O Hamas venceu as eleições palestinianas e deixou o mundo ocidental em "estado de choque".
Este "grupo terrorista", responsável por muitos dos atentados contra Israel ao longo dos anos, superou, surpreendentemente, a Fatah.
Agora, o processo de paz do Médio Oriente teve um percalço, já que o Hamas não reconhece Israel e estes recusam-se a dialógar enquanto estes não depuserem as armas.
Seguramente as partes vão ter que entender-se, seguramente com os Estados Unidos e a União Europeia pelo meio, e vão ter que recuar...
A Palestina já foi considerada o "primeiro Estado terrorista", dada esta vitória, mas o Hamas continua a chamar terrorista ao Estado de Israel.
O que é certo é que o Hamas tem o apoio do povo palestiniano e, no terreno, esta organização tem um intenso trabalho social de apoio aos mais desfavorecidos, o que, por certo, lhes valeu a vitória.
Em última instância, o facto do Hamas ir liderar o Governo, com ou sem Fatah, pode até acabar por ajudar o processo de paz. Deixando as armas e com as iniciativas sociais no terreno, a Palestina pode avançar.
Vamos ver, por um lado, como Mahmoud Abbas, o líder da Autoridade Palestiniana, gere o processo do novo Executivo e, por outro, como reage Israel à, eventual, democratização do Hamas.
As eleições de Israel estão para breve e não é indiferente saber quem vai ganhar. Olmert e Netanyahu são pessoas bem diferentes.
quinta-feira, fevereiro 09, 2006
terça-feira, janeiro 31, 2006
Provas ou a falta delas
Uma das, anunciadas, prioridades deste Executivo é o combate à fraude e evasão fiscal.
Por mim, tudo bem. Há muito que atacar nessa área. O problema é o “ângulo de ataque”.
Sabe-se, é do senso comum, que são os mais ricos e poderosos que, com truques, subterfúgios e extrema “lata”, fogem e não pagam impostos.
A classe média, que trabalha para outrem, e os velhotes coitados, que trabalharam durante toda a vida, mas que, por esta ou aquela razão, nem sempre descontaram e recebem pensões de miséria, é não tem hipótese de fugir ao inevitável.
Dito isto, recordo que o Estado vai passar a exigir uma prova de rendimentos aos pensionistas com reformas inferiores a 14 salários mínimos nacionais, ou seja, cinco mil e 400 euros por ano.
A prova tem de ser apresentada no respectivo Centro de Saúde até dia 31 de Março de cada ano, a começar neste, e quem não o fizer perde o direito à comparticipação acrescida de medicamentos.
A questão que se coloca é: não haveria maneira de fazer este controlo, daqueles que enganam o Estado e recebem o que não deviam receber (aliás como acontece também com o Rendimento Mínimo Garantido), sem incomodar os idosos que, sem dúvida nenhuma merecem continuar a receber as pensões e a comparticipação acrescida para os medicamentos?
Seguramente que havia…
Por mim, tudo bem. Há muito que atacar nessa área. O problema é o “ângulo de ataque”.
Sabe-se, é do senso comum, que são os mais ricos e poderosos que, com truques, subterfúgios e extrema “lata”, fogem e não pagam impostos.
A classe média, que trabalha para outrem, e os velhotes coitados, que trabalharam durante toda a vida, mas que, por esta ou aquela razão, nem sempre descontaram e recebem pensões de miséria, é não tem hipótese de fugir ao inevitável.
Dito isto, recordo que o Estado vai passar a exigir uma prova de rendimentos aos pensionistas com reformas inferiores a 14 salários mínimos nacionais, ou seja, cinco mil e 400 euros por ano.
A prova tem de ser apresentada no respectivo Centro de Saúde até dia 31 de Março de cada ano, a começar neste, e quem não o fizer perde o direito à comparticipação acrescida de medicamentos.
A questão que se coloca é: não haveria maneira de fazer este controlo, daqueles que enganam o Estado e recebem o que não deviam receber (aliás como acontece também com o Rendimento Mínimo Garantido), sem incomodar os idosos que, sem dúvida nenhuma merecem continuar a receber as pensões e a comparticipação acrescida para os medicamentos?
Seguramente que havia…
quarta-feira, janeiro 25, 2006
Ordem de Mérito
Alguém, por favor, que me explique porque razão o Presidente Jorge Sampaio condecorou esta quarta-feira um grupo de 21 empresários portugueses.
Que “funções públicas ou privadas, sem interesse pessoal, com actos meritórios em favor da colectividade” tiveram estes senhores?
Para além de engordarem as respectivas contas bancárias, que mais fizeram estes senhores?
Sinceramente, não consigo entender.
De saída de Belém, não poderia o Chefe de Estado ter encontrado 21 desconhecidos, da sociedade civil, que, realmente, tivessem feito algo “sem interesse pessoal, em favor da colectividade”?
Que “funções públicas ou privadas, sem interesse pessoal, com actos meritórios em favor da colectividade” tiveram estes senhores?
Para além de engordarem as respectivas contas bancárias, que mais fizeram estes senhores?
Sinceramente, não consigo entender.
De saída de Belém, não poderia o Chefe de Estado ter encontrado 21 desconhecidos, da sociedade civil, que, realmente, tivessem feito algo “sem interesse pessoal, em favor da colectividade”?
segunda-feira, janeiro 23, 2006
O voto…
Realizaram-se ontem as eleições presidenciais, o terceiro acto eleitoral em menos de um ano.
Agora, se tudo decorrer normalmente, os portugueses só voltam às urnas daqui a três anos e tal.
