Estamos a poucos dias do Natal e há notícias que não deixam de me surpreender. Sem mais comentários, aqui vai:
“Nos primeiros 20 dias deste mês, os portugueses já levantaram no Multibanco mais de 1,3 mil milhões de euros.
Segundo o "Correio da Manhã", somados os levantamentos na Multibanco aos pagamentos nas lojas, o valor ascende aos 2,8 mil milhões de euros - números obtidos junto da Sociedade Interbancária de Serviços (SIBS).
O valor dos levantamentos indica crescimento, face a igual período do ano passado, de 16%, enquanto que as compras pagas com cartão de débito subiram 9%, revela o jornal.
Nas compras com débito directo, os cartões foram usados em cerca de 40 milhões de operações. Em termos globais, os cartões foram mais usados para levantamentos na primeira semana.”
"Ainda bem" que estamos em crise e estagnados economicamente. O que seria se não estivéssemos...
sexta-feira, dezembro 23, 2005
quarta-feira, dezembro 14, 2005
Frente a frente, lado a lado
Os debates televisivos para as presidenciais vão a meio e, sendo assim, está na altura de fazer um pequeno balanço.
Muito se tem falado sobre a fórmula encontrada entre as candidaturas e as televisões, ponto prévio: mais vale “debates”, que são quase duas entrevistas em simultâneo, que nada.
Este formato e até a colocação em estúdio, impede uma discussão mais acesa e a troca directa de argumentos, mas deixa espaço a algum esclarecimento e à visibilidade de algumas diferenças entre os candidatos.
Para já, o grande vencedor é Cavaco Silva, que, obviamente, ganha com a calma da discussão, com a limitação dos tempos e com as dificuldades económicas do país que lhe permitem realçar as suas qualidades enquanto economista.
Se havia dúvidas quanto ao “profissionalismo” do professor, o final do debate de ontem com Jerónimo foi paradigmático: primeiro, ainda em estúdio, lembrando o “Olhe que não, olhe que não”, de Álvaro Cunhal, o que lhe permitiu “sair” de um ataque e, depois, já cá fora, exemplar a forma como Cavaco “se fez” à câmara da SIC, enquanto respondia ao repórter, sempre em andamento.
Cavaco Silva parece ter “o controlo do jogo” e estar a “gerir” bem os resultados das sondagens.
A maior desilusão, até agora, é Manuel Alegre. O poeta, o mais inexperiente nestas andanças, parece tenso e pouco à vontade, inadaptado às câmaras, hesitante em algumas respostas.
O “independente” socialista tem que se soltar e ir além da estratégia de “vitimização”, de que terá sido alvo por parte do PS, e do “trunfo” de ter uma candidatura que não está ligada a nenhum aparelho partidário.
O debate Cavaco - Louçã terá sido o melhor até agora, talvez porque estávamos perante duas pessoas com a mesma formação, mas ainda faltam, por exemplo, os debates Soares – Alegre e Cavaco – Soares.
Posto isto ficam duas perguntas no ar: estes debates servem para alterar opções de voto? Será que vai haver segunda volta?
Cada vez me parece mais improvável (resposta às duas perguntas).
Muito se tem falado sobre a fórmula encontrada entre as candidaturas e as televisões, ponto prévio: mais vale “debates”, que são quase duas entrevistas em simultâneo, que nada.
Este formato e até a colocação em estúdio, impede uma discussão mais acesa e a troca directa de argumentos, mas deixa espaço a algum esclarecimento e à visibilidade de algumas diferenças entre os candidatos.
Para já, o grande vencedor é Cavaco Silva, que, obviamente, ganha com a calma da discussão, com a limitação dos tempos e com as dificuldades económicas do país que lhe permitem realçar as suas qualidades enquanto economista.
Se havia dúvidas quanto ao “profissionalismo” do professor, o final do debate de ontem com Jerónimo foi paradigmático: primeiro, ainda em estúdio, lembrando o “Olhe que não, olhe que não”, de Álvaro Cunhal, o que lhe permitiu “sair” de um ataque e, depois, já cá fora, exemplar a forma como Cavaco “se fez” à câmara da SIC, enquanto respondia ao repórter, sempre em andamento.
Cavaco Silva parece ter “o controlo do jogo” e estar a “gerir” bem os resultados das sondagens.
A maior desilusão, até agora, é Manuel Alegre. O poeta, o mais inexperiente nestas andanças, parece tenso e pouco à vontade, inadaptado às câmaras, hesitante em algumas respostas.
O “independente” socialista tem que se soltar e ir além da estratégia de “vitimização”, de que terá sido alvo por parte do PS, e do “trunfo” de ter uma candidatura que não está ligada a nenhum aparelho partidário.
O debate Cavaco - Louçã terá sido o melhor até agora, talvez porque estávamos perante duas pessoas com a mesma formação, mas ainda faltam, por exemplo, os debates Soares – Alegre e Cavaco – Soares.
Posto isto ficam duas perguntas no ar: estes debates servem para alterar opções de voto? Será que vai haver segunda volta?
Cada vez me parece mais improvável (resposta às duas perguntas).
Indemnizações
Depois da decisão do Tribunal da Relação de não o levar a julgamento, Paulo Pedroso vai processar os responsáveis pela investigação do “processo Casa Pia”.
De recordar que o ex-deputado foi acusado de 23 crimes de abuso sexual no âmbito deste caso e esteve em prisão preventiva quase cinco meses.
Não vou falar deste caso especificamente, este é só o ponto de partida que se aplica, ou deve aplicar, em minha opinião, a todas as situações idênticas, sejam elas mediáticas ou não.
Vejo-me obrigado a concordar que uma pessoa, qualquer que seja, exija uma indemnização ao Estado ou a alguém em particular se se provar que, afinal, esteve injustamente detida.
A investigação deve ser feita com toda a liberdade, isenção e rapidez e, depois, quando se passar à fase seguinte tem que haver certezas.
