Nas próximas semanas, o "Tiro ao Alvo" vai estar "numa praia perto de si" e incontactável por qualquer via informática.
Reabriremos nos primeiros dias de Agosto com "pontaria afinada" ao que se for passando "no país e no mundo".
Sim, porque eu "vou andar por aí"...
segunda-feira, julho 11, 2005
sábado, julho 09, 2005
Big Bang
Voltámos a ser sobressaltados com mais um atentado cobarde que fez dezenas de vítimas em Londres.
Mais uma vez morreram pessoas inocentes que só queriam ir trabalhar e que nada têm a ver com questões políticas, religiosas, ou outras.
Seja qual for a “razão” dos terroristas nada (mesmo nada) justifica que se matem civis só para “dar espectáculo”.
Para além de tudo o mais, há dois aspectos que me chocam especialmente: a impotência em responder perante um ataque deste tipo (não é possível controlar as milhares de pessoas que andam a toda a hora nos transportes públicos) e a tremenda frieza dos homens que comandaram e executaram esta operação (o que lhes interessa é matar e matar muito, independentemente de quem possa ser).
Sinceramente, não sei como “isto” se poderá resolver e agora até já tenho dúvidas que tenha alguma coisa a ver com a presença das tropas internacionais no Iraque (que foram e são, obviamente, um erro, mas que não podem justificar tudo).
Depois das Torres Gémeas, de Bali, Madrid e, agora, Londres, infelizmente, a única certeza que temos é que, mais tarde ou mais cedo, “eles” vão voltar a atacar… só não se sabe quando e onde.
O que também me parece é que, agora, depois da “casa arrombada" é escusado que se faça muito “show-off” com as “trancas na porta”.
Por aquilo que já se viu, a Al-Qaeda (tudo parece indicar que é esta a assinatura) ataca quando menos se espera, nos sítios e situações comuns da vida quotidiana.
Está confirmado que, desde Setembro de 2001, foram evitados na Europa dezenas de atentados, o problema é que os terroristas não têm pressa e, pior do que isso, basta-lhes ir marcando um “golo” de quando em vez.
PS: Não sei se é apenas coincidência mas o certo é que, dos países que participaram na cimeira das Lajes, o único que ainda não foi atacado foi Portugal.
Mais uma vez morreram pessoas inocentes que só queriam ir trabalhar e que nada têm a ver com questões políticas, religiosas, ou outras.
Seja qual for a “razão” dos terroristas nada (mesmo nada) justifica que se matem civis só para “dar espectáculo”.
Para além de tudo o mais, há dois aspectos que me chocam especialmente: a impotência em responder perante um ataque deste tipo (não é possível controlar as milhares de pessoas que andam a toda a hora nos transportes públicos) e a tremenda frieza dos homens que comandaram e executaram esta operação (o que lhes interessa é matar e matar muito, independentemente de quem possa ser).
Sinceramente, não sei como “isto” se poderá resolver e agora até já tenho dúvidas que tenha alguma coisa a ver com a presença das tropas internacionais no Iraque (que foram e são, obviamente, um erro, mas que não podem justificar tudo).
Depois das Torres Gémeas, de Bali, Madrid e, agora, Londres, infelizmente, a única certeza que temos é que, mais tarde ou mais cedo, “eles” vão voltar a atacar… só não se sabe quando e onde.
O que também me parece é que, agora, depois da “casa arrombada" é escusado que se faça muito “show-off” com as “trancas na porta”.
Por aquilo que já se viu, a Al-Qaeda (tudo parece indicar que é esta a assinatura) ataca quando menos se espera, nos sítios e situações comuns da vida quotidiana.
Está confirmado que, desde Setembro de 2001, foram evitados na Europa dezenas de atentados, o problema é que os terroristas não têm pressa e, pior do que isso, basta-lhes ir marcando um “golo” de quando em vez.
PS: Não sei se é apenas coincidência mas o certo é que, dos países que participaram na cimeira das Lajes, o único que ainda não foi atacado foi Portugal.
quarta-feira, julho 06, 2005
O outro “69”
Na próxima sexta-feira, milhões de pessoas em vários países da Europa vão estar em suspenso à espera dos “números” e das “estrelinhas” do Euromilhões.
Este novo concurso europeu bate todos os recordes e oferece esta semana 69 milhões de euros (quase 14 milhões de contos).
Antes de continuar, deixem-me só esclarecer que não tenho nada contra o jogo legal (nem este, nem qualquer outro) e que sei que este até está concessionado à Santa Casa da Misericórdia, o que permite ajudar pessoas com problemas.
No entanto, é só esta a minha questão, parece-me que dar 14 milhões de contos a alguém que acertou umas cruzinhas, parece-me um exagero, quase diria uma obscenidade.
Especialmente quando se sabe que o país está em crise e há tanta gente, milhares de pessoas, com dificuldades.
Por outro lado, há ainda o outro lado da moeda para quem ganha uma quantia tão alta: os “amigos” que aparecem e que, por exemplo, até obrigaram duas famílias portuguesas (novos Euromilionários) a desaparecer.
Não sei se “isto” algum dia pode ser alterado (eventualmente com um “tecto monetário” para os apostadores e o resto entregue a ONG), mas o que é certo é que esta é uma questão que me perturba.
Este novo concurso europeu bate todos os recordes e oferece esta semana 69 milhões de euros (quase 14 milhões de contos).
Antes de continuar, deixem-me só esclarecer que não tenho nada contra o jogo legal (nem este, nem qualquer outro) e que sei que este até está concessionado à Santa Casa da Misericórdia, o que permite ajudar pessoas com problemas.
No entanto, é só esta a minha questão, parece-me que dar 14 milhões de contos a alguém que acertou umas cruzinhas, parece-me um exagero, quase diria uma obscenidade.
Especialmente quando se sabe que o país está em crise e há tanta gente, milhares de pessoas, com dificuldades.
Por outro lado, há ainda o outro lado da moeda para quem ganha uma quantia tão alta: os “amigos” que aparecem e que, por exemplo, até obrigaram duas famílias portuguesas (novos Euromilionários) a desaparecer.
