segunda-feira, fevereiro 21, 2005

“Carta branca”

Os portugueses, fartos do “menino-guerreiro” e da crise, arriscaram tudo e passaram um "cheque em branco" a José Sócrates.

Mas o que é que o líder do PS fez para merecer o que Mário Soares e António Guterres sempre quiseram e nunca conseguiram?

De recordar que Sócrates alcançou 45.05%, 2573311 votos e 120 deputados na Assembleia da República (quando ainda faltam apurar os quatro da emigração).

A resposta é simples: nada (ou quase nada).

Tem no currículo a presença nos “governos Guterres” e, da sua participação, saltam à vista três tópicos: a co-incineração (que agora pode ser “repescada”), a despenalização do consumo de droga e a candidatura (ganhadora) à organização do Euro 2004. Está, agora, há poucos meses na liderança do partido e fez uma campanha na defensiva, sem se comprometer.

O que é certo é que Sócrates teve uma vitória inquestionável e histórica. A responsabilidade que tem agora sobre os ombros é proporcional ao tamanho dessa vitória.

A pose fria e robótica, em que tudo parece preparado não o favorece, mas isso não impediu o tal eleitorado flutuante de lhe dar o seu voto, muito também por culpa do (des)Governo cessante.

O país está em crise, mas o novo Primeiro-ministro tem “a faca e o queijo” na mão, não tem desculpas e… não pode falhar.

Percebeu-se nos últimos quatro meses que os portugueses não estão para aturar discursos de “bebés chorões”, que se queixam de tudo e de todos e que passam a vida a sacudir a “água do capote”.

Sócrates não vai ter os 100 dias de “estado de graça” – não há tempo -, tem que formar um Governo credível e começar rapidamente a mostrar serviço.

Quanto à direita, vamos ter dois congressos extraordinários para (em principio) encontrar novas lideranças.

Portas demitiu-se depois de não cumprir nenhum dos (quatro) objectivos a que se propôs. Foi uma atitude digna, nobre e que pareceu sincera. Só exagerou quando disse que Portugal não era um país civilizado por ter dado tantos votos ao BE.

Não sei se o líder “popular” era obrigado a seguir este caminho, mas é uma atitude respeitável. Vamos ver se o PP sobrevive incólume à saída de cena do seu “pai inspirador” ou se, mais cedo ou mais tarde, corre o risco de voltar a ser o partido do “táxi”.

Já Santana Lopes preferiu não clarificar se fica ou sai. O partido teve 28% - um dos piores resultados de sempre – mas o líder, para já, fica e até deve voltar a concorrer no congresso.

Vamos ver se – como já alguém disse – esta atitude do ainda Primeiro-ministro não vai levar a uma cisão do seu partido, transformando Santana Lopes num novo Manuel Monteiro.

À esquerda quase tudo foi perfeito: o Bloco mais do que duplicou o resultado, a CDU até subiu… só faltou evitar a vitória, com maioria absoluta, da “ala direita” do PS.

Após esta campanha sem sal - e que em alguns períodos roçou a mediocridade – há um outro aspecto digno de registo: é certo que a participação eleitoral subiu, mas os votos branco e nulo duplicaram e isso é a prova inequívoca de que os portugueses estão a perder a paciência com estes políticos.

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Espelho meu, espelho meu…

“Há algum político em Portugal que eles tratem tão mal como a mim?" – é esta a pergunta que o Primeiro-ministro demissionário e líder do PSD faz a poucos dias das eleições.

O presidente social-democrata escreveu uma carta aos eleitores, especialmente aos abstencionistas, para lhes pedir “o favor” de irem votar – nele subentende-se – continuando a campanha de vitimização.

O homem colocou a casca de “Calimero” e agora já não a tira. Deve ser do frio e da “laranjite” (sic) que apanhou durante a campanha.

Então Santana Lopes anda há semanas a chorar-se e a fazer papel de coitadinho e ninguém o ajuda…

Coitado do senhor que agora não faz mais nada que não seja queixar-se: ele é do Presidente da República, da oposição, dos banqueiros, dos colegas de partido, das empresas de sondagens, da comunicação social… e sabe-se lá mais de quem ou de quê.

