segunda-feira, junho 20, 2005

A manif que não queria ter visto...

Tinha pensado fazer um “post” sobre a manifestação no Martim Moniz, mas desisti.

Aquelas cerca de 200 pessoas não merecem a minha atenção, até porque eu só costumo falar de coisas sérias.

Aliás, dar-lhes atenção, seria seguramente contraproducente e podia dar-lhes força para continuarem a pressionar e a alastrar as ideias racistas e xenófobas.

Assim, reduzindo àquela insignificância os manifestantes, os portugueses lúcidos deram sinais positivos. Felizmente.

quarta-feira, junho 15, 2005

“Até sempre, camarada”

Esta quarta-feira é dia de luto nacional em homenagem a Álvaro Cunhal, o líder histórico do PCP.

Pode ou não gostar-se de Cunhal, das suas ideias, daquilo que fez ou queria fazer em e por Portugal...

O que, no entanto, me parece indiscutível é que se reconheça que Álvaro Cunhal era e foi sempre coerente com as ideias e convicções que defendeu, nunca vergou, nunca se rendeu, nunca se vendeu…

Há poucos políticos mundiais que possam dizer o mesmo.

É certo, no entanto, que as suas ideias (as do marxismo-leninismo) tinham (têm) aspectos, no mínimo, polémicos e controversos, até de difícil aplicação prática.

Este é um lado da questão… Há, por outro lado, outro aspecto que me merece análise:

Quais são os critérios que fundamentam as propostas para “dia de luto nacional”? Tendo como exemplo os últimos casos, são critérios muito pouco perceptíveis.

Senão vejamos, Cunhal foi homenageado com um dia de luto, Sousa Franco também mas, antigos Primeiros-ministros, como Maria de Lurdes Pintassilgo e Vasco Gonçalves, não tiveram esse direito.

Há coisas que não se percebem…

PS: Milhares de pessoas participaram na última homenagem de Cunhal, muitas delas que nada tinham a ver com o PCP. Isto só prova que o líder comunista, também o escritor e artista, era respeitado.

domingo, junho 12, 2005

Marés vivas…

Depois das novelas, dos jogadores de futebol, dos dentistas e dos cabeleireiros, eis que Portugal volta a importar mais uma moda brasileira: o “arrastão”.

Neste fim-de-semana centenas de jovens, alegadamente vindos das “zonas problema” da área de Lisboa, entraram de rompante em duas praias do país (Carcavelos e Quarteira) para assaltar os banhistas.

Em Carcavelos aconteceu o caso mais grave: cerca de 500 miúdos “atacaram”, a polícia não estava lá, a que chegou, obviamente, não era suficiente…

Acredito que não fosse fácil controlar esta situação, o que questiono é o facto de ninguém ter percebido a “combinação” ou estranhado aquela aglomeração de jovens, alguns deles, seguramente, bem conhecidos das autoridades.

O que é certo é que o país está em crise e estes casos vão continuar. O sentimento de insegurança vai aumentar e, por consequência, a xenofobia também.

Não sei bem como “isto” se resolve, o que sei é que seguramente não é instalando os miúdos na Cova da Moura ou no bairro da Bela Vista que a “coisa” melhora.

É obrigatório fazer um esforço e compreender estas pessoas na sociedade, dar-lhes trabalho, integrá-las… sob pena de a situação se continuar a agravar irremediavelmente.

sexta-feira, junho 10, 2005

Devagar… devagarinho e parados…

Juntando os feriados de 10 e 13 de Junho com o fim-de-semana, milhares de portugueses partiram numas “mini-férias” de quatro dias para o Algarve.

Para esquecer a crise e o défice nada melhor que uns mergulhos nas praias da moda e aparecer na terça-feira com aquele “bronze” de fazer inveja ao colega do lado que – coitado – não foi para Sul descansar.

Em “peregrinação”, todos juntinhos, carros, carrinhas, caravanas… tudo serviu para levar o pai, a mãe, o Joãozinho, a Mariazinha, a avó, o canário e o cãozinho para a praia.