Não sei se “isto” algum dia pode ser alterado (eventualmente com um “tecto monetário” para os apostadores e o resto entregue a ONG), mas o que é certo é que esta é uma questão que me perturba.
domingo, julho 03, 2005
Vale a pena pensar nisto…
Uma criança morre de fome a cada 3 (três) segundos, 50 mil pessoas morrem diariamente em todo o mundo em estado de extrema pobreza.
Foi para tentar chamar a atenção para estes números absolutamente trágicos que, este sábado, dezenas de bandas ao vivo, em 10 palcos espalhados pelo mundo, milhares de pessoas "in loco" e muitos milhões pela televisão se juntaram numa acção sem precedentes para tentar acordar o Planeta para este GENOCÍDIO.
Sim, porque “isto”, que está a acontecer não tem outro nome.
O Live8, organizado por Bob Geldof, juntou, para além de milhões de anónimos, muita gente da música, mas também pessoas importantes da sociedade e da política (Kofi Annan, Nelson Mandela, Bill Gates, Angelina Jolie e muitos, muitos outros).
Agora, é preciso, é essencial, é obrigatório que os “Senhores do Mundo” ouçam este apelo e que, na bela Escócia, a partir de dia 6, o G8 (os oito países mais ricos do Mundo) passem das palavras aos actos e comecem por duas coisas simples: o fim da dívida externa aos países mais pobres e o aumento efectivo da ajuda.
E que não venham com a “estória” de que “estamos em crise e que não há dinheiro”.
Para acabar com a pobreza no mundo é necessário muito menos dinheiro do que, por exemplo, já custou, até agora, a guerra no Iraque.
Nós, comuns mortais, também podemos ajudar, à nossa medida, as várias ONG que por aí andam a apoiar quem precisa, mesmo no nosso país de quase meio milhão de desempregados.
Foi para tentar chamar a atenção para estes números absolutamente trágicos que, este sábado, dezenas de bandas ao vivo, em 10 palcos espalhados pelo mundo, milhares de pessoas "in loco" e muitos milhões pela televisão se juntaram numa acção sem precedentes para tentar acordar o Planeta para este GENOCÍDIO.
Sim, porque “isto”, que está a acontecer não tem outro nome.
O Live8, organizado por Bob Geldof, juntou, para além de milhões de anónimos, muita gente da música, mas também pessoas importantes da sociedade e da política (Kofi Annan, Nelson Mandela, Bill Gates, Angelina Jolie e muitos, muitos outros).
Agora, é preciso, é essencial, é obrigatório que os “Senhores do Mundo” ouçam este apelo e que, na bela Escócia, a partir de dia 6, o G8 (os oito países mais ricos do Mundo) passem das palavras aos actos e comecem por duas coisas simples: o fim da dívida externa aos países mais pobres e o aumento efectivo da ajuda.
E que não venham com a “estória” de que “estamos em crise e que não há dinheiro”.
Para acabar com a pobreza no mundo é necessário muito menos dinheiro do que, por exemplo, já custou, até agora, a guerra no Iraque.
Nós, comuns mortais, também podemos ajudar, à nossa medida, as várias ONG que por aí andam a apoiar quem precisa, mesmo no nosso país de quase meio milhão de desempregados.
sexta-feira, julho 01, 2005
O sítio em que vivemos II
Um amigo costuma dizer que “nós não vivemos num país, vivemos num sítio (mal frequentado)”. Infelizmente, cada vez há mais exemplos de que ele tem razão.
Estamos a pouco mais de três meses das eleições autárquicas, que devem realizar-se a 9 de Outubro, mas há já candidaturas que marcam bem o que é o nosso país.
Fátima Felgueiras, Isaltino Morais, Valentim Loureiro e Avelino Ferreira Torres são quatro exemplos do que não deveria acontecer num país “civilizado” como o nosso.
Qualquer dos quatro personagens é arguido em processos que estão a decorrer em tribunal (aliás a senhora Felgueiras até está foragida à justiça), mas isso não os impediu de concorrerem a mais um mandato.
É a demagogia, o populismo e a falta de vergonha ao seu mais alto nível…
Mas o que é (ainda) mais incrível é que, apesar de tudo o que são acusados, qualquer um destes candidatos tem fortes hipóteses de ganhar a respectiva autarquia.
Volta a surgir a questão: “Como é que é possível?”
É certo que, até prova em contrário, todos são inocentes, mas a verdade é que, se isto fosse um país e não um “sítio”, nenhum dos quatro poderia, com a calma olímpica com que o fazem, concorrer a estas eleições.
Há vários exemplos, até mesmo em Portugal, de políticos que, por muito menos do que isto, fizeram retiradas estratégicas ou períodos sabáticos até que tudo ficasse devidamente esclarecido.
Estamos a pouco mais de três meses das eleições autárquicas, que devem realizar-se a 9 de Outubro, mas há já candidaturas que marcam bem o que é o nosso país.
Fátima Felgueiras, Isaltino Morais, Valentim Loureiro e Avelino Ferreira Torres são quatro exemplos do que não deveria acontecer num país “civilizado” como o nosso.
Qualquer dos quatro personagens é arguido em processos que estão a decorrer em tribunal (aliás a senhora Felgueiras até está foragida à justiça), mas isso não os impediu de concorrerem a mais um mandato.
É a demagogia, o populismo e a falta de vergonha ao seu mais alto nível…
Mas o que é (ainda) mais incrível é que, apesar de tudo o que são acusados, qualquer um destes candidatos tem fortes hipóteses de ganhar a respectiva autarquia.
Volta a surgir a questão: “Como é que é possível?”
É certo que, até prova em contrário, todos são inocentes, mas a verdade é que, se isto fosse um país e não um “sítio”, nenhum dos quatro poderia, com a calma olímpica com que o fazem, concorrer a estas eleições.
Há vários exemplos, até mesmo em Portugal, de políticos que, por muito menos do que isto, fizeram retiradas estratégicas ou períodos sabáticos até que tudo ficasse devidamente esclarecido.
