado “madrasto”, afinal, este estudo não era para revelar… malditos jornalistas.
Pior, descoberta a fuga, o Ministério da Saúde vem desvalorizar e garante que, afinal, o importante será outro estudo encomendado a um economista, que se espera em Dezembro.
Porque raio estamos a insistir numa "fórmula" que, diz a DGS, não é o mais eficaz? Há alguém a ganhar muito com isto, seguramente. Eu cá tenho uma ideia de quem é.
Ficam as perguntas: se este novo estudo tiver a “coragem” de dar um resultado semelhante a este da Direcção Geral de Saúde, o que vai o Ministério fazer? Esconder o documento e encomendar outro? Assobiar para o ar? Mudar de política em relação aos hospitais?
Tem a palavra o ministro Correia de Campos…
domingo, novembro 06, 2005
“Escumalha”
Tudo começou depois da morte de dois jovens que fugiam à polícia e saiu do controlo das autoridades depois do comentário do senhor Nicolas Sarkozy.
Pela 10ª noite consecutiva, em várias cidades francesas, incluindo a capital, centenas de carros têm sido incendiados diariamente e dezenas de pessoas detidas.
Milhares de polícias já estão nas ruas e há quem peça a intervenção do Exército.
Será que a “entrada em cena” do Exército não vai piorar a situação em França? Será que esta crise não pode alastrar a outros países? O que fazer com a maioria destas pessoas que está ilegal e/ou vive em condições sub-humanas?
Entretanto, o Presidente Chirac e o Primeiro-ministro Villepin tentam colocar água na fervura, mas Sarkozy não cede.
Não estará na altura deste ministro colocar o lugar à disposição?
Mão cheia de nada
Vem este ponto de ordem a propósito da inacreditável e inaceitável reacção do Primeiro-ministro do Governo, dito, socialista à proposta da CGTP que, recorde-se, defende a subida do ordenado mínimo até aos 500 euros em 2010.
José Sócrates considera “absolutamente demagógica e fantasista” esta proposta.
Convém relembrar ao senhor Primeiro-ministro socialista (!) que, actualmente, o salário mínimo são 373.6 euros (menos de 75 contos) e que, a ser aprovada, a proposta da central sindical implicava um aumento de cinco (5) mil escudos anuais.
Não digo que esta medida não implicasse um grande esforço por parte do Estado, concordo que sim, acontece que era apenas necessário mudar as prioridades.
Em vez de se passar a vida a mudar administrações de empresas públicas, a contratar assessores atrás de assessores, a desperdiçar dinheiro com viagens de Falcon ou a comprar submarinos, etc, etc, etc... talvez não fosse má ideia dar dinheiro a quem precisa.
Será que é preciso recordar que há muitas pessoas em Portugal a viver abaixo do limiar da pobreza?
Como o anúncio do hipermercado, apetece perguntar: Como se consegue viver com setenta e poucos meses por mês?
Tenha vergonha senhor Primeiro-ministro.
terça-feira, novembro 01, 2005
A Democracia, segundo Rio Rio
Numa intervenção sem direito a perguntas, Rui Rio anunciou que a partir de agora só dará entrevistas “por escrito, mediante critérios de oportunidade, com regras previamente definidas, evitando ou minimizando assim interpretações especulativas ou a pura manipulação das respostas".
E porque toma Rio esta atitude?
Porque, segundo o senhor Presidente da Câmara da Invicta, aos "detentores do poder, legitimados pelo voto livre e democrático" compete "procurar evitar distorções e lutar contra a perversidade, principalmente quando ela atinge uma dimensão que põe em causa a saúde do regime e a própria governabilidade do país".
Ora aqui está um “belo” exemplo de Democracia dado por um autarca eleito democraticamente pela maioria absoluta dos portuenses.
Vamos esperar para ver se este é um incidente isolado ou se vêm aí mais atitudes déspotas.
Bem dizia o slogan de campanha: “Este Rio não pode parar”.
Pois é, agora, aturem-no.
sexta-feira, outubro 28, 2005
“Alta velocidade”
Para já, por aquilo que fui ouvindo, parece-me que há maiores dúvidas em relação ao novo aeroporto: pelo preço, pela localização, pelas perspectivas de desenvolvimento…
É certo que estamos em crise e que estes dois projectos obrigam a grandes (megalómanos?) investimentos públicos.
Mas também é certo que, se não for agora, nunca mais a União Europeia nos ajuda (financeiramente) nestes projectos.
Posto isto, enquanto se espera pelos estudos e pela confirmação oficial, parece que o TGV deverá ser adiado para 2015, ter duas linhas e quatro paragens: Leiria, Coimbra, Ota e Aveiro.