Mas alguém ainda cai nestas “estórias”? Já não há pachorra. Então, o homem não tem culpa de nada? E ideias concretas, políticas efectivas para melhorar os problemas graves do país?... nada ou quase nada.

Na carta, Santana escreve ainda: "Você não costuma votar e não é por acaso".

Eu por acaso também acho. Se calhar, não é mesmo por acaso, se calhar também é por culpa de políticas e de políticos como o Dr. Santana Lopes.

O grave… é que os outros quatro “parceiros” de campanha também não são "grande espingarda".

domingo, fevereiro 13, 2005

“Eles falam falam…”

Estamos a uma semana das eleições e, portanto, em plena campanha eleitoral mas a verdade é que “isto” parece tudo uma brincadeira: ninguém discute nada do que é relevante.

O que é que de importante se tem falado nos últimos dias? O que é que o povo eleitor tem aprendido com esta campanha? Que dúvidas tirou?

As respostas são óbvias… e tristes para este país que é o nosso.

Perde-se tempo a discutir boatos, a falar de alegadas apostas de vitória, de pseudo perseguições a partidos, de centros comerciais e falcons…

O Bloco de Esquerda e o PP querem ser o terceiro partido, o PCP só quer manter a votação… O PS “exige” maioria absoluta, o PSD queixa-se de tudo e de todos, mas diz que vai ganhar.

Entretanto, sobre aquilo que realmente interessa às pessoas… (quase) nada: o emprego, a educação, a saúde, a segurança social…

"Há nos confins da Ibéria um povo que nem se governa nem se deixa governar" - Gaius Julius Caesar (100-44 AC)

segunda-feira, janeiro 24, 2005

Speddy Santana

Como se sabe, a Banda Desenhada não é só para crianças e é engraçado quando pessoas adultas continuam a ler ou a ver desenhos animados.

A nossa pesquisa vai continuar, mas já descobrimos qual é a personagem preferida de Pedro Santana Lopes: nada mais nada menos que o Speddy Gonzalez.

O Primeiro-ministro demissionário aproveitou este domingo para revelar em público essa sua preferência.

Senão repare: aproveitando o facto de estar em pré-campanha eleitoral, perdão, visita oficial ao concelho de Vila Nova de Poiares, Santana Lopes conseguiu em hora e meia (90 minutos) realizar onze (11) inaugurações e assinou sete (7) protocolos.

E ainda por cima – coitado – o nosso Chefe de Governo até estava lesionado numa mão.

Medidas eleitoralistas não, o país é que não pode parar – diz ele. Como é possível alguém pensar isto? – pergunto eu.

Eu cá concordo com o Primeiro-ministro… para mim, das duas uma, isto ou é um vírus como o que ataca o jardim da Madeira ou é, simplesmente, uma homenagem ao Speddy Gonzalez a personagem favorita de Santana Lopes.

Nada mais... Acredita?

domingo, janeiro 16, 2005

Cataventos

Eu cá acho mal que se realizem eleições nesta altura do ano. Não é por nenhuma razão em especial é só porque no Inverno costuma fazer muito vento.

É que a ventania é, seguramente, um dos principais inimigos dos nossos políticos. Eles que andam sempre de cabeça bem levantada e de espinha direita sofrem muito com o vento e, por isso, estão sempre a ser obrigados a mudar de posição.

Só assim se justifica que os principais políticos da nossa praça mudem de posição como quem muda de camisa.

Repare: José Sócrates, líder do PS, disse, ainda no ano passado, que a medida do ministro Bagão Félix de acabar com os benefícios fiscais era um erro e um atentado à classe média. Agora, três meses passados já vem dizer que, se for Governo, vai manter esta proposta.

Na mesma “moeda” responde António Mexia, ministro das Obras Públicas e coordenador do programa do Governo do PSD: Há uns tempos foram feitas fortes críticas ao PS pelas SCUTs, agora, afinal, o regresso das portagens a essas auto-estradas vai ser adiado por quatro anos.

Os exemplos podiam continuar e só apetece perguntar: “Afinal, em que é que ficamos?”. É que as eleições são já no dia 20 de Fevereiro e convinha que os “cataventos” estabilizassem.