2+2= 5
Se dúvidas existiam, aí está mais uma prova de que os portugueses não sabem fazer contas…
Depois das “discrepâncias” do Ministério das Finanças no Orçamento Rectificativo, agora ficou a conhecer-se a “gralha” da equipa do Banco de Portugal em relação ao cálculo do défice.
Até novos erros, o défice é de 6.72 e não 6.83%.
Era capaz de não ser má ideia pedir (estou a ser simpático) aos senhores economistas que fizeram (mal) estas contas que regressem aos bancos das escolas.
Após mais estes dois casos (graves) já começo a duvidar que este nosso problema com a matemática tenha solução.
Se calhar é genético…
Depois das “discrepâncias” do Ministério das Finanças no Orçamento Rectificativo, agora ficou a conhecer-se a “gralha” da equipa do Banco de Portugal em relação ao cálculo do défice.
Até novos erros, o défice é de 6.72 e não 6.83%.
Era capaz de não ser má ideia pedir (estou a ser simpático) aos senhores economistas que fizeram (mal) estas contas que regressem aos bancos das escolas.
Após mais estes dois casos (graves) já começo a duvidar que este nosso problema com a matemática tenha solução.
Se calhar é genético…
quarta-feira, junho 29, 2005
2+2=?
Que o país está em crise, já se sabe, que a matemática é um dos graves problemas dos nossos alunos, também não é novidade, que tenha havido Primeiros-ministros que não sabem fazer contas, não é notícia, agora, que um ministro das Finanças e toda a sua equipa se enganem, isso sim, já é uma revelação só ao nível de países “especiais”.
Vem isto a propósito dos “erros”, “trapalhadas”, “discrepâncias” (como quiserem chamar) no Orçamento Rectificativo apresentado por Luís Campos e Cunha…
Depois de muito se ter criticado as contas de Bagão Félix, o novo ministro apresentou na sexta-feira o seu documento. Acontece que, depois das análises dos jornais e da oposição, Campos e Cunha foi obrigado a emendar o OE Rectificativo.
Ora, e feitas as contas, não foi uma simples emenda, foi uma autêntica remodelação. Das 22 alíneas do documento apenas duas ficaram tal e qual.
Entretanto, a oposição não parece nada convencida e fala em diferenças de milhões de euros entre o que consta, agora, do Orçamento Rectificativo Rectificado e o que foi apresentado a Bruxelas.
Pois, e assim vamos andando… para um ministro e toda a sua equipa que eram considerados muito competentes tecnicamente, não há dúvida que Campos e Cunha não teve um bom começo.
Neste cenário não me parece nada despropositada a proposta de Ribeiro e Castro de oferecer ao ministro uma máquina de calcular…
Vem isto a propósito dos “erros”, “trapalhadas”, “discrepâncias” (como quiserem chamar) no Orçamento Rectificativo apresentado por Luís Campos e Cunha…
Depois de muito se ter criticado as contas de Bagão Félix, o novo ministro apresentou na sexta-feira o seu documento. Acontece que, depois das análises dos jornais e da oposição, Campos e Cunha foi obrigado a emendar o OE Rectificativo.
Ora, e feitas as contas, não foi uma simples emenda, foi uma autêntica remodelação. Das 22 alíneas do documento apenas duas ficaram tal e qual.
Entretanto, a oposição não parece nada convencida e fala em diferenças de milhões de euros entre o que consta, agora, do Orçamento Rectificativo Rectificado e o que foi apresentado a Bruxelas.
Pois, e assim vamos andando… para um ministro e toda a sua equipa que eram considerados muito competentes tecnicamente, não há dúvida que Campos e Cunha não teve um bom começo.
Neste cenário não me parece nada despropositada a proposta de Ribeiro e Castro de oferecer ao ministro uma máquina de calcular…
segunda-feira, junho 27, 2005
O sítio em que vivemos…
É por estas e por outras que eu, às vezes, tenho que me beliscar para ter a certeza que vivo mesmo em Portugal e não no Burkina Faso ou em Nauru*.
Acho inacreditável, já para não dizer inadmissível, que aconteçam “certas e determinadas situações” num país “civilizado”, da União Europeia, em pleno século XXI.
Depois de já termos visto postos de electricidade no meio da via pública e campos de futebol cortados por uma estrada, tivemos, esta noite, mais um exemplo que só não é caricato porque teve consequências graves.
Uma pessoa morreu e outra ficou gravemente ferida quando uma avioneta (!) chocou com um automóvel (!) em plena pista do aeródromo de Espinho.
Ao que parece, o facto de uma estrada cruzar o aeródromo já era considerado normal. Segundo testemunhas, só não tinha havido mais acidentes porque, habitualmente, na zona do cruzamento, já as aeronaves costumam ir no ar, passando por baixo dos veículos.
Claro que mudar esta situação nunca deve ter passado pela cabeça dos responsáveis mas, atenção, há um "sinal de STOP para as viaturas, uma vez que há o perigo constante de circulação de aeronaves", diz um senhor do aeródromo.
Como é que é possível?
(*) Não se pretende, de modo nenhum, ofender os países aqui mencionados.
Acho inacreditável, já para não dizer inadmissível, que aconteçam “certas e determinadas situações” num país “civilizado”, da União Europeia, em pleno século XXI.
Depois de já termos visto postos de electricidade no meio da via pública e campos de futebol cortados por uma estrada, tivemos, esta noite, mais um exemplo que só não é caricato porque teve consequências graves.
Uma pessoa morreu e outra ficou gravemente ferida quando uma avioneta (!) chocou com um automóvel (!) em plena pista do aeródromo de Espinho.
Ao que parece, o facto de uma estrada cruzar o aeródromo já era considerado normal. Segundo testemunhas, só não tinha havido mais acidentes porque, habitualmente, na zona do cruzamento, já as aeronaves costumam ir no ar, passando por baixo dos veículos.
Claro que mudar esta situação nunca deve ter passado pela cabeça dos responsáveis mas, atenção, há um "sinal de STOP para as viaturas, uma vez que há o perigo constante de circulação de aeronaves", diz um senhor do aeródromo.
Como é que é possível?
