segunda-feira, junho 25, 2007

No comments...



Extrema-direita e extrema-esquerda, lado a lado, protestando, civilizadamente, contra uma decisão legitima de um canal privado de televisão.

Deve ser isto a Democracia.

Como é bom (ainda) viver em Liberdade.

domingo, maio 27, 2007

Pois é...

Domingo, 8h30... Depois de ver o terceiro acidente da manhã, pergunta-me o taxista: "Onde é que está o trânsito para haver tantos acidentes?".

"Há cada selvagem a conduzir!", conclui o homem, já furioso.

Não respondi ao senhor, mas confesso que sempre me fez confusão o número de acidentes e vítimas nas estradas portuguesas.

É certo que a sinalização é péssima e as estradas são más mas, seguramente, há muita culpa dos condutores.

Por mim - que não tenho carta - acho que todos os condutores deviam voltar às escolinhas de condução para realizar testes de "reciclagem".

quarta-feira, maio 23, 2007

"Democracia" "rosa"

Que o mundo não é cor-de-rosa já se sabia, mas algo vai muito mal no nosso país quando uma “piada de mau gosto” “dá” suspensão e processo disciplinar a professor.

O facto da anedota ter como “actor principal” o Primeiro-ministro, tudo se torna ainda mais grave.

Ao que se sabe, o professor em causa fez um “comentário jocoso” sobre José Sócrates no gabinete, comentário esse que foi ouvido por outra pessoa que terá feito queixa.

O Ministério da Educação considerou “ofensivo” o comentário e o professor está em maus lençóis, muito por culpa de um “amigo bufo”, ao velho estilo da PIDE.

Ora, se já nem no gabinete se pode ter “licença” para dizer uma piada, seja sobre quem for, incluindo um qualquer Primeiro-ministro, então algo de efectivamente grave se passa.

Fica também por saber se, de todo, não se pode fazer piadas sobre Sócrates ou se só não pode fazer comentários quem for do PSD.

Pensava eu, na minha inocência, que Portugal era um país democrático, com “liberdade de expressão”, mais de 30 anos depois do 25 de Abril.

Afinal, se calhar, enganei-me e isso deixa-me muito preocupado.

terça-feira, maio 22, 2007

Diferenças

De vez em quando sabe bem sair da grande cidade para ir "arejar a cabeça".

E nem sequer é preciso ir muito longe: duas horas e pouco de caminho são suficientes para "entrar noutra dimensão".

Aqui chegados... as diferenças são abismais e, não, não estou a falar de capacidade financeira ou condições de vida.

É verdade que não há algumas modernices como a TV Cabo e que é difícil ter rede de telemóvel, mas isso, como diz a outra, "não interessa nada".

Para além do ar puro que se respira na aldeia e na serra ali ao lado, o que mais impressiona é o comportamento das pessoas: Quase todos se conhecem, todos se cumprimentam e, quando a chave está na porta, todos podem entrar sem pedir licença.

E depois é quase inacreditável a generosidade dos amigos e vizinhos: "Olha, toma lá umas cerejinhas", "Está aqui uma dúzia de ovos" ou "Sei que gostas deste arroz doce"... São ofertas, desinteressadas, sem pedir nada em troca.

Foram 46 horas na aldeia... como é bom saber que ainda há sítios assim.

segunda-feira, maio 14, 2007

Ninguém merece...

Viver num "Bairro da Desgraça".

O nome diz tudo... estamos, obviamente, a falar de um bairro de barracas, desta vez em Coruche.

A Polícia Judiciária deu a conhecer uma operação, realizada pela Direcção Central de Investigação do Tráfico de Estupefacientes, neste bairro e, ao que parece, a "colheita" foi proveitosa.

Diz a Lusa:

Além de "pequenas quantidades" de cocaína e heroína, parcialmente já embaladas em doses individuais, as autoridades policiais apreenderam uma pistola de guerra 9mm, duas pistolas 6.35, um revólver 3.57 magnum, duas caçadeiras, uma pistola de gás e "elevado número" de munições.

Foram ainda apreendidas "elevadas quantidades" de dinheiro em notas de euro e de artefactos e peças de ouro, bem como cinco viaturas automóveis e um motociclo de alta cilindrada.

No âmbito da operação em causa, foram efectuadas várias buscas domiciliárias e detidos cinco homens e quatro mulheres, com idades entre 25 e 43 anos, por suspeitas de tráfico de estupefacientes e posse de armas proibidas.