Mas de certeza que os políticos não têm culpa… a culpa só pode mesmo ser do vento.

quinta-feira, janeiro 13, 2005

As 83 mil léguas submarinas

O “bombeiro” do Governo colocou o seu lugar à disposição do Primeiro-ministro. A culpa foi do mergulho.

Assim pensou o senhor ministro de Estado, da Presidência e dos Assuntos Parlamentares: “Qual é o problema de ir para São Tomé e Príncipe de avião particular do Estado, de não dizer nada ao chefe e ir dar uns mergulhos a convite dos amigos são-tomenses no intervalo da entrega das prendas?”

Eu cá acho que não há problema nenhum e até concordo com Morais Sarmento.

Então o homem que passa a vida a safar o Governo não merece um fim-de-semana de descanso no “Bem-Bom” – ou lá como se chama o “resort”? Claro que merece coitado… ainda por cima até estava doente e não pode desfrutar convenientemente da oferta.

O “único” problema em toda esta “estória” mal contada é que foram gastos mais de 83 mil euros do nosso dinheiro para que Morais Sarmento fosse entregar material em segunda mão aos amigos são-tomenses e dar uns mergulhos na praia.

A desculpa foi que não havia ligações em linha regular e era preciso ir lá rapidamente. A questão que se coloca é: Qual é a pressa de levar uns gravadores a São Tomé?

Não se percebe… como não se entende que o ministro não se tenha sabido explicar convenientemente e que o Primeiro-ministro tenha ficado “incomodado” – palavras dele - com esta “estória” e não tenha querido saber logo o que se passou.

sexta-feira, janeiro 07, 2005

2004: O ano de (quase) todos os desafios

No ano de 2004, Portugal esteve no “centro da acção” e por várias razões. Foi um ano intenso, de “sangue, suor e lágrimas”, que rodou muito em torno de dois pólos: o desporto e a política.

Portugal organizou o melhor Europeu de futebol de sempre. Foram três semanas de festa intensa, que só os gregos suplantaram. Nunca se tinha visto o país tão “entregue” a uma selecção e tudo por culpa de um brasileiro que soube despertar a “lusitana paixão” e conquistar o povo.

Os helénicos voltaram a fazer a festa nas Olímpiadas que, com quatro anos de atraso, lá “regressaram a casa”, num Jogos em que o nosso país conseguiu os melhores resultados de sempre, muito à custa do mais português de todos os nigerianos.

O FC Porto pintou de Azul mais um ano e voltou a fazer “estória” com a conquista da SuperLiga, SuperTaça, Taça Intercontinental e Liga dos Campeões. Entretanto, o “apito”… tocou duas vezes.

Na Política, foi a Portugal que os senhores da Europa vieram buscar o primeiro Presidente da Comissão de uma União Europeia, agora alargada a “25”. José Manuel Barroso deixou o Durão em casa e foi para Bruxelas.

O Governo caiu nas mãos de Santana Lopes, mas o Presidente da República “desligou-lhe” a encubadora quatro meses depois.

Portugal está, agora, com uma crise política, um Governo demissionário e eleições (várias) à porta.

Este foi também o ano em que evoluiu o processo Casa Pia – o julgamento já começou – e regrediu o processo de colocação de professores – milhares de erros e aulas com início atrasado.

Tal como nos últimos dois anos, o cumprimento do défice voltou a ser “figura de cartaz”, especialmente no mês de Dezembro: mais umas receitas extraordinárias e... valores abaixo dos 3%.

No Internacional, mantém-se a luta contra o terrorismo em várias partes do mundo, mas continuaram também os atentados (alguns bem perto de nós) que ceifaram (demasiadas) vidas inocentes.

No Médio Oriente, Arafat não resistiu à doença e a três anos de cerco e morreu em Paris. O processo de paz vai agora conhecer novos protagonistas e novos planos.

Contra a vontade do Mundo, George W. Bush foi reeleito pelos norte-americanos. Na Ucrânia nem um envenenamento evitou que Yushchenko ganhasse as eleições.

No Sudão vive-se uma crise humanitária sem precedentes, mas foi uma onda assassina na Ásia que fez despertar as consciências a nível mundial.