A lei permite um conjunto se opções, antes de se chegar à prisão preventiva, que deveria impedir que algum arguido fosse detido preventivamente sem o mínimo de garantias.
Quando há erros… alguém tem que pagar, alguém tem que minimizar as
De recordar que o ex-deputado foi acusado de 23 crimes de abuso sexual no âmbito deste caso e esteve em prisão preventiva quase cinco meses.
Não vou falar deste caso especificamente, este é só o ponto de partida que se aplica, ou deve aplicar, em minha opinião, a todas as situações idênticas, sejam elas mediáticas ou não.
Vejo-me obrigado a concordar que uma pessoa, qualquer que seja, exija uma indemnização ao Estado ou a alguém em particular se se provar que, afinal, esteve injustamente detida.
A investigação deve ser feita com toda a liberdade, isenção e rapidez e, depois, quando se passar à fase seguinte tem que haver certezas.
A lei permite um conjunto se opções, antes de se chegar à prisão preventiva, que deveria impedir que algum arguido fosse detido preventivamente sem o mínimo de garantias.
Quando há erros… alguém tem que pagar, alguém tem que minimizar as
domingo, dezembro 04, 2005
Só?!
Saiu esta semana, num jornal da nossa praça, mais uma informação importante e que vem comprovar como se fazem as coisas no nosso país.
Sem mais comentários, apenas faço “copy-past” do título:
“Emprego: 28 por cento do emprego que é criado em Portugal é através de cunhas”
Sem mais comentários, apenas faço “copy-past” do título:
“Emprego: 28 por cento do emprego que é criado em Portugal é através de cunhas”
quinta-feira, dezembro 01, 2005
Contra a SIDA…

Portugal já perdeu mais de seis mil pessoas para a SIDA, segundo dados do Centro de Vigilância Epidemiológica das Doenças Transmissíveis, do Instituto Nacional Ricardo Jorge.
Até ao dia 30 de Junho deste ano, 22 anos depois dos primeiros registos da patologia, foram contabilizados 27013 casos no País.
Segundo os dados do CVEDT, entre 1983 e 2005 foram identificados 12210 casos de SIDA em Portugal, dos quais mais de cinco mil na área de Lisboa, 2716 são do Porto e 1685 de Setúbal.
O número de mortes representa cerca de 50% do número de casos diagnosticados. Há ainda a registar 12355 de seropositivos e quase 2500 doentes com patologias associadas à imunodeficiência, mas aos quais ainda não se atribui a designação de Sida - casos sintomáticos não-Sida.
Já a ONUSida, das Nações Unidas dedicado ao combate à epidemia, revela que Portugal é o segundo país europeu com mais altas taxas de infecção com o HIV - 280 novos casos por milhão de habitantes. Em cada milhão de habitantes, há 80 que são diagnosticados quando já sofrem de sida, ou seja, só descobrem a doença muitos anos depois de terem sido infectados.
Só em 2004 foram diagnosticados 642 novos casos.
E isto é só em Portugal, em África, por exemplo, a situação é muito (muito) pior com 2/3 dos portadores mundiais.
Vale a pena pensar nisto… no Dia Mundial de Luta contra a SIDA.
Paguem...
Esta é mais uma daquelas situações em que eu tenho vergonha de viver neste país que, mais uma vez, parece um sítio (mal frequentado).
Vai ser repetido o julgamento do caso de uma criança que morreu (depois de cair numa estação de esgoto que estava destapada), no Seixal, porque algumas gravações de testemunhos estão inaudíveis.
O caso foi julgado há apenas quatro meses e condenou a autarquia a pagar uma indemnização de 250 mil euros à família da criança.
Colocados os dados em cima da mesa, há duas situações que me enojam:
Primeiro, como é que uma autarquia tem o descaramento e a suprema lata de interpor recurso numa sentença como esta. Vai obrigar a família a voltar a tribunal, a reviver o acidente, só na esperança de pagar uns tostões a menos de indemnização.
Segundo, como é possível que uma sentença seja anulada só porque os tribunais não têm condições de gravação.
Como é possível? Ainda queremos nós fazer parte do “pelotão da frente” dos países civilizados.
Francamente, tenham vergonha.
Vai ser repetido o julgamento do caso de uma criança que morreu (depois de cair numa estação de esgoto que estava destapada), no Seixal, porque algumas gravações de testemunhos estão inaudíveis.
O caso foi julgado há apenas quatro meses e condenou a autarquia a pagar uma indemnização de 250 mil euros à família da criança.
Colocados os dados em cima da mesa, há duas situações que me enojam:
Primeiro, como é que uma autarquia tem o descaramento e a suprema lata de interpor recurso numa sentença como esta. Vai obrigar a família a voltar a tribunal, a reviver o acidente, só na esperança de pagar uns tostões a menos de indemnização.
Segundo, como é possível que uma sentença seja anulada só porque os tribunais não têm condições de gravação.
Como é possível? Ainda queremos nós fazer parte do “pelotão da frente” dos países civilizados.
Francamente, tenham vergonha.
quarta-feira, novembro 23, 2005
A verdade da mentira
Apesar de ter um “poeta Alegre” e um “filósofo Sócrates” esta novela é bem triste e reveladora do carácter dos nossos políticos.
Só para que conste estamos a falar de um deputado, vice-presidente da Assembleia da República, e do Primeiro-ministro do país e, que não haja dúvidas, um dos dois “artistas” está a mentir.
Manuel Alegre garante que falou várias vezes com Sócrates para ser o candidato apoiado pelo PS à presidência da República, depois das recusas de Guterres e Vitorino.
O secretário-geral dos socialistas desmente Alegre e diz que só falou com o deputado para este apoiar Soares.
Entretanto, Mário Soares diz que não tem nada a ver com este “imbróglio” e que o “caso” não é com ele, afirmando só que “não é, nem nunca foi traidor”.