Ora, resultado desta fobia colectiva, quilómetros e quilómetros de fila entupiram o caminho dos Algarves na A2 e suas ligações e acessos.

Deixo aqui dois exemplos elucidativos: à 1 da manhã de sexta-feira havia 15 quilómetros de fila, às 13 horas o “monstro” tinha chegado aos 29 quilómetros.

A “unanimidade” ou, neste caso, a “carneirização” são dois erros em que os portugueses costumam cair e que ultrapassam, em muito, as idas aos magotes para as praias do Algarve.

É pena…

Agora, na próxima terça-feira, os mesmos que foram em fila para o Algarve e, em fila, foram para a praia, voltam à fila do IC-19.

Quando chegarem, atrasados, ao trabalho vão dizer: “Merda, tou cansado, estou mesmo a precisar de férias”.

Como diz um amigo meu: “É bem feito”

A “época dos fogos” e o “país em chamas”

Estes são "clichés" mas, mais uma vez, o país está a arder e, mais uma vez, falham os meios de prevenção e combate aos fogos.

Claro que a seca e o imenso calor agravam a situação, mas é inadmissível que, todos os anos, o cenário negro das terras queimadas se repita em milhares de hectares ao longo do país.

Os Governos mudam, os planos de combate são montados, as apresentações repetem-se, sempre com pompa e circunstância, mas, no fim das contas, o balanço é sempre trágico.

A prevenção, a limpeza das matas, o apetrechamento com novos meios… nada disto é feito a tempo e horas…

Este ano, por exemplo, voltámos à “novela” dos meios aéreos que chegam e não chegam, que estão e não estão, que avariam e não avariam…

Repito aqui o que escrevi em Março quando quatro bombeiros morreram em Mortágua durante o combate a um incêndio:

“É obrigatório responder rapidamente e ajudar quem sofre, mas é também fundamental analisar e prevenir todas as situações antes que elas aconteçam. Num país em que se prefere comprar dois submarinos e não helicópteros e aviões de combate a incêndios, talvez, estivesse na altura de rever prioridades”.

Por outro lado, nós que trabalhamos em comunicação, também não ajudamos muito os bombeiros que fazem – acredito – o melhor que podem e sabem com as condições que têm ao dispor.

Somos nós que falamos em “abertura da época de fogos”, “o maior incêndio de tal sítio”, “todos os incêndios estão circunscritos”… Talvez devêssemos mudar de estratégia.

Já às autoridades pede-se que “ataquem” forte nas investigações, apanhem os incendiários e os punam exemplarmente, com prisão efectiva, ao mesmo tempo que se exige que façam uma campanha de sensibilização para evitar que as pessoas cometam alguns erros perigosas para as florestas.

É preciso fazer tudo o que for possível para combater esta catástrofe cíclica que, todos os anos, abala o país e o deixa em chamas.

segunda-feira, junho 06, 2005

Medalha inquinada

Jorge Sampaio vai agraciar, no próximo dia 10 de Junho, 59 personalidades, na sua última presença no Dia de Portugal como Presidente da República.

Entre os condecorados vai estar, depois de duas recusas, a ex-ministra Leonor Beleza.

A antiga titular da pasta da Saúde vai receber a “Ordem de Cristo” que “distingue serviços prestados ao País no exercício das funções dos cargos que exprimam a actividade dos órgãos de soberania ou na Administração Pública, em geral, e na magistratura e diplomacia, em particular, e que mereçam ser especialmente distinguidos”.

Eu, sinceramente, acho isto “extraordinário”, mas acredito que as famílias dos hemofílicos de Évora achem “ofensivo”, para não dizer "escandaloso".

Como é possível que se homenageie uma senhora que esteve ligada, directa ou indirectamente, a um caso tão dramático e que, ainda hoje, passados tantos anos, não está ainda bem explicado.

Tenho pena que a Dra Leonor Beleza não tenha resistido aos apelos do Chefe de Estado e não tenha recusado, pela terceira vez, esta condecoração.

É necessário ter respeito pelos inocentes que morreram devido ao erro de alguém, alguém que estava ligado ao ministério da Saúde, tutelado na altura por Leonor Beleza.

