quarta-feira, abril 20, 2005

Bento XVI

Os Cardeais foram rápidos e, à quarta votação no Conclave, escolheram o Cardeal Joseph Ratzinger para 264º sucessor de Pedro.

Desta vez não houve surpresas e, ao contrário do que é habitual, “ganhou” mesmo o mais “papibille” de todos os “papabille”.

A igreja já vai dizendo que Bento XVI, com uns frescos 78 anos, é um Papa de transição, depois dos quase 27 anos de João Paulo II.

O que eu espero é que este não passe de “pontificado de transição” para “pontificado de regressão”.

O Cardeal alemão tinha, nas suas anteriores funções (Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Presidente da Comissão Pontifícia e da Comissão Teológica Internacional) a fama (e algum “proveito”) de “ultra-conservador”.

No entanto, os Papas são como os “melões” e só depois de “abertos” é que se sabe o que vão dar. Ao longo da história da Igreja já houve “estórias” de Papas “conservadores” que se tornaram “progressistas” e vice-versa.

À primeira vista parece que andámos para trás e a minha primeira reacção foi de desilusão, mas Bento XVI já prometeu seguir os caminhos do Concílio Vaticano II onde esteve.

Aguardemos…

segunda-feira, abril 18, 2005

O novo Papa

Esta segunda-feira começa o Conclave para a escolha do sucessor de João Paulo II.

115 Cardeais estão na Casa de Santa Marta e vão reunir-se na Capela Sistina os dias que forem necessários para descobrirem um novo Sumo Pontífice.

Encontrar um “substituto” para Karol Wojtila não vai ser fácil… eu diria mesmo que vai ser impossível.

O Papa polaco esteve na cadeira de Pedro quase 27 anos e deixou marcas impossíveis de esquecer.

Como disse D. José Policarpo – um dos Cardeais eleitores – o escolhido vai ter que seguir os passos de João Paulo II mas, ao mesmo tempo, vai ser muito difícil fazê-lo.

Esta frase do Cardeal Patriarca – em alguns círculos, um dos favoritos para a sucessão – resume bem a dificuldade dos eleitores.

Para as pessoas da minha geração – e mesmo fora dela, João Paulo II foi importante marcou e vai ser inesquecível em muitos passos do seu Pontificado.

Este Santo Padre seguiu, no entanto, um caminho com duas vias. Ou seja, consoante o tema ou foi progressista ou conservador e isso é, em minha opinião, algo estranho.

Se, por um lado, deu passos importantíssimos no diálogo inter-religioso tentando aproximar religiões (encontro de Assis, entrada em Mesquitas e Sinagogas, etc), se pediu perdão pelos pecados da Igreja na época da Inquisição, se se abriu aos jovens, se lutou sempre e incansavelmente contra a guerra, se criticou o comunismo, mas também a globalização, João Paulo II “esqueceu-se” muitas vezes das mulheres e, especialmente, do problema da SIDA ao recusar de forma peremptória a utilização do preservativo.

Enfim, ninguém é perfeito e eu vou ter saudades dele. O amor que ele tinha a Fátima e a Portugal era impressionante e a “estória” do atentado tem pormenores impressionantes.

Mesmo na sua morte se dão coincidências incríveis: João Paulo II morreu a 02 de 04 (Abril) de 2005. Ora, somando os números dá 13; o Papa faleceu (hora de Itália) às 21h37. Somando os números dá 13.

Segundo o Igreja é o Espírito Santo que escolhe o Papa, esperemos que escolha bem.

sábado, março 19, 2005

Menina do Rio

Fátima Felgueiras vai mesmo a julgamento no âmbito do chamado caso “saco azul”. O engraçado é que a senhora continua de "férias" no Brasil a rir-se na nossa cara.

A autarca é acusada de 28 crimes e de lesar o município em 785 mil euros. Entretanto, no despacho de pronúncia, a juíza deixou cair outros cinco crimes de corrupção passiva de que era acusada pelo Ministério Público.

A juíza Marlene Rodrigues fez o que tinha a fazer, o que é certo é que alguém falhou nesta “estória”…

A “menina do Rio”, em directo do Brasil, bem bronzeada, após ter conhecido o despacho de pronúncia, fez questão de colocar os “pontos nos ii”.

Fátima Felgueiras declara-se disposta a regressar a Portugal para ser julgada, mas só se for levantada a decisão de prisão preventiva.