O que acho curioso é que o PSD continue a dizer que este projecto é despesista e megalómano. Talvez tenha razão, a questão que se coloca é que há pouco mais de dois anos (com Durão Barroso como Primeiro-ministro), os social-democratas assinaram com o Governo espanhol, na Figueira da Foz, o seu projecto do TGV que incluía não duas, mas quatro linhas.
A viragem “laranja” é grande e feita, como se percebe, em alta velocidade.
“Choque tecnológico”
Alberto Costa, o “senhor da Justiça”, levando as indicações do Chefe de Governo à letra, acaba de contratar (mais) uma assessora, esta, apenas e só, para renovar o site do Ministério.
Ora até aqui tudo bem, a questão é que a senhora em causa vai ganhar uma “pipa” de massa às custas de todos os contribuintes.
Segundo os dados revelados, a nova assessora de Alberto Costa vai auferir uns “míseros” 3254 euros, o que, trocado por escudos, equivale aos antigos 650 contos mensais.
Abençoado site, bendita crise.
domingo, outubro 23, 2005
Acima do nevoeiro
"Depois de cuidada ponderação, decidi candidatar-me à Presidência da República. Não foi uma decisão fácil. Faço-o por um imperativo de consciência", disse, obviamente, no CCB.
"Eu não me resigno" e "não me conformo com o clima de pessimismo" deste quadro e, por isso, "quero ajudar a construir um novo horizonte de oportunidades", referiu Cavaco.
Ainda bem, digo eu, que não se tomam decisões de ânimo leve e que tudo é feito depois de “cuidada ponderação”.
Apesar de prometer cumprir e fazer cumprir a Constituição (também era melhor que não o dissesse), vários pontos do seu discurso deixam entender uma forte vontade de intervir.
É, aliás, curioso que depois de, na última revisão constitucional, se ter diminuído o poder presidencial, já se fale, agora, exactamente no contrário.
Por outro lado, é incrível como o candidato está a tentar fazer passar a imagem de que não tem nada a ver com o que se passou no país. Até parece que não esteve 10 anos no Governo. Diz ele: “O passado não interessa”.
Qual “Salvador da Pátria”, Cavaco Silva foi seguido em directo pelas televisões, da porta de casa até ao CCB, como se do próprio Chefe de Estado se tratasse.
Convém recordar os mais incautos que o senhor professor ainda não ganhou as eleições e que até o “desejado” D. Sebastião foi derrotado em Alcácer Quibir.
O próprio Cavaco teve, logo no dia a seguir ao anúncio oficial, os primeiros dois deslizes: primeiro disse que “um Presidente (!) não deve reagir ao que diz o Primeiro-ministro” e depois chamou “Assembleia Nacional” à Assembleia da República.
Foram apenas lapsos ou é algo mais?
PS: Quem deve, seguramente, estar feliz são as pastelarias que vendem Bolo-Rei.
quarta-feira, outubro 19, 2005
Separação de poderes…
Jorge Sampaio terá falado sobre o processo e pedido a Hugo Chavez para interceder junto das autoridades judiciais.
É certo que este caso está “enguiçado”, o julgamento já foi adiado mais de 20 vezes, mas não parece “correcto” (para não dizer pior) que o Chefe de Estado tente meter uma “cunha”.
Numa Democracia, que Portugal e Venezuela dizem ser, seria estranho se tudo se resolvesse com a intervenção de um qualquer Chavez ou Sampaio.
Há – tem que haver – separação de poderes: à Justiça o que é da Justiça, aos Governos o que é dos Governos.
Era dispensável ter que ouvir Hugo Chavez dizer isso mesmo em declarações aos jornalistas e era também escusado termos, depois, sabido que há, cá em Portugal, vários casos iguais, semelhantes ou ainda piores que o do co-piloto da Air Luxor.
É que nós nesta matéria não somos, seguramente, exemplo para ninguém. Já se sabe que a Justiça em Portugal não funciona – e esse é um dos maiores cancros da nossa sociedade – e temos exemplos que davam para preencher uma lista telefónica.
Deixo só o último exemplo: Carlos Silvino vai ter que ser libertado em breve porque já passaram os três anos de prisão preventiva, sem que o processo Casa Pia chegasse ao fim.
Os números não mentem
As 100 maiores fortunas portuguesas representam 17% do Produto Interno Bruto e 20% dos mais ricos controlam 45,9% do rendimento nacional.
As estatísticas indicam que um em cada cinco portugueses vive no limiar da pobreza.
Esta é mais uma estatística que o nosso país “orgulhosamente” lidera e em que está acompanhado por um “país irmão” – o Brasil – com estatísticas semelhantes na América Latina.