(*) Não se pretende, de modo nenhum, ofender os países aqui mencionados.
sexta-feira, junho 24, 2005
Serviços máximos, direitos mínimos…
Sinceramente, não sei se os professores têm razão para as greves que fizeram esta semana. Há, no entanto, dois pontos que gostaria de deixar claros.
Em primeiro lugar, tenham ou não tenham razão, defendo que os professores devem cumprir “serviços mínimos”, especialmente se as paralisações afectarem exames nacionais.
No entanto, o que já não me parece bem e, aliás, até me parece perigoso, é que o Governo imponha “serviços mínimos”, que são, na verdade, “serviços máximos” (todos os professores foram chamados às escolas).
A piorar ainda mais esta situação está o facto de, alegadamente, o Executivo ter enviado cartas aos conselhos directivos a pedir os nomes dos “professores faltosos”.
O Primeiro-ministro disse hoje, no debate mensal no Parlamento, que os professores “abandonaram os alunos”.
A confirmar-se a existência da carta e a possibilidade dos docentes serem castigados, este pode ser um grave passo atrás e um perigoso recuo na vida democrática do país.
O direito à greve não pode ser posto em causa.
Em primeiro lugar, tenham ou não tenham razão, defendo que os professores devem cumprir “serviços mínimos”, especialmente se as paralisações afectarem exames nacionais.
No entanto, o que já não me parece bem e, aliás, até me parece perigoso, é que o Governo imponha “serviços mínimos”, que são, na verdade, “serviços máximos” (todos os professores foram chamados às escolas).
A piorar ainda mais esta situação está o facto de, alegadamente, o Executivo ter enviado cartas aos conselhos directivos a pedir os nomes dos “professores faltosos”.
O Primeiro-ministro disse hoje, no debate mensal no Parlamento, que os professores “abandonaram os alunos”.
A confirmar-se a existência da carta e a possibilidade dos docentes serem castigados, este pode ser um grave passo atrás e um perigoso recuo na vida democrática do país.
O direito à greve não pode ser posto em causa.
segunda-feira, junho 20, 2005
A manif que não queria ter visto...
Tinha pensado fazer um “post” sobre a manifestação no Martim Moniz, mas desisti.
Aquelas cerca de 200 pessoas não merecem a minha atenção, até porque eu só costumo falar de coisas sérias.
Aliás, dar-lhes atenção, seria seguramente contraproducente e podia dar-lhes força para continuarem a pressionar e a alastrar as ideias racistas e xenófobas.
Assim, reduzindo àquela insignificância os manifestantes, os portugueses lúcidos deram sinais positivos. Felizmente.
Aquelas cerca de 200 pessoas não merecem a minha atenção, até porque eu só costumo falar de coisas sérias.
Aliás, dar-lhes atenção, seria seguramente contraproducente e podia dar-lhes força para continuarem a pressionar e a alastrar as ideias racistas e xenófobas.
Assim, reduzindo àquela insignificância os manifestantes, os portugueses lúcidos deram sinais positivos. Felizmente.
quarta-feira, junho 15, 2005
“Até sempre, camarada”
Esta quarta-feira é dia de luto nacional em homenagem a Álvaro Cunhal, o líder histórico do PCP.
Pode ou não gostar-se de Cunhal, das suas ideias, daquilo que fez ou queria fazer em e por Portugal...
O que, no entanto, me parece indiscutível é que se reconheça que Álvaro Cunhal era e foi sempre coerente com as ideias e convicções que defendeu, nunca vergou, nunca se rendeu, nunca se vendeu…
Há poucos políticos mundiais que possam dizer o mesmo.
É certo, no entanto, que as suas ideias (as do marxismo-leninismo) tinham (têm) aspectos, no mínimo, polémicos e controversos, até de difícil aplicação prática.
Este é um lado da questão… Há, por outro lado, outro aspecto que me merece análise:
Quais são os critérios que fundamentam as propostas para “dia de luto nacional”? Tendo como exemplo os últimos casos, são critérios muito pouco perceptíveis.
Senão vejamos, Cunhal foi homenageado com um dia de luto, Sousa Franco também mas, antigos Primeiros-ministros, como Maria de Lurdes Pintassilgo e Vasco Gonçalves, não tiveram esse direito.
Há coisas que não se percebem…
PS: Milhares de pessoas participaram na última homenagem de Cunhal, muitas delas que nada tinham a ver com o PCP. Isto só prova que o líder comunista, também o escritor e artista, era respeitado.
Pode ou não gostar-se de Cunhal, das suas ideias, daquilo que fez ou queria fazer em e por Portugal...
O que, no entanto, me parece indiscutível é que se reconheça que Álvaro Cunhal era e foi sempre coerente com as ideias e convicções que defendeu, nunca vergou, nunca se rendeu, nunca se vendeu…
Há poucos políticos mundiais que possam dizer o mesmo.
É certo, no entanto, que as suas ideias (as do marxismo-leninismo) tinham (têm) aspectos, no mínimo, polémicos e controversos, até de difícil aplicação prática.
Este é um lado da questão… Há, por outro lado, outro aspecto que me merece análise:
Quais são os critérios que fundamentam as propostas para “dia de luto nacional”? Tendo como exemplo os últimos casos, são critérios muito pouco perceptíveis.
Senão vejamos, Cunhal foi homenageado com um dia de luto, Sousa Franco também mas, antigos Primeiros-ministros, como Maria de Lurdes Pintassilgo e Vasco Gonçalves, não tiveram esse direito.
Há coisas que não se percebem…
PS: Milhares de pessoas participaram na última homenagem de Cunhal, muitas delas que nada tinham a ver com o PCP. Isto só prova que o líder comunista, também o escritor e artista, era respeitado.
domingo, junho 12, 2005
Marés vivas…
Depois das novelas, dos jogadores de futebol, dos dentistas e dos cabeleireiros, eis que Portugal volta a importar mais uma moda brasileira: o “arrastão”.
Neste fim-de-semana centenas de jovens, alegadamente vindos das “zonas problema” da área de Lisboa, entraram de rompante em duas praias do país (Carcavelos e Quarteira) para assaltar os banhistas.