Ora ai está, a senhora autarca é que manda: “fugi, estou aqui bem, ao solzinho, e volto se me apetecer e se me derem garantias de que não vou dentro”.

Esta não é a primeira fuga mediática para o Brasil (ainda não nos esquecemos do padre Frederico) e o reaparecimento televisivo de Felgueiras surge na mesma semana em que dois reclusos fugiram de duas cadeias portuguesas: um que veio estender roupa e outro que veio despejar o lixo.

O segundo caso então é gritante: o recluso, a cumprir o primeiro de 15 anos de cadeia, foi autorizado, com outro detido, a vir à rua deitar o lixo, acompanhado por 1 (um) guarda prisional.

Assim vai a justiça no nosso país… assim funciona o nosso sistema prisional.

domingo, março 13, 2005

Obrigado por serem quem são

Tomou posse este sábado o XVII Governo Constitucional. É nesta altura que eu quero deixar um agradecimento ao Executivo cessante.

Vamos ter saudades deles… Foram três anos de casos e casos que se agravaram nos últimos quatro meses de tutela santanista.

O que vai ser de nós sem o ministro Silva e o amigo Henrique Chaves? O que vai ser de nós sem Celeste Cardona e Nobre Guedes? O que vai ser de nós sem secretários de estado do desporto que têm medo de ir à bola e que têm vergonha de tutelar o serviço de protecção civil mas não se demitem? O que vai ser de nós sem “facadas nas costas”, “incubadoras” e “calimeros” (perdão, “meninos-guerreiros”)?

Não sei, mas vai ser duro…

Ficamos à espera que Santana Lopes volte à Câmara e que Portas recupere do choque da noite eleitoral.

A única boa notícia desta “estória” é que, seguramente, vamos voltar a ter um Luís Delgado ao seu melhor estilo, assim Sócrates e “sus muchachos” colaborem com ele.

sábado, março 12, 2005

Civilidades…

O líder do PP disse, na noite das eleições, que em nenhum “país civilizado” a distância entre os “democratas-cristãos” e os “trotskistas” é de apenas um ponto percentual.

É capaz de ter razão mas, em minha opinião, o que me parece pouco “civilizado” é que se tente reescrever a história à nossa maneira passando por cima de tudo e de todos.

Começou com a transformação do CDS em PP e agora continuou com a “eliminação” de Freitas do Amaral só porque o homem aceitou ser ministro de Sócrates.

O retrato do fundador do CDS foi retirado da parede no Largo do Caldas, embrulhado e enviado para o Largo do Rato (não se sabe se com aviso de recepção).

Se os outros partidos não fossem “civilizados” e aderissem a esta “moda” havia seguramente uma vantagem: os CTT agradeceriam e o mercado postal teria um novo fôlego.

O PSD teria que enviar, por exemplo, as fotografias de Portas e Sócrates aos novos partidos, o PCTP-MRPP mandaria várias imagens para uns partidos bem mais à direita, no PCP então nem se fala…

Talvez Portas e o secretário-geral dos “populares” se tenham inspirado no “Carteiro de Pablo Neruda”… ou não.

domingo, março 06, 2005

“Só sei que nada sei”

Já é conhecido o novo Executivo liderado por José Sócrates, que nos deve governar (!) nos próximos quatro anos.

Há ministros que não conheço bem por isso o melhor é esperar para ver. Agora, pelo que já ouvi, há coisas que me deixam, no mínimo preocupado.

Para já, no entanto, duas coisas positivas: primeiro, os nomes que acompanham Sócrates não foram conhecidos na praça pública, segundo este é um Governo (ligeiramente) mais pequeno (menos três ministros).

Na composição do elenco há mais sinais positivos: o regresso de António Costa, Augusto Santos Silva e Mariano Gago e o regresso de um ministro do Trabalho.

De notar também outras apreciações: os ambientalistas apoiam o novo ministro do Ambiente, os economistas parecem gostar dos ministros das Finanças e da Economia, da nova ministra da Educação dizem que não vai deixar ninguém indiferente.

Depois há Freitas do Amaral. O novo Chefe da Diplomacia é fundador do CDS, de direita, e vai integrar um Governo socialista sendo que as suas posições mais recentes contra os Estados Unidos e Bush contrariam aquilo que se tem feito nos últimos anos no nosso país. É a surpresa entre as escolhas de Sócrates e vamos ver como se liga com os colegas do gabinete.