É mais um alerta que fica… Mais uma vez, “vale a pensar nisto”.
segunda-feira, outubro 10, 2005
Chá, café… ou laranjada
· Os portugueses foram votar para 308 concelhos e 4260 freguesias e, primeira vitória, a abstenção baixou. Faz-me sempre muita confusão quando o povo desperdiça estas ocasiões para se expressar.
· Os social-democratas reforçaram o número de autarquias “laranja”, beneficiando do habitual “ciclo local” de dois mandatos, do “cartão amarelo esperado a Sócrates e também da política de coligações.
· Marques Mendes merece, no entanto, uma nota à parte: Geriu bem a maioria dos “casos” do seu partido (à excepção de Leiria), preferindo perder Câmaras (como Gondomar e Oeiras), a vergar-se à ditadura do triunfo fácil.
· O PS perdeu muitos votos em relação às legislativas, mas, mais do que isso, perdeu Câmaras (algumas importantes, como Aveiro) em relação a 2001 e não recuperou nenhuma daquelas em que apostava (Lisboa, Porto, Sintra). Curiosamente, apesar disso, teve mais votos e mais percentagem.
· A CDU, de Jerónimo de Sousa, é, talvez, o grande vencedor da noite. Perdeu e ganhou Câmaras, com saldo positivo (tem agora 32, mais quatro) e, mais importante, recuperou a liderança da Junta Metropolitana de Lisboa.
· Ao CDS-PP valeu o perdoado Daniel Campelo, que “regressa” a Ponte de Lima com a bandeira “centrista”. Ribeiro e Castro não é, definitivamente, líder para campanhas…
· O Bloco de Esquerda subiu em relação a 2001, mas esperava-se mais. Não em termos de Câmaras, mas em termos de reforço nos grandes centros urbanos.
· Entre os “candidatos-bandidos” (Francisco Louçã, dixit), a surpresa: Avelino Ferreira Torres não ganhou Amarante, uma boa notícia. Isaltino ganhou em Oeiras e vai ter que se entender com Teresa Zambujo. Já Valentim e Fátima esmagaram. É o país que temos (mau sinal).
· A Madeira continua a ser um Jardim e 11-0 para o PSD.
· Carmona e Rio ganharam Lisboa e Porto como se esperava. Talvez, na “Invicta” se esperasse mais equilíbrio.
· Bom o discurso de Francisco Assis na derrota, miserável o discurso de Carrilho que, para além de continuar a dizer que o seu projecto (!) era o melhor para a cidade, não foi capaz de dizer uma palavra para com o adversário vencedor.
· Soares pai meteu água, outra vez, no dia das eleições e tem, novamente, a CNE à perna. Soares filho sofreu nova derrota e vai ter que ir pregar para outra freguesia.
· Nota final para o estranho problema informático que nos dificultou a vida durante toda a noite eleitoral. A esta hora que escrevo faltam apurar 14 concelhos.
· Resumindo, o país autárquico ficou ainda mais “laranja” e, surpresa, mais “vermelho”, o que quer dizer que o “rosa” ficou esbatido e perdeu à direita e à esquerda.
quinta-feira, outubro 06, 2005
Os graxistas
Descontando o tom descontraído e brincalhão do desabafo, esta declaração resume aquilo que se tem passado nestas últimas semanas de norte a sul, na luta pelas 308 autarquias do país.
Entre festas e romarias, mercados e arruadas, comícios e debates, ofertas e promessas, todos procuram o voto... dando "graxa aos eleitores".
Autarcas que se recandidatam, políticos que mudam de "equipa", caras novas e os mesmos de sempre, os "filósofos" e os "populistas", os independentes e os arguidos... há de tudo como na farmácia.
No próximo domingo, dia 9, saber-se-á quem se saiu melhor desta palhaçada geral.
O problema é que, logo no dia a seguir, começa outra "corrida" que só termina em Janeiro.
segunda-feira, outubro 03, 2005
Tem cartão?!
O PS está no Executivo há seis meses, com maioria absoluta, prometeu reformas, mas continua a cometer alguns dos mesmos erros dos seus antecessores.
Dos vários que já aconteceram destaco agora um que me mete muita impressão: continua a prevalecer o cartão partidário em vez da competência.
Ainda na sexta-feira o Ministério da Cultura trocou as direcções de três institutos, sem mais.
Será que eram todos incompetentes? Quanto vão custar estas trocas?
Isto, claro, já para não falar, por exemplo, da promoção (escandalosa) de Armando Vara na Caixa Geral de Depósitos.
Já não há paciência. Alguém que pare com isto, por favor.
Fim do mundo
O bairro onde ocorreu mais este acidente trágico é constituído por 180 barracas, tem o nome “sugestivo” de Fim do Mundo e é na zona de Cascais.