Em Carcavelos aconteceu o caso mais grave: cerca de 500 miúdos “atacaram”, a polícia não estava lá, a que chegou, obviamente, não era suficiente…
Acredito que não fosse fácil controlar esta situação, o que questiono é o facto de ninguém ter percebido a “combinação” ou estranhado aquela aglomeração de jovens, alguns deles, seguramente, bem conhecidos das autoridades.
O que é certo é que o país está em crise e estes casos vão continuar. O sentimento de insegurança vai aumentar e, por consequência, a xenofobia também.
Não sei bem como “isto” se resolve, o que sei é que seguramente não é instalando os miúdos na Cova da Moura ou no bairro da Bela Vista que a “coisa” melhora.
É obrigatório fazer um esforço e compreender estas pessoas na sociedade, dar-lhes trabalho, integrá-las… sob pena de a situação se continuar a agravar irremediavelmente.
Neste fim-de-semana centenas de jovens, alegadamente vindos das “zonas problema” da área de Lisboa, entraram de rompante em duas praias do país (Carcavelos e Quarteira) para assaltar os banhistas.
Em Carcavelos aconteceu o caso mais grave: cerca de 500 miúdos “atacaram”, a polícia não estava lá, a que chegou, obviamente, não era suficiente…
Acredito que não fosse fácil controlar esta situação, o que questiono é o facto de ninguém ter percebido a “combinação” ou estranhado aquela aglomeração de jovens, alguns deles, seguramente, bem conhecidos das autoridades.
O que é certo é que o país está em crise e estes casos vão continuar. O sentimento de insegurança vai aumentar e, por consequência, a xenofobia também.
Não sei bem como “isto” se resolve, o que sei é que seguramente não é instalando os miúdos na Cova da Moura ou no bairro da Bela Vista que a “coisa” melhora.
É obrigatório fazer um esforço e compreender estas pessoas na sociedade, dar-lhes trabalho, integrá-las… sob pena de a situação se continuar a agravar irremediavelmente.
sexta-feira, junho 10, 2005
Devagar… devagarinho e parados…
Juntando os feriados de 10 e 13 de Junho com o fim-de-semana, milhares de portugueses partiram numas “mini-férias” de quatro dias para o Algarve.
Para esquecer a crise e o défice nada melhor que uns mergulhos nas praias da moda e aparecer na terça-feira com aquele “bronze” de fazer inveja ao colega do lado que – coitado – não foi para Sul descansar.
Em “peregrinação”, todos juntinhos, carros, carrinhas, caravanas… tudo serviu para levar o pai, a mãe, o Joãozinho, a Mariazinha, a avó, o canário e o cãozinho para a praia.
Ora, resultado desta fobia colectiva, quilómetros e quilómetros de fila entupiram o caminho dos Algarves na A2 e suas ligações e acessos.
Deixo aqui dois exemplos elucidativos: à 1 da manhã de sexta-feira havia 15 quilómetros de fila, às 13 horas o “monstro” tinha chegado aos 29 quilómetros.
A “unanimidade” ou, neste caso, a “carneirização” são dois erros em que os portugueses costumam cair e que ultrapassam, em muito, as idas aos magotes para as praias do Algarve.
É pena…
Agora, na próxima terça-feira, os mesmos que foram em fila para o Algarve e, em fila, foram para a praia, voltam à fila do IC-19.
Quando chegarem, atrasados, ao trabalho vão dizer: “Merda, tou cansado, estou mesmo a precisar de férias”.
Como diz um amigo meu: “É bem feito”
Para esquecer a crise e o défice nada melhor que uns mergulhos nas praias da moda e aparecer na terça-feira com aquele “bronze” de fazer inveja ao colega do lado que – coitado – não foi para Sul descansar.
Em “peregrinação”, todos juntinhos, carros, carrinhas, caravanas… tudo serviu para levar o pai, a mãe, o Joãozinho, a Mariazinha, a avó, o canário e o cãozinho para a praia.
Ora, resultado desta fobia colectiva, quilómetros e quilómetros de fila entupiram o caminho dos Algarves na A2 e suas ligações e acessos.
Deixo aqui dois exemplos elucidativos: à 1 da manhã de sexta-feira havia 15 quilómetros de fila, às 13 horas o “monstro” tinha chegado aos 29 quilómetros.
A “unanimidade” ou, neste caso, a “carneirização” são dois erros em que os portugueses costumam cair e que ultrapassam, em muito, as idas aos magotes para as praias do Algarve.
É pena…
Agora, na próxima terça-feira, os mesmos que foram em fila para o Algarve e, em fila, foram para a praia, voltam à fila do IC-19.
Quando chegarem, atrasados, ao trabalho vão dizer: “Merda, tou cansado, estou mesmo a precisar de férias”.
Como diz um amigo meu: “É bem feito”
A “época dos fogos” e o “país em chamas”
Estes são "clichés" mas, mais uma vez, o país está a arder e, mais uma vez, falham os meios de prevenção e combate aos fogos.
Claro que a seca e o imenso calor agravam a situação, mas é inadmissível que, todos os anos, o cenário negro das terras queimadas se repita em milhares de hectares ao longo do país.
Os Governos mudam, os planos de combate são montados, as apresentações repetem-se, sempre com pompa e circunstância, mas, no fim das contas, o balanço é sempre trágico.
A prevenção, a limpeza das matas, o apetrechamento com novos meios… nada disto é feito a tempo e horas…
Este ano, por exemplo, voltámos à “novela” dos meios aéreos que chegam e não chegam, que estão e não estão, que avariam e não avariam…
Repito aqui o que escrevi em Março quando quatro bombeiros morreram em Mortágua durante o combate a um incêndio:
“É obrigatório responder rapidamente e ajudar quem sofre, mas é também fundamental analisar e prevenir todas as situações antes que elas aconteçam. Num país em que se prefere comprar dois submarinos e não helicópteros e aviões de combate a incêndios, talvez, estivesse na altura de rever prioridades”.
Por outro lado, nós que trabalhamos em comunicação, também não ajudamos muito os bombeiros que fazem – acredito – o melhor que podem e sabem com as condições que têm ao dispor.