O que acho incrível é que várias pessoas, incluindo políticos e até o novo Chefe de Estado, digam: “Ainda bem, finalmente”, como se ir a votos fosse “uma chatice”, uma “perda de tempo”.
Ir a votos é saudável e desejável, é a arma do povo e deve ser utilizada sempre que se justificar.
O facto dos portugueses irem a votos democraticamente nunca pode ser considerado um empecilho para o desenvolvimento do país.
O voto é a voz do povo que não pode ser calada por ninguém. Tem que ser o país a escolher o que quer fazer, para onde ir, se quer ou não alternância.
Isto é que é a democracia e isso não pode ser alterado por nenhum (bolo)-Rei.
PS: Continuo a achar que, salvo motivos de força maior, não votar é uma falta de respeito, por si próprio, pelos outros e por aqueles que muito lutaram para nos livrar da ditadura.
Agora, se tudo decorrer normalmente, os portugueses só voltam às urnas daqui a três anos e tal.
O que acho incrível é que várias pessoas, incluindo políticos e até o novo Chefe de Estado, digam: “Ainda bem, finalmente”, como se ir a votos fosse “uma chatice”, uma “perda de tempo”.
Ir a votos é saudável e desejável, é a arma do povo e deve ser utilizada sempre que se justificar.
O facto dos portugueses irem a votos democraticamente nunca pode ser considerado um empecilho para o desenvolvimento do país.
O voto é a voz do povo que não pode ser calada por ninguém. Tem que ser o país a escolher o que quer fazer, para onde ir, se quer ou não alternância.
Isto é que é a democracia e isso não pode ser alterado por nenhum (bolo)-Rei.
PS: Continuo a achar que, salvo motivos de força maior, não votar é uma falta de respeito, por si próprio, pelos outros e por aqueles que muito lutaram para nos livrar da ditadura.
Faltou um bocadinho assim…
Cavaco Silva lá chegou a Belém com 50.59% dos votos validamente expressos.
O “senhor do bolo” ganhou e democraticamente é obrigatório felicitá-lo pela vitória. Agora, ele não é o meu Presidente e há vários culpados para este triunfo.
O meu desejo por uma segunda volta nas presidenciais ficou por cumprir por culpa de umas escassas décimas…
Tudo por culpa de 1.8% dos votos, que foram desperdiçados por serem nulos ou brancos, ou pelos 37% que desrespeitaram a Democracia e ficaram em casa. (*)
Tudo por culpa de um PS que não se soube mobilizar e não soube empenhar os seus.
Tudo por culpa de Sócrates que tudo fez para minar a candidatura de Alegre, até na altura dos discursos (vergonhosa a atitude do secretário-geral-Primeiro-ministro) e que até parece que preferia Cavaco na presidência.
Tudo por culpa das eleições serem ao domingo e não à terça-feira (como nos Estados Unidos). À velocidade que o Cavaco estava a descer nas percentagens, faltou mesmo só “um bocadinho assim” para haver segunda volta.
Manuel Alegre disse-o ontem e eu concordo: “contra ventos e marés”, contra tudo e todos, quase conseguia um milagre cívico. Atenção que conseguiu mais de um milhão de votos, falta saber, agora, o que vai fazer com eles e como vai ser recebido no seu partido. As minhas homenagens.
Mário Soares não merecia acabar assim a sua carreira política, perdendo de goleada. Enxovalhado e quase sem o apoio do seu partido, mas também podia ter gerido a “coisa” melhor, especialmente com o amigo (?) Alegre que até esqueceu no discurso da derrota.
Jerónimo de Sousa continua a surpreender e ontem até suplantou os números da CDU nas últimas legislativas (mais 1%).
O grande derrotado da noite acabou por ser José Sócrates, não só pelo resultado humilhante do seu candidato, mas especialmente pela atitude inqualificável para com Manuel Alegre.
Aliás é curioso que, no “consulado” de Sócrates, o PS consegue o melhor e o pior resultado da “estória” do partido (primeira derrota numas presidenciais).
Falta agora saber o que Cavaco quis dizer quanto, no discurso de vitória, afirmou: "É altura de "deitar mãos à obra, não é pequena a tarefa que temos à nossa frente e o trabalho será longo".
(*) Nota para a fórmula de contagem dos votos. Se estas fossem uma legislativas ou autárquicas, Cavaco não tinha ganho com maioria.
O “senhor do bolo” ganhou e democraticamente é obrigatório felicitá-lo pela vitória. Agora, ele não é o meu Presidente e há vários culpados para este triunfo.
O meu desejo por uma segunda volta nas presidenciais ficou por cumprir por culpa de umas escassas décimas…
Tudo por culpa de 1.8% dos votos, que foram desperdiçados por serem nulos ou brancos, ou pelos 37% que desrespeitaram a Democracia e ficaram em casa. (*)
Tudo por culpa de um PS que não se soube mobilizar e não soube empenhar os seus.
Tudo por culpa de Sócrates que tudo fez para minar a candidatura de Alegre, até na altura dos discursos (vergonhosa a atitude do secretário-geral-Primeiro-ministro) e que até parece que preferia Cavaco na presidência.
Tudo por culpa das eleições serem ao domingo e não à terça-feira (como nos Estados Unidos). À velocidade que o Cavaco estava a descer nas percentagens, faltou mesmo só “um bocadinho assim” para haver segunda volta.
Manuel Alegre disse-o ontem e eu concordo: “contra ventos e marés”, contra tudo e todos, quase conseguia um milagre cívico. Atenção que conseguiu mais de um milhão de votos, falta saber, agora, o que vai fazer com eles e como vai ser recebido no seu partido. As minhas homenagens.