São 16 ministros, entre militantes e independentes. Vai ser curioso perceber como ministros de “ala esquerda” do PS se vão dar com ministros claramente de “centro direita”. Aí vai ser preciso um pulso forte e um rumo certo de Sócrates para evitar desgovernos semelhantes aos de Santana e companhia.

Apesar da maioria absoluta, o PS não pode ser cego, surdo e mudo às oposições, especialmente à esquerda.

Nota final para os ausentes, em especial António Vitorino. Já começa a haver pouca paciência para este “vai não vai” de Vitorino.

No fim de contas o que se espera é um rumo certo, coordenação ministerial, para que a vida melhore e Portugal saia da crise. O que se espera é que o PS faça juz ao nome e ajude quem mais precisa.

PS: o primeiro sinal dado pelo novo ministro das Finanças (Luís Campos e Cunha) não é positivo.

sexta-feira, março 04, 2005

gaLINHA TELEFÓNICA dos ovos d’ouro

Há coisas que, sinceramente, não consigo entender e que ainda me conseguem surpreender. A PT consegue tirar-me do sério.

Se a situação não fosse grave até dava vontade rir.

Toda a gente sabe que o país está em crise, que há quase meio milhão de desempregados e que há empresas em grandes dificuldades para manter os salários e os postos de trabalhos aos empregados.

Isto é um facto… o que não entendo e tenho muita dificuldade em perceber é como é que uma empresa como a PT, um dos maiores grupos nacionais (se é que não é o maior) consegue, no mesmo dia, anunciar que teve lucros fantásticos e que, apesar disso, quer reduzir o número de funcionários.

O anúncio de que a Portugal Telecom quer reduzir até mil postos de trabalho foi feito na apresentação dos resultados anuais: em 2004 os lucros da PT atingiram os 500 milhões de euros, mais do dobro de 2003.

A diminuição de postos de trabalho atinge a PT Comunicações. Os custos com a redução estão estimados entre 250 a 270 milhões de euros.

A empresa garante que esta política de redução já estava prevista e a decorrer há vários anos, que não são despedimentos, que são acordos e reformas antecipadas, mas o certo é que são mais mil pessoas que vão para casa.

Resumindo, apesar de lucros recorde, a PT quer mais e mais… em vez disso, bem que podiam ajudar a pagar o défice, a aumentar as pensões e o salário mínimo.

PS: Entretanto, já este ano, podem juntar os 300 milhões de euros da Lusomundo media para engordar a “galinha”.

quarta-feira, março 02, 2005

Casa arrombada…

Quatro bombeiros dos Sapadores de Coimbra morreram em Mortágua quando combatiam um incêndio num dos dias mais frios do ano.

Este trágico incidente (um dos mais graves dos últimos 20 anos) voltou a trazer à luz do dia as dificuldades com que bombeiros e outras forças de segurança se deparam.

Ontem à noite, o secretário de estado adjunto do ministro da Administração Interna veio admitir que a lei actual não é suficiente para apoiar as famílias que sofrem.

Embora seja de realçar a franqueza de Pereira Coelho, dá vontade perguntar porque é que o Governo, se achava que era insuficiente, não alterou a dita lei?

Porque será que no nosso país – desde que há democracia tem sido (quase) sempre assim só REAGE nunca AGE.

São inúmeros os exemplos ao longo doa anos: caso Aquaparque, caso de Entre-os-Rios, caso dos polícias baleados em serviço… a lista podia continuar e deve ser interminável.

Estamos preparados para um grande terramoto em Lisboa? Os planos de protecção civil estão prontos?

Num país em que os hospitais estremecem com um surto de gripe o que aconteceria se houvesse uma epidemia grave, tipo SARS?

Pois, não sabemos a resposta. E esse é que é o problema. Temos que mudar isto.

É obrigatório responder rapidamente e ajudar quem sofre mas é também fundamental analisar e prevenir todas as situações antes que elas aconteçam.
Num país em que se prefere comprar dois submarinos e não helicópteros e aviões de combate a incêndio, talvez, estivesse na altura de rever prioridades.

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

“Carta branca”

Os portugueses, fartos do “menino-guerreiro” e da crise, arriscaram tudo e passaram um "cheque em branco" a José Sócrates.

Mas o que é que o líder do PS fez para merecer o que Mário Soares e António Guterres sempre quiseram e nunca conseguiram?

De recordar que Sócrates alcançou 45.05%, 2573311 votos e 120 deputados na Assembleia da República (quando ainda faltam apurar os quatro da emigração).

A resposta é simples: nada (ou quase nada).