Mais de 150 mil pessoas morreram em vários países asiáticos e africanos - e estes números são ainda provisórios. A ONU prevê que esta tenha que ser a sua maior operação de solidariedade de sempre.

Ao contrário do que foi “prometido” este não foi ainda o ano da verdadeira retoma. Como será 2005?

sexta-feira, dezembro 31, 2004

Fúria da natureza

Milhares de pessoas morreram na Ásia e em alguns países de África, vítimas do terramoto e do tsunami que se seguiu.

Os números da tragédia são ainda muito provisórios e o número de vítimas não pára de aumentar, quase minuto a minuto.

São já milhares os mortos confirmados, milhares os desaparecidos e milhões as pessoas afectadas.

Perante uma tragédia desta magnitude sentimo-nos pequeninos e insignificantes. É nestas alturas que vemos que as nossas crises, guerrinhas e achaques nada valem perante a fúria da natureza.

Como disse o Marquês de Pombal após o terramoto de Lisboa em 1755, agora têm que se “enterrar os mortos e cuidar dos vivos”.

No entanto, há um “pormenor” que não pode ser esquecido.

Se é verdade que contra um sismo de 8.9 na escala de Richter pouco há a fazer (a não ser prevenção na construção e no ordenamento do território), porque os abalos surgem sem aviso prévio, já quanto ao tsunami o que aconteceu é lamentável, escandaloso e, até, criminoso.

O maremoto levou algumas horas a chegar às costas de alguns dos países afectados e as autoridades, apesar de avisadas, nada fizeram “para não alarmar as populações” e em defesa do turismo de que dependem.

Milhares de vidas podiam ter sido poupadas se tivesse sido lançado um simples alerta nas zonas costeiras.

Passadas as primeiras semanas, em que se vão enterrar os mortos e ajudar os sobreviventes, alguém deveria ser chamado a prestar contas. Este é mais um daqueles casos em que “a culpa não deveria morrer solteira”.

Entretanto, a ajuda humanitária – absolutamente essencial – começa a chegar e a ONU confirmou já que esta é a maior operação de sempre.

Portugal – para já, ajuda com oito milhões de euros em dinheiro e equipas no terreno, juntamente com várias ONGs.

Para já, notícia de destaque pela negativa, só o atraso do nosso embaixador em Banguecoque que, estando de férias em Portugal, demorou 96 horas a regressar ao seu posto após a tragédia.

Na altura em que escrevo, o nosso país tem oito cidadãos dados como desaparecidos e outros incontactáveis.

segunda-feira, dezembro 27, 2004

(In)Félix Natal

Tenho uma dúvida: estamos na época do Natal ou no Carnaval?

É certo que temos a maior árvore de Natal da Europa no nosso país e até já houve troca de presentes e mensagens natalícias, mas a mim ninguém me tira da ideia de que estamos no Carnaval.

É que só no Carnaval é que se goza com as pessoas e fica tudo bem, porque, afinal, “é Carnaval ninguém leva a mal”.

Desta vez, o “desfile” ocorreu na quinta-feira.

O ministro das Finanças veio divulgar, à terceira tentativa, a solução para o défice 2004: vão ser transferidos do Fundo de Pensões da Caixa Geral de Depósitos mi milhões de euros para que Portugal possa, pelo terceiro ano consecutivo, ser “bom aluno” e cumprir o Pacto de Estabilidade e Crescimento e ter um défice abaixo dos 3%.

Ora, logo aqui, há duas questões a considerar: primeiro, o ministro Bagão Félix tinha referido que não gostaria de utilizar receitas extraordinárias para conseguir cumprir o défice (o estratagema da sua antecessora) e, segundo, tinha prometido à Caixa que não ia mexer no seu fundo de pensões.

É curioso (para não dizer outra coisa) como se muda de opinião em questões tão sérias com uma facilidade destas, ainda para mais quando o chamado “plano B” falhou – segundo o ministro – também por culpa da mesma CGD.

O que é mais grave é que este novo “passe de mágica” não resolve nada de fundamental e nós, daqui a um ano, cá estaremos a discutir o que vender para voltar a cumprir este pacto “estúpido” (Romano Prodi).