Como é que se melhora a situação e se acaba com estes casos? Não sei.

Talvez não fosse mau começar por mudar o nome dos bairros.

quarta-feira, maio 09, 2007

Cruzes, canhoto

Sim, é verdade, eu escrevo com a mão esquerda e, confesso, sempre me fizeram impressão as definições e “estórias” que fui ouvindo e lendo sobre os que “padecem do mesmo mal”.

Lembrei-me disto mais uma vez ontem quando tentei cortar uma folha com uma tesoura de “normais” e, claro, não consegui.

É verdade que há uns anos chegou a haver uma loja só com produtos para “canhotos”, mas a coisa faliu. Deve ser do “azar” que está ligado à palavra.

Reparem só o que diz o dicionário quando se procura a palavra “canhoto”: “Esquerdo, sinistro, falto de habilidade, desajeitado, demónio”.

Simpático, não?

A “maldição” continua se fizermos uma simples busca no Google.

Para os egípcios, “o olho esquerdo do Sol” era considerado o mal e o Diabo;

Buda diz que o caminho para o Nirvana se divide em duas partes e o da mão esquerda representa a maneira errada de viver e deve evitar-se;

Nos países muçulmanos e na Índia a mão direita é a “mão limpa”;

Isto já para não falar da “sorte” que dá “entrar com o pé direito”.

Para me vingar, se calhar, daqui a uns dias faço um “post” com os aspectos positivos – pois que os há – de ser canhoto.

sexta-feira, maio 04, 2007

Há dias assim...

Quando se está em maré de azar, não há nada a fazer e parece que se entra numa versão "light" da "Lei de Murphy".

O meu dia de hoje começou mal e acabou pior.

Primeiro dormi mal, o que se agravou porque tinha que me levantar cedo, depois perdi o comboio e cheguei em cima da hora (literalmente) ao local onde tinha que estar.

A seguir passei a tarde a lutar com computadores e minidisc que me dificultaram a vida durante seis horas, o que me fez ganhar uma grande dor de cabeça.

Como se não bastasse, ainda tive um encontro imediato e próximo com um passeio "em obras" e, mais à frente, quase fui atropelado por um "chico-esperto" que não respeitou a passadeira.

Já "com os azeites", para não dizer pior, apanhei um táxi para casa. Paguei, desconfiado porque achei o preço exagerado, sai do carro e quando meto a mão no bolso... não tinha o porta-chaves.

O taxista nunca mais o vi e, vários telefonemas depois, para todas as empresas de Lisboa, desisti e lamentei a puta de sorte de um dia como o de hoje.

Mas porque é que não pedi a merda da factura?

quarta-feira, abril 25, 2007

25 de Abril... Sempre

"Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo"


Sophia de Mello Breyner Andresen

quinta-feira, abril 19, 2007

Comboio de Babel

Numa semana em que voltou a falar-se de extrema-direita em Portugal devido a um eventual encontro europeu em Lisboa, lembrei-me de uma das minhas últimas viagens de comboio.

Viagem a meio da tarde, sentido Sintra-Lisboa, oito lugares, sete pessoas: um português, dois africanos, dois cidadãos de leste, um asiático, uma brasileira...

É este o Portugal de hoje, pelo menos, na área metropolitana de Lisboa.

E qual é o problema? Nenhum, se forem pessoas integradas que trabalhem - normalmente naquilo que os "finos" portugueses já não querem fazer(*).

Muitas destes estrangeiros ajudaram-nos a brilhar com a Expo 98 ou o Euro 2004 e, se servem para “isso”, têm que servir para tudo o resto. Aliás, muitos deles, têm habilitações para muito mais.

O nosso país, já se sabe, é de “brandos costumes”, habituado a “convívios” inter-culturais e raciais.

Espero, sinceramente, que assim possa continuar... apesar de todo o tipo de pressões, a começar pelo desemprego.

(*) Absolutamente lamentável a campanha governamental das “Novas Oportunidades” que menoriza e despreza profissões “menores” essenciais a um país desenvolvido e equilibrado.

segunda-feira, abril 09, 2007

Por uma imensa minoria (*)

No outro dia tive uma conversa animada com um colega e amigo sobre um trabalho que estava a fazer. Dizia-me ele mais ou menos isto: “Porque é que estás a perder tanto tempo com isso, se ninguém vai ver”.

Percebo o que ele me quis dizer, mas não concordo com esta teoria e explico porquê.