Tem no currículo a presença nos “governos Guterres” e, da sua participação, saltam à vista três tópicos: a co-incineração (que agora pode ser “repescada”), a despenalização do consumo de droga e a candidatura (ganhadora) à organização do Euro 2004. Está, agora, há poucos meses na liderança do partido e fez uma campanha na defensiva, sem se comprometer.

O que é certo é que Sócrates teve uma vitória inquestionável e histórica. A responsabilidade que tem agora sobre os ombros é proporcional ao tamanho dessa vitória.

A pose fria e robótica, em que tudo parece preparado não o favorece, mas isso não impediu o tal eleitorado flutuante de lhe dar o seu voto, muito também por culpa do (des)Governo cessante.

O país está em crise, mas o novo Primeiro-ministro tem “a faca e o queijo” na mão, não tem desculpas e… não pode falhar.

Percebeu-se nos últimos quatro meses que os portugueses não estão para aturar discursos de “bebés chorões”, que se queixam de tudo e de todos e que passam a vida a sacudir a “água do capote”.

Sócrates não vai ter os 100 dias de “estado de graça” – não há tempo -, tem que formar um Governo credível e começar rapidamente a mostrar serviço.

Quanto à direita, vamos ter dois congressos extraordinários para (em principio) encontrar novas lideranças.

Portas demitiu-se depois de não cumprir nenhum dos (quatro) objectivos a que se propôs. Foi uma atitude digna, nobre e que pareceu sincera. Só exagerou quando disse que Portugal não era um país civilizado por ter dado tantos votos ao BE.

Não sei se o líder “popular” era obrigado a seguir este caminho, mas é uma atitude respeitável. Vamos ver se o PP sobrevive incólume à saída de cena do seu “pai inspirador” ou se, mais cedo ou mais tarde, corre o risco de voltar a ser o partido do “táxi”.

Já Santana Lopes preferiu não clarificar se fica ou sai. O partido teve 28% - um dos piores resultados de sempre – mas o líder, para já, fica e até deve voltar a concorrer no congresso.

Vamos ver se – como já alguém disse – esta atitude do ainda Primeiro-ministro não vai levar a uma cisão do seu partido, transformando Santana Lopes num novo Manuel Monteiro.

À esquerda quase tudo foi perfeito: o Bloco mais do que duplicou o resultado, a CDU até subiu… só faltou evitar a vitória, com maioria absoluta, da “ala direita” do PS.

Após esta campanha sem sal - e que em alguns períodos roçou a mediocridade – há um outro aspecto digno de registo: é certo que a participação eleitoral subiu, mas os votos branco e nulo duplicaram e isso é a prova inequívoca de que os portugueses estão a perder a paciência com estes políticos.

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Espelho meu, espelho meu…

“Há algum político em Portugal que eles tratem tão mal como a mim?" – é esta a pergunta que o Primeiro-ministro demissionário e líder do PSD faz a poucos dias das eleições.

O presidente social-democrata escreveu uma carta aos eleitores, especialmente aos abstencionistas, para lhes pedir “o favor” de irem votar – nele subentende-se – continuando a campanha de vitimização.

O homem colocou a casca de “Calimero” e agora já não a tira. Deve ser do frio e da “laranjite” (sic) que apanhou durante a campanha.

Então Santana Lopes anda há semanas a chorar-se e a fazer papel de coitadinho e ninguém o ajuda…

Coitado do senhor que agora não faz mais nada que não seja queixar-se: ele é do Presidente da República, da oposição, dos banqueiros, dos colegas de partido, das empresas de sondagens, da comunicação social… e sabe-se lá mais de quem ou de quê.

Mas alguém ainda cai nestas “estórias”? Já não há pachorra. Então, o homem não tem culpa de nada? E ideias concretas, políticas efectivas para melhorar os problemas graves do país?... nada ou quase nada.

Na carta, Santana escreve ainda: "Você não costuma votar e não é por acaso".

Eu por acaso também acho. Se calhar, não é mesmo por acaso, se calhar também é por culpa de políticas e de políticos como o Dr. Santana Lopes.

O grave… é que os outros quatro “parceiros” de campanha também não são "grande espingarda".

domingo, fevereiro 13, 2005

“Eles falam falam…”

Estamos a uma semana das eleições e, portanto, em plena campanha eleitoral mas a verdade é que “isto” parece tudo uma brincadeira: ninguém discute nada do que é relevante.