De recordar que o Supremo Tribunal de Justiça não decidiu que a senhora ministra era inocente da acusação de negligência no caso do sangue contaminado com HIV, mas sim que o processo prescreveu, pelo que não haverá julgamento.

Gostaria só de lembrar que de um total de 135 hemofílicos que acabaram por ser contaminados, metade já morreram. O processo contra Leonor Beleza e a mãe envolvia 35 doentes.

domingo, junho 05, 2005

A Madeira é um Jardim... Zoológico

O português é uma língua rica, mas já não há palavras para qualificar as atitudes de Alberto João Jardim.

O presidente do Governo Regional da Madeira voltou a presentear todos os portugueses com outra “pérola” do mais elevado recorte “literário”.

Comportando-se como um inimputável, Jardim continua a ofender tudo e todos, como bem lhe apetece, e ninguém parece ter mão nele (Presidente da República e presidente do PSD incluídos).

Mais uma vez, as vítimas do senhor da Madeira foram os “jornalistas do Continente” que tiveram o descaramento de falar na sua reforma, que acumula com o salário de governante.

Já muitas vezes os jornalistas foram os alvos de Jardim, mas chamar “bastardos e filhos da puta” a toda uma classe profissional já é ir longe demais.

Quando um governante com responsabilidades públicas tem atitudes destas, de tremenda falta de educação, o que podemos esperar do comum dos mortais?

É urgente que alguém ponha o senhor na ordem, se preciso for o leve à justiça e o obrigue a responder em tribunal por este e outros casos…

Reformados… mas pouco

Mário Lino e Luís Campos e Cunha acumulam, com o ordenado de ministro, pensões “ganhas” em anteriores empregos.

O ministro das Obras Públicas tem duas pensões, uma da segurança social (depois de 37 anos de serviço) e outra do IPE. Já o ministro das Finanças tem uma reforma por ter sido vice-governador do Banco de Portugal durante (6) seis anos (*).

Os senhores governantes defendem-se dizendo que é tudo legal e que são direitos adquiridos legitimamente.

O que eu contesto não é a legalidade, é a moralidade…

Não me parece justo que o Governo diga que o país está em crise, que é preciso fazer sacrifícios e depois haja ministros a acumular dois e três ordenados.

“Ou há moralidade ou comem todos”, já diz o ditado…

Com que cara vai Campos e Cunha aumentar os impostos, dar aumentos de 2% e “apertar o cinto” dos portugueses quando, no fim do mês e, ao mesmo tempo, levar milhares de contos para casa?

Para remediar esta situação, fico à espera que, no mínimo, os senhores abdiquem de um dos ordenados.

PS: Entretanto, ficou também a saber-se que cerca de 80 juizes foram aumentados em 35%. Ora, isto é que é justo quando se sabe que os "bandidos" dos funcionários públicos vão ser aumentados, em média, 2%.

(*) Eu também já estou há seis anos na mesma empresa, será que já me posso reformar com um ordenado chorudo?

segunda-feira, maio 30, 2005

“Non”

Os franceses chumbaram o Tratado Constitucional Europeu por uma margem confortável (54,87% dos votos, contra 45,13).

Agora, a Europa está metida num grande sarilho, até porque, na próxima quarta-feira, os holandeses vão repetir a dose e dar mais um rotundo “não” a este documento.

É bem feito para os "Senhores da Europa" que querem fazer depressa e bem e meter o Rossio, na rua da Betesga. Ora, isso não é possível...

O Governo português promete avançar para o referendo em Outubro, a não ser que “circunstâncias muito extraordinárias alterarem por completo o processo e levarem toda a Europa a enveredar por um novo rumo” (Freitas do Amaral).

Eu, por mim, não sei o que responder: Não sei exactamente o que se discute neste tratado, não sei o que se altera…

O que é certo é que, se for para dar mais poderes a Bruxelas em detrimento dos políticos portugueses, vou ser obrigado a votar a favor, mesmo contra aquela que foi sempre a minha opinião.