As vítimas mortais no incêndio foram uma mulher de 39 anos e os seus cinco filhos: uma jovem de 19 anos, outra jovem de 16, uma menina de 10 anos e dois meninos de 12 e cinco anos.
Depois disto, só me apetece perguntar: Como é possível? Como é que isto pode continuar a acontecer num país dito civilizado em pleno ano 2005?
Um país não pode evoluir enquanto continuar a deixar abandonadas as pessoas que nele vivem.
A culpa é de todos...
segunda-feira, setembro 26, 2005
Contra ventos e marés
Continuo a achar que o deputado-poeta faz bem em "ir a jogo", por todas as razões e mais uma: tinha sido o primeiro a mostrar disponibilidade, tinha até recebido o apoio de Mário Soares e ficava-lhe, agora, mal desistir em nome da "unidade da esquerda" ou da "não divisão do PS".
Manuel Alegre é conhecido pela sua coragem política, por dizer e fazer sempre aquilo que pensa, por estar muitas vezes contra a corrente, mesmo contra o seu próprio partido (vide o processo da co-incineração de Sócrates) e este recuo na corrida a Belém não encaixava no perfil.
Não sei porque teve esta hesitação entre o primeiro discurso e o avanço confirmado no sábado, ou melhor dizendo, não sei porque, afinal, decidiu mesmo avançar.
Talvez porque esperava uma "vaga de fundo", talvez porque não gostou de algumas reacções internas ou talvez porque algumas sondagens "dizem" que, só com Alegre na corrida, Cavaco não terá maioria absoluta à primeira volta. Talvez...
Tinha ficado desiludido com a primeira decisão de Alegre. Estou, por isso, agora, contente com a segunda.
Como já disse e repito: tem o meu voto na primeira volta.
domingo, setembro 25, 2005
Locomotiva engasgada
A votação foi apertada e aconteceu aquilo que menos interessava na perspectiva alemã e, até, de toda a Europa.
É certo que Portugal não é exemplo para ninguém, mas a verdade é que, em Democracia, o nosso país já teve quatro tipos de Governos: maioria absoluta de um só partido, maioria absoluta de dois partidos da mesma área, coligações “contra-natura” e maiorias simples de um só partido.
Apesar das diferenças, fomos sempre sendo governados e o país (mais ou menos devagar e especialmente com a ajuda da União Europeia) foi sempre evoluindo.
A Alemanha – motor da Europa – habituado a viver com maiorias, parece indeciso sobre o que fazer.
A CDU, de centro direita, foi o partido mais votado mas o bloco de esquerda, liderado pelo SPD, tem a maioria.
Agora quer Angela Merkel e Gerhard Schroeder querem ser Chanceler e o entendimento não parece fácil.
Não parece possível um Executivo de “bloco central” e já foi dito pelos pequenos partidos de lado a lado que não se vão coligar com os grandes para fazer coligações de conveniência…
Já há quem defenda a repetição das eleições ou, talvez, uma votação a dois entre o partido da senhora Merkel e do senhor Schroeder.
Não sei como isto se vai resolver, o certo é que é, no mínimo, estranho que um país “civilizado” não consiga encontrar um Primeiro-ministro depois de eleições democráticas.
A Europa dos “25” aguarda ansiosa, quase desesperadamente, que a sua locomotiva volte a entrar nos carris e a puxar as carruagens…
Marchar… marchar
Serve esta introdução para que eu diga, desde já, que sou contra a existência de sindicatos nas Forças Armadas.
É certo que o Governo mexeu nas regalias que estes profissionais tinham há muitos anos e que, obviamente, por isso, estes têm demonstrado o seu desagrado.
Agora, daí a manifestarem-se fardados ou até, quem sabe, partirem para a greve, vai uma grande distância.
Como disse, os militares não são uns “simples” funcionários públicos e, sendo assim, defendo que algumas regalias têm que ter (seguramente bons salários, boas condições de assistência e, eventualmente, menos anos de serviço), não posso é defender que venham para a rua chorar-se por tudo e por nada.
O exemplo dado pelas mulheres dos militares, para além da prova de amor entre cônjuges, é um pouco patético porque, se a moda pega, numa situação de guerra, os homens militares podem, de repente, dizer: “Ó Maria, ‘tou chateado com isto, vai lá tu dar uns tirinhos”.
As Forças Armadas são um pilar da Democracia e com isso não se brinca... Ainda não estamos num qualquer país africano que, de golpe de Estado em golpe de Estado, vai mudando de Governo e regime ao sabor do vento.