O que é que de importante se tem falado nos últimos dias? O que é que o povo eleitor tem aprendido com esta campanha? Que dúvidas tirou?

As respostas são óbvias… e tristes para este país que é o nosso.

Perde-se tempo a discutir boatos, a falar de alegadas apostas de vitória, de pseudo perseguições a partidos, de centros comerciais e falcons…

O Bloco de Esquerda e o PP querem ser o terceiro partido, o PCP só quer manter a votação… O PS “exige” maioria absoluta, o PSD queixa-se de tudo e de todos, mas diz que vai ganhar.

Entretanto, sobre aquilo que realmente interessa às pessoas… (quase) nada: o emprego, a educação, a saúde, a segurança social…

"Há nos confins da Ibéria um povo que nem se governa nem se deixa governar" - Gaius Julius Caesar (100-44 AC)

segunda-feira, janeiro 24, 2005

Speddy Santana

Como se sabe, a Banda Desenhada não é só para crianças e é engraçado quando pessoas adultas continuam a ler ou a ver desenhos animados.

A nossa pesquisa vai continuar, mas já descobrimos qual é a personagem preferida de Pedro Santana Lopes: nada mais nada menos que o Speddy Gonzalez.

O Primeiro-ministro demissionário aproveitou este domingo para revelar em público essa sua preferência.

Senão repare: aproveitando o facto de estar em pré-campanha eleitoral, perdão, visita oficial ao concelho de Vila Nova de Poiares, Santana Lopes conseguiu em hora e meia (90 minutos) realizar onze (11) inaugurações e assinou sete (7) protocolos.

E ainda por cima – coitado – o nosso Chefe de Governo até estava lesionado numa mão.

Medidas eleitoralistas não, o país é que não pode parar – diz ele. Como é possível alguém pensar isto? – pergunto eu.

Eu cá concordo com o Primeiro-ministro… para mim, das duas uma, isto ou é um vírus como o que ataca o jardim da Madeira ou é, simplesmente, uma homenagem ao Speddy Gonzalez a personagem favorita de Santana Lopes.

Nada mais... Acredita?

domingo, janeiro 16, 2005

Cataventos

Eu cá acho mal que se realizem eleições nesta altura do ano. Não é por nenhuma razão em especial é só porque no Inverno costuma fazer muito vento.

É que a ventania é, seguramente, um dos principais inimigos dos nossos políticos. Eles que andam sempre de cabeça bem levantada e de espinha direita sofrem muito com o vento e, por isso, estão sempre a ser obrigados a mudar de posição.

Só assim se justifica que os principais políticos da nossa praça mudem de posição como quem muda de camisa.

Repare: José Sócrates, líder do PS, disse, ainda no ano passado, que a medida do ministro Bagão Félix de acabar com os benefícios fiscais era um erro e um atentado à classe média. Agora, três meses passados já vem dizer que, se for Governo, vai manter esta proposta.

Na mesma “moeda” responde António Mexia, ministro das Obras Públicas e coordenador do programa do Governo do PSD: Há uns tempos foram feitas fortes críticas ao PS pelas SCUTs, agora, afinal, o regresso das portagens a essas auto-estradas vai ser adiado por quatro anos.

Os exemplos podiam continuar e só apetece perguntar: “Afinal, em que é que ficamos?”. É que as eleições são já no dia 20 de Fevereiro e convinha que os “cataventos” estabilizassem.

Mas de certeza que os políticos não têm culpa… a culpa só pode mesmo ser do vento.

quinta-feira, janeiro 13, 2005

As 83 mil léguas submarinas

O “bombeiro” do Governo colocou o seu lugar à disposição do Primeiro-ministro. A culpa foi do mergulho.

Assim pensou o senhor ministro de Estado, da Presidência e dos Assuntos Parlamentares: “Qual é o problema de ir para São Tomé e Príncipe de avião particular do Estado, de não dizer nada ao chefe e ir dar uns mergulhos a convite dos amigos são-tomenses no intervalo da entrega das prendas?”

Eu cá acho que não há problema nenhum e até concordo com Morais Sarmento.

Então o homem que passa a vida a safar o Governo não merece um fim-de-semana de descanso no “Bem-Bom” – ou lá como se chama o “resort”? Claro que merece coitado… ainda por cima até estava doente e não pode desfrutar convenientemente da oferta.

O “único” problema em toda esta “estória” mal contada é que foram gastos mais de 83 mil euros do nosso dinheiro para que Morais Sarmento fosse entregar material em segunda mão aos amigos são-tomenses e dar uns mergulhos na praia.