Depois, só no Carnaval é que era possível um ministro ter a lata de anunciar um aumento de salário mínimo de 2.49% (abaixo do intervalo mínimo admitido pelo próprio Executivo) e continuar tudo como se nada fosse.

É que, caso não tenham reparado, este “aumento” é o mais baixo de sempre e segue-se a dois anos de “aumento 0”. Para além disso, este “aumento” surge depois do Primeiro-ministro (agora demissionário) ter anunciado no mês passado aos portugueses “o fim da austeridade”.

Por acaso nota-se: são mais 30 cêntimos (60$) o que não dá nem para um café.

Poucas vozes se levantaram nesta quinta-feira louca porque estavam todos muito preocupados com a questão “fundamental” do défice… sim, porque o facto de haver portugueses a ganhar menos de 80 contos por mês não é nada importante.

É Carnaval… (quase) ninguém leva a mal. (In)Félix Natal.

PS: Já agora, queria só lamentar que o senhor Primeiro-ministro demissionário tenha usado a sua mensagem de Natal para continuar a campanha de vitimização - qual "Calimero" - e deixar novas farpas ao Presidente da República.

terça-feira, dezembro 07, 2004

É só isto… mais nada

Numa altura em que o Governo caiu e o país se prepara para eleições legislativas antecipadas apetece-me aproveitar um mail anónimo que recebi e transcrevê-lo na íntegra.

Agradeço desde já ao seu autor, seja lá quem for, porque resume bem aquilo que se espera do Estado que nos governa ou deve governar.

Sem mais palavras:

“Em cada 100 euros que o patrão paga pela minha força de trabalho, o Estado, e muito bem, tira-me 20 euros para o IRS e 11 euros para a Segurança Social.

O meu patrão, por cada 100 euros que paga pela minha força de trabalho, é obrigado a dar ao Estado, e muito bem, mais 23,75 euros para a Segurança Social.

E por cada 100 euros de riqueza que eu produzo, o Estado, e muito bem, retira ao meu patrão outros 33 euros.

Cada vez que eu, no supermercado, gasto os 100 euros que o meu Patrão pagou, o Estado, e muito bem, fica com 19 euros para si.

Em resumo:

- Quando ganho 100 euros, o Estado fica quase com 55.
- Quando gasto 100 euros, o Estado, no mínimo, cobra 19.
- Quando lucro 100 euros, o Estado enriquece 33.
- Quando compro um carro, uma casa, herdo um quadro, registo os meus negócios ou peço uma certidão, o Estado, e muito bem, fica com quase metade das verbas envolvidas no caso.

Eu pago e acho muito bem, portanto exijo: um sistema de ensino que garanta cultura, civismo e futuro, emprego para o meu filho. Serviços de saúde exemplares. Um hospital bem equipado a menos de 20 km da minha casa.

Estradas largas, sem buracos e bem sinalizadas em todo o País. Auto-estradas sem portagens.

Pontes que não caiam. Tribunais com capacidade para decidir processos em menos de um ano.

Uma máquina fiscal que cobre igualitariamente os impostos.

Eu pago, e por isso quero ter, quando lá chegar, a reforma garantida e jardins públicos e espaços verdes bem tratados e seguros. Polícia eficiente e equipada.

Os monumentos do meu País bem conservados e abertos ao público, uma orquestra sinfónica.
Filmes criados em Portugal. E, no mínimo, que não haja um único caso de fome e miséria nesta terra.

Na pior das hipóteses, cada 300 euros em circulação em Portugal garantem ao Estado 100 euros de receita. Portanto Sr. Primeiro-ministro, governe-se com o dinheirinho que lhe dou porque eu quero e tenho direito a tudo isto.

Um português contribuinte”

quarta-feira, dezembro 01, 2004

Branco mais branco não há

Aí está mais uma tentativa de branquear uma situação anormal: a TAP e a Agência Abreu decidiram acabar com a “Yes” e criar a “White”.

Depois de ter ficado mais conhecida pelas avarias, atrasos e complicações do que pela eficiência da sua acção, a “Yes” é agora, qual toque mágico, transformada em “White”.