Somos nós que falamos em “abertura da época de fogos”, “o maior incêndio de tal sítio”, “todos os incêndios estão circunscritos”… Talvez devêssemos mudar de estratégia.
Já às autoridades pede-se que “ataquem” forte nas investigações, apanhem os incendiários e os punam exemplarmente, com prisão efectiva, ao mesmo tempo que se exige que façam uma campanha de sensibilização para evitar que as pessoas cometam alguns erros perigosas para as florestas.
É preciso fazer tudo o que for possível para combater esta catástrofe cíclica que, todos os anos, abala o país e o deixa em chamas.
Claro que a seca e o imenso calor agravam a situação, mas é inadmissível que, todos os anos, o cenário negro das terras queimadas se repita em milhares de hectares ao longo do país.
Os Governos mudam, os planos de combate são montados, as apresentações repetem-se, sempre com pompa e circunstância, mas, no fim das contas, o balanço é sempre trágico.
A prevenção, a limpeza das matas, o apetrechamento com novos meios… nada disto é feito a tempo e horas…
Este ano, por exemplo, voltámos à “novela” dos meios aéreos que chegam e não chegam, que estão e não estão, que avariam e não avariam…
Repito aqui o que escrevi em Março quando quatro bombeiros morreram em Mortágua durante o combate a um incêndio:
“É obrigatório responder rapidamente e ajudar quem sofre, mas é também fundamental analisar e prevenir todas as situações antes que elas aconteçam. Num país em que se prefere comprar dois submarinos e não helicópteros e aviões de combate a incêndios, talvez, estivesse na altura de rever prioridades”.
Por outro lado, nós que trabalhamos em comunicação, também não ajudamos muito os bombeiros que fazem – acredito – o melhor que podem e sabem com as condições que têm ao dispor.
Somos nós que falamos em “abertura da época de fogos”, “o maior incêndio de tal sítio”, “todos os incêndios estão circunscritos”… Talvez devêssemos mudar de estratégia.
Já às autoridades pede-se que “ataquem” forte nas investigações, apanhem os incendiários e os punam exemplarmente, com prisão efectiva, ao mesmo tempo que se exige que façam uma campanha de sensibilização para evitar que as pessoas cometam alguns erros perigosas para as florestas.
É preciso fazer tudo o que for possível para combater esta catástrofe cíclica que, todos os anos, abala o país e o deixa em chamas.
segunda-feira, junho 06, 2005
Medalha inquinada
Jorge Sampaio vai agraciar, no próximo dia 10 de Junho, 59 personalidades, na sua última presença no Dia de Portugal como Presidente da República.
Entre os condecorados vai estar, depois de duas recusas, a ex-ministra Leonor Beleza.
A antiga titular da pasta da Saúde vai receber a “Ordem de Cristo” que “distingue serviços prestados ao País no exercício das funções dos cargos que exprimam a actividade dos órgãos de soberania ou na Administração Pública, em geral, e na magistratura e diplomacia, em particular, e que mereçam ser especialmente distinguidos”.
Eu, sinceramente, acho isto “extraordinário”, mas acredito que as famílias dos hemofílicos de Évora achem “ofensivo”, para não dizer "escandaloso".
Como é possível que se homenageie uma senhora que esteve ligada, directa ou indirectamente, a um caso tão dramático e que, ainda hoje, passados tantos anos, não está ainda bem explicado.
Tenho pena que a Dra Leonor Beleza não tenha resistido aos apelos do Chefe de Estado e não tenha recusado, pela terceira vez, esta condecoração.
É necessário ter respeito pelos inocentes que morreram devido ao erro de alguém, alguém que estava ligado ao ministério da Saúde, tutelado na altura por Leonor Beleza.
De recordar que o Supremo Tribunal de Justiça não decidiu que a senhora ministra era inocente da acusação de negligência no caso do sangue contaminado com HIV, mas sim que o processo prescreveu, pelo que não haverá julgamento.
Gostaria só de lembrar que de um total de 135 hemofílicos que acabaram por ser contaminados, metade já morreram. O processo contra Leonor Beleza e a mãe envolvia 35 doentes.
Entre os condecorados vai estar, depois de duas recusas, a ex-ministra Leonor Beleza.
A antiga titular da pasta da Saúde vai receber a “Ordem de Cristo” que “distingue serviços prestados ao País no exercício das funções dos cargos que exprimam a actividade dos órgãos de soberania ou na Administração Pública, em geral, e na magistratura e diplomacia, em particular, e que mereçam ser especialmente distinguidos”.
Eu, sinceramente, acho isto “extraordinário”, mas acredito que as famílias dos hemofílicos de Évora achem “ofensivo”, para não dizer "escandaloso".
Como é possível que se homenageie uma senhora que esteve ligada, directa ou indirectamente, a um caso tão dramático e que, ainda hoje, passados tantos anos, não está ainda bem explicado.
Tenho pena que a Dra Leonor Beleza não tenha resistido aos apelos do Chefe de Estado e não tenha recusado, pela terceira vez, esta condecoração.
É necessário ter respeito pelos inocentes que morreram devido ao erro de alguém, alguém que estava ligado ao ministério da Saúde, tutelado na altura por Leonor Beleza.
De recordar que o Supremo Tribunal de Justiça não decidiu que a senhora ministra era inocente da acusação de negligência no caso do sangue contaminado com HIV, mas sim que o processo prescreveu, pelo que não haverá julgamento.
Gostaria só de lembrar que de um total de 135 hemofílicos que acabaram por ser contaminados, metade já morreram. O processo contra Leonor Beleza e a mãe envolvia 35 doentes.
domingo, junho 05, 2005
A Madeira é um Jardim... Zoológico
O português é uma língua rica, mas já não há palavras para qualificar as atitudes de Alberto João Jardim.
O presidente do Governo Regional da Madeira voltou a presentear todos os portugueses com outra “pérola” do mais elevado recorte “literário”.
Comportando-se como um inimputável, Jardim continua a ofender tudo e todos, como bem lhe apetece, e ninguém parece ter mão nele (Presidente da República e presidente do PSD incluídos).
Mais uma vez, as vítimas do senhor da Madeira foram os “jornalistas do Continente” que tiveram o descaramento de falar na sua reforma, que acumula com o salário de governante.