A desculpa foi que não havia ligações em linha regular e era preciso ir lá rapidamente. A questão que se coloca é: Qual é a pressa de levar uns gravadores a São Tomé?

Não se percebe… como não se entende que o ministro não se tenha sabido explicar convenientemente e que o Primeiro-ministro tenha ficado “incomodado” – palavras dele - com esta “estória” e não tenha querido saber logo o que se passou.

sexta-feira, janeiro 07, 2005

2004: O ano de (quase) todos os desafios

No ano de 2004, Portugal esteve no “centro da acção” e por várias razões. Foi um ano intenso, de “sangue, suor e lágrimas”, que rodou muito em torno de dois pólos: o desporto e a política.

Portugal organizou o melhor Europeu de futebol de sempre. Foram três semanas de festa intensa, que só os gregos suplantaram. Nunca se tinha visto o país tão “entregue” a uma selecção e tudo por culpa de um brasileiro que soube despertar a “lusitana paixão” e conquistar o povo.

Os helénicos voltaram a fazer a festa nas Olímpiadas que, com quatro anos de atraso, lá “regressaram a casa”, num Jogos em que o nosso país conseguiu os melhores resultados de sempre, muito à custa do mais português de todos os nigerianos.

O FC Porto pintou de Azul mais um ano e voltou a fazer “estória” com a conquista da SuperLiga, SuperTaça, Taça Intercontinental e Liga dos Campeões. Entretanto, o “apito”… tocou duas vezes.

Na Política, foi a Portugal que os senhores da Europa vieram buscar o primeiro Presidente da Comissão de uma União Europeia, agora alargada a “25”. José Manuel Barroso deixou o Durão em casa e foi para Bruxelas.

O Governo caiu nas mãos de Santana Lopes, mas o Presidente da República “desligou-lhe” a encubadora quatro meses depois.

Portugal está, agora, com uma crise política, um Governo demissionário e eleições (várias) à porta.

Este foi também o ano em que evoluiu o processo Casa Pia – o julgamento já começou – e regrediu o processo de colocação de professores – milhares de erros e aulas com início atrasado.

Tal como nos últimos dois anos, o cumprimento do défice voltou a ser “figura de cartaz”, especialmente no mês de Dezembro: mais umas receitas extraordinárias e... valores abaixo dos 3%.

No Internacional, mantém-se a luta contra o terrorismo em várias partes do mundo, mas continuaram também os atentados (alguns bem perto de nós) que ceifaram (demasiadas) vidas inocentes.

No Médio Oriente, Arafat não resistiu à doença e a três anos de cerco e morreu em Paris. O processo de paz vai agora conhecer novos protagonistas e novos planos.

Contra a vontade do Mundo, George W. Bush foi reeleito pelos norte-americanos. Na Ucrânia nem um envenenamento evitou que Yushchenko ganhasse as eleições.

No Sudão vive-se uma crise humanitária sem precedentes, mas foi uma onda assassina na Ásia que fez despertar as consciências a nível mundial.

Mais de 150 mil pessoas morreram em vários países asiáticos e africanos - e estes números são ainda provisórios. A ONU prevê que esta tenha que ser a sua maior operação de solidariedade de sempre.

Ao contrário do que foi “prometido” este não foi ainda o ano da verdadeira retoma. Como será 2005?

sexta-feira, dezembro 31, 2004

Fúria da natureza

Milhares de pessoas morreram na Ásia e em alguns países de África, vítimas do terramoto e do tsunami que se seguiu.

Os números da tragédia são ainda muito provisórios e o número de vítimas não pára de aumentar, quase minuto a minuto.

São já milhares os mortos confirmados, milhares os desaparecidos e milhões as pessoas afectadas.

Perante uma tragédia desta magnitude sentimo-nos pequeninos e insignificantes. É nestas alturas que vemos que as nossas crises, guerrinhas e achaques nada valem perante a fúria da natureza.

Como disse o Marquês de Pombal após o terramoto de Lisboa em 1755, agora têm que se “enterrar os mortos e cuidar dos vivos”.

No entanto, há um “pormenor” que não pode ser esquecido.

Se é verdade que contra um sismo de 8.9 na escala de Richter pouco há a fazer (a não ser prevenção na construção e no ordenamento do território), porque os abalos surgem sem aviso prévio, já quanto ao tsunami o que aconteceu é lamentável, escandaloso e, até, criminoso.