É que, olhando para toda a nossa classe política, dá vontade de os reformar antecipadamente, sem direito a indemnização, e entregar este país a alguém que, realmente, perceba o que está a fazer e que, por uma vez, cumpra o que promete.

domingo, maio 22, 2005

“Defshit”

Agora é que eu percebo aquele meu professor que quando falava de défice (ou deficit) pronunciava qualquer coisa como: “defshit”.

Afinal, aquilo não era um problema de articulação de sílabas ou uma “pronúncia bem” era, simplesmente, uma premonição para o que se passaria anos depois.

Primeiro o PSD, agora o PS, vão chatear-nos, “ad nauseum”, com a “estória” do défice e que a coisa está mal e que temos que fazer sacrifícios… e tal.

Ora, com licença da expressão, “já não há cu para esta merda”.

Na altura da nossa “dama de ferro”, o “defshit” rondava os 4.5% e era um escândalo nacional, agora – dizem – o dito já deve andar à volta dos 7% (Vítor Constâncio o saberá, José Sócrates o dirá).

Sinceramente, não percebo nada de economia, o que duvido é que esta “shit” seja a questão mais importante do nosso país.

O Presidente da República já alertou para que “há vida para lá do défice”, mas parece que ninguém ligou.

O que eu sei é que há países com défice alto, que se estão a “cagar” para isso… O que eu sei é que há quase 500 mil desempregados em Portugal e isso é que é (muito) preocupante.

Outra coisa que me lembro é das promessas do PS durante a campanha eleitoral. Espero que os socialistas não cometam o mesmo erro do PSD que, há três anos, disse uma coisa e fez outra… foi aí, logo aí, o princípio do fim do Governo “laranja”.

Caso se tenham esquecido, Sócrates prometeu, entre outras coisas, não aumentar impostos e manter as SCUTS. E agora...

domingo, maio 15, 2005

!?

“O aborto é matar um ser humano que não se pode defender, enquanto a Vanessa, de cinco anos, podia gritar, acusar e ficava com marcas no corpo que outros podiam ver”.

Assim falou o padre de Lordelo na missa de sétimo dia por Vanessa, a menina de cinco anos que terá sido agredida até à morte pelo pai e pela avó.

A mim parece-me normal que um padre se oponha ao aborto e que tente fazer vingar a sua opinião.

O que eu já não acho normal e, para ser sincero, acho nojento é que se utilize este tipo de exemplo.

No mínimo, e mesmo isto pode ser polémico para algumas pessoas, o que o senhor padre tinha que dizer é que matar uma menina de cinco anos é tão grave quanto matar um feto.

Por outro lado, quando o senhor diz que a pequena Vanessa “podia gritar, acusar e ficava com as marcas no corpo” é não ter noção do que está a dizer ou, pior ainda, está a fingir que não sabe.

Na esmagadora maioria destes casos, as crianças abusadas calam porque têm vergonha ou são ameaçadas e, por isso, não se conhece na íntegra a magnitude desta tragédia.

Apesar disso, Portugal consegue, segundo a OCDE, um “orgulhoso” primeiro lugar nos casos de maus-tratos a crianças com consequências mortais.

Espero que alguém chame o senhor padre à atenção e ele possa, o mais rápido possível, emendar a (tristíssima, infelicíssima, lamentável) declaração que fez e, pelo menos, pedir desculpas à família da menina.

sábado, maio 14, 2005

(Assim não) Vale tudo…

Numa decisão inédita no clube “encarnado”, um sócio foi expulso do Benfica. O sócio em causa é Vale e Azevedo, antigo presidente.

A decisão foi tomada por 65% dos 412 sócios votantes presentes nesta Assembleia-Geral histórica na Luz.

Sinto-me dividido quanto a esta decisão, mas atenção – para que não haja dúvidas – não por pena do dito senhor que quase ia destruindo o clube.

A minha única dúvida tem a ver com a história democrática da Instituição que sempre foi uma das bandeiras do clube, mesmo durante os tempos de Salazar.