Não sei quem tem razão nesta lamentável “estória”, a única certeza é que – como já disse - alguém está a enganar os portugueses e isso é muito grave.
É incrível como três destacados elementos do mesmo partido dão este triste espectáculo que, para além de ser tudo menos dignificante, só dá trunfos ao adversário.
Qualquer pessoa que pense votar em Alegre ou Soares para Belém pode, depois disto, pensar: “Mas se estes gajos mentem uns aos outros e não se entendem, como é que vão servir para a presidência da República?”
Será que Portugal não merece uns políticos melhores?
As perguntas são legítimas e Cavaco Silva já se está a rir.
Só para que conste estamos a falar de um deputado, vice-presidente da Assembleia da República, e do Primeiro-ministro do país e, que não haja dúvidas, um dos dois “artistas” está a mentir.
Manuel Alegre garante que falou várias vezes com Sócrates para ser o candidato apoiado pelo PS à presidência da República, depois das recusas de Guterres e Vitorino.
O secretário-geral dos socialistas desmente Alegre e diz que só falou com o deputado para este apoiar Soares.
Entretanto, Mário Soares diz que não tem nada a ver com este “imbróglio” e que o “caso” não é com ele, afirmando só que “não é, nem nunca foi traidor”.
Não sei quem tem razão nesta lamentável “estória”, a única certeza é que – como já disse - alguém está a enganar os portugueses e isso é muito grave.
É incrível como três destacados elementos do mesmo partido dão este triste espectáculo que, para além de ser tudo menos dignificante, só dá trunfos ao adversário.
Qualquer pessoa que pense votar em Alegre ou Soares para Belém pode, depois disto, pensar: “Mas se estes gajos mentem uns aos outros e não se entendem, como é que vão servir para a presidência da República?”
Será que Portugal não merece uns políticos melhores?
As perguntas são legítimas e Cavaco Silva já se está a rir.
quarta-feira, novembro 16, 2005
Sobe sobe, desemprego sobe
A taxa de desemprego continua a subir e o Governo, apesar da promessas, pouco ou nada faz para inverter esta tendência.
São já 430 mil as pessoas inscritas nos Centros de Emprego, o que equivale a 7.7% da população activa, o valor mais elevado desde 1998.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística, comparando com o mesmo trimestre de 2004, o número de desempregados cresceu 14,4% entre Julho e Setembro.
Estes são números preocupantes, diria mesmo alarmantes, especialmente se acrescentarmos que uma boa parte destes são jovens licenciados à procura do primeiro emprego.
Estranho mais uma vez que, ao mesmo tempo que se diz que o nosso país tem um atraso na formação, não se aposte, precisamente, em pessoas formadas.
Mais extraordinário ainda é que, agora, oito meses depois de ter tomado posse, o ministro do Trabalho venha dizer que “vai tomar medidas” e que é preciso que “os centros de emprego se aproximem dos desempregados”.
Vieira da Silva acrescenta que “não é o Estado que cria postos de trabalho” (!)
Queria só aproveitar para lembrar uma das promessas de José Sócrates em plena campanha eleitoral: criação de 150 mil empregos e 25 mil estágios para jovens.
Desculpem, devo ter sonhado...
São já 430 mil as pessoas inscritas nos Centros de Emprego, o que equivale a 7.7% da população activa, o valor mais elevado desde 1998.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística, comparando com o mesmo trimestre de 2004, o número de desempregados cresceu 14,4% entre Julho e Setembro.
Estes são números preocupantes, diria mesmo alarmantes, especialmente se acrescentarmos que uma boa parte destes são jovens licenciados à procura do primeiro emprego.
Estranho mais uma vez que, ao mesmo tempo que se diz que o nosso país tem um atraso na formação, não se aposte, precisamente, em pessoas formadas.
Mais extraordinário ainda é que, agora, oito meses depois de ter tomado posse, o ministro do Trabalho venha dizer que “vai tomar medidas” e que é preciso que “os centros de emprego se aproximem dos desempregados”.
Vieira da Silva acrescenta que “não é o Estado que cria postos de trabalho” (!)
Queria só aproveitar para lembrar uma das promessas de José Sócrates em plena campanha eleitoral: criação de 150 mil empregos e 25 mil estágios para jovens.
Desculpem, devo ter sonhado...
segunda-feira, novembro 14, 2005
Portugal maior
Cavaco Silva entrou este domingo na pré-campanha para as presidenciais de Janeiro e apanhou o primeiro “banho de multidão”.
O candidato abriu hostilidades, obviamente, no “Cavaquistão” (Viseu), “território amigo”, para se ir ambientando à “luta”.
Esta "aparição" é notícia porque foi a primeira e porque Cavaco deve limitar as intervenções ao mínimo e fugir o máximo a debates – truque habitualmente utilizado por quem está na frente das sondagens.
Bom, mas isto são contas de outro rosário…
Este “post” surgiu simplesmente porque me lembrei do slogan de campanha de Cavaco Silva: “Portugal Maior”.
Partindo do princípio que não é uma gralha, confesso que esta frase me faz uma certa confusão (para não dizer outra coisa).
Este slogan remete para o tempo da outra Senhora, as tendências expansionistas do Império, ou, noutro âmbito, o Portugal dos “maiores”, que esquece quem mais necessita.
Posso, obviamente, estar enganado e não ser nada disto que a frase quer dizer ou tem subentendido, mas lá que parece, parece.
Eu, por mim, não quero um Portugal maior, quero um Portugal Melhor, mais solidário, mais eficaz, menos corrupto.
O candidato abriu hostilidades, obviamente, no “Cavaquistão” (Viseu), “território amigo”, para se ir ambientando à “luta”.
Esta "aparição" é notícia porque foi a primeira e porque Cavaco deve limitar as intervenções ao mínimo e fugir o máximo a debates – truque habitualmente utilizado por quem está na frente das sondagens.