Mário Soares não merecia acabar assim a sua carreira política, perdendo de goleada. Enxovalhado e quase sem o apoio do seu partido, mas também podia ter gerido a “coisa” melhor, especialmente com o amigo (?) Alegre que até esqueceu no discurso da derrota.
Jerónimo de Sousa continua a surpreender e ontem até suplantou os números da CDU nas últimas legislativas (mais 1%).
O grande derrotado da noite acabou por ser José Sócrates, não só pelo resultado humilhante do seu candidato, mas especialmente pela atitude inqualificável para com Manuel Alegre.
Aliás é curioso que, no “consulado” de Sócrates, o PS consegue o melhor e o pior resultado da “estória” do partido (primeira derrota numas presidenciais).
Falta agora saber o que Cavaco quis dizer quanto, no discurso de vitória, afirmou: "É altura de "deitar mãos à obra, não é pequena a tarefa que temos à nossa frente e o trabalho será longo".
(*) Nota para a fórmula de contagem dos votos. Se estas fossem uma legislativas ou autárquicas, Cavaco não tinha ganho com maioria.
sábado, janeiro 07, 2006
Curta e grossa…
Este louco período natalício, que só termina a 23 de Janeiro, não me tem permitido actualizar o blog como devia.
No entanto, aqui fica uma nota que não posso deixar passar.
O Governo divulgou que vai dar 1.5% de aumento aos funcionários públicos e 3% no salário mínimo.
Os senhores, que se dizem socialistas, dão um aumento abaixo da inflação e os portugueses vão já para o oitavo ano a perder poder de compra.
Entretanto, todos os produtos aumentam em percentagem igual ou superior à inflação. Destaque para o pão que sobe uns escandalosos 10%.
Haja vergonha...
No entanto, aqui fica uma nota que não posso deixar passar.
O Governo divulgou que vai dar 1.5% de aumento aos funcionários públicos e 3% no salário mínimo.
Os senhores, que se dizem socialistas, dão um aumento abaixo da inflação e os portugueses vão já para o oitavo ano a perder poder de compra.
Entretanto, todos os produtos aumentam em percentagem igual ou superior à inflação. Destaque para o pão que sobe uns escandalosos 10%.
Haja vergonha...
sexta-feira, dezembro 23, 2005
Crise?!
Estamos a poucos dias do Natal e há notícias que não deixam de me surpreender. Sem mais comentários, aqui vai:
“Nos primeiros 20 dias deste mês, os portugueses já levantaram no Multibanco mais de 1,3 mil milhões de euros.
Segundo o "Correio da Manhã", somados os levantamentos na Multibanco aos pagamentos nas lojas, o valor ascende aos 2,8 mil milhões de euros - números obtidos junto da Sociedade Interbancária de Serviços (SIBS).
O valor dos levantamentos indica crescimento, face a igual período do ano passado, de 16%, enquanto que as compras pagas com cartão de débito subiram 9%, revela o jornal.
Nas compras com débito directo, os cartões foram usados em cerca de 40 milhões de operações. Em termos globais, os cartões foram mais usados para levantamentos na primeira semana.”
"Ainda bem" que estamos em crise e estagnados economicamente. O que seria se não estivéssemos...
“Nos primeiros 20 dias deste mês, os portugueses já levantaram no Multibanco mais de 1,3 mil milhões de euros.
Segundo o "Correio da Manhã", somados os levantamentos na Multibanco aos pagamentos nas lojas, o valor ascende aos 2,8 mil milhões de euros - números obtidos junto da Sociedade Interbancária de Serviços (SIBS).
O valor dos levantamentos indica crescimento, face a igual período do ano passado, de 16%, enquanto que as compras pagas com cartão de débito subiram 9%, revela o jornal.
Nas compras com débito directo, os cartões foram usados em cerca de 40 milhões de operações. Em termos globais, os cartões foram mais usados para levantamentos na primeira semana.”
"Ainda bem" que estamos em crise e estagnados economicamente. O que seria se não estivéssemos...
quarta-feira, dezembro 14, 2005
Frente a frente, lado a lado
Os debates televisivos para as presidenciais vão a meio e, sendo assim, está na altura de fazer um pequeno balanço.
Muito se tem falado sobre a fórmula encontrada entre as candidaturas e as televisões, ponto prévio: mais vale “debates”, que são quase duas entrevistas em simultâneo, que nada.
Este formato e até a colocação em estúdio, impede uma discussão mais acesa e a troca directa de argumentos, mas deixa espaço a algum esclarecimento e à visibilidade de algumas diferenças entre os candidatos.
Para já, o grande vencedor é Cavaco Silva, que, obviamente, ganha com a calma da discussão, com a limitação dos tempos e com as dificuldades económicas do país que lhe permitem realçar as suas qualidades enquanto economista.
Se havia dúvidas quanto ao “profissionalismo” do professor, o final do debate de ontem com Jerónimo foi paradigmático: primeiro, ainda em estúdio, lembrando o “Olhe que não, olhe que não”, de Álvaro Cunhal, o que lhe permitiu “sair” de um ataque e, depois, já cá fora, exemplar a forma como Cavaco “se fez” à câmara da SIC, enquanto respondia ao repórter, sempre em andamento.
Cavaco Silva parece ter “o controlo do jogo” e estar a “gerir” bem os resultados das sondagens.
A maior desilusão, até agora, é Manuel Alegre. O poeta, o mais inexperiente nestas andanças, parece tenso e pouco à vontade, inadaptado às câmaras, hesitante em algumas respostas.
