Os condenados à morte têm direito a um último desejo; por outro lado, os testamentos são para cumprir…
Ora, serve esta introdução para lembrar o “caso do dia”, verdadeiramente fantástico pelos parâmetros ocidentais.
Benazir Bhutto foi assassinada, falta só perceber como (as versões já são mais que muitas), e deixou um “testamento político”.
Aberto esta tarde, o documento solene da antiga Primeira-ministra (a sua última vontade) indicava o marido como seu sucessor à frente do Partido do Povo do Paquistão.
Ora, contrariando essa indicação, Asif Ali Zardari abdicou desse poder e entregou-o de mão beijada ao filho. Bilawal Bhutto tem 19 anos e sucede, assim, ao avô e à mãe na liderança do PPP.
Seguramente a atitude de Ali Zardari ficou a dever-se a amor… não pelo filho, como seria de esperar, mas certamente pela própria vida.
Não sei o que vai acontecer ao rapaz no futuro, mas gostaria só de lembrar que o avô, a mãe e dois tios Bhutto foram assassinados.
O pai, para variar, deve querer morrer de velhice.
domingo, dezembro 30, 2007
Simplex
José Sócrates gaba-se de estar, através do “Simplex” e do “Plano Tecnológico”, a fazer evoluir o país, tornando-o mais eficaz e menos burocratizado.
Não vou aqui fazer análises políticas, quero apenas dizer que o Primeiro-ministro português tem muito que aprender com alguns dos seus amigos africanos.
Espero que os contactos na recente cimeira UE-África em Lisboa tenham dado ideias a Sócrates para melhorar ainda mais os seus programas.
É que se não, reparem:
Qual é – reconhecidamente – um dos principais problemas do país? A morosidade da Justiça.
Há quantos anos decorre o processo Casa Pia, por exemplo? Quantas sessões faltam para terminar o caso? Muitas.
Já em países evoluídos como o Chade, o mediático processo da “Arca de Zoé” foi resolvido em menos de uma semana. Julgamento e sentença, tudo em quatro (4) dias.
Ok, é só um exemplo, ainda não estão convencidos? Tudo bem, aqui fica outro caso.
Quantos dias demora um Primeiro-ministro ou Presidente da República a tomar posse em Portugal após as eleições? Nunca menos de um mês.
O que se passa nesse paraíso que é o Quénia? Entre a saída dos resultados oficiais e a tomada de posse do Presidente Kibaki passou uma (1) hora.
Países evoluidos... há que aprender com quem sabe.
Não vou aqui fazer análises políticas, quero apenas dizer que o Primeiro-ministro português tem muito que aprender com alguns dos seus amigos africanos.
Espero que os contactos na recente cimeira UE-África em Lisboa tenham dado ideias a Sócrates para melhorar ainda mais os seus programas.
É que se não, reparem:
Qual é – reconhecidamente – um dos principais problemas do país? A morosidade da Justiça.
Há quantos anos decorre o processo Casa Pia, por exemplo? Quantas sessões faltam para terminar o caso? Muitas.
Já em países evoluídos como o Chade, o mediático processo da “Arca de Zoé” foi resolvido em menos de uma semana. Julgamento e sentença, tudo em quatro (4) dias.
Ok, é só um exemplo, ainda não estão convencidos? Tudo bem, aqui fica outro caso.
Quantos dias demora um Primeiro-ministro ou Presidente da República a tomar posse em Portugal após as eleições? Nunca menos de um mês.
O que se passa nesse paraíso que é o Quénia? Entre a saída dos resultados oficiais e a tomada de posse do Presidente Kibaki passou uma (1) hora.
Países evoluidos... há que aprender com quem sabe.
sexta-feira, dezembro 28, 2007
Dúvida da semana
Uma das maiores alegrias que senti na vida foi quando o Alcoitão me "autorizou" (acho que é mesmo esta a palavra) a usar outra coisa que não botas ortopédicas.
A alegria e a vontade eram tantas que, desde esse dia, foram raras as ocasiões em que não andei ou descalço ou de sapatilhas.
Lembrei-me disto porque, ontem, tive o azar de dizer em voz alta: "Preciso de comprar umas sapatilhas". Disse logo um engraçadinho meu conhecido: "O quê? Vais para o ballet?".
Ora, vamos lá esclarecer uma coisa:
Eu sei que a malta de Lisboa anda de "ténis", mas para mim "ténis" é simplesmente um desporto, não algo que se calça.