Bom, mas isto são contas de outro rosário…
Este “post” surgiu simplesmente porque me lembrei do slogan de campanha de Cavaco Silva: “Portugal Maior”.
Partindo do princípio que não é uma gralha, confesso que esta frase me faz uma certa confusão (para não dizer outra coisa).
Este slogan remete para o tempo da outra Senhora, as tendências expansionistas do Império, ou, noutro âmbito, o Portugal dos “maiores”, que esquece quem mais necessita.
Posso, obviamente, estar enganado e não ser nada disto que a frase quer dizer ou tem subentendido, mas lá que parece, parece.
Eu, por mim, não quero um Portugal maior, quero um Portugal Melhor, mais solidário, mais eficaz, menos corrupto.
sexta-feira, novembro 11, 2005
Quanto pior… melhor
Os políticos devem tomar as decisões que acham correctas para o país, muitas vezes, baseadas em estudos, pagos a peso de ouro.
Obviamente que os governantes não são obrigados a seguir os resultados dessas análises. No entanto, no caso de isso não acontecer, tem que haver razões fortes.
O que não deve e não pode acontecer é encomendar estudo atrás de estudo até que este dê o resultado que nós “gostamos”.
É, exactamente, para isso que servem os estudos: para se avaliarem as situações e, depois, deixar aos governantes a decisão final, supostamente a melhor para o país.
Vem isto a propósito de um estudo da Direcção Geral de Saúde, baseado em dados de 2003, que confirma que, salvo raras excepções, os hospitais-empresa são menos eficientes que os outros.
Ora, acontece que, apesar deste resultado, o modelo dos hospitais-empresa é o que também vai ser seguido por este Governo.
O que é incrível é que, sabe-se agora, devido ao resultado “madrasto”, afinal, este estudo não era para revelar… malditos jornalistas.
Pior, descoberta a fuga, o Ministério da Saúde vem desvalorizar e garante que, afinal, o importante será outro estudo encomendado a um economista, que se espera em Dezembro.
Porque raio estamos a insistir numa "fórmula" que, diz a DGS, não é o mais eficaz? Há alguém a ganhar muito com isto, seguramente. Eu cá tenho uma ideia de quem é.
Ficam as perguntas: se este novo estudo tiver a “coragem” de dar um resultado semelhante a este da Direcção Geral de Saúde, o que vai o Ministério fazer? Esconder o documento e encomendar outro? Assobiar para o ar? Mudar de política em relação aos hospitais?
Tem a palavra o ministro Correia de Campos…
Obviamente que os governantes não são obrigados a seguir os resultados dessas análises. No entanto, no caso de isso não acontecer, tem que haver razões fortes.
O que não deve e não pode acontecer é encomendar estudo atrás de estudo até que este dê o resultado que nós “gostamos”.
É, exactamente, para isso que servem os estudos: para se avaliarem as situações e, depois, deixar aos governantes a decisão final, supostamente a melhor para o país.
Vem isto a propósito de um estudo da Direcção Geral de Saúde, baseado em dados de 2003, que confirma que, salvo raras excepções, os hospitais-empresa são menos eficientes que os outros.
Ora, acontece que, apesar deste resultado, o modelo dos hospitais-empresa é o que também vai ser seguido por este Governo.
O que é incrível é que, sabe-se agora, devido ao resultado “madrasto”, afinal, este estudo não era para revelar… malditos jornalistas.
Pior, descoberta a fuga, o Ministério da Saúde vem desvalorizar e garante que, afinal, o importante será outro estudo encomendado a um economista, que se espera em Dezembro.
Porque raio estamos a insistir numa "fórmula" que, diz a DGS, não é o mais eficaz? Há alguém a ganhar muito com isto, seguramente. Eu cá tenho uma ideia de quem é.
Ficam as perguntas: se este novo estudo tiver a “coragem” de dar um resultado semelhante a este da Direcção Geral de Saúde, o que vai o Ministério fazer? Esconder o documento e encomendar outro? Assobiar para o ar? Mudar de política em relação aos hospitais?
Tem a palavra o ministro Correia de Campos…
domingo, novembro 06, 2005
“Escumalha”
Foi assim que o ministro do Interior qualificou os indivíduos que têm provocado os distúrbios graves em França.
Tudo começou depois da morte de dois jovens que fugiam à polícia e saiu do controlo das autoridades depois do comentário do senhor Nicolas Sarkozy.
Pela 10ª noite consecutiva, em várias cidades francesas, incluindo a capital, centenas de carros têm sido incendiados diariamente e dezenas de pessoas detidas.
Milhares de polícias já estão nas ruas e há quem peça a intervenção do Exército.
Será que a “entrada em cena” do Exército não vai piorar a situação em França? Será que esta crise não pode alastrar a outros países? O que fazer com a maioria destas pessoas que está ilegal e/ou vive em condições sub-humanas?
Entretanto, o Presidente Chirac e o Primeiro-ministro Villepin tentam colocar água na fervura, mas Sarkozy não cede.
Não estará na altura deste ministro colocar o lugar à disposição?
Tudo começou depois da morte de dois jovens que fugiam à polícia e saiu do controlo das autoridades depois do comentário do senhor Nicolas Sarkozy.
Pela 10ª noite consecutiva, em várias cidades francesas, incluindo a capital, centenas de carros têm sido incendiados diariamente e dezenas de pessoas detidas.
Milhares de polícias já estão nas ruas e há quem peça a intervenção do Exército.
Será que a “entrada em cena” do Exército não vai piorar a situação em França? Será que esta crise não pode alastrar a outros países? O que fazer com a maioria destas pessoas que está ilegal e/ou vive em condições sub-humanas?
Entretanto, o Presidente Chirac e o Primeiro-ministro Villepin tentam colocar água na fervura, mas Sarkozy não cede.
Não estará na altura deste ministro colocar o lugar à disposição?
Mão cheia de nada
Como já aqui escrevi, Portugal é o país da UE que tem maior diferença entre ricos e pobres. Para além disso, tem dos mais baixos salários mínimos dos “25”.