O (bom) exemplo do 25 de Abril vai ser difícil de repetir.
sábado, setembro 24, 2005
David e Golias
A polémica começou há cerca de seis meses, no discurso de tomada de posse de José Sócrates, e ainda não desapareceu das "primeiras páginas" da actualidade.
A questão geral já teve vários pontos de análise, que têm dado “pano para mangas” (especialmente a questão dos medicamentos – quais, porquê e como – a vender fora das farmácias), mas agora o último “tópico” de discussão tem a ver com o preço.
O ministro da Saúde prometeu que, a partir de Outubro, os medicamentos iriam descer 6%, enquanto os genéricos vão subir 4% (porque o Executivo termina com o subsídio aos mesmos). Obviamente que a Associação Nacional de Farmácias já veio queixar-se e, mais do que isso, acusar o Governo de estar a mentir.
Não vou aqui, até porque não tenho todos os dados, avaliar quem tem razão. Há, no entanto, algumas questões que me preocupam…
Em primeiro lugar, parece-me positivo (essencial até) que se baixem os preços dos medicamentos. O país tem dos preços mais altos da Europa e isso não é nada compatível com o nosso poder de compra.
Em segundo lugar, os genéricos são uma boa ideia, sendo mais baratos, desde que, obviamente, seja garantida a qualidade.
O que me parece um contra-senso é que haja genéricos de marca. Convém não esquecer que o que diferencia os medicamentos dos genéricos e faz descer o preço é a não existência de marca.
Por outro lado, há uma acusação que convinha esclarecer: consta que as farmácias e os laboratórios compraram todos os stocks para continuarem a negociar com os preços antigos.
Vamos ver o que vai acontecer quando terminar o período de “duplo preço”. Vamos ver quem tem mais força: o Governo ou a ANF.
quarta-feira, setembro 21, 2005
(In)Justiça
Como é possível que uma senhora fuja do país, goze com todos os portugueses durante mais de dois anos e depois, quando volta, ainda seja recompensada com o desagravamento da pena a que estava sujeita?
A ex-autarca fugiu para o Brasil depois de lhe ter sido instaurada a pena de prisão preventiva no caso do “saco azul” e, agora, fica apenas com “termo de identidade e residência” e "impedimento de se ausentar de Portugal" (!).
Confesso que não sei se Fátima Felgueiras é ou não culpada no caso em que é arguida…
O que sei é que não acatou a decisão de um tribunal e fugiu, o que não é nada bom sinal. Tal como a mulher de César não basta ser séria é preciso também parecer.
Depois dos antecedentes, agora que a candidata à autarquia está outra vez em liberdade, gostava de saber se a senhora juíza dorme descansada sabendo que Fátima Felgueiras se pode pôr outra vez ao fresco a qualquer momento.
E, já agora, outra dúvida: será que os nossos impostos vão servir para colocar polícias à porta da senhora, 24 horas por dia?
domingo, setembro 18, 2005
País de “doutores”
Para o ano lectivo 2005/2006 o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior disponibilizou 46399 vagas, a que concorreram 38976 candidatos, 86% dos quais conseguiu já uma vaga.
Entretanto, os 5456 alunos que não tiveram nota para entrar poderão ainda candidatar-se à segunda fase do concurso na qual estão ainda disponíveis 12898 vagas.
É caso para dizer que o país está em crise, mas não é por falta de “doutores”. Toda a gente entra na Universidade, todos querem o canudo… o pior é depois.
A maior parte dos cursos não tem saídas profissionais compatíveis, as pessoas vão fazer coisas para as quais não estão bem preparadas ou que não gostam.
O que também acontece é que, como estão todos na Universidade, ninguém faz os trabalhos “intermédios”ou (considerados) “menores” e é aí que entram os imigrantes que, apesar de serem qualificados, só têm entrada nos trabalhos que os portugueses recusam.
O que era preciso era que houvesse um estudo sério, em larga escala, para se perceber o que realmente o país necessita para avançar e, depois, direccionar os alunos para essas áreas, seja com cursos universitários, simplesmente com cursos profissionalizantes ou com “reformulações”.
Vá lá que, agora, o Ministério do Ensino Superior faz, pelo menos, uma exigência: só entram alunos com média positiva.
É o mínimo.
sábado, setembro 17, 2005
Cheira mal… cheira a Lisboa
O último caso é, obviamente, o debate televisivo entre Carrilho e Carmona que, depois de trocas de insultos constantes e poucas ideias concretas, terminou com o candidato do PS a recusar o cumprimento do seu opositor.
Foi uma atitude “fina” e “civilizada” entre dois cavalheiros.
Aliás, Manuel Maria, o filósofo-candidato, já nos tinha brindado com mais uma ideia emblemática: o teatro de revista devia acabar porque é só “para uma minoria”... Nada elitista o senhor.