O “independente” socialista tem que se soltar e ir além da estratégia de “vitimização”, de que terá sido alvo por parte do PS, e do “trunfo” de ter uma candidatura que não está ligada a nenhum aparelho partidário.
O debate Cavaco - Louçã terá sido o melhor até agora, talvez porque estávamos perante duas pessoas com a mesma formação, mas ainda faltam, por exemplo, os debates Soares – Alegre e Cavaco – Soares.
Posto isto ficam duas perguntas no ar: estes debates servem para alterar opções de voto? Será que vai haver segunda volta?
Cada vez me parece mais improvável (resposta às duas perguntas).
Muito se tem falado sobre a fórmula encontrada entre as candidaturas e as televisões, ponto prévio: mais vale “debates”, que são quase duas entrevistas em simultâneo, que nada.
Este formato e até a colocação em estúdio, impede uma discussão mais acesa e a troca directa de argumentos, mas deixa espaço a algum esclarecimento e à visibilidade de algumas diferenças entre os candidatos.
Para já, o grande vencedor é Cavaco Silva, que, obviamente, ganha com a calma da discussão, com a limitação dos tempos e com as dificuldades económicas do país que lhe permitem realçar as suas qualidades enquanto economista.
Se havia dúvidas quanto ao “profissionalismo” do professor, o final do debate de ontem com Jerónimo foi paradigmático: primeiro, ainda em estúdio, lembrando o “Olhe que não, olhe que não”, de Álvaro Cunhal, o que lhe permitiu “sair” de um ataque e, depois, já cá fora, exemplar a forma como Cavaco “se fez” à câmara da SIC, enquanto respondia ao repórter, sempre em andamento.
Cavaco Silva parece ter “o controlo do jogo” e estar a “gerir” bem os resultados das sondagens.
A maior desilusão, até agora, é Manuel Alegre. O poeta, o mais inexperiente nestas andanças, parece tenso e pouco à vontade, inadaptado às câmaras, hesitante em algumas respostas.
O “independente” socialista tem que se soltar e ir além da estratégia de “vitimização”, de que terá sido alvo por parte do PS, e do “trunfo” de ter uma candidatura que não está ligada a nenhum aparelho partidário.
O debate Cavaco - Louçã terá sido o melhor até agora, talvez porque estávamos perante duas pessoas com a mesma formação, mas ainda faltam, por exemplo, os debates Soares – Alegre e Cavaco – Soares.
Posto isto ficam duas perguntas no ar: estes debates servem para alterar opções de voto? Será que vai haver segunda volta?
Cada vez me parece mais improvável (resposta às duas perguntas).
Indemnizações
Depois da decisão do Tribunal da Relação de não o levar a julgamento, Paulo Pedroso vai processar os responsáveis pela investigação do “processo Casa Pia”.
De recordar que o ex-deputado foi acusado de 23 crimes de abuso sexual no âmbito deste caso e esteve em prisão preventiva quase cinco meses.
Não vou falar deste caso especificamente, este é só o ponto de partida que se aplica, ou deve aplicar, em minha opinião, a todas as situações idênticas, sejam elas mediáticas ou não.
Vejo-me obrigado a concordar que uma pessoa, qualquer que seja, exija uma indemnização ao Estado ou a alguém em particular se se provar que, afinal, esteve injustamente detida.
A investigação deve ser feita com toda a liberdade, isenção e rapidez e, depois, quando se passar à fase seguinte tem que haver certezas.
A lei permite um conjunto se opções, antes de se chegar à prisão preventiva, que deveria impedir que algum arguido fosse detido preventivamente sem o mínimo de garantias.
Quando há erros… alguém tem que pagar, alguém tem que minimizar as
De recordar que o ex-deputado foi acusado de 23 crimes de abuso sexual no âmbito deste caso e esteve em prisão preventiva quase cinco meses.
Não vou falar deste caso especificamente, este é só o ponto de partida que se aplica, ou deve aplicar, em minha opinião, a todas as situações idênticas, sejam elas mediáticas ou não.
Vejo-me obrigado a concordar que uma pessoa, qualquer que seja, exija uma indemnização ao Estado ou a alguém em particular se se provar que, afinal, esteve injustamente detida.
A investigação deve ser feita com toda a liberdade, isenção e rapidez e, depois, quando se passar à fase seguinte tem que haver certezas.
A lei permite um conjunto se opções, antes de se chegar à prisão preventiva, que deveria impedir que algum arguido fosse detido preventivamente sem o mínimo de garantias.
Quando há erros… alguém tem que pagar, alguém tem que minimizar as
domingo, dezembro 04, 2005
Só?!
Saiu esta semana, num jornal da nossa praça, mais uma informação importante e que vem comprovar como se fazem as coisas no nosso país.
Sem mais comentários, apenas faço “copy-past” do título:
“Emprego: 28 por cento do emprego que é criado em Portugal é através de cunhas”
Sem mais comentários, apenas faço “copy-past” do título:
“Emprego: 28 por cento do emprego que é criado em Portugal é através de cunhas”
quinta-feira, dezembro 01, 2005
Contra a SIDA…

Portugal já perdeu mais de seis mil pessoas para a SIDA, segundo dados do Centro de Vigilância Epidemiológica das Doenças Transmissíveis, do Instituto Nacional Ricardo Jorge.
Até ao dia 30 de Junho deste ano, 22 anos depois dos primeiros registos da patologia, foram contabilizados 27013 casos no País.
Segundo os dados do CVEDT, entre 1983 e 2005 foram identificados 12210 casos de SIDA em Portugal, dos quais mais de cinco mil na área de Lisboa, 2716 são do Porto e 1685 de Setúbal.