Segundo a TAP esta nova companhia “charter” vai utilizar o mesmo tipo de avião que a “casa mãe” e pretende ter um serviço de qualidade internacional.

Vamos ver o que acontece no futuro…

Esperemos que, desta vez “Yes”, se faça um serviço “White” a bem dos clientes, da TAP e de Portugal.

Esperemos que, como em outras situações, não mudem só as moscas.

segunda-feira, novembro 29, 2004

Ministro pela janela fora*

Henrique Chaves demitiu-se do Governo 4 (quatro) dias depois de ter tomado posse numa nova pasta e com fortes críticas a Santana Lopes.

O ministro da Juventude e Desporto alegou, entre outras coisas, “falta de lealdade” do Primeiro-ministro.

Se a demissão é estranha – até porque Henrique Chaves parecia satisfeito com a remodelação e a nova pasta – a justificação para a mesma é, no mínimo, grave.

É que estamos a falar de um ministro que, por acaso, é (era) grande amigo e de longa data do Primeiro-ministro, estamos a falar de um ministro que deixa críticas sobre a anterior pasta – ministro-adjunto, alegando que não teve condições para exercer as suas funções devidamente - e não sobre a nova.

Ora, se Henrique Chaves acha que Santana não é leal por que razão esteve com ele no Governo?; se Henrique Chaves estava insatisfeito no Executivo por que razão tomou posse numa outra pasta há apenas quatro dias?

A questão que se coloca aqui é a seguinte: se o Primeiro-ministro trata assim um amigo (falta "de lealdade e de verdade"), então como é que vai tratar os restantes portugueses?

E o que pensam os outros ministros? O que será que pensa o outro amigo (o ministro Silva) “resguardado” da exposição pública por Santana Lopes? E, já agora, ainda mais importante, o que pensa o senhor Presidente da República disto tudo? Estará arrependido de ter viabilizado esta solução?

* afinal não foi o DVD do Benfica que foi pela janela fora… mas também, quem ameaça ter um comportamento destes, se calhar, não merece ser ministro.

domingo, novembro 21, 2004

Silva e Silva, limitada…

…Ou a Alta Autoridade versus a Autoridade Alta: Se um Silva ainda nos dá vontade de rir, dois Silvas dá-nos vontade de chorar… e muito.

Já não nos bastava o ministro Silva, agora também temos um deputado Silva a dar o dito pelo não dito para sair em defesa do amigo social-democrata.

Ainda são resquícios do chamado “caso Marcelo”: saiu o relatório da alta Autoridade para a Comunicação Social que aponta três “culpados” neste processo: Paes do Amaral, patrão da TVI, o ministro Morais Sarmento e, obviamente, o ministro Silva.

Ora, depois de ter dito que o seu partido teria respeito pelas competências da Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS), Guilherme Silva veio, após as conclusões da mesma AACS, dizer que esta estava “descredibilizada” e, por isso, teria que ser alterada por uma outra entidade “independente e credível”.

A teoria é a seguinte: “Ou estás comigo ou estás contra mim”, “Ou fazes como nós queremos ou vais para o lixo”…

Cá para mim, isto é grave e é um caminho perigoso…

O objectivo parece ser o de arranjar uma série de “yes men”, ao melhor estilo do senhor Delgado. O Marcelo já foi, o Rodrigues dos Santos também e – vá lá – o Presidente da República atrasou-lhes a Central de Comunicação.

Onde será que isto vai parar?

sexta-feira, novembro 05, 2004

O perfeito anormal

Os Estados Unidos foram a votos e aconteceu o que se esperava: George W. Bush “renovou” o mandato na Casa Branca. Não se esperava era que a vitória fosse tão retumbante.

O resto do mundo está ainda em “estado de choque”.

Se a Europa tivesse votado, John Kerry ganharia por 80-20. O certo é que, quando faltam contar todos os votos nos estados de Iowa e New Mexico, Bush conseguiu mais 3.6 milhões de votos que o candidato democrata.

Ora esta vitória “sem espinhas” deixou-me, literalmente, de boca aberta.

Apetece-me perguntar: como é que um mentiroso, mafioso e bronco como o Bush consegue quase 60 milhões de votos?