“Fina” é igualmente a candidata apoiada pelo CDS-PP que, preocupada com “as senhoras que andam de salto alto nas ruas de Lisboa”, defende o fim da “calçada portuguesa”.
Diz Maria José Nogueira Pinto que se devia adoptar para Portugal o sistema de Madrid: passeios em cimento.
Pois, eu cá também acho.
Já agora, de Espanha podíamos importar também os salários, o preço dos combustíveis, o desporto e os seus resultados, as “paellas”, as touradas de morte e, porque não… os candidatos e os políticos.
Há coisas que continuam a surpreender-me: ver a candidata da direita contestar uma tradição portuguesa como a nossa calçada é tão estranho como, um destes dias, ver o Bloco de Esquerda defender a criminalização das drogas leves.
PS: Só para que conste: Eu não voto em Lisboa… felizmente.
domingo, setembro 11, 2005
Santana, o Humilde…
O ex-presidente da Câmara de Lisboa e futuro “novo” deputado continua igual a si próprio.
Primeiro, na semana de todas as inaugurações voltou a meter água com a Feira Popular, depois ainda tentou arranjar um “pseudo-tabu” ao ser confrontado com a necessidade de decidir entre a autarquia até Outubro ou o Parlamento por mais três anos. Como se não soubéssemos…
No comentário a mais esta alteração na vida de Santana, o impagável Delgado não foi de modas: esta é uma atitude de “grande humildade”, pode ser muito boa para ele e, quem sabe, o ex-autarca até pode – como aconteceu com o amigo Paulo Portas – ganhar o prémio de “deputado do ano”.
Isto é que são amigos…
quarta-feira, setembro 07, 2005
Sem mais comentários…
Por exemplo:
As quinhentas pessoas mais ricas do mundo têm tanto dinheiro como os 416 milhões mais pobres;
Por cada dólar que os países ricos concedem em ajuda, correspondem dez gastos em despesas militares; sete mil milhões de dólares por ano seriam suficientes para, em dez anos, abastecer de água limpa 2,6 mil milhões de pessoas (mais do que isto gastam, anualmente, os europeus em perfumes e os americanos em cirurgias estéticas);
Morrem mil e duzentas crianças por hora, devido à pobreza.
Vale mesmo a pena pensar nisto… Quando será que os “senhores do mundo” vão acordar?
sábado, setembro 03, 2005
E tudo o vento levou…
A capital do Jazz foi apenas um dos locais atingidos, mas a cidade ficou completamente destruída e com 80% da sua superfície submersa.
O número de vítimas é, a esta hora, desconhecido mas as autoridades já falam na hipótese de haver milhares de mortos.
A juntar aos que não resistiram directamente a este fenómeno da natureza, que chegou a atingir o “grau cinco” (máximo), há ainda que os que ainda vão morrer de doença, ferimentos, fome ou sede.
É que há milhares de pessoas sem água, comida, tecto, luz, à mercê de bandidos e saqueadores.
Há habitantes a roubar para sobreviver e há tresloucados nas ruas que disparam contra tudo o que lhes aparece pela frente (sejam helicópteros de ajuda ou pessoas a sair dos hospitais).
Os apelos desesperados do presidente da Câmara de New Orleans e de um grupo de senadores negros foram arrepiantes, as imagens das populações foram de uma violência atroz.
Já a completa inacção do Governo Federal é revoltante e obscena. George W. Bush só ao quinto dia se dignou ir às áreas mais atingidas para dizer umas baboseiras.
Em mais um dia louco com declarações fortíssimas, alguém colocou os pontos nos “ii”: “As pessoas que faleceram nesta tragédia, morreram porque eram pobres, não porque eram brancos ou negros”.
“Tenho vergonha do meu país, tenho vergonha deste Governo”, dizia uma Senadora emocionada perante a tragédia.
Como é possível que o líder do país mais rico do mundo deixa que tudo isto aconteça no seu próprio território sem reagir?!
Como é possível que o senhor Bush, a primeira vez que falou aos norte-americanos, se tenha preocupado apenas com a gasolina e o petróleo?!
Como é possível que o presidente do “dono do mundo” tenha dito que esta “tragédia vai ser boa porque as pessoas afectadas vão ter casas novas”?!
Como é possível que na véspera da chegado do “Katrina”, as pessoas tenham sido alertadas para sair da cidade, mas não lhes tenham sido dadas mais indicações?!
Como é possível que não se tenha prevenido um eventual desvio de trajectória, que veio a acontecer?!
Como é possível que Bush não se demita?!