O número de mortes representa cerca de 50% do número de casos diagnosticados. Há ainda a registar 12355 de seropositivos e quase 2500 doentes com patologias associadas à imunodeficiência, mas aos quais ainda não se atribui a designação de Sida - casos sintomáticos não-Sida.
Já a ONUSida, das Nações Unidas dedicado ao combate à epidemia, revela que Portugal é o segundo país europeu com mais altas taxas de infecção com o HIV - 280 novos casos por milhão de habitantes. Em cada milhão de habitantes, há 80 que são diagnosticados quando já sofrem de sida, ou seja, só descobrem a doença muitos anos depois de terem sido infectados.
Só em 2004 foram diagnosticados 642 novos casos.
E isto é só em Portugal, em África, por exemplo, a situação é muito (muito) pior com 2/3 dos portadores mundiais.
Vale a pena pensar nisto… no Dia Mundial de Luta contra a SIDA.
Paguem...
Esta é mais uma daquelas situações em que eu tenho vergonha de viver neste país que, mais uma vez, parece um sítio (mal frequentado).
Vai ser repetido o julgamento do caso de uma criança que morreu (depois de cair numa estação de esgoto que estava destapada), no Seixal, porque algumas gravações de testemunhos estão inaudíveis.
O caso foi julgado há apenas quatro meses e condenou a autarquia a pagar uma indemnização de 250 mil euros à família da criança.
Colocados os dados em cima da mesa, há duas situações que me enojam:
Primeiro, como é que uma autarquia tem o descaramento e a suprema lata de interpor recurso numa sentença como esta. Vai obrigar a família a voltar a tribunal, a reviver o acidente, só na esperança de pagar uns tostões a menos de indemnização.
Segundo, como é possível que uma sentença seja anulada só porque os tribunais não têm condições de gravação.
Como é possível? Ainda queremos nós fazer parte do “pelotão da frente” dos países civilizados.
Francamente, tenham vergonha.
Vai ser repetido o julgamento do caso de uma criança que morreu (depois de cair numa estação de esgoto que estava destapada), no Seixal, porque algumas gravações de testemunhos estão inaudíveis.
O caso foi julgado há apenas quatro meses e condenou a autarquia a pagar uma indemnização de 250 mil euros à família da criança.
Colocados os dados em cima da mesa, há duas situações que me enojam:
Primeiro, como é que uma autarquia tem o descaramento e a suprema lata de interpor recurso numa sentença como esta. Vai obrigar a família a voltar a tribunal, a reviver o acidente, só na esperança de pagar uns tostões a menos de indemnização.
Segundo, como é possível que uma sentença seja anulada só porque os tribunais não têm condições de gravação.
Como é possível? Ainda queremos nós fazer parte do “pelotão da frente” dos países civilizados.
Francamente, tenham vergonha.
quarta-feira, novembro 23, 2005
A verdade da mentira
Apesar de ter um “poeta Alegre” e um “filósofo Sócrates” esta novela é bem triste e reveladora do carácter dos nossos políticos.
Só para que conste estamos a falar de um deputado, vice-presidente da Assembleia da República, e do Primeiro-ministro do país e, que não haja dúvidas, um dos dois “artistas” está a mentir.
Manuel Alegre garante que falou várias vezes com Sócrates para ser o candidato apoiado pelo PS à presidência da República, depois das recusas de Guterres e Vitorino.
O secretário-geral dos socialistas desmente Alegre e diz que só falou com o deputado para este apoiar Soares.
Entretanto, Mário Soares diz que não tem nada a ver com este “imbróglio” e que o “caso” não é com ele, afirmando só que “não é, nem nunca foi traidor”.
Não sei quem tem razão nesta lamentável “estória”, a única certeza é que – como já disse - alguém está a enganar os portugueses e isso é muito grave.
É incrível como três destacados elementos do mesmo partido dão este triste espectáculo que, para além de ser tudo menos dignificante, só dá trunfos ao adversário.
Qualquer pessoa que pense votar em Alegre ou Soares para Belém pode, depois disto, pensar: “Mas se estes gajos mentem uns aos outros e não se entendem, como é que vão servir para a presidência da República?”
Será que Portugal não merece uns políticos melhores?
As perguntas são legítimas e Cavaco Silva já se está a rir.
Só para que conste estamos a falar de um deputado, vice-presidente da Assembleia da República, e do Primeiro-ministro do país e, que não haja dúvidas, um dos dois “artistas” está a mentir.
Manuel Alegre garante que falou várias vezes com Sócrates para ser o candidato apoiado pelo PS à presidência da República, depois das recusas de Guterres e Vitorino.
O secretário-geral dos socialistas desmente Alegre e diz que só falou com o deputado para este apoiar Soares.
Entretanto, Mário Soares diz que não tem nada a ver com este “imbróglio” e que o “caso” não é com ele, afirmando só que “não é, nem nunca foi traidor”.
Não sei quem tem razão nesta lamentável “estória”, a única certeza é que – como já disse - alguém está a enganar os portugueses e isso é muito grave.
É incrível como três destacados elementos do mesmo partido dão este triste espectáculo que, para além de ser tudo menos dignificante, só dá trunfos ao adversário.
Qualquer pessoa que pense votar em Alegre ou Soares para Belém pode, depois disto, pensar: “Mas se estes gajos mentem uns aos outros e não se entendem, como é que vão servir para a presidência da República?”
Será que Portugal não merece uns políticos melhores?
As perguntas são legítimas e Cavaco Silva já se está a rir.
quarta-feira, novembro 16, 2005
Sobe sobe, desemprego sobe
A taxa de desemprego continua a subir e o Governo, apesar da promessas, pouco ou nada faz para inverter esta tendência.