Já muitas vezes os jornalistas foram os alvos de Jardim, mas chamar “bastardos e filhos da puta” a toda uma classe profissional já é ir longe demais.
Quando um governante com responsabilidades públicas tem atitudes destas, de tremenda falta de educação, o que podemos esperar do comum dos mortais?
É urgente que alguém ponha o senhor na ordem, se preciso for o leve à justiça e o obrigue a responder em tribunal por este e outros casos…
O presidente do Governo Regional da Madeira voltou a presentear todos os portugueses com outra “pérola” do mais elevado recorte “literário”.
Comportando-se como um inimputável, Jardim continua a ofender tudo e todos, como bem lhe apetece, e ninguém parece ter mão nele (Presidente da República e presidente do PSD incluídos).
Mais uma vez, as vítimas do senhor da Madeira foram os “jornalistas do Continente” que tiveram o descaramento de falar na sua reforma, que acumula com o salário de governante.
Já muitas vezes os jornalistas foram os alvos de Jardim, mas chamar “bastardos e filhos da puta” a toda uma classe profissional já é ir longe demais.
Quando um governante com responsabilidades públicas tem atitudes destas, de tremenda falta de educação, o que podemos esperar do comum dos mortais?
É urgente que alguém ponha o senhor na ordem, se preciso for o leve à justiça e o obrigue a responder em tribunal por este e outros casos…
Reformados… mas pouco
Mário Lino e Luís Campos e Cunha acumulam, com o ordenado de ministro, pensões “ganhas” em anteriores empregos.
O ministro das Obras Públicas tem duas pensões, uma da segurança social (depois de 37 anos de serviço) e outra do IPE. Já o ministro das Finanças tem uma reforma por ter sido vice-governador do Banco de Portugal durante (6) seis anos (*).
Os senhores governantes defendem-se dizendo que é tudo legal e que são direitos adquiridos legitimamente.
O que eu contesto não é a legalidade, é a moralidade…
Não me parece justo que o Governo diga que o país está em crise, que é preciso fazer sacrifícios e depois haja ministros a acumular dois e três ordenados.
“Ou há moralidade ou comem todos”, já diz o ditado…
Com que cara vai Campos e Cunha aumentar os impostos, dar aumentos de 2% e “apertar o cinto” dos portugueses quando, no fim do mês e, ao mesmo tempo, levar milhares de contos para casa?
Para remediar esta situação, fico à espera que, no mínimo, os senhores abdiquem de um dos ordenados.
PS: Entretanto, ficou também a saber-se que cerca de 80 juizes foram aumentados em 35%. Ora, isto é que é justo quando se sabe que os "bandidos" dos funcionários públicos vão ser aumentados, em média, 2%.
(*) Eu também já estou há seis anos na mesma empresa, será que já me posso reformar com um ordenado chorudo?
O ministro das Obras Públicas tem duas pensões, uma da segurança social (depois de 37 anos de serviço) e outra do IPE. Já o ministro das Finanças tem uma reforma por ter sido vice-governador do Banco de Portugal durante (6) seis anos (*).
Os senhores governantes defendem-se dizendo que é tudo legal e que são direitos adquiridos legitimamente.
O que eu contesto não é a legalidade, é a moralidade…
Não me parece justo que o Governo diga que o país está em crise, que é preciso fazer sacrifícios e depois haja ministros a acumular dois e três ordenados.
“Ou há moralidade ou comem todos”, já diz o ditado…
Com que cara vai Campos e Cunha aumentar os impostos, dar aumentos de 2% e “apertar o cinto” dos portugueses quando, no fim do mês e, ao mesmo tempo, levar milhares de contos para casa?
Para remediar esta situação, fico à espera que, no mínimo, os senhores abdiquem de um dos ordenados.
PS: Entretanto, ficou também a saber-se que cerca de 80 juizes foram aumentados em 35%. Ora, isto é que é justo quando se sabe que os "bandidos" dos funcionários públicos vão ser aumentados, em média, 2%.
(*) Eu também já estou há seis anos na mesma empresa, será que já me posso reformar com um ordenado chorudo?
segunda-feira, maio 30, 2005
“Non”
Os franceses chumbaram o Tratado Constitucional Europeu por uma margem confortável (54,87% dos votos, contra 45,13).
Agora, a Europa está metida num grande sarilho, até porque, na próxima quarta-feira, os holandeses vão repetir a dose e dar mais um rotundo “não” a este documento.
É bem feito para os "Senhores da Europa" que querem fazer depressa e bem e meter o Rossio, na rua da Betesga. Ora, isso não é possível...
O Governo português promete avançar para o referendo em Outubro, a não ser que “circunstâncias muito extraordinárias alterarem por completo o processo e levarem toda a Europa a enveredar por um novo rumo” (Freitas do Amaral).
Eu, por mim, não sei o que responder: Não sei exactamente o que se discute neste tratado, não sei o que se altera…
O que é certo é que, se for para dar mais poderes a Bruxelas em detrimento dos políticos portugueses, vou ser obrigado a votar a favor, mesmo contra aquela que foi sempre a minha opinião.
É que, olhando para toda a nossa classe política, dá vontade de os reformar antecipadamente, sem direito a indemnização, e entregar este país a alguém que, realmente, perceba o que está a fazer e que, por uma vez, cumpra o que promete.
Agora, a Europa está metida num grande sarilho, até porque, na próxima quarta-feira, os holandeses vão repetir a dose e dar mais um rotundo “não” a este documento.
É bem feito para os "Senhores da Europa" que querem fazer depressa e bem e meter o Rossio, na rua da Betesga. Ora, isso não é possível...
O Governo português promete avançar para o referendo em Outubro, a não ser que “circunstâncias muito extraordinárias alterarem por completo o processo e levarem toda a Europa a enveredar por um novo rumo” (Freitas do Amaral).
Eu, por mim, não sei o que responder: Não sei exactamente o que se discute neste tratado, não sei o que se altera…
O que é certo é que, se for para dar mais poderes a Bruxelas em detrimento dos políticos portugueses, vou ser obrigado a votar a favor, mesmo contra aquela que foi sempre a minha opinião.