É verdade que Vale e Azevedo manchou o nome do Benfica, fez “negócios” que ainda hoje obrigam o clube a uma grande ginástica financeira e que quase o levaram à falência mas… expulsão.

Obviamente compreendo a decisão dos sócios… eu se estivesse na Assembleia estaria, seguramente, mais inclinado para o “sim”, mas…

PS: à margem da decisão da Assembleia há uma nota que não gostaria de deixar passar: Manuel Vilarinho, outro ex-presidente do clube, fez-se acompanhar por segurança privada. Porquê? Não estava entre consócios? Estranho.

Governo de (con)gestão

O Ministério Público está a investigar todos os negócios do anterior Governo celebrados depois da dissolução da Assembleia da República, quando o Governo estava em gestão.

Em causa está a adjudicação do Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal, o SIRESP, a um consórcio liderado pela Sociedade Lusa de Negócios e, especialmente, o caso dos sobreiros em Benavente.

A primeira versão indicava que os senhores ministros tinham assinado o despacho quatro dias antes das eleições (só isso já é estranho e grave). Pior quando agora, segundo o “Expresso”, a data foi falseada.

Para já, Luís Nobre Guedes é arguido, enquanto os outros dois ministros são, para já, apenas, testemunhas.

Convém mesmo que se investigue este caso e todos os outros. Não podemos continuar a viver com esta suspeição e deve, por isso, acabar-se com as negociatas.

segunda-feira, maio 02, 2005

Cheques há muitos

A partir de agora, passar um “cheque-careca” até 150 euros deixa de ser crime, passa a ser um “mero ilícito administrativo”.

Num país em crise, em que são os “espertos” quem mais ordena, este é mais um passo para o aumento das dívidas e das falcatruas dos portugueses.

Seguramente vai subir o número de cheques passados até esse valor e, verificado o aumento de casos sem provimento, os comerciantes, para se defenderem dos trapaceiros, vão começar a proibir a entrega de cheques para pequenas quantias.

Enquanto isto não acontecer, ou o Governo não mudar de opinião, os comerciantes vão queixar-se e os “espertos” vão fazendo umas compras à borla.

Os números são assustadores: No primeiro trimestre de 2005, o Banco de Portugal detectou um total de 293.032 cheques que foram devolvidos sem serem liquidados, num valor de 713 milhões de euros.

De acordo com o "Semanário Económico", cerca de 75% deste valor, ou seja, 533 milhões de euros referem-se a cheques sem cobertura.

O total de cheques sem provisão permite situar o valor diário das faltas de pagamento em 5,9 milhões de euros ou o equivalente a uma média diária de 2900 cheques devolvidos.

quarta-feira, abril 20, 2005

Bento XVI

Os Cardeais foram rápidos e, à quarta votação no Conclave, escolheram o Cardeal Joseph Ratzinger para 264º sucessor de Pedro.

Desta vez não houve surpresas e, ao contrário do que é habitual, “ganhou” mesmo o mais “papibille” de todos os “papabille”.

A igreja já vai dizendo que Bento XVI, com uns frescos 78 anos, é um Papa de transição, depois dos quase 27 anos de João Paulo II.

O que eu espero é que este não passe de “pontificado de transição” para “pontificado de regressão”.

O Cardeal alemão tinha, nas suas anteriores funções (Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Presidente da Comissão Pontifícia e da Comissão Teológica Internacional) a fama (e algum “proveito”) de “ultra-conservador”.

No entanto, os Papas são como os “melões” e só depois de “abertos” é que se sabe o que vão dar. Ao longo da história da Igreja já houve “estórias” de Papas “conservadores” que se tornaram “progressistas” e vice-versa.

À primeira vista parece que andámos para trás e a minha primeira reacção foi de desilusão, mas Bento XVI já prometeu seguir os caminhos do Concílio Vaticano II onde esteve.

Aguardemos…

segunda-feira, abril 18, 2005

O novo Papa

Esta segunda-feira começa o Conclave para a escolha do sucessor de João Paulo II.

115 Cardeais estão na Casa de Santa Marta e vão reunir-se na Capela Sistina os dias que forem necessários para descobrirem um novo Sumo Pontífice.