Vem este ponto de ordem a propósito da inacreditável e inaceitável reacção do Primeiro-ministro do Governo, dito, socialista à proposta da CGTP que, recorde-se, defende a subida do ordenado mínimo até aos 500 euros em 2010.
José Sócrates considera “absolutamente demagógica e fantasista” esta proposta.
Convém relembrar ao senhor Primeiro-ministro socialista (!) que, actualmente, o salário mínimo são 373.6 euros (menos de 75 contos) e que, a ser aprovada, a proposta da central sindical implicava um aumento de cinco (5) mil escudos anuais.
Não digo que esta medida não implicasse um grande esforço por parte do Estado, concordo que sim, acontece que era apenas necessário mudar as prioridades.
Em vez de se passar a vida a mudar administrações de empresas públicas, a contratar assessores atrás de assessores, a desperdiçar dinheiro com viagens de Falcon ou a comprar submarinos, etc, etc, etc... talvez não fosse má ideia dar dinheiro a quem precisa.
Será que é preciso recordar que há muitas pessoas em Portugal a viver abaixo do limiar da pobreza?
Como o anúncio do hipermercado, apetece perguntar: Como se consegue viver com setenta e poucos meses por mês?
Tenha vergonha senhor Primeiro-ministro.
Vem este ponto de ordem a propósito da inacreditável e inaceitável reacção do Primeiro-ministro do Governo, dito, socialista à proposta da CGTP que, recorde-se, defende a subida do ordenado mínimo até aos 500 euros em 2010.
José Sócrates considera “absolutamente demagógica e fantasista” esta proposta.
Convém relembrar ao senhor Primeiro-ministro socialista (!) que, actualmente, o salário mínimo são 373.6 euros (menos de 75 contos) e que, a ser aprovada, a proposta da central sindical implicava um aumento de cinco (5) mil escudos anuais.
Não digo que esta medida não implicasse um grande esforço por parte do Estado, concordo que sim, acontece que era apenas necessário mudar as prioridades.
Em vez de se passar a vida a mudar administrações de empresas públicas, a contratar assessores atrás de assessores, a desperdiçar dinheiro com viagens de Falcon ou a comprar submarinos, etc, etc, etc... talvez não fosse má ideia dar dinheiro a quem precisa.
Será que é preciso recordar que há muitas pessoas em Portugal a viver abaixo do limiar da pobreza?
Como o anúncio do hipermercado, apetece perguntar: Como se consegue viver com setenta e poucos meses por mês?
Tenha vergonha senhor Primeiro-ministro.
terça-feira, novembro 01, 2005
A Democracia, segundo Rio Rio
Agora, para se falar com o senhor Presidente da Câmara do Porto, os jornalistas têm novas "directivas".
Numa intervenção sem direito a perguntas, Rui Rio anunciou que a partir de agora só dará entrevistas “por escrito, mediante critérios de oportunidade, com regras previamente definidas, evitando ou minimizando assim interpretações especulativas ou a pura manipulação das respostas".
E porque toma Rio esta atitude?
Porque, segundo o senhor Presidente da Câmara da Invicta, aos "detentores do poder, legitimados pelo voto livre e democrático" compete "procurar evitar distorções e lutar contra a perversidade, principalmente quando ela atinge uma dimensão que põe em causa a saúde do regime e a própria governabilidade do país".
Ora aqui está um “belo” exemplo de Democracia dado por um autarca eleito democraticamente pela maioria absoluta dos portuenses.
Vamos esperar para ver se este é um incidente isolado ou se vêm aí mais atitudes déspotas.
Bem dizia o slogan de campanha: “Este Rio não pode parar”.
Pois é, agora, aturem-no.
Numa intervenção sem direito a perguntas, Rui Rio anunciou que a partir de agora só dará entrevistas “por escrito, mediante critérios de oportunidade, com regras previamente definidas, evitando ou minimizando assim interpretações especulativas ou a pura manipulação das respostas".
E porque toma Rio esta atitude?
Porque, segundo o senhor Presidente da Câmara da Invicta, aos "detentores do poder, legitimados pelo voto livre e democrático" compete "procurar evitar distorções e lutar contra a perversidade, principalmente quando ela atinge uma dimensão que põe em causa a saúde do regime e a própria governabilidade do país".
Ora aqui está um “belo” exemplo de Democracia dado por um autarca eleito democraticamente pela maioria absoluta dos portuenses.
Vamos esperar para ver se este é um incidente isolado ou se vêm aí mais atitudes déspotas.
Bem dizia o slogan de campanha: “Este Rio não pode parar”.
Pois é, agora, aturem-no.
sexta-feira, outubro 28, 2005
“Alta velocidade”
Não sou técnico, nem conheço os estudos (não sei se alguém conhece) e, portanto, não sei se a Ota ou o TGV são prioridades ou, sequer, se são necessidades do país.
Para já, por aquilo que fui ouvindo, parece-me que há maiores dúvidas em relação ao novo aeroporto: pelo preço, pela localização, pelas perspectivas de desenvolvimento…
É certo que estamos em crise e que estes dois projectos obrigam a grandes (megalómanos?) investimentos públicos.
Mas também é certo que, se não for agora, nunca mais a União Europeia nos ajuda (financeiramente) nestes projectos.
Posto isto, enquanto se espera pelos estudos e pela confirmação oficial, parece que o TGV deverá ser adiado para 2015, ter duas linhas e quatro paragens: Leiria, Coimbra, Ota e Aveiro.
O que acho curioso é que o PSD continue a dizer que este projecto é despesista e megalómano. Talvez tenha razão, a questão que se coloca é que há pouco mais de dois anos (com Durão Barroso como Primeiro-ministro), os social-democratas assinaram com o Governo espanhol, na Figueira da Foz, o seu projecto do TGV que incluía não duas, mas quatro linhas.