É que, olhando para toda a nossa classe política, dá vontade de os reformar antecipadamente, sem direito a indemnização, e entregar este país a alguém que, realmente, perceba o que está a fazer e que, por uma vez, cumpra o que promete.
domingo, maio 22, 2005
“Defshit”
Agora é que eu percebo aquele meu professor que quando falava de défice (ou deficit) pronunciava qualquer coisa como: “defshit”.
Afinal, aquilo não era um problema de articulação de sílabas ou uma “pronúncia bem” era, simplesmente, uma premonição para o que se passaria anos depois.
Primeiro o PSD, agora o PS, vão chatear-nos, “ad nauseum”, com a “estória” do défice e que a coisa está mal e que temos que fazer sacrifícios… e tal.
Ora, com licença da expressão, “já não há cu para esta merda”.
Na altura da nossa “dama de ferro”, o “defshit” rondava os 4.5% e era um escândalo nacional, agora – dizem – o dito já deve andar à volta dos 7% (Vítor Constâncio o saberá, José Sócrates o dirá).
Sinceramente, não percebo nada de economia, o que duvido é que esta “shit” seja a questão mais importante do nosso país.
O Presidente da República já alertou para que “há vida para lá do défice”, mas parece que ninguém ligou.
O que eu sei é que há países com défice alto, que se estão a “cagar” para isso… O que eu sei é que há quase 500 mil desempregados em Portugal e isso é que é (muito) preocupante.
Outra coisa que me lembro é das promessas do PS durante a campanha eleitoral. Espero que os socialistas não cometam o mesmo erro do PSD que, há três anos, disse uma coisa e fez outra… foi aí, logo aí, o princípio do fim do Governo “laranja”.
Caso se tenham esquecido, Sócrates prometeu, entre outras coisas, não aumentar impostos e manter as SCUTS. E agora...
Afinal, aquilo não era um problema de articulação de sílabas ou uma “pronúncia bem” era, simplesmente, uma premonição para o que se passaria anos depois.
Primeiro o PSD, agora o PS, vão chatear-nos, “ad nauseum”, com a “estória” do défice e que a coisa está mal e que temos que fazer sacrifícios… e tal.
Ora, com licença da expressão, “já não há cu para esta merda”.
Na altura da nossa “dama de ferro”, o “defshit” rondava os 4.5% e era um escândalo nacional, agora – dizem – o dito já deve andar à volta dos 7% (Vítor Constâncio o saberá, José Sócrates o dirá).
Sinceramente, não percebo nada de economia, o que duvido é que esta “shit” seja a questão mais importante do nosso país.
O Presidente da República já alertou para que “há vida para lá do défice”, mas parece que ninguém ligou.
O que eu sei é que há países com défice alto, que se estão a “cagar” para isso… O que eu sei é que há quase 500 mil desempregados em Portugal e isso é que é (muito) preocupante.
Outra coisa que me lembro é das promessas do PS durante a campanha eleitoral. Espero que os socialistas não cometam o mesmo erro do PSD que, há três anos, disse uma coisa e fez outra… foi aí, logo aí, o princípio do fim do Governo “laranja”.
Caso se tenham esquecido, Sócrates prometeu, entre outras coisas, não aumentar impostos e manter as SCUTS. E agora...
domingo, maio 15, 2005
!?
“O aborto é matar um ser humano que não se pode defender, enquanto a Vanessa, de cinco anos, podia gritar, acusar e ficava com marcas no corpo que outros podiam ver”.
Assim falou o padre de Lordelo na missa de sétimo dia por Vanessa, a menina de cinco anos que terá sido agredida até à morte pelo pai e pela avó.
A mim parece-me normal que um padre se oponha ao aborto e que tente fazer vingar a sua opinião.
O que eu já não acho normal e, para ser sincero, acho nojento é que se utilize este tipo de exemplo.
No mínimo, e mesmo isto pode ser polémico para algumas pessoas, o que o senhor padre tinha que dizer é que matar uma menina de cinco anos é tão grave quanto matar um feto.
Por outro lado, quando o senhor diz que a pequena Vanessa “podia gritar, acusar e ficava com as marcas no corpo” é não ter noção do que está a dizer ou, pior ainda, está a fingir que não sabe.
Na esmagadora maioria destes casos, as crianças abusadas calam porque têm vergonha ou são ameaçadas e, por isso, não se conhece na íntegra a magnitude desta tragédia.
Apesar disso, Portugal consegue, segundo a OCDE, um “orgulhoso” primeiro lugar nos casos de maus-tratos a crianças com consequências mortais.
Espero que alguém chame o senhor padre à atenção e ele possa, o mais rápido possível, emendar a (tristíssima, infelicíssima, lamentável) declaração que fez e, pelo menos, pedir desculpas à família da menina.
Assim falou o padre de Lordelo na missa de sétimo dia por Vanessa, a menina de cinco anos que terá sido agredida até à morte pelo pai e pela avó.
A mim parece-me normal que um padre se oponha ao aborto e que tente fazer vingar a sua opinião.
O que eu já não acho normal e, para ser sincero, acho nojento é que se utilize este tipo de exemplo.
No mínimo, e mesmo isto pode ser polémico para algumas pessoas, o que o senhor padre tinha que dizer é que matar uma menina de cinco anos é tão grave quanto matar um feto.
Por outro lado, quando o senhor diz que a pequena Vanessa “podia gritar, acusar e ficava com as marcas no corpo” é não ter noção do que está a dizer ou, pior ainda, está a fingir que não sabe.
Na esmagadora maioria destes casos, as crianças abusadas calam porque têm vergonha ou são ameaçadas e, por isso, não se conhece na íntegra a magnitude desta tragédia.
Apesar disso, Portugal consegue, segundo a OCDE, um “orgulhoso” primeiro lugar nos casos de maus-tratos a crianças com consequências mortais.
Espero que alguém chame o senhor padre à atenção e ele possa, o mais rápido possível, emendar a (tristíssima, infelicíssima, lamentável) declaração que fez e, pelo menos, pedir desculpas à família da menina.
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