São já 430 mil as pessoas inscritas nos Centros de Emprego, o que equivale a 7.7% da população activa, o valor mais elevado desde 1998.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística, comparando com o mesmo trimestre de 2004, o número de desempregados cresceu 14,4% entre Julho e Setembro.
Estes são números preocupantes, diria mesmo alarmantes, especialmente se acrescentarmos que uma boa parte destes são jovens licenciados à procura do primeiro emprego.
Estranho mais uma vez que, ao mesmo tempo que se diz que o nosso país tem um atraso na formação, não se aposte, precisamente, em pessoas formadas.
Mais extraordinário ainda é que, agora, oito meses depois de ter tomado posse, o ministro do Trabalho venha dizer que “vai tomar medidas” e que é preciso que “os centros de emprego se aproximem dos desempregados”.
Vieira da Silva acrescenta que “não é o Estado que cria postos de trabalho” (!)
Queria só aproveitar para lembrar uma das promessas de José Sócrates em plena campanha eleitoral: criação de 150 mil empregos e 25 mil estágios para jovens.
Desculpem, devo ter sonhado...
São já 430 mil as pessoas inscritas nos Centros de Emprego, o que equivale a 7.7% da população activa, o valor mais elevado desde 1998.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística, comparando com o mesmo trimestre de 2004, o número de desempregados cresceu 14,4% entre Julho e Setembro.
Estes são números preocupantes, diria mesmo alarmantes, especialmente se acrescentarmos que uma boa parte destes são jovens licenciados à procura do primeiro emprego.
Estranho mais uma vez que, ao mesmo tempo que se diz que o nosso país tem um atraso na formação, não se aposte, precisamente, em pessoas formadas.
Mais extraordinário ainda é que, agora, oito meses depois de ter tomado posse, o ministro do Trabalho venha dizer que “vai tomar medidas” e que é preciso que “os centros de emprego se aproximem dos desempregados”.
Vieira da Silva acrescenta que “não é o Estado que cria postos de trabalho” (!)
Queria só aproveitar para lembrar uma das promessas de José Sócrates em plena campanha eleitoral: criação de 150 mil empregos e 25 mil estágios para jovens.
Desculpem, devo ter sonhado...
segunda-feira, novembro 14, 2005
Portugal maior
Cavaco Silva entrou este domingo na pré-campanha para as presidenciais de Janeiro e apanhou o primeiro “banho de multidão”.
O candidato abriu hostilidades, obviamente, no “Cavaquistão” (Viseu), “território amigo”, para se ir ambientando à “luta”.
Esta "aparição" é notícia porque foi a primeira e porque Cavaco deve limitar as intervenções ao mínimo e fugir o máximo a debates – truque habitualmente utilizado por quem está na frente das sondagens.
Bom, mas isto são contas de outro rosário…
Este “post” surgiu simplesmente porque me lembrei do slogan de campanha de Cavaco Silva: “Portugal Maior”.
Partindo do princípio que não é uma gralha, confesso que esta frase me faz uma certa confusão (para não dizer outra coisa).
Este slogan remete para o tempo da outra Senhora, as tendências expansionistas do Império, ou, noutro âmbito, o Portugal dos “maiores”, que esquece quem mais necessita.
Posso, obviamente, estar enganado e não ser nada disto que a frase quer dizer ou tem subentendido, mas lá que parece, parece.
Eu, por mim, não quero um Portugal maior, quero um Portugal Melhor, mais solidário, mais eficaz, menos corrupto.
O candidato abriu hostilidades, obviamente, no “Cavaquistão” (Viseu), “território amigo”, para se ir ambientando à “luta”.
Esta "aparição" é notícia porque foi a primeira e porque Cavaco deve limitar as intervenções ao mínimo e fugir o máximo a debates – truque habitualmente utilizado por quem está na frente das sondagens.
Bom, mas isto são contas de outro rosário…
Este “post” surgiu simplesmente porque me lembrei do slogan de campanha de Cavaco Silva: “Portugal Maior”.
Partindo do princípio que não é uma gralha, confesso que esta frase me faz uma certa confusão (para não dizer outra coisa).
Este slogan remete para o tempo da outra Senhora, as tendências expansionistas do Império, ou, noutro âmbito, o Portugal dos “maiores”, que esquece quem mais necessita.
Posso, obviamente, estar enganado e não ser nada disto que a frase quer dizer ou tem subentendido, mas lá que parece, parece.
Eu, por mim, não quero um Portugal maior, quero um Portugal Melhor, mais solidário, mais eficaz, menos corrupto.
sexta-feira, novembro 11, 2005
Quanto pior… melhor
Os políticos devem tomar as decisões que acham correctas para o país, muitas vezes, baseadas em estudos, pagos a peso de ouro.
Obviamente que os governantes não são obrigados a seguir os resultados dessas análises. No entanto, no caso de isso não acontecer, tem que haver razões fortes.
O que não deve e não pode acontecer é encomendar estudo atrás de estudo até que este dê o resultado que nós “gostamos”.
É, exactamente, para isso que servem os estudos: para se avaliarem as situações e, depois, deixar aos governantes a decisão final, supostamente a melhor para o país.
Vem isto a propósito de um estudo da Direcção Geral de Saúde, baseado em dados de 2003, que confirma que, salvo raras excepções, os hospitais-empresa são menos eficientes que os outros.
Ora, acontece que, apesar deste resultado, o modelo dos hospitais-empresa é o que também vai ser seguido por este Governo.
O que é incrível é que, sabe-se agora, devido ao resultado “madrasto”, afinal, este estudo não era para revelar… malditos jornalistas.