O maremoto levou algumas horas a chegar às costas de alguns dos países afectados e as autoridades, apesar de avisadas, nada fizeram “para não alarmar as populações” e em defesa do turismo de que dependem.

Milhares de vidas podiam ter sido poupadas se tivesse sido lançado um simples alerta nas zonas costeiras.

Passadas as primeiras semanas, em que se vão enterrar os mortos e ajudar os sobreviventes, alguém deveria ser chamado a prestar contas. Este é mais um daqueles casos em que “a culpa não deveria morrer solteira”.

Entretanto, a ajuda humanitária – absolutamente essencial – começa a chegar e a ONU confirmou já que esta é a maior operação de sempre.

Portugal – para já, ajuda com oito milhões de euros em dinheiro e equipas no terreno, juntamente com várias ONGs.

Para já, notícia de destaque pela negativa, só o atraso do nosso embaixador em Banguecoque que, estando de férias em Portugal, demorou 96 horas a regressar ao seu posto após a tragédia.

Na altura em que escrevo, o nosso país tem oito cidadãos dados como desaparecidos e outros incontactáveis.

segunda-feira, dezembro 27, 2004

(In)Félix Natal

Tenho uma dúvida: estamos na época do Natal ou no Carnaval?

É certo que temos a maior árvore de Natal da Europa no nosso país e até já houve troca de presentes e mensagens natalícias, mas a mim ninguém me tira da ideia de que estamos no Carnaval.

É que só no Carnaval é que se goza com as pessoas e fica tudo bem, porque, afinal, “é Carnaval ninguém leva a mal”.

Desta vez, o “desfile” ocorreu na quinta-feira.

O ministro das Finanças veio divulgar, à terceira tentativa, a solução para o défice 2004: vão ser transferidos do Fundo de Pensões da Caixa Geral de Depósitos mi milhões de euros para que Portugal possa, pelo terceiro ano consecutivo, ser “bom aluno” e cumprir o Pacto de Estabilidade e Crescimento e ter um défice abaixo dos 3%.

Ora, logo aqui, há duas questões a considerar: primeiro, o ministro Bagão Félix tinha referido que não gostaria de utilizar receitas extraordinárias para conseguir cumprir o défice (o estratagema da sua antecessora) e, segundo, tinha prometido à Caixa que não ia mexer no seu fundo de pensões.

É curioso (para não dizer outra coisa) como se muda de opinião em questões tão sérias com uma facilidade destas, ainda para mais quando o chamado “plano B” falhou – segundo o ministro – também por culpa da mesma CGD.

O que é mais grave é que este novo “passe de mágica” não resolve nada de fundamental e nós, daqui a um ano, cá estaremos a discutir o que vender para voltar a cumprir este pacto “estúpido” (Romano Prodi).

Depois, só no Carnaval é que era possível um ministro ter a lata de anunciar um aumento de salário mínimo de 2.49% (abaixo do intervalo mínimo admitido pelo próprio Executivo) e continuar tudo como se nada fosse.

É que, caso não tenham reparado, este “aumento” é o mais baixo de sempre e segue-se a dois anos de “aumento 0”. Para além disso, este “aumento” surge depois do Primeiro-ministro (agora demissionário) ter anunciado no mês passado aos portugueses “o fim da austeridade”.

Por acaso nota-se: são mais 30 cêntimos (60$) o que não dá nem para um café.

Poucas vozes se levantaram nesta quinta-feira louca porque estavam todos muito preocupados com a questão “fundamental” do défice… sim, porque o facto de haver portugueses a ganhar menos de 80 contos por mês não é nada importante.

É Carnaval… (quase) ninguém leva a mal. (In)Félix Natal.

PS: Já agora, queria só lamentar que o senhor Primeiro-ministro demissionário tenha usado a sua mensagem de Natal para continuar a campanha de vitimização - qual "Calimero" - e deixar novas farpas ao Presidente da República.

terça-feira, dezembro 07, 2004

É só isto… mais nada

Numa altura em que o Governo caiu e o país se prepara para eleições legislativas antecipadas apetece-me aproveitar um mail anónimo que recebi e transcrevê-lo na íntegra.

Agradeço desde já ao seu autor, seja lá quem for, porque resume bem aquilo que se espera do Estado que nos governa ou deve governar.

Sem mais palavras:

“Em cada 100 euros que o patrão paga pela minha força de trabalho, o Estado, e muito bem, tira-me 20 euros para o IRS e 11 euros para a Segurança Social.