Como é possível…
sexta-feira, setembro 02, 2005
“Nim”
Nos primeiros 9 minutos e 45 segundos da declaração que fez no “Forno da Mimi”, em Viseu, tudo parecia indicar que Manuel Alegre ia avançar.
O discurso foi fantástico, com os argumentos certos, bem escrito, bem lido, “contra tudo e contra todos”, contra “ventos e marés”, contra amigos de sempre e adversários de estimação.
No fim, os últimos 15 segundos, Alegre estragou tudo: “Não concordo com a outra candidatura mas, para não ser acusado da derrota, para não dividir a esquerda, deixo-me ficar como estou”.
É verdade que não tinha o apoio do partido e não ia ganhar as eleições, mas as convicções e a determinação de Alegre seriam importantes nesta campanha.
Assim, acobardou-se, rendeu-se e disse “nim” com sabor a “não”.
Manuel Alegre falhou ao não avançar com a candidatura a Belém e desiludiu-me. Já perdeu um voto...
Agora, para os portugueses, a escolha de Janeiro vai ser entre o voto branco e a dupla “Bucha e Estica”.
domingo, agosto 28, 2005
Curtas e grossas…
· O país voltou a arder, e muito, como em 2003. De lá para cá pouco ou nada se fez… lamentável.
· Atenção aos números: 14 pessoas morreram devido aos fogos, mais de 100 foram detidas por suspeita de fogo posto, 180 mil hectares de área florestal já arderam.
· Estamos num período de seca severa e extrema porque não há, não houve, uma verdadeira “política da água” no país.
· 580 pessoas já morreram nas estradas portuguesas só este ano. Alguém, por favor, que acabe com esta guerra silenciosa em Portugal.
· Mário Soares e Cavaco Silva vão defrontar-se, num combate de “titãs”, para Belém. Isto, se não fosse trágico, até podia ser uma comédia com o regresso do “Bucha e do Estica”.
· A pré-campanha para as Autárquicas já está aí: as inevitáveis promessas, o show-off mediático de sempre, as críticas do costume, as parvoíces habituais dos verdadeiros “cromos”…
· Armando Vara é mesmo competente, até conseguiu ser promovido a administrador da Caixa Geral de Depósitos.
· O petróleo continua a subir, imparável, e o nosso país, “superdependente”, sofre com isso. Nós que temos sol todo o ano, mar todo o ano, vento todo o ano, porque não aproveitamos?
· Os iraquianos continuam às voltas com a Constituição. Sunitas, xiitas e curdos ainda não se entenderam. O único acordo é que é “obrigatório” chegar a acordo. Não se sabe é quanto, nem como.
· No Médio Oriente, Sharon deu um passo inesperado. É um pequeno (e primeiro) passo, mas é na direcção certa. Finalmente, o “falcão” dá mostras de querer a paz. Agora, a bola está do lado palestiniano.
segunda-feira, julho 11, 2005
Tiro ao Alvo... a banhos
Reabriremos nos primeiros dias de Agosto com "pontaria afinada" ao que se for passando "no país e no mundo".
Sim, porque eu "vou andar por aí"...
sábado, julho 09, 2005
Big Bang
Mais uma vez morreram pessoas inocentes que só queriam ir trabalhar e que nada têm a ver com questões políticas, religiosas, ou outras.
Seja qual for a “razão” dos terroristas nada (mesmo nada) justifica que se matem civis só para “dar espectáculo”.
Para além de tudo o mais, há dois aspectos que me chocam especialmente: a impotência em responder perante um ataque deste tipo (não é possível controlar as milhares de pessoas que andam a toda a hora nos transportes públicos) e a tremenda frieza dos homens que comandaram e executaram esta operação (o que lhes interessa é matar e matar muito, independentemente de quem possa ser).
Sinceramente, não sei como “isto” se poderá resolver e agora até já tenho dúvidas que tenha alguma coisa a ver com a presença das tropas internacionais no Iraque (que foram e são, obviamente, um erro, mas que não podem justificar tudo).
Depois das Torres Gémeas, de Bali, Madrid e, agora, Londres, infelizmente, a única certeza que temos é que, mais tarde ou mais cedo, “eles” vão voltar a atacar… só não se sabe quando e onde.
O que também me parece é que, agora, depois da “casa arrombada" é escusado que se faça muito “show-off” com as “trancas na porta”.
Por aquilo que já se viu, a Al-Qaeda (tudo parece indicar que é esta a assinatura) ataca quando menos se espera, nos sítios e situações comuns da vida quotidiana.
Está confirmado que, desde Setembro de 2001, foram evitados na Europa dezenas de atentados, o problema é que os terroristas não têm pressa e, pior do que isso, basta-lhes ir marcando um “golo” de quando em vez.