Pior, descoberta a fuga, o Ministério da Saúde vem desvalorizar e garante que, afinal, o importante será outro estudo encomendado a um economista, que se espera em Dezembro.
Porque raio estamos a insistir numa "fórmula" que, diz a DGS, não é o mais eficaz? Há alguém a ganhar muito com isto, seguramente. Eu cá tenho uma ideia de quem é.
Ficam as perguntas: se este novo estudo tiver a “coragem” de dar um resultado semelhante a este da Direcção Geral de Saúde, o que vai o Ministério fazer? Esconder o documento e encomendar outro? Assobiar para o ar? Mudar de política em relação aos hospitais?
Tem a palavra o ministro Correia de Campos…
Obviamente que os governantes não são obrigados a seguir os resultados dessas análises. No entanto, no caso de isso não acontecer, tem que haver razões fortes.
O que não deve e não pode acontecer é encomendar estudo atrás de estudo até que este dê o resultado que nós “gostamos”.
É, exactamente, para isso que servem os estudos: para se avaliarem as situações e, depois, deixar aos governantes a decisão final, supostamente a melhor para o país.
Vem isto a propósito de um estudo da Direcção Geral de Saúde, baseado em dados de 2003, que confirma que, salvo raras excepções, os hospitais-empresa são menos eficientes que os outros.
Ora, acontece que, apesar deste resultado, o modelo dos hospitais-empresa é o que também vai ser seguido por este Governo.
O que é incrível é que, sabe-se agora, devido ao resultado “madrasto”, afinal, este estudo não era para revelar… malditos jornalistas.
Pior, descoberta a fuga, o Ministério da Saúde vem desvalorizar e garante que, afinal, o importante será outro estudo encomendado a um economista, que se espera em Dezembro.
Porque raio estamos a insistir numa "fórmula" que, diz a DGS, não é o mais eficaz? Há alguém a ganhar muito com isto, seguramente. Eu cá tenho uma ideia de quem é.
Ficam as perguntas: se este novo estudo tiver a “coragem” de dar um resultado semelhante a este da Direcção Geral de Saúde, o que vai o Ministério fazer? Esconder o documento e encomendar outro? Assobiar para o ar? Mudar de política em relação aos hospitais?
Tem a palavra o ministro Correia de Campos…
domingo, novembro 06, 2005
“Escumalha”
Foi assim que o ministro do Interior qualificou os indivíduos que têm provocado os distúrbios graves em França.
Tudo começou depois da morte de dois jovens que fugiam à polícia e saiu do controlo das autoridades depois do comentário do senhor Nicolas Sarkozy.
Pela 10ª noite consecutiva, em várias cidades francesas, incluindo a capital, centenas de carros têm sido incendiados diariamente e dezenas de pessoas detidas.
Milhares de polícias já estão nas ruas e há quem peça a intervenção do Exército.
Será que a “entrada em cena” do Exército não vai piorar a situação em França? Será que esta crise não pode alastrar a outros países? O que fazer com a maioria destas pessoas que está ilegal e/ou vive em condições sub-humanas?
Entretanto, o Presidente Chirac e o Primeiro-ministro Villepin tentam colocar água na fervura, mas Sarkozy não cede.
Não estará na altura deste ministro colocar o lugar à disposição?
Tudo começou depois da morte de dois jovens que fugiam à polícia e saiu do controlo das autoridades depois do comentário do senhor Nicolas Sarkozy.
Pela 10ª noite consecutiva, em várias cidades francesas, incluindo a capital, centenas de carros têm sido incendiados diariamente e dezenas de pessoas detidas.
Milhares de polícias já estão nas ruas e há quem peça a intervenção do Exército.
Será que a “entrada em cena” do Exército não vai piorar a situação em França? Será que esta crise não pode alastrar a outros países? O que fazer com a maioria destas pessoas que está ilegal e/ou vive em condições sub-humanas?
Entretanto, o Presidente Chirac e o Primeiro-ministro Villepin tentam colocar água na fervura, mas Sarkozy não cede.
Não estará na altura deste ministro colocar o lugar à disposição?
Mão cheia de nada
Como já aqui escrevi, Portugal é o país da UE que tem maior diferença entre ricos e pobres. Para além disso, tem dos mais baixos salários mínimos dos “25”.
Vem este ponto de ordem a propósito da inacreditável e inaceitável reacção do Primeiro-ministro do Governo, dito, socialista à proposta da CGTP que, recorde-se, defende a subida do ordenado mínimo até aos 500 euros em 2010.
José Sócrates considera “absolutamente demagógica e fantasista” esta proposta.
Convém relembrar ao senhor Primeiro-ministro socialista (!) que, actualmente, o salário mínimo são 373.6 euros (menos de 75 contos) e que, a ser aprovada, a proposta da central sindical implicava um aumento de cinco (5) mil escudos anuais.
Não digo que esta medida não implicasse um grande esforço por parte do Estado, concordo que sim, acontece que era apenas necessário mudar as prioridades.
Em vez de se passar a vida a mudar administrações de empresas públicas, a contratar assessores atrás de assessores, a desperdiçar dinheiro com viagens de Falcon ou a comprar submarinos, etc, etc, etc... talvez não fosse má ideia dar dinheiro a quem precisa.
Será que é preciso recordar que há muitas pessoas em Portugal a viver abaixo do limiar da pobreza?
Como o anúncio do hipermercado, apetece perguntar: Como se consegue viver com setenta e poucos meses por mês?
Tenha vergonha senhor Primeiro-ministro.