A viragem “laranja” é grande e feita, como se percebe, em alta velocidade.
Para já, por aquilo que fui ouvindo, parece-me que há maiores dúvidas em relação ao novo aeroporto: pelo preço, pela localização, pelas perspectivas de desenvolvimento…
É certo que estamos em crise e que estes dois projectos obrigam a grandes (megalómanos?) investimentos públicos.
Mas também é certo que, se não for agora, nunca mais a União Europeia nos ajuda (financeiramente) nestes projectos.
Posto isto, enquanto se espera pelos estudos e pela confirmação oficial, parece que o TGV deverá ser adiado para 2015, ter duas linhas e quatro paragens: Leiria, Coimbra, Ota e Aveiro.
O que acho curioso é que o PSD continue a dizer que este projecto é despesista e megalómano. Talvez tenha razão, a questão que se coloca é que há pouco mais de dois anos (com Durão Barroso como Primeiro-ministro), os social-democratas assinaram com o Governo espanhol, na Figueira da Foz, o seu projecto do TGV que incluía não duas, mas quatro linhas.
A viragem “laranja” é grande e feita, como se percebe, em alta velocidade.
“Choque tecnológico”
Este foi uma das promessas e prioridades do Governo Sócrates e, pelos vistos, está a ser seguida pelos seus ministros.
Alberto Costa, o “senhor da Justiça”, levando as indicações do Chefe de Governo à letra, acaba de contratar (mais) uma assessora, esta, apenas e só, para renovar o site do Ministério.
Ora até aqui tudo bem, a questão é que a senhora em causa vai ganhar uma “pipa” de massa às custas de todos os contribuintes.
Segundo os dados revelados, a nova assessora de Alberto Costa vai auferir uns “míseros” 3254 euros, o que, trocado por escudos, equivale aos antigos 650 contos mensais.
Abençoado site, bendita crise.
Alberto Costa, o “senhor da Justiça”, levando as indicações do Chefe de Governo à letra, acaba de contratar (mais) uma assessora, esta, apenas e só, para renovar o site do Ministério.
Ora até aqui tudo bem, a questão é que a senhora em causa vai ganhar uma “pipa” de massa às custas de todos os contribuintes.
Segundo os dados revelados, a nova assessora de Alberto Costa vai auferir uns “míseros” 3254 euros, o que, trocado por escudos, equivale aos antigos 650 contos mensais.
Abençoado site, bendita crise.
domingo, outubro 23, 2005
Acima do nevoeiro
Não houve surpresas e Cavaco Silva confirmou, na quinta-feira, a sua candidatura à Presidência da República.
"Depois de cuidada ponderação, decidi candidatar-me à Presidência da República. Não foi uma decisão fácil. Faço-o por um imperativo de consciência", disse, obviamente, no CCB.
"Eu não me resigno" e "não me conformo com o clima de pessimismo" deste quadro e, por isso, "quero ajudar a construir um novo horizonte de oportunidades", referiu Cavaco.
Ainda bem, digo eu, que não se tomam decisões de ânimo leve e que tudo é feito depois de “cuidada ponderação”.
Apesar de prometer cumprir e fazer cumprir a Constituição (também era melhor que não o dissesse), vários pontos do seu discurso deixam entender uma forte vontade de intervir.
É, aliás, curioso que depois de, na última revisão constitucional, se ter diminuído o poder presidencial, já se fale, agora, exactamente no contrário.
Por outro lado, é incrível como o candidato está a tentar fazer passar a imagem de que não tem nada a ver com o que se passou no país. Até parece que não esteve 10 anos no Governo. Diz ele: “O passado não interessa”.
Qual “Salvador da Pátria”, Cavaco Silva foi seguido em directo pelas televisões, da porta de casa até ao CCB, como se do próprio Chefe de Estado se tratasse.
Convém recordar os mais incautos que o senhor professor ainda não ganhou as eleições e que até o “desejado” D. Sebastião foi derrotado em Alcácer Quibir.
O próprio Cavaco teve, logo no dia a seguir ao anúncio oficial, os primeiros dois deslizes: primeiro disse que “um Presidente (!) não deve reagir ao que diz o Primeiro-ministro” e depois chamou “Assembleia Nacional” à Assembleia da República.
Foram apenas lapsos ou é algo mais?
PS: Quem deve, seguramente, estar feliz são as pastelarias que vendem Bolo-Rei.
"Depois de cuidada ponderação, decidi candidatar-me à Presidência da República. Não foi uma decisão fácil. Faço-o por um imperativo de consciência", disse, obviamente, no CCB.
"Eu não me resigno" e "não me conformo com o clima de pessimismo" deste quadro e, por isso, "quero ajudar a construir um novo horizonte de oportunidades", referiu Cavaco.
Ainda bem, digo eu, que não se tomam decisões de ânimo leve e que tudo é feito depois de “cuidada ponderação”.
Apesar de prometer cumprir e fazer cumprir a Constituição (também era melhor que não o dissesse), vários pontos do seu discurso deixam entender uma forte vontade de intervir.
É, aliás, curioso que depois de, na última revisão constitucional, se ter diminuído o poder presidencial, já se fale, agora, exactamente no contrário.
Por outro lado, é incrível como o candidato está a tentar fazer passar a imagem de que não tem nada a ver com o que se passou no país. Até parece que não esteve 10 anos no Governo. Diz ele: “O passado não interessa”.
Qual “Salvador da Pátria”, Cavaco Silva foi seguido em directo pelas televisões, da porta de casa até ao CCB, como se do próprio Chefe de Estado se tratasse.
Convém recordar os mais incautos que o senhor professor ainda não ganhou as eleições e que até o “desejado” D. Sebastião foi derrotado em Alcácer Quibir.
O próprio Cavaco teve, logo no dia a seguir ao anúncio oficial, os primeiros dois deslizes: primeiro disse que “um Presidente (!) não deve reagir ao que diz o Primeiro-ministro” e depois chamou “Assembleia Nacional” à Assembleia da República.
