quarta-feira, abril 12, 2006

Menino mimado

A maioria dos eleitores decidiu que a Itália devia virar à esquerda ou, para sermos mais correctos, decidiu livrar-se de Silvio Berlusconi.

No fim das contas a grande coligação de centro-esquerda venceu na Câmara de Deputados e na Câmara do Senado.

A vantagem foi curta, muito curta, (25 mil votos), a incerteza durou muitas horas, e só um "prémio" atribuido ao vencedor vai permitir a Prodi começar a governar com alguma segurança.

No entanto, apesar dos votos já terem sido contados e estarem oficializados, Berlusconi não aceita os resultados, não assume a derrota e denuncia fraudes.

É curioso que seja Berlusconi a falar nisto. Enfim...

Em democracia, há que saber ganhar e perder e há que saber sair na altura certa.

segunda-feira, abril 10, 2006

País do "faz de conta(s)"

É dito e redito que Portugal está em crise e há muitos milhares de portugueses em dificuldade. Os desempregados são 500 mil e é difícil pagar os empréstimos da casa e/ou do carro.

No entanto, apesar disso, há quem não tenha ou não pareça ter essas dificuldades.

É que estamos em plenas férias da Páscoa e as agências de viagem exultam com o aumento da procura: Algarve, mas especialmente Brasil, México ou Cabo Verde, são os destinos mais procurados.

Aliás, como se pode ver "Este ano a Páscoa foi um êxito"...

Ainda bem que há estes oásis para desanuviar a cabeça. Vamos ver depois quando chegar o fim do mês e voltarmos a aterrar no "mundo real"

Marbella

Costuma dizer-se que "De Espanha nem bom vento, nem bom casamento". No entanto, todas as regras têm excepções.

No princípio do mês, a autarca de Marbella foi detida no âmbito de um processo de corrupção que envolve milhões de euros.

Juntamente com a senhora Marisol Yague foram também constituidos arguidos um assessor e um empresário, entre outros, num total de 23 pessoas.

Sem mais comentários... que pena Marbella não ser Felgueiras.

segunda-feira, abril 03, 2006

Imigrante, emigrante

Não gosto de ver cidadãos portugueses serem "chutados" dos países que escolheram para tentar melhorar as suas vidas.

Estes recentes casos do Canadá fazem alguma impressão porque são pessoas que estavam no país há vários anos, alguns já com filhos nascidos lá, com trabalho, ao que consta pagando os impostos respectivos e há algum tempo a tentar a legalização.

Por outro lado, algumas famílias queixam-se que foram avisadas com 15 dias de antecedência, o que o Ministério dos Negócios Estrangeiros desmente.

Seja como for, há diferenças que é necessário fazer e, daí, tirar ilações. Encontro três situações distintas:

- uns estão plenamente integrados (com raizes) e poderiam (deveriam) ser tratados com mais respeito por Otava.

- outros terão sido enganados por "empresas" de recrutamento, com promessas de vida fácil, trabalho e casa garantida. Aqui é caso de polícia e é necessário acabar com estas redes organizadas.

- "last but not least" há os portugueses "chico-espertos" que foram para o Canadá com o estatuto de refugiados políticos e/ou religiosos (!). Esses, só pela "lata", são bem expulsos.

Freitas do Amaral foi ao Canadá perceber o que se estava a passar. Ao que parece trouxe de lá a garantia essencial: "isto" não é uma perseguição à comunidade portuguesa.

Nota final para os partidos de direita que, no nosso país, querem apertar as malhas da imigração.

Não se esqueçam de dois aspectos: Portugal precisa de imigrantes, Portugal é país de (muitos) emigrantes.

sábado, abril 01, 2006

Geração à rasca

Jacques Chirac promulgou o (muito) polémico Contrato de Primeiro Emprego (CPE) em França, bem antes do final do prazo, mas tenta acalmar os manifestantes com duas alterações.

Antes de mais, convém recordar que esta lei permitiria que qualquer jovem até 26 anos fosse despedido nos primeiros dois anos de contrato sem justa causa.

Ora, tendo em atenção o articulado desta lei neo-liberal parece-me perfeitamente normal que os jovens tenham vindo para a rua protestar.

A lei, tal como estava a ser proposta, era, no mínimo, injusta e discriminatória, já para não dizer escandalosa.