O meu patrão, por cada 100 euros que paga pela minha força de trabalho, é obrigado a dar ao Estado, e muito bem, mais 23,75 euros para a Segurança Social.

E por cada 100 euros de riqueza que eu produzo, o Estado, e muito bem, retira ao meu patrão outros 33 euros.

Cada vez que eu, no supermercado, gasto os 100 euros que o meu Patrão pagou, o Estado, e muito bem, fica com 19 euros para si.

Em resumo:

- Quando ganho 100 euros, o Estado fica quase com 55.
- Quando gasto 100 euros, o Estado, no mínimo, cobra 19.
- Quando lucro 100 euros, o Estado enriquece 33.
- Quando compro um carro, uma casa, herdo um quadro, registo os meus negócios ou peço uma certidão, o Estado, e muito bem, fica com quase metade das verbas envolvidas no caso.

Eu pago e acho muito bem, portanto exijo: um sistema de ensino que garanta cultura, civismo e futuro, emprego para o meu filho. Serviços de saúde exemplares. Um hospital bem equipado a menos de 20 km da minha casa.

Estradas largas, sem buracos e bem sinalizadas em todo o País. Auto-estradas sem portagens.

Pontes que não caiam. Tribunais com capacidade para decidir processos em menos de um ano.

Uma máquina fiscal que cobre igualitariamente os impostos.

Eu pago, e por isso quero ter, quando lá chegar, a reforma garantida e jardins públicos e espaços verdes bem tratados e seguros. Polícia eficiente e equipada.

Os monumentos do meu País bem conservados e abertos ao público, uma orquestra sinfónica.
Filmes criados em Portugal. E, no mínimo, que não haja um único caso de fome e miséria nesta terra.

Na pior das hipóteses, cada 300 euros em circulação em Portugal garantem ao Estado 100 euros de receita. Portanto Sr. Primeiro-ministro, governe-se com o dinheirinho que lhe dou porque eu quero e tenho direito a tudo isto.

Um português contribuinte”

quarta-feira, dezembro 01, 2004

Branco mais branco não há

Aí está mais uma tentativa de branquear uma situação anormal: a TAP e a Agência Abreu decidiram acabar com a “Yes” e criar a “White”.

Depois de ter ficado mais conhecida pelas avarias, atrasos e complicações do que pela eficiência da sua acção, a “Yes” é agora, qual toque mágico, transformada em “White”.

Segundo a TAP esta nova companhia “charter” vai utilizar o mesmo tipo de avião que a “casa mãe” e pretende ter um serviço de qualidade internacional.

Vamos ver o que acontece no futuro…

Esperemos que, desta vez “Yes”, se faça um serviço “White” a bem dos clientes, da TAP e de Portugal.

Esperemos que, como em outras situações, não mudem só as moscas.

segunda-feira, novembro 29, 2004

Ministro pela janela fora*

Henrique Chaves demitiu-se do Governo 4 (quatro) dias depois de ter tomado posse numa nova pasta e com fortes críticas a Santana Lopes.

O ministro da Juventude e Desporto alegou, entre outras coisas, “falta de lealdade” do Primeiro-ministro.

Se a demissão é estranha – até porque Henrique Chaves parecia satisfeito com a remodelação e a nova pasta – a justificação para a mesma é, no mínimo, grave.

É que estamos a falar de um ministro que, por acaso, é (era) grande amigo e de longa data do Primeiro-ministro, estamos a falar de um ministro que deixa críticas sobre a anterior pasta – ministro-adjunto, alegando que não teve condições para exercer as suas funções devidamente - e não sobre a nova.

Ora, se Henrique Chaves acha que Santana não é leal por que razão esteve com ele no Governo?; se Henrique Chaves estava insatisfeito no Executivo por que razão tomou posse numa outra pasta há apenas quatro dias?

A questão que se coloca aqui é a seguinte: se o Primeiro-ministro trata assim um amigo (falta "de lealdade e de verdade"), então como é que vai tratar os restantes portugueses?

E o que pensam os outros ministros? O que será que pensa o outro amigo (o ministro Silva) “resguardado” da exposição pública por Santana Lopes? E, já agora, ainda mais importante, o que pensa o senhor Presidente da República disto tudo? Estará arrependido de ter viabilizado esta solução?

* afinal não foi o DVD do Benfica que foi pela janela fora… mas também, quem ameaça ter um comportamento destes, se calhar, não merece ser ministro.