Foram apenas lapsos ou é algo mais?
PS: Quem deve, seguramente, estar feliz são as pastelarias que vendem Bolo-Rei.
quarta-feira, outubro 19, 2005
Separação de poderes…
Aproveitando a Cimeira Ibero-Americana, o Presidente da República falou com o seu homólogo venezuelano sobre o caso do piloto Luís Santos.
Jorge Sampaio terá falado sobre o processo e pedido a Hugo Chavez para interceder junto das autoridades judiciais.
É certo que este caso está “enguiçado”, o julgamento já foi adiado mais de 20 vezes, mas não parece “correcto” (para não dizer pior) que o Chefe de Estado tente meter uma “cunha”.
Numa Democracia, que Portugal e Venezuela dizem ser, seria estranho se tudo se resolvesse com a intervenção de um qualquer Chavez ou Sampaio.
Há – tem que haver – separação de poderes: à Justiça o que é da Justiça, aos Governos o que é dos Governos.
Era dispensável ter que ouvir Hugo Chavez dizer isso mesmo em declarações aos jornalistas e era também escusado termos, depois, sabido que há, cá em Portugal, vários casos iguais, semelhantes ou ainda piores que o do co-piloto da Air Luxor.
É que nós nesta matéria não somos, seguramente, exemplo para ninguém. Já se sabe que a Justiça em Portugal não funciona – e esse é um dos maiores cancros da nossa sociedade – e temos exemplos que davam para preencher uma lista telefónica.
Deixo só o último exemplo: Carlos Silvino vai ter que ser libertado em breve porque já passaram os três anos de prisão preventiva, sem que o processo Casa Pia chegasse ao fim.
Jorge Sampaio terá falado sobre o processo e pedido a Hugo Chavez para interceder junto das autoridades judiciais.
É certo que este caso está “enguiçado”, o julgamento já foi adiado mais de 20 vezes, mas não parece “correcto” (para não dizer pior) que o Chefe de Estado tente meter uma “cunha”.
Numa Democracia, que Portugal e Venezuela dizem ser, seria estranho se tudo se resolvesse com a intervenção de um qualquer Chavez ou Sampaio.
Há – tem que haver – separação de poderes: à Justiça o que é da Justiça, aos Governos o que é dos Governos.
Era dispensável ter que ouvir Hugo Chavez dizer isso mesmo em declarações aos jornalistas e era também escusado termos, depois, sabido que há, cá em Portugal, vários casos iguais, semelhantes ou ainda piores que o do co-piloto da Air Luxor.
É que nós nesta matéria não somos, seguramente, exemplo para ninguém. Já se sabe que a Justiça em Portugal não funciona – e esse é um dos maiores cancros da nossa sociedade – e temos exemplos que davam para preencher uma lista telefónica.
Deixo só o último exemplo: Carlos Silvino vai ter que ser libertado em breve porque já passaram os três anos de prisão preventiva, sem que o processo Casa Pia chegasse ao fim.
Os números não mentem
Portugal é o país da União Europeia onde há mais desigualdade entre ricos e pobres.
As 100 maiores fortunas portuguesas representam 17% do Produto Interno Bruto e 20% dos mais ricos controlam 45,9% do rendimento nacional.
As estatísticas indicam que um em cada cinco portugueses vive no limiar da pobreza.
Esta é mais uma estatística que o nosso país “orgulhosamente” lidera e em que está acompanhado por um “país irmão” – o Brasil – com estatísticas semelhantes na América Latina.
É mais um alerta que fica… Mais uma vez, “vale a pensar nisto”.
As 100 maiores fortunas portuguesas representam 17% do Produto Interno Bruto e 20% dos mais ricos controlam 45,9% do rendimento nacional.
As estatísticas indicam que um em cada cinco portugueses vive no limiar da pobreza.
Esta é mais uma estatística que o nosso país “orgulhosamente” lidera e em que está acompanhado por um “país irmão” – o Brasil – com estatísticas semelhantes na América Latina.
É mais um alerta que fica… Mais uma vez, “vale a pensar nisto”.
segunda-feira, outubro 10, 2005
Chá, café… ou laranjada
O PSD ganhou as eleições autárquicas. É indiscutível, contra “factos não há argumentos”. Há, no entanto, outras notas a realçar.
· Os portugueses foram votar para 308 concelhos e 4260 freguesias e, primeira vitória, a abstenção baixou. Faz-me sempre muita confusão quando o povo desperdiça estas ocasiões para se expressar.
· Os social-democratas reforçaram o número de autarquias “laranja”, beneficiando do habitual “ciclo local” de dois mandatos, do “cartão amarelo esperado a Sócrates e também da política de coligações.
· Marques Mendes merece, no entanto, uma nota à parte: Geriu bem a maioria dos “casos” do seu partido (à excepção de Leiria), preferindo perder Câmaras (como Gondomar e Oeiras), a vergar-se à ditadura do triunfo fácil.
· O PS perdeu muitos votos em relação às legislativas, mas, mais do que isso, perdeu Câmaras (algumas importantes, como Aveiro) em relação a 2001 e não recuperou nenhuma daquelas em que apostava (Lisboa, Porto, Sintra). Curiosamente, apesar disso, teve mais votos e mais percentagem.
· A CDU, de Jerónimo de Sousa, é, talvez, o grande vencedor da noite. Perdeu e ganhou Câmaras, com saldo positivo (tem agora 32, mais quatro) e, mais importante, recuperou a liderança da Junta Metropolitana de Lisboa.
· Ao CDS-PP valeu o perdoado Daniel Campelo, que “regressa” a Ponte de Lima com a bandeira “centrista”. Ribeiro e Castro não é, definitivamente, líder para campanhas…
· O Bloco de Esquerda subiu em relação a 2001, mas esperava-se mais. Não em termos de Câmaras, mas em termos de reforço nos grandes centros urbanos.