Da mesma forma que sou contra aqueles que só trabalham pelo salário (e reforço o só), também não me parece nada bem que só se trabalhe pelas audiências ou tiragens.

É que, se esta lógica alastra, um dia destes, só vamos poder votar entre PS e PSD, apoiar Benfica ou Sporting, ouvir a RFM e a Antena 1, comprar o Correio da Manhã ou o JN, ou ir só e apenas à missa católica...

Contra a ditadura das maiorias, pela diversidade e pela liberdade, vou continuar a viver e a fazer as minhas próprias escolhas, nem sempre maioritárias (felizmente).

(*) Este era o slogan da extinta XFM, uma grande rádio que morreu por falta de ouvintes, diziam os patrões.

segunda-feira, março 26, 2007

salAZAR

Sem surpresa, confirmou-se que António Oliveira Salazar venceu o programa “Os Grandes Portugueses”.

Em primeiro lugar, não deixa de ser irónico que tenha sido um ditador, que impediu eleições livres, prendeu e torturou a oposição, a vencer um simples concurso popular.

Depois, apesar deste ser, apenas, um concurso – e não um referendo nacional – não deixa de ser preocupante que Salazar o tenha vencido.

Não sei se o homem que comandou o país durante quarenta e tal anos teve tantos votos porque há muitos salazaristas, mais ou menos escondidos, no país ou se este foi um mero sinal de protesto, mas, seja como for, deveria ser um alerta para todos.

O facto do desemprego ser crescente e das pessoas estarem furiosas com algumas medidas do Executivo de Sócrates pode ter ajudado Salazar a ganhar; o facto de Cunhal estar na lista pode ter ajudado Salazar a vencer; o facto de nós sermos um país de saudosistas conservadores pode ter ajudado Salazar a vencer.

A única boa notícia da lista final dos “Grandes Portugueses” foi o terceiro lugar de Aristides Sousa Mendes, talvez um dos menos conhecidos e, seguramente, um dos que menos voto militante (e, portanto, algo inquinado) teria.

PS: Como se vê pelos dois últimos posts, "Estou chateado, claro que estou chateado" com algumas coisas, mas há fases assim. Desculpem.

sexta-feira, março 23, 2007

Engolir uns SAP(os)

Eu fui um dos 2573406 eleitores que ajudou a colocar José Sócrates no Governo.

Confesso que, nesse 20 de Fevereiro de 2005, o meu principal impulso era o de impedir que Santana Lopes e Paulo Portas continuassem a (des)governar o país. Aqueles quatro meses de Executivo “santanista” serviram, perfeitamente, para o anedotário do país, mas não, seguramente, para o progresso de Portugal.

Também afirmo aqui, sem hesitar, que não sou propriamente fã de José Sócrates, especialmente porque me faz confusão esta espécie de “terceira via” do novo socialismo em que, ao mesmo tempo, se dá um “doce” à esquerda e dois ou três “bolos” à direita, tudo com a mesma convicção e “cara de pau”.

Passados dois anos, em maioria absoluta, é indiscutível que há muito que discutir e bastante que falar sobre este Governo maioritário.

O ataque a alguns estados corporativos e a algumas benesses instituídas, juntamente com o combate à fraude e evasão fiscais, parecem-me os pontos mais positivos da governação e era bom que esse crivo continuasse apertado.

Agora, há aspectos que não podem ser escamoteados e que fazem parte das principais promessas de Sócrates: o combate ao défice, a criação de emprego e a recuperação económica.

Só o primeiro destes tópicos está a correr dentro do prometido mas, como disse Sampaio em Belém, deve haver mais vida para além do défice.

Como a Terra que gira, a recuperação económica é tão lenta que a subida nem se nota no sítio que interessa que é o bolso dos portugueses.

Quanto ao emprego, é bom nem falar: o PS prometeu mais 150 mil postos de trabalho mas, ao contrário, o que se tem visto é o desemprego a atingir valores recorde e já há quem diga que a marca dos 500 mil desempregados já foi ultrapassada.

E é aqui que, verdadeiramente, a “porca torce o rabo” porque um Governo que se diz socialista não pode nunca fechar os olhos a isto.

É que, sinceramente, estou-me borrifando para o défice abaixo dos 3%, para o simplex e o choque tecnológico, a Ota e o TGV… se isso implicar mais empresas a fechar, pessoas sem médico de família nem SAPs, miúdos sem escola ou ATLs.