O homem não tem uma ideia, uma política, um rasgo positivo. O homem enganou tudo e todos quanto ao Iraque, quase destruiu a economia norte-americana deixada por Clinton, vive de esquemas juntamente com os amigos da Administração, é um fanático religioso com ideias catastrofistas e, mesmo assim, volta a ganhar umas eleições democráticas.

É que à primeira caem todos, à segunda só cai quem quer… e os americanos quiseram.

Os estrategas da campanha republicana estão de parabéns, a política do terror (o terrorismo, o bin Laden) e o bota-abaixo do adversário (herói de guerra noVietname) foram suficientes para derrotar John Kerry.

Agora, só nos resta esperar que ainda haja Mundo dentro de quatro anos quando Bush sair da Casa Branca.

sábado, outubro 30, 2004

Onde está…o Pinóquio?

É numa altura como esta que tenho pena de não poder reinventar a “estória” do Pinóquio e do Wally.

Depois de ouvir o senhor Paes do Amaral e o professor Marcelo na Alta Autoridade para a Comunicação Social apeteceu-me sair em busca de Gepeto.

Que bom que seria se o velho carpinteiro conseguisse transformar estes dois homens em “bonecos de madeira”.

É que, como já se percebeu, um dos dois está a mentir… e que fácil seria para todos nós, que tentamos deslindar este “mistério”, aproveitar a particularidade do “menino de madeira” para perceber qual dos personagens está a mentir (mais).

O Wally é o ministro Silva que está tão escondido e nervoso que já nem consegue abrir uma simples porta depois de fugir às perguntas desses chatos e incómodos jornalistas.

sexta-feira, outubro 15, 2004

Extra-ordinário

Luiz Felipe Scolari é um extraordinário treinador com um grande currículo e vitórias por quase todos os clubes e selecções por onde passou.

Em Portugal, apesar de ter entrado mal – a selecção não mostrava futebol nem resultados – Scolari conseguiu no momento da verdade motivar o país e a equipa e levou Portugal, apesar do sentimento de oportunidade perdida, a um resultado histórico.

Bom, passando à frente…

Repetimos, o homem é um extraordinário técnico de futebol, agora não pode, em circunstância nenhuma, ter atitudes como as que teve após o Portugal – Rússia.

Vejam lá se já viram algo parecido com isto: “Não gosto do que aquela senhora escreveu, vou ofendê-la”.

Não vamos repetir o que foi dito mas, Scolari nunca poderia ter dito o que disse à jornalista do “Record”. Se tinha alguma razão, o técnico brasileiro perdeu-a a partir do momento em que partiu para a ofensa.

Um dos princípios básicos do desporto e da vida é que é necessário “saber ganhar e saber perder”.Empatar com o Liechtenstein é humilhante e isso tem que ser dito, fazer considerações sobre os capitães de equipa é legítimo.

O senhor Scolari tem que saber ouvir as críticas e respeitar as opiniões dos outros. Quando não concordar exige o direito de resposta e reage com civilidade.

É que se assim não for, pode correr-se o risco de se transformar um treinador extraordinário num homem “extra-ordinário”.

segunda-feira, outubro 11, 2004

O Milagre...

Os ministros estão no Executivo para ajudar todos os portugueses. E quando tomam boas medidas devem ser acarinhados e defendidos.

Acreditamos nisso e, por isso, estamos aqui para agradecer a um ministro que tem sido muito injustiçado nos últimos dias.

Rui Gomes da Silva, o ministro dos Assuntos Parlamentarees, que a maioria dos portugueses só conhecia por ser amigo de Santana Lopes e de ser adepto do Benfica, conseguiu algo que parecia impossível.

Graças a ele, o Governo mudou de opinião... Ok, isso não é novidade, mas atenção, desta vez, foi em nosso benefício.

Após a confusão e polémica do "caso Marcelo" (para não lhe chamar outra coisa), iniciado pelo senhor ministro (e que ainda parece não ter terminado), o Primeiro-ministro veio desdizer-se - a si e ao seu ministro das Finanças - e prometeu aumentos acima da inflação para os funcionários públicos. Não satisfeito, prometeu ainda aumentos nas pensões, baixar o IRS e manter o défice abaixo dos 3%

Ora, por este milagre da noite para o dia - talvez sejam os ares dos Açores - o senhor Silva merece ser condecorado por bons serviços prestados à Nação.