Encontrar um “substituto” para Karol Wojtila não vai ser fácil… eu diria mesmo que vai ser impossível.

O Papa polaco esteve na cadeira de Pedro quase 27 anos e deixou marcas impossíveis de esquecer.

Como disse D. José Policarpo – um dos Cardeais eleitores – o escolhido vai ter que seguir os passos de João Paulo II mas, ao mesmo tempo, vai ser muito difícil fazê-lo.

Esta frase do Cardeal Patriarca – em alguns círculos, um dos favoritos para a sucessão – resume bem a dificuldade dos eleitores.

Para as pessoas da minha geração – e mesmo fora dela, João Paulo II foi importante marcou e vai ser inesquecível em muitos passos do seu Pontificado.

Este Santo Padre seguiu, no entanto, um caminho com duas vias. Ou seja, consoante o tema ou foi progressista ou conservador e isso é, em minha opinião, algo estranho.

Se, por um lado, deu passos importantíssimos no diálogo inter-religioso tentando aproximar religiões (encontro de Assis, entrada em Mesquitas e Sinagogas, etc), se pediu perdão pelos pecados da Igreja na época da Inquisição, se se abriu aos jovens, se lutou sempre e incansavelmente contra a guerra, se criticou o comunismo, mas também a globalização, João Paulo II “esqueceu-se” muitas vezes das mulheres e, especialmente, do problema da SIDA ao recusar de forma peremptória a utilização do preservativo.

Enfim, ninguém é perfeito e eu vou ter saudades dele. O amor que ele tinha a Fátima e a Portugal era impressionante e a “estória” do atentado tem pormenores impressionantes.

Mesmo na sua morte se dão coincidências incríveis: João Paulo II morreu a 02 de 04 (Abril) de 2005. Ora, somando os números dá 13; o Papa faleceu (hora de Itália) às 21h37. Somando os números dá 13.

Segundo o Igreja é o Espírito Santo que escolhe o Papa, esperemos que escolha bem.

sábado, março 19, 2005

Menina do Rio

Fátima Felgueiras vai mesmo a julgamento no âmbito do chamado caso “saco azul”. O engraçado é que a senhora continua de "férias" no Brasil a rir-se na nossa cara.

A autarca é acusada de 28 crimes e de lesar o município em 785 mil euros. Entretanto, no despacho de pronúncia, a juíza deixou cair outros cinco crimes de corrupção passiva de que era acusada pelo Ministério Público.

A juíza Marlene Rodrigues fez o que tinha a fazer, o que é certo é que alguém falhou nesta “estória”…

A “menina do Rio”, em directo do Brasil, bem bronzeada, após ter conhecido o despacho de pronúncia, fez questão de colocar os “pontos nos ii”.

Fátima Felgueiras declara-se disposta a regressar a Portugal para ser julgada, mas só se for levantada a decisão de prisão preventiva.

Ora ai está, a senhora autarca é que manda: “fugi, estou aqui bem, ao solzinho, e volto se me apetecer e se me derem garantias de que não vou dentro”.

Esta não é a primeira fuga mediática para o Brasil (ainda não nos esquecemos do padre Frederico) e o reaparecimento televisivo de Felgueiras surge na mesma semana em que dois reclusos fugiram de duas cadeias portuguesas: um que veio estender roupa e outro que veio despejar o lixo.

O segundo caso então é gritante: o recluso, a cumprir o primeiro de 15 anos de cadeia, foi autorizado, com outro detido, a vir à rua deitar o lixo, acompanhado por 1 (um) guarda prisional.

Assim vai a justiça no nosso país… assim funciona o nosso sistema prisional.

domingo, março 13, 2005

Obrigado por serem quem são

Tomou posse este sábado o XVII Governo Constitucional. É nesta altura que eu quero deixar um agradecimento ao Executivo cessante.

Vamos ter saudades deles… Foram três anos de casos e casos que se agravaram nos últimos quatro meses de tutela santanista.