Agora, o Presidente francês tornou-a, aparentemente, mais suave ao obrigar a que seja esclarecida a causa do despedimento e ao dimunuir de dois para um ano o prazo em que o CPE está em vigor.

Estas são decisões no bom sentido e que, finalmente, mostram algum bom senso do Chefe de Estado francês. Vamos ver se são suficientes e como as aceitam os jovens manifestantes.

quinta-feira, março 30, 2006

Falou e disse...

O Presidente venezuelano continua a "disparar" contra George W. Bush e de forma cada vez mais dura.

No passado dia 20, na sua habitual declaração semanal, Hugo Chavez não foi nada meigo com o seu homólogo norte-americano.

"Mr. Danger, you are a donkey" foi o mínimo que se ouviu da boca do líder venezuelano.

"És um perigo, és um ignorante, és um burro", "cobarde" e "genocida", disse Chavez de Bush.

segunda-feira, março 20, 2006

IRAque

Assinalam-se hoje três anos desde o início da guerra do Iraque.

Sob falsos pretextos, os norte-americanos iniciaram uma operação militar que, agora, estão com dificuldades em controlar.

A ONU foi chutada para canto e o mundo enganado: não havia armas de destruição maciça, nem ligações à Al-Qaeda.

Agora, os "senhores da guerra", incluindo Durão Barroso, já assumem isso, mas o mal está feito.

É verdade que capturaram Saddam, mas ninguém pode dizer que o país esteja melhor.

É verdade que já aconteceram eleições e a participação foi massiva, mas ninguém pode afirmar que o país vá caminhar para uma democracia À ocidental.

Milhares de pessoas, inocentes, morreram nestes três anos, a instabilidade é diária e não parece ter fim...

Xiitas, curdos e sunitas dificilmente vão conseguir entender-se.

Entretanto, não querendo aprender com os erros, nem com os alertas, George W. Bush continua a falar (e a defender) em "guerras preventivas".

Como se lia num cartaz em Lisboa: "Depois do Iraque, para ondeIRÃO a seguir?"

segunda-feira, março 13, 2006

Um ano...

O Governo assinalou este domingo o seu primeiro aniversário. Tal como no futebol, prognósticos só no fim do jogo.

Para já, há aspectos positivos e negativos, mas confesso que esperava mais e melhor da equipa Sócrates, especialmente porque a maioria absoluta é forte, porque o Presidente da República era favorável e porque a oposição estaria, mais ou menos, em reconstrução.

Gosto que o Executivo tenha acabado com alguns privilégios de algumas classes e que esteja a fazer do combate à fuga aos impostos uma das suas lutas principais. De todos os ministros destaco Maria de Lurdes Rodrigues na Educação, que deve continuar a ser prioritária.

Acho que está na altura de se combater o desemprego seriamente, ao mesmo tempo que se deve apoiar, por um lado, quem mais necessita (os idosos e as famílias desfavorecidas) e, por outro, quem está em início de vida (os jovens à procura do primeiro emprego).

A vertente "socialista" deveria ser reforçada, apesar de se estar em crise.

Depois à áreas que necessitam de atenção: a Justiça (no geral) e o novo PGR (em particular), a Saúde (os novos hospitais, as novas taxas, os medicamentos e o lobby das farmácias) e o Ambiente (a co-incineração, as energias alternativas, a energia atómica).

Falta ainda que me convençam que a Ota e o TGV são absolutamente necessários.

parece, agora, que o novo amor do Governo é a Finlândia. Percebe-se bem porquê (lidera quase todos os rankings positivos da Europa), não sei se alguma vez lá chegaremos.

A corrupção, o clientelismo e o amiguismo estão instalados em detrimento do mérito e, enquanto assim for...

domingo, março 12, 2006

Como é possível?

"O emprego não é o nosso maior problema, não é pelo menos o maior problema do colectivo, não é o maior problema que a vida pública deva assumir e penso que cometeríamos um erro profundíssimo de transformássemos o emprego na prioridade das prioridades da acção política e governativa".

É o que diz Daniel Bessa, antigo ministro da Economia, no segundo dia das Semanas Sociais Portuguesas, organizadas pela Conferência Episcopal Portuguesa.

Juro que só acredito que o homem disse isto porque ouvi as suas declarações, mas ainda não estou em mim.

Isto depois de, há algumas semanas, o mesmo personagem ter dito que apoiava o fim do subsídio de desemprego e das reformas.