Vem este ponto de ordem a propósito da inacreditável e inaceitável reacção do Primeiro-ministro do Governo, dito, socialista à proposta da CGTP que, recorde-se, defende a subida do ordenado mínimo até aos 500 euros em 2010.
José Sócrates considera “absolutamente demagógica e fantasista” esta proposta.
Convém relembrar ao senhor Primeiro-ministro socialista (!) que, actualmente, o salário mínimo são 373.6 euros (menos de 75 contos) e que, a ser aprovada, a proposta da central sindical implicava um aumento de cinco (5) mil escudos anuais.
Não digo que esta medida não implicasse um grande esforço por parte do Estado, concordo que sim, acontece que era apenas necessário mudar as prioridades.
Em vez de se passar a vida a mudar administrações de empresas públicas, a contratar assessores atrás de assessores, a desperdiçar dinheiro com viagens de Falcon ou a comprar submarinos, etc, etc, etc... talvez não fosse má ideia dar dinheiro a quem precisa.
Será que é preciso recordar que há muitas pessoas em Portugal a viver abaixo do limiar da pobreza?
Como o anúncio do hipermercado, apetece perguntar: Como se consegue viver com setenta e poucos meses por mês?
Tenha vergonha senhor Primeiro-ministro.
terça-feira, novembro 01, 2005
A Democracia, segundo Rio Rio
Agora, para se falar com o senhor Presidente da Câmara do Porto, os jornalistas têm novas "directivas".
Numa intervenção sem direito a perguntas, Rui Rio anunciou que a partir de agora só dará entrevistas “por escrito, mediante critérios de oportunidade, com regras previamente definidas, evitando ou minimizando assim interpretações especulativas ou a pura manipulação das respostas".
E porque toma Rio esta atitude?
Porque, segundo o senhor Presidente da Câmara da Invicta, aos "detentores do poder, legitimados pelo voto livre e democrático" compete "procurar evitar distorções e lutar contra a perversidade, principalmente quando ela atinge uma dimensão que põe em causa a saúde do regime e a própria governabilidade do país".
Ora aqui está um “belo” exemplo de Democracia dado por um autarca eleito democraticamente pela maioria absoluta dos portuenses.
Vamos esperar para ver se este é um incidente isolado ou se vêm aí mais atitudes déspotas.
Bem dizia o slogan de campanha: “Este Rio não pode parar”.
Pois é, agora, aturem-no.
Numa intervenção sem direito a perguntas, Rui Rio anunciou que a partir de agora só dará entrevistas “por escrito, mediante critérios de oportunidade, com regras previamente definidas, evitando ou minimizando assim interpretações especulativas ou a pura manipulação das respostas".
E porque toma Rio esta atitude?
Porque, segundo o senhor Presidente da Câmara da Invicta, aos "detentores do poder, legitimados pelo voto livre e democrático" compete "procurar evitar distorções e lutar contra a perversidade, principalmente quando ela atinge uma dimensão que põe em causa a saúde do regime e a própria governabilidade do país".
Ora aqui está um “belo” exemplo de Democracia dado por um autarca eleito democraticamente pela maioria absoluta dos portuenses.
Vamos esperar para ver se este é um incidente isolado ou se vêm aí mais atitudes déspotas.
Bem dizia o slogan de campanha: “Este Rio não pode parar”.
Pois é, agora, aturem-no.
sexta-feira, outubro 28, 2005
“Alta velocidade”
Não sou técnico, nem conheço os estudos (não sei se alguém conhece) e, portanto, não sei se a Ota ou o TGV são prioridades ou, sequer, se são necessidades do país.
Para já, por aquilo que fui ouvindo, parece-me que há maiores dúvidas em relação ao novo aeroporto: pelo preço, pela localização, pelas perspectivas de desenvolvimento…
É certo que estamos em crise e que estes dois projectos obrigam a grandes (megalómanos?) investimentos públicos.
Mas também é certo que, se não for agora, nunca mais a União Europeia nos ajuda (financeiramente) nestes projectos.
Posto isto, enquanto se espera pelos estudos e pela confirmação oficial, parece que o TGV deverá ser adiado para 2015, ter duas linhas e quatro paragens: Leiria, Coimbra, Ota e Aveiro.
O que acho curioso é que o PSD continue a dizer que este projecto é despesista e megalómano. Talvez tenha razão, a questão que se coloca é que há pouco mais de dois anos (com Durão Barroso como Primeiro-ministro), os social-democratas assinaram com o Governo espanhol, na Figueira da Foz, o seu projecto do TGV que incluía não duas, mas quatro linhas.
A viragem “laranja” é grande e feita, como se percebe, em alta velocidade.
Para já, por aquilo que fui ouvindo, parece-me que há maiores dúvidas em relação ao novo aeroporto: pelo preço, pela localização, pelas perspectivas de desenvolvimento…
É certo que estamos em crise e que estes dois projectos obrigam a grandes (megalómanos?) investimentos públicos.
Mas também é certo que, se não for agora, nunca mais a União Europeia nos ajuda (financeiramente) nestes projectos.
Posto isto, enquanto se espera pelos estudos e pela confirmação oficial, parece que o TGV deverá ser adiado para 2015, ter duas linhas e quatro paragens: Leiria, Coimbra, Ota e Aveiro.
O que acho curioso é que o PSD continue a dizer que este projecto é despesista e megalómano. Talvez tenha razão, a questão que se coloca é que há pouco mais de dois anos (com Durão Barroso como Primeiro-ministro), os social-democratas assinaram com o Governo espanhol, na Figueira da Foz, o seu projecto do TGV que incluía não duas, mas quatro linhas.
A viragem “laranja” é grande e feita, como se percebe, em alta velocidade.
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