Contra tudo e contra todos, incluindo o défice, na saúde, na educação e na segurança social não pode haver cortes…

Chamem-me o que quiserem, mas é tudo uma questão de prioridade.

segunda-feira, março 19, 2007

Deve ser do cansaço (2)

Já tínhamos saudades dele. O “menino guerreiro” voltou a dar-nos alegrias e a relembrar quão fantásticos foram os seus quatro meses de Governo.

No “Dia D”, Santana Lopes voltou a disponibilizar-se para voltar à liderança do seu PPD/PSD, até aí, sem novidade.

Agora, verdadeiramente fantástica é a frase que se segue:

“Desculpe a presunção, tenho passado dois anos a ouvir coisas não propriamente muito agradáveis - e não estou a vitimizar-me - ouvi, aguentei, cai, levantei-me outra vez (com a graça de Deus) e aqui estou a lutar pelas minhas ideias. Agora, tenho direito a lembrar algumas coisas que são verdades elementares: depois de Cavaco Silva, julgo que sou o político com mais obra pelo país todo”.

Hilariante… há coisas “funtásticas”, não há?

sábado, março 17, 2007

Quem te viu... quem tv

A televisão em Portugal fez 50 anos e eu, nos últimos 32, habituei-me a ver bons programas.

Este post poderia ser sobre alguns programas que me marcaram, mas não é, talvez volte ao tema para relembrar situações específicas. Este post é, precisamente, para dizer mal do que se vai fazendo.

E não, não estou a falar dos horários a que passam algumas das (poucas) boas séries que ainda resistem à ditadura das audiências.

Depois do Big Brother, dos Acorrentados, do Bar da TV, da Quinta das Celebridades, do Fiel ou Infiel… de todos esses “reality shows” que nos últimos anos nos têm invadido as casas, eis que, afinal, ainda não se tinha visto tudo.

Eu não sou daqueles que só vê programas “pseudo-intelectuais”, só ouve ópera, lê livros de autores russos, diz que nunca viu novelas e não gosta de futebol… Quem me conhece, sabe que não sou nada assim e, mais do que isso, sou contra qualquer tipo de censura.

Confesso, no entanto, que este último “trunfo” da TVI mete-me nojo e envergonha-me.

Falta-me perceber se “aquilo” é ensaiado ou verídico. É indiferente, seja como for, o programa “A Bela e o Mestre” é ofensivo especialmente para as mulheres e indigno de um país “civilizado” em pleno século XXI.

Falta, agora, perceber se este é o último degrau na escala de má televisão ou se o “grau zero” está ainda mais abaixo.

quinta-feira, março 15, 2007

Deve ser do cansaço (1)

Inauguramos hoje mais uma rubrica. O espaço "Deve ser do cansaço" serve para guardar as últimas "pérolas" dos mais pertinentes personagens da nossa "praça".

Vamos abrir as "hostilidades" com o mais alto magistrado da Nação.

Cavaco Silva esteve num Roteiro para a Ciência dedicado às chamadas tecnologias limpas.

Até aqui tudo bem, nada a opor, tudo a apoiar.

A questão é que, talvez pelo cansaço, o Presidente da República teve uma frase, no mínimo curiosa, sobre o Alentejo e a instalação de ares condicionados.

Sem mais comentários, aqui fica:

"Ainda ontem me foi explicado que é possível construir casas no Alentejo sem ar condicionado (...) é bom que se saiba como se podem ter as casas frescas sem necessidade de ar condicionado que, parece, é uma das fontes muito grandes do consumo de energia", disse Cavaco Silva.

Mas, há casas no Alentejo sem ar condicionado? O quê? O ar condicionado gasta muita energia? A sério?

quinta-feira, março 08, 2007

"Ganda lata"

Quando se pensa que se está numa missão “divina” e que se é “dono e senhor do mundo” perde-se a noção da realidade e cai-se no ridículo.

Os Estados Unidos - que têm todas as condições para ser um país fantástico - deram, ontem, através do seu Departamento de Estado, mais um triste exemplo do que não deve ser uma “potência”.

Desta vez, os norte-americanos criticam as más condições das prisões portuguesas e falam em abusos das forças de segurança portuguesas e excesso de recurso à prisão preventiva.

Obviamente, nem tudo vai bem no sistema prisional português e, seguramente, haverá aspectos a melhorar como, aliás, ciclicamente, reconhece a Amnistia Internacional, por exemplo.

Agora, daí a recebermos lições de moral de um país hipócrita como os Estados Unidos, vai uma enorme distância.