Finalmente boas notícias. Vamos lá ver se são para cumprir... ou se, afinal, não era bem isso que Santana queria dizer. E atenção, o Bagão Félix ainda nada disse.

PS: Bom, como dissemos bem do senhor ministro neste texto, ficamos agora à espera que alguém venha dizer mal para que haja o famigerado "contraditório".

terça-feira, outubro 05, 2004

A ponte é uma passagem…

O país tem que apertar o cinto, a retoma vem aí, é preciso continuar a fazer sacrifícios - diz o Governo. Ora, como isto está mau, dá-se um "rebuçado" aos funcionários públicos.

Nós por cá todos bem, nada contra as "pontes" e os feriados, mas depois não nos venham é chatear com a porcaria do défice e dos aumentos abaixo da inflação.

O exemplo tem que vir de cima: o Santana quer que os portugueses melhorem a produtividade ou não? O Bagão quer que o povo trabalhe ou prefere colocar as amigas na Caixa?

Por favor, decidam-se!

Já dizia o Salgueiro Maia: “Há os estados socialistas, os estados corporativos e o estado a que isto chegou”.

É que este é o mesmo Governo que disse que ia ter ministros de fora de Lisboa e do Porto e não tem, este é o Governo que disse que ia colocar Ministérios fora de Lisboa e não o fez, este é o Governo que já disse que ia mexer nas taxas moderadoras da saúde e depois, afinal, já não era bem assim, este é o Governo que admitiu fechar a refinaria da GALP em Matosinhos e agora diz que essa é só uma possibilidade em estudo.

Mas também o que é que se pode esperar de um Executivo que nem consegue organizar uma lista de professores? Se calhar, deviam voltar todos para a escola.

Enquanto “isto” vai assim, Portugal tem quase meio milhão de desempregados.

A retoma deve estar do lado de lá da ponte… bolas que é comprida.

terça-feira, setembro 14, 2004

“Quer passar férias no aeroporto?... Yes”

Podia ser este o título da nova campanha publicitária dessa companhia charter portuguesa chamada “Yes”.

Parece que foi “inversamente premonitória” a escolha do nome desta linha aérea lusa, propriedade da TAP. É que, a bem dizer, a “Yes” devia era chamar-se “No” tantos são os voos adiados e atrasados.

Agora, em apenas 24 horas, quase 500 passageiros ficaram em terra graças às avarias no avião da “Yes” (mais de 230 passageiros queriam iniciar as merecidas férias em Cancun, outros 260 precisam regressar à vida real).

Afinal, “No”…

Os senhores da “Yes” continuam a dizer que “não há explicações para tanta falha” e que, nesta altura do ano, “é difícil encontrar um avião no mercado”, mas, no fim das contas, quem se lixa…

E a TAP. O que é que diz a nossa companhia de bandeira, sócia maioritária da “Yes”? Nada… “nocoments”.

Que os “deuses da aviação” nos livrem de algum dia acontecer algum problema sério com um destes aviões “de fim de estação”.

sábado, março 20, 2004

À lei da bomba...

Tudo parece indicar que foi mesmo a Al-Qaeda que levou a cabo os atentados de Madrid.

Ora, a confirmar-se, isto acrescenta um novo dado à barbárie que foi o ataque de 11 de Março em Espanha.

Os terroristas, para além da “vitória mediática” e do (sério) aviso que um atentado como este representa para toda o mundo, ficaram também a saber que conseguem alterar o rumo de actos eleitorais.

Foi assim afastado do poder um dos “inimigos” da rede terrorista.

Este “pormaior” vem aumentar ainda mais – se é possível – o sentimento de insegurança de todos.

É que este precedente é muito perigoso e até pode estender-se a outras redes que não a Al-Qaeda de bin Laden: “não gosto destes gajos, vamos fazer rebentar isto na véspera das eleições e pronto”.

Pensem nisto...

Como já disse atrás, não sei como é que isto se combate, agora lá que a perspectiva não é nada animadora, lá isso não é.