Acho inacreditável, acho mesmo vergonhoso, que um ex-governante e pessoa com altas responsabilidades tenha o descaramento de fazer este tipo de comentários.

Numa altura em que há cerca de 500 mil desempregados e cerca de dois milhões abaixo do limiar da pobreza, não concebo e não admito que essa não seja a prioridade de um Governo do meu país.

quinta-feira, março 09, 2006

A troca...

Esta quinta-feira de manhã, Jorge Sampaio é substituido por Cavaco Silva na Presidência da República.

Sem mais comentários, nesta altura, só me apetece repetir um título do "Inimigo Público" de há algumas semanas:

"Já só faltam dez anos"

segunda-feira, março 06, 2006

Em grande...

No texto de abertura da 78ª cerimónia dos Óscares, o grande Jon Stewart não perdeu a oportunidade de mandar umas bocas à administração Bush.

Aqui fica uma: "Nos filmes deste ano, há vários temas importantes como a corrupção, a censura, o racismo... É por isso que vamos ao cinema: para escapar".

Certeiro... infelizmente.

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

A invasão

O caso do “envelope 9” teve mais um desenvolvimento surpreendente esta semana.

Três jornalistas do jornal “24 Horas” terão sido constituidos arguidos depois de um juíz de Instrução, um procurador do Departamento de Investigação e Acção Penal e investigadores da Polícia Judiciária terem entrado pela redacção e investigado, em especial, o computador de um jornalista que divulgou as listas com os registos telefónicos do processo Casa Pia.

Acho realmente extraordinário que a Procuradoria se preocupe mais com os jornalistas, que estão simplesmente, a fazer o seu trabalho, do que com a investigação em si.

É fantástico que os jornalistas sejam considerados os maus da fita e o MP, a Procuradoria ou a PJ não consigam evitar as fugas de informação.

Por outro lado, esta invasão pode pôr em causa o trabalho e um jornalista. Sem segurança, nenhuma fonte mais vai “avançar”.

O sigilo profissional é um direito fundamental e não pode ser posto em causa por ninguém, isto se ainda vivermos numa Democracia.

Começo a duvidar...

PS: Fantástica a capa de ontem do “24 horas”, demonstra unidade, solidariedade, convicção, coragem...

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

O negócio do século

Se avançar, a compra do Grupo PT pela Sonae é algo de extraordinário (em vários sentidos) no nosso país.

Belmiro de Azevedo lança-se no "negócio da sua vida" (aquele que poderá ser o último antes de passar a pasta ao filho) e entra para "ganhar à primeira volta".

São mais de 11 (?!) mil milhões de euros que estão envolvidos nesta transação (se for realizada a 100%) e só este número respeitável já assusta.

Mais incrivel ainda é que a Sonae é cinco (5) vezes mais pequena que a PT e, só assim, se percebe a tremenda audácia deste negócio.

É certo que, a apoiar o "senhor Sonae", estão o Banco Santander e, eventualmente, a France Telecom, que terá sido avisada da operação apenas na véspera, mas isso, de maneira nenhuma, tira mérito ao empresário português.

Agora, ao que parece, o processo vai ser longo e pode ter ainda outros personagens (ao que consta estará a ser preparada uma contra-OPA com o BES a liderar e há ainda a Telefónica), mas foi iniciado um caminho que parece não ter retrocesso: a PT vai mudar de mãos.

Vamos ver como tudo vai ficar... vamos especialmente esperar que, fique como fique este negócio, por um lado, a PT melhore os seus serviços e, por outro, a concorrência esteja assegurada.

Achas de uma fogueira

As 12 caricaturas de Maomé publicadas primeiro na Dinamarca e depois em vários jornais europeus continuam a dar que falar.

Manifestações em alguns países (europeus e islâmicos), distúrbios, ameaças de morte, apelos à calma, explicações várias - tudo tem acontecido nas últimas semanas.

Para a religião muçulmana é proibido representar o Profeta e, portanto, estas imagens são consideradas atentatórias, especialmente por parte de grupos radicais.

É certo que para nós, ocidentais, que baseamos a nossa sociedade em direitos como a liberdade, a democracia, a tolerância, a fraternidade, e, já agora, na separação entre o Estado e as Igrejas, parece-nos estranho este fanatismo por culpa de um "turbante bomba", mas o certo é que, talvez por isso mesmo, poderiamos ter algum cuidado.