Como é que um país...
· que tem um campo de concentração como Guantanamo,
· que patrocinou Abu Grahib,
· que inventou a guerra no Iraque,
· que tem pena de morte (*)...

... pode vir falar sobre prisões num país como Portugal?

É caso para dizer: “Grande lata, senhor Bush”

(*) Só este ano e só no Texas, os Estados Unidos já “eliminaram” oito condenados, o último dos quais estava há 25 anos no “corredor da morte”.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Zeca Afonso


Porque hoje é dia 23 de Fevereiro, porque faz hoje 20 anos que ele morreu...

Porque convém não esquecer quem merece, porque os verdadeiros Artistas não morrem

Porque Portugal podia ser melhor... mais justo

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Rei do Carnaval

Não deixa de ser sintomático que Alberto João Jardim tenha escolhido esta – precisamente esta – época do ano para brincar com coisas sérias.

O presidente do Governo Regional da Madeira decidiu demitir-se, obrigar a eleições antecipadas só - e apenas - por birra contra o Governo.

Em causa a nova Lei das Finanças Regionais do Executivo Sócrates (e já sancionada pelo Presidente da República) que retira alguns milhões de euros à região autónoma nos próximos anos.

A questão é que a Madeira já é uma das mais ricas regiões do país e, portanto, vai começar a receber menos e a pagar mais para o Orçamento de Estado.

O certo é que o Governo não vai recuar na nova lei e, por outro lado, Jardim vai voltar a ganhar as eleições com maioria absoluta.

Então, o que é que se ganha com esta manobra? Nada. Só perdemos alguns meses e mais alguns euros.

O rei da Madeira vai, a partir dai, ter mesmo que trabalhar com a tal lei que não queria e governar mais quatro anos com o que tiver à disposição.

Vai continuar a ser senhor do arquipélago, a chorar-se sem razão, a dizer alarvidades e a ofender quem lhe quiser fazer frente, impunemente.

Tudo normal, tudo na mesma.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Referendo

O "sim" ganhou o referendo para a despenalização do aborto. Sobre isto, algumas notas:
  • O referendo não foi juridicamente vinculativo, mas todos, até os que perderam, consideram que se pode mudar a lei no Parlamento.
  • A abstenção voltou a ser muito elevada (56%) e isso é preocupante.
  • Em relação a 1998, houve mais 1.1 milhões de votos.
  • A vitória do "sim" foi clara, quase 20 pontos de diferença.
  • A campanha correu melhor desta vez mas ainda houve alguns exageros.

Apesar de tudo algumas questões ficaram por responder:

  • O que acontece às mulheres que abortarem para lá das 10 semanas?
  • Como vai funcionar o aconselhamento às grávidas?
  • Quanto tempo vai ser o "período de reflexão"?
  • Quanto custa, efectivamente, um aborto no "público" e quem paga o quê?
  • Que condições e garantias têm as "privadas"?

Essencial:

  • A mulher deixa de arriscar ser presa por fazer um aborto até às 10 semanas.
  • O aborto clandestino (e portanto perigoso) tem tendência a diminuir.

Já agora:

  • Depois de três tentativas "falhadas", os referendos têm futuro?

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Negócio da China

É verdade que Portugal quer e precisa de melhorar a sua economia e, definitivamente, voltar a entrar nos eixos, que é o mesmo que dizer, recuperar o atraso e, assim, crescer acima da média comunitária.

Também por isso, o Presidente da República esteve na Índia e o Primeiro-ministro está na China. São dois dos países que mais crescem no mundo e seria bom que fizessem negócios connosco.

No entanto, "os fins não podem justificar os meios" e, assim, "amigos, amigos, negócios à parte".

Vem isto a propósito das declarações de Manuel Pinho ontem na China. Disse ontem o ministro que uma das vantagens de Portugal eram os baixos salários.

A questão que se coloca é esta: como pode um governante ir para o estrangeiro (para um país como a China que não prima por critérios democráticos nem por respeitar os trabalhadores) dizer tal barbaridade?

Como podemos querer melhorar a nossa economia, apostar na inovação e na qualificação (a nível interno) e ir lá para fora gabar que somos bons porque pagamos mal?

É verdade que em Portugal há baixos salários, mas isso não é um bem... é, antes, um dos graves problemas do nosso país.

Não sei o que pensa José Sócrates desta parvoice mas, a juntar a outras, talvez não fosse má ideia pensar num novo ministro da Economia.