O que vai ser de nós sem o ministro Silva e o amigo Henrique Chaves? O que vai ser de nós sem Celeste Cardona e Nobre Guedes? O que vai ser de nós sem secretários de estado do desporto que têm medo de ir à bola e que têm vergonha de tutelar o serviço de protecção civil mas não se demitem? O que vai ser de nós sem “facadas nas costas”, “incubadoras” e “calimeros” (perdão, “meninos-guerreiros”)?

Não sei, mas vai ser duro…

Ficamos à espera que Santana Lopes volte à Câmara e que Portas recupere do choque da noite eleitoral.

A única boa notícia desta “estória” é que, seguramente, vamos voltar a ter um Luís Delgado ao seu melhor estilo, assim Sócrates e “sus muchachos” colaborem com ele.

sábado, março 12, 2005

Civilidades…

O líder do PP disse, na noite das eleições, que em nenhum “país civilizado” a distância entre os “democratas-cristãos” e os “trotskistas” é de apenas um ponto percentual.

É capaz de ter razão mas, em minha opinião, o que me parece pouco “civilizado” é que se tente reescrever a história à nossa maneira passando por cima de tudo e de todos.

Começou com a transformação do CDS em PP e agora continuou com a “eliminação” de Freitas do Amaral só porque o homem aceitou ser ministro de Sócrates.

O retrato do fundador do CDS foi retirado da parede no Largo do Caldas, embrulhado e enviado para o Largo do Rato (não se sabe se com aviso de recepção).

Se os outros partidos não fossem “civilizados” e aderissem a esta “moda” havia seguramente uma vantagem: os CTT agradeceriam e o mercado postal teria um novo fôlego.

O PSD teria que enviar, por exemplo, as fotografias de Portas e Sócrates aos novos partidos, o PCTP-MRPP mandaria várias imagens para uns partidos bem mais à direita, no PCP então nem se fala…

Talvez Portas e o secretário-geral dos “populares” se tenham inspirado no “Carteiro de Pablo Neruda”… ou não.

domingo, março 06, 2005

“Só sei que nada sei”

Já é conhecido o novo Executivo liderado por José Sócrates, que nos deve governar (!) nos próximos quatro anos.

Há ministros que não conheço bem por isso o melhor é esperar para ver. Agora, pelo que já ouvi, há coisas que me deixam, no mínimo preocupado.

Para já, no entanto, duas coisas positivas: primeiro, os nomes que acompanham Sócrates não foram conhecidos na praça pública, segundo este é um Governo (ligeiramente) mais pequeno (menos três ministros).

Na composição do elenco há mais sinais positivos: o regresso de António Costa, Augusto Santos Silva e Mariano Gago e o regresso de um ministro do Trabalho.

De notar também outras apreciações: os ambientalistas apoiam o novo ministro do Ambiente, os economistas parecem gostar dos ministros das Finanças e da Economia, da nova ministra da Educação dizem que não vai deixar ninguém indiferente.

Depois há Freitas do Amaral. O novo Chefe da Diplomacia é fundador do CDS, de direita, e vai integrar um Governo socialista sendo que as suas posições mais recentes contra os Estados Unidos e Bush contrariam aquilo que se tem feito nos últimos anos no nosso país. É a surpresa entre as escolhas de Sócrates e vamos ver como se liga com os colegas do gabinete.

São 16 ministros, entre militantes e independentes. Vai ser curioso perceber como ministros de “ala esquerda” do PS se vão dar com ministros claramente de “centro direita”. Aí vai ser preciso um pulso forte e um rumo certo de Sócrates para evitar desgovernos semelhantes aos de Santana e companhia.

Apesar da maioria absoluta, o PS não pode ser cego, surdo e mudo às oposições, especialmente à esquerda.

Nota final para os ausentes, em especial António Vitorino. Já começa a haver pouca paciência para este “vai não vai” de Vitorino.

No fim de contas o que se espera é um rumo certo, coordenação ministerial, para que a vida melhore e Portugal saia da crise. O que se espera é que o PS faça juz ao nome e ajude quem mais precisa.

PS: o primeiro sinal dado pelo novo ministro das Finanças (Luís Campos e Cunha) não é positivo.