A liberdade de impresa deve ser assegurada, mas, a repetição destas imagens, ao longo dos últimos meses (tudo começou em Setembro) talvez pudesse ter sido evitada.

Os grupos radicais são isso mesmo, radicais, fanáticos, e, enquanto tal, estão desejosos que o "inimigo" lhes dê uma "desculpa" para actuar.

No fundo, esta insistência não resolveu nenhuma questão e só lançou gasolina para uma lareira que já estava acesa.

A solução só pode passar por grupos de muçulmanos moderados, equilibrados, que, de uma vez por todas, expliquem que o Islão não é "isto"e defende exactamente o contrário (a tolerância e o respeito pelo outro).

PS: só para assinalar - este é o centésimo "tiro" neste blog.

A Palestina e o Hamas

O Hamas venceu as eleições palestinianas e deixou o mundo ocidental em "estado de choque".

Este "grupo terrorista", responsável por muitos dos atentados contra Israel ao longo dos anos, superou, surpreendentemente, a Fatah.

Agora, o processo de paz do Médio Oriente teve um percalço, já que o Hamas não reconhece Israel e estes recusam-se a dialógar enquanto estes não depuserem as armas.

Seguramente as partes vão ter que entender-se, seguramente com os Estados Unidos e a União Europeia pelo meio, e vão ter que recuar...

A Palestina já foi considerada o "primeiro Estado terrorista", dada esta vitória, mas o Hamas continua a chamar terrorista ao Estado de Israel.

O que é certo é que o Hamas tem o apoio do povo palestiniano e, no terreno, esta organização tem um intenso trabalho social de apoio aos mais desfavorecidos, o que, por certo, lhes valeu a vitória.

Em última instância, o facto do Hamas ir liderar o Governo, com ou sem Fatah, pode até acabar por ajudar o processo de paz. Deixando as armas e com as iniciativas sociais no terreno, a Palestina pode avançar.

Vamos ver, por um lado, como Mahmoud Abbas, o líder da Autoridade Palestiniana, gere o processo do novo Executivo e, por outro, como reage Israel à, eventual, democratização do Hamas.

As eleições de Israel estão para breve e não é indiferente saber quem vai ganhar. Olmert e Netanyahu são pessoas bem diferentes.

terça-feira, janeiro 31, 2006

Provas ou a falta delas

Uma das, anunciadas, prioridades deste Executivo é o combate à fraude e evasão fiscal.

Por mim, tudo bem. Há muito que atacar nessa área. O problema é o “ângulo de ataque”.

Sabe-se, é do senso comum, que são os mais ricos e poderosos que, com truques, subterfúgios e extrema “lata”, fogem e não pagam impostos.

A classe média, que trabalha para outrem, e os velhotes coitados, que trabalharam durante toda a vida, mas que, por esta ou aquela razão, nem sempre descontaram e recebem pensões de miséria, é não tem hipótese de fugir ao inevitável.

Dito isto, recordo que o Estado vai passar a exigir uma prova de rendimentos aos pensionistas com reformas inferiores a 14 salários mínimos nacionais, ou seja, cinco mil e 400 euros por ano.

A prova tem de ser apresentada no respectivo Centro de Saúde até dia 31 de Março de cada ano, a começar neste, e quem não o fizer perde o direito à comparticipação acrescida de medicamentos.

A questão que se coloca é: não haveria maneira de fazer este controlo, daqueles que enganam o Estado e recebem o que não deviam receber (aliás como acontece também com o Rendimento Mínimo Garantido), sem incomodar os idosos que, sem dúvida nenhuma merecem continuar a receber as pensões e a comparticipação acrescida para os medicamentos?

Seguramente que havia…

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Ordem de Mérito

Alguém, por favor, que me explique porque razão o Presidente Jorge Sampaio condecorou esta quarta-feira um grupo de 21 empresários portugueses.

Que “funções públicas ou privadas, sem interesse pessoal, com actos meritórios em favor da colectividade” tiveram estes senhores?

Para além de engordarem as respectivas contas bancárias, que mais fizeram estes senhores?

Sinceramente, não consigo entender.