PS: Não sei se é apenas coincidência mas o certo é que, dos países que participaram na cimeira das Lajes, o único que ainda não foi atacado foi Portugal.
quarta-feira, julho 06, 2005
O outro “69”
Este novo concurso europeu bate todos os recordes e oferece esta semana 69 milhões de euros (quase 14 milhões de contos).
Antes de continuar, deixem-me só esclarecer que não tenho nada contra o jogo legal (nem este, nem qualquer outro) e que sei que este até está concessionado à Santa Casa da Misericórdia, o que permite ajudar pessoas com problemas.
No entanto, é só esta a minha questão, parece-me que dar 14 milhões de contos a alguém que acertou umas cruzinhas, parece-me um exagero, quase diria uma obscenidade.
Especialmente quando se sabe que o país está em crise e há tanta gente, milhares de pessoas, com dificuldades.
Por outro lado, há ainda o outro lado da moeda para quem ganha uma quantia tão alta: os “amigos” que aparecem e que, por exemplo, até obrigaram duas famílias portuguesas (novos Euromilionários) a desaparecer.
Não sei se “isto” algum dia pode ser alterado (eventualmente com um “tecto monetário” para os apostadores e o resto entregue a ONG), mas o que é certo é que esta é uma questão que me perturba.
domingo, julho 03, 2005
Vale a pena pensar nisto…
Foi para tentar chamar a atenção para estes números absolutamente trágicos que, este sábado, dezenas de bandas ao vivo, em 10 palcos espalhados pelo mundo, milhares de pessoas "in loco" e muitos milhões pela televisão se juntaram numa acção sem precedentes para tentar acordar o Planeta para este GENOCÍDIO.
Sim, porque “isto”, que está a acontecer não tem outro nome.
O Live8, organizado por Bob Geldof, juntou, para além de milhões de anónimos, muita gente da música, mas também pessoas importantes da sociedade e da política (Kofi Annan, Nelson Mandela, Bill Gates, Angelina Jolie e muitos, muitos outros).
Agora, é preciso, é essencial, é obrigatório que os “Senhores do Mundo” ouçam este apelo e que, na bela Escócia, a partir de dia 6, o G8 (os oito países mais ricos do Mundo) passem das palavras aos actos e comecem por duas coisas simples: o fim da dívida externa aos países mais pobres e o aumento efectivo da ajuda.
E que não venham com a “estória” de que “estamos em crise e que não há dinheiro”.
Para acabar com a pobreza no mundo é necessário muito menos dinheiro do que, por exemplo, já custou, até agora, a guerra no Iraque.
Nós, comuns mortais, também podemos ajudar, à nossa medida, as várias ONG que por aí andam a apoiar quem precisa, mesmo no nosso país de quase meio milhão de desempregados.
sexta-feira, julho 01, 2005
O sítio em que vivemos II
Estamos a pouco mais de três meses das eleições autárquicas, que devem realizar-se a 9 de Outubro, mas há já candidaturas que marcam bem o que é o nosso país.
Fátima Felgueiras, Isaltino Morais, Valentim Loureiro e Avelino Ferreira Torres são quatro exemplos do que não deveria acontecer num país “civilizado” como o nosso.
Qualquer dos quatro personagens é arguido em processos que estão a decorrer em tribunal (aliás a senhora Felgueiras até está foragida à justiça), mas isso não os impediu de concorrerem a mais um mandato.
É a demagogia, o populismo e a falta de vergonha ao seu mais alto nível…
Mas o que é (ainda) mais incrível é que, apesar de tudo o que são acusados, qualquer um destes candidatos tem fortes hipóteses de ganhar a respectiva autarquia.
Volta a surgir a questão: “Como é que é possível?”
É certo que, até prova em contrário, todos são inocentes, mas a verdade é que, se isto fosse um país e não um “sítio”, nenhum dos quatro poderia, com a calma olímpica com que o fazem, concorrer a estas eleições.
Há vários exemplos, até mesmo em Portugal, de políticos que, por muito menos do que isto, fizeram retiradas estratégicas ou períodos sabáticos até que tudo ficasse devidamente esclarecido.
2+2= 5
Depois das “discrepâncias” do Ministério das Finanças no Orçamento Rectificativo, agora ficou a conhecer-se a “gralha” da equipa do Banco de Portugal em relação ao cálculo do défice.
Até novos erros, o défice é de 6.72 e não 6.83%.
Era capaz de não ser má ideia pedir (estou a ser simpático) aos senhores economistas que fizeram (mal) estas contas que regressem aos bancos das escolas.
Após mais estes dois casos (graves) já começo a duvidar que este nosso problema com a matemática tenha solução.
Se calhar é genético…