· Entre os “candidatos-bandidos” (Francisco Louçã, dixit), a surpresa: Avelino Ferreira Torres não ganhou Amarante, uma boa notícia. Isaltino ganhou em Oeiras e vai ter que se entender com Teresa Zambujo. Já Valentim e Fátima esmagaram. É o país que temos (mau sinal).
· A Madeira continua a ser um Jardim e 11-0 para o PSD.
· Carmona e Rio ganharam Lisboa e Porto como se esperava. Talvez, na “Invicta” se esperasse mais equilíbrio.
· Bom o discurso de Francisco Assis na derrota, miserável o discurso de Carrilho que, para além de continuar a dizer que o seu projecto (!) era o melhor para a cidade, não foi capaz de dizer uma palavra para com o adversário vencedor.
· Soares pai meteu água, outra vez, no dia das eleições e tem, novamente, a CNE à perna. Soares filho sofreu nova derrota e vai ter que ir pregar para outra freguesia.
· Nota final para o estranho problema informático que nos dificultou a vida durante toda a noite eleitoral. A esta hora que escrevo faltam apurar 14 concelhos.
· Resumindo, o país autárquico ficou ainda mais “laranja” e, surpresa, mais “vermelho”, o que quer dizer que o “rosa” ficou esbatido e perdeu à direita e à esquerda.
· Os portugueses foram votar para 308 concelhos e 4260 freguesias e, primeira vitória, a abstenção baixou. Faz-me sempre muita confusão quando o povo desperdiça estas ocasiões para se expressar.
· Os social-democratas reforçaram o número de autarquias “laranja”, beneficiando do habitual “ciclo local” de dois mandatos, do “cartão amarelo esperado a Sócrates e também da política de coligações.
· Marques Mendes merece, no entanto, uma nota à parte: Geriu bem a maioria dos “casos” do seu partido (à excepção de Leiria), preferindo perder Câmaras (como Gondomar e Oeiras), a vergar-se à ditadura do triunfo fácil.
· O PS perdeu muitos votos em relação às legislativas, mas, mais do que isso, perdeu Câmaras (algumas importantes, como Aveiro) em relação a 2001 e não recuperou nenhuma daquelas em que apostava (Lisboa, Porto, Sintra). Curiosamente, apesar disso, teve mais votos e mais percentagem.
· A CDU, de Jerónimo de Sousa, é, talvez, o grande vencedor da noite. Perdeu e ganhou Câmaras, com saldo positivo (tem agora 32, mais quatro) e, mais importante, recuperou a liderança da Junta Metropolitana de Lisboa.
· Ao CDS-PP valeu o perdoado Daniel Campelo, que “regressa” a Ponte de Lima com a bandeira “centrista”. Ribeiro e Castro não é, definitivamente, líder para campanhas…
· O Bloco de Esquerda subiu em relação a 2001, mas esperava-se mais. Não em termos de Câmaras, mas em termos de reforço nos grandes centros urbanos.
· Entre os “candidatos-bandidos” (Francisco Louçã, dixit), a surpresa: Avelino Ferreira Torres não ganhou Amarante, uma boa notícia. Isaltino ganhou em Oeiras e vai ter que se entender com Teresa Zambujo. Já Valentim e Fátima esmagaram. É o país que temos (mau sinal).
· A Madeira continua a ser um Jardim e 11-0 para o PSD.
· Carmona e Rio ganharam Lisboa e Porto como se esperava. Talvez, na “Invicta” se esperasse mais equilíbrio.
· Bom o discurso de Francisco Assis na derrota, miserável o discurso de Carrilho que, para além de continuar a dizer que o seu projecto (!) era o melhor para a cidade, não foi capaz de dizer uma palavra para com o adversário vencedor.
· Soares pai meteu água, outra vez, no dia das eleições e tem, novamente, a CNE à perna. Soares filho sofreu nova derrota e vai ter que ir pregar para outra freguesia.
· Nota final para o estranho problema informático que nos dificultou a vida durante toda a noite eleitoral. A esta hora que escrevo faltam apurar 14 concelhos.
· Resumindo, o país autárquico ficou ainda mais “laranja” e, surpresa, mais “vermelho”, o que quer dizer que o “rosa” ficou esbatido e perdeu à direita e à esquerda.
quinta-feira, outubro 06, 2005
Os graxistas
"Venho cá dar um bocado de graxa aos eleitores" (risos) - a frase é de Ribeiro e Castro, mas podia ter sido feita por qualquer outro líder partidário ou candidato.
Descontando o tom descontraído e brincalhão do desabafo, esta declaração resume aquilo que se tem passado nestas últimas semanas de norte a sul, na luta pelas 308 autarquias do país.
Entre festas e romarias, mercados e arruadas, comícios e debates, ofertas e promessas, todos procuram o voto... dando "graxa aos eleitores".
Autarcas que se recandidatam, políticos que mudam de "equipa", caras novas e os mesmos de sempre, os "filósofos" e os "populistas", os independentes e os arguidos... há de tudo como na farmácia.
No próximo domingo, dia 9, saber-se-á quem se saiu melhor desta palhaçada geral.
O problema é que, logo no dia a seguir, começa outra "corrida" que só termina em Janeiro.
Descontando o tom descontraído e brincalhão do desabafo, esta declaração resume aquilo que se tem passado nestas últimas semanas de norte a sul, na luta pelas 308 autarquias do país.
Entre festas e romarias, mercados e arruadas, comícios e debates, ofertas e promessas, todos procuram o voto... dando "graxa aos eleitores".
Autarcas que se recandidatam, políticos que mudam de "equipa", caras novas e os mesmos de sempre, os "filósofos" e os "populistas", os independentes e os arguidos... há de tudo como na farmácia.
No próximo domingo, dia 9, saber-se-á quem se saiu melhor desta palhaçada geral.
O problema é que, logo no dia a seguir, começa outra "corrida" que só termina em Janeiro.
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