De saída de Belém, não poderia o Chefe de Estado ter encontrado 21 desconhecidos, da sociedade civil, que, realmente, tivessem feito algo “sem interesse pessoal, em favor da colectividade”?

segunda-feira, janeiro 23, 2006

O voto…

Realizaram-se ontem as eleições presidenciais, o terceiro acto eleitoral em menos de um ano.

Agora, se tudo decorrer normalmente, os portugueses só voltam às urnas daqui a três anos e tal.

O que acho incrível é que várias pessoas, incluindo políticos e até o novo Chefe de Estado, digam: “Ainda bem, finalmente”, como se ir a votos fosse “uma chatice”, uma “perda de tempo”.

Ir a votos é saudável e desejável, é a arma do povo e deve ser utilizada sempre que se justificar.

O facto dos portugueses irem a votos democraticamente nunca pode ser considerado um empecilho para o desenvolvimento do país.

O voto é a voz do povo que não pode ser calada por ninguém. Tem que ser o país a escolher o que quer fazer, para onde ir, se quer ou não alternância.

Isto é que é a democracia e isso não pode ser alterado por nenhum (bolo)-Rei.

PS: Continuo a achar que, salvo motivos de força maior, não votar é uma falta de respeito, por si próprio, pelos outros e por aqueles que muito lutaram para nos livrar da ditadura.

Faltou um bocadinho assim…

Cavaco Silva lá chegou a Belém com 50.59% dos votos validamente expressos.

O “senhor do bolo” ganhou e democraticamente é obrigatório felicitá-lo pela vitória. Agora, ele não é o meu Presidente e há vários culpados para este triunfo.

O meu desejo por uma segunda volta nas presidenciais ficou por cumprir por culpa de umas escassas décimas…

Tudo por culpa de 1.8% dos votos, que foram desperdiçados por serem nulos ou brancos, ou pelos 37% que desrespeitaram a Democracia e ficaram em casa. (*)

Tudo por culpa de um PS que não se soube mobilizar e não soube empenhar os seus.

Tudo por culpa de Sócrates que tudo fez para minar a candidatura de Alegre, até na altura dos discursos (vergonhosa a atitude do secretário-geral-Primeiro-ministro) e que até parece que preferia Cavaco na presidência.

Tudo por culpa das eleições serem ao domingo e não à terça-feira (como nos Estados Unidos). À velocidade que o Cavaco estava a descer nas percentagens, faltou mesmo só “um bocadinho assim” para haver segunda volta.

Manuel Alegre disse-o ontem e eu concordo: “contra ventos e marés”, contra tudo e todos, quase conseguia um milagre cívico. Atenção que conseguiu mais de um milhão de votos, falta saber, agora, o que vai fazer com eles e como vai ser recebido no seu partido. As minhas homenagens.

Mário Soares não merecia acabar assim a sua carreira política, perdendo de goleada. Enxovalhado e quase sem o apoio do seu partido, mas também podia ter gerido a “coisa” melhor, especialmente com o amigo (?) Alegre que até esqueceu no discurso da derrota.

Jerónimo de Sousa continua a surpreender e ontem até suplantou os números da CDU nas últimas legislativas (mais 1%).

O grande derrotado da noite acabou por ser José Sócrates, não só pelo resultado humilhante do seu candidato, mas especialmente pela atitude inqualificável para com Manuel Alegre.

Aliás é curioso que, no “consulado” de Sócrates, o PS consegue o melhor e o pior resultado da “estória” do partido (primeira derrota numas presidenciais).

Falta agora saber o que Cavaco quis dizer quanto, no discurso de vitória, afirmou: "É altura de "deitar mãos à obra, não é pequena a tarefa que temos à nossa frente e o trabalho será longo".

(*) Nota para a fórmula de contagem dos votos. Se estas fossem uma legislativas ou autárquicas, Cavaco não tinha ganho com maioria.

sábado, janeiro 07, 2006

Curta e grossa…

Este louco período natalício, que só termina a 23 de Janeiro, não me tem permitido actualizar o blog como devia.

No entanto, aqui fica uma nota que não posso deixar passar.

O Governo divulgou que vai dar 1.5% de aumento aos funcionários públicos e 3% no salário mínimo.

Os senhores, que se dizem socialistas, dão um aumento abaixo da inflação e os portugueses vão já para o oitavo ano a perder poder de compra.

Entretanto, todos os produtos aumentam em percentagem igual ou superior à inflação. Destaque para o pão que sobe uns escandalosos 10%.

Haja vergonha...