Eu cá uso SAPATILHAS e não, não estou a falar de sapatinhos para o ballet, estou a falar disto:

Isto são sapatilhas meus amigos, daquelas que eu uso, ok?
E tu, usas sapatilhas ou ténis?
A alegria e a vontade eram tantas que, desde esse dia, foram raras as ocasiões em que não andei ou descalço ou de sapatilhas.
Lembrei-me disto porque, ontem, tive o azar de dizer em voz alta: "Preciso de comprar umas sapatilhas". Disse logo um engraçadinho meu conhecido: "O quê? Vais para o ballet?".
Ora, vamos lá esclarecer uma coisa:
Eu sei que a malta de Lisboa anda de "ténis", mas para mim "ténis" é simplesmente um desporto, não algo que se calça.
Eu cá uso SAPATILHAS e não, não estou a falar de sapatinhos para o ballet, estou a falar disto:

Isto são sapatilhas meus amigos, daquelas que eu uso, ok?
E tu, usas sapatilhas ou ténis?
segunda-feira, dezembro 24, 2007
Crise? Qual crise?
No Natal gosto de juntar a família mais chegada, é essa a minha prenda, é verdadeiramente a única que me interessa.
Os meus avós já não estão connosco. Não me lembro dos meus avós paternos, mas recordo com saudade a minha avó Luz e o meu avô João... e o Natal numa aldeia da Beira Baixa com um pinheiro a sério e tudo.
Isso era o Natal, tranquilo, agora, em Lisboa, é tudo diferente e cada vez faz-me mais impressão a vertigem consumista que se apodera das pessoas.
Não percebo como é possível que, estando em crise, os portugueses gastem o que têm e o que não têm com presentes supérfluos e ostentatórios só para mostrar ao vizinho.
E ano após ano lê-se isto:
"De acordo com dados da SIBS, nos primeiros 18 dias do mês de Dezembro os portugueses usaram os seus cartões para levantar 1388 milhões de euros e para comprar produtos com o valor de 1547 milhões. Estes números, somados, representam um acréscimo de 6,3 por cento face aos mesmos dias do ano anterior. Tendo em conta que a inflação homóloga, em Novembro, se cifrou em 2,8 por cento, regista--se um acréscimo real das aquisições feitas utilizando este método de pagamento de 3,5 por cento, um valor significativo tendo em conta o que tem sido o crescimento do consumo privado nos últimos anos.", in Público.
Como diz o outro, não havia necessidade.
Mas, pronto amigos, seja como seja o vosso Natal, desejo-vos Saúde e Sorte, que é o que é realmente preciso.
Os meus avós já não estão connosco. Não me lembro dos meus avós paternos, mas recordo com saudade a minha avó Luz e o meu avô João... e o Natal numa aldeia da Beira Baixa com um pinheiro a sério e tudo.
Isso era o Natal, tranquilo, agora, em Lisboa, é tudo diferente e cada vez faz-me mais impressão a vertigem consumista que se apodera das pessoas.
Não percebo como é possível que, estando em crise, os portugueses gastem o que têm e o que não têm com presentes supérfluos e ostentatórios só para mostrar ao vizinho.
E ano após ano lê-se isto:
"De acordo com dados da SIBS, nos primeiros 18 dias do mês de Dezembro os portugueses usaram os seus cartões para levantar 1388 milhões de euros e para comprar produtos com o valor de 1547 milhões. Estes números, somados, representam um acréscimo de 6,3 por cento face aos mesmos dias do ano anterior. Tendo em conta que a inflação homóloga, em Novembro, se cifrou em 2,8 por cento, regista--se um acréscimo real das aquisições feitas utilizando este método de pagamento de 3,5 por cento, um valor significativo tendo em conta o que tem sido o crescimento do consumo privado nos últimos anos.", in Público.
Como diz o outro, não havia necessidade.
Mas, pronto amigos, seja como seja o vosso Natal, desejo-vos Saúde e Sorte, que é o que é realmente preciso.
sábado, dezembro 15, 2007
Gorjetas há muitas
O conselho vem de Espanha, é feito para espanhóis, mas serve também para os portugueses que, como se sabe, estão endividados até aos cabelos.
É nos pequenos pormenores que se faz a diferença e, realmente, dar um euro de gorjeta após dois cafés parece-me um exagero.
Don't tip so much, economy minister tells Spaniards
MADRID, Dec 15 (Reuters) - Spaniards still have not fully understood the value of a euro and often tip too much, adding to the sense that life is more expensive, Economy Minister Pedro Solbes said on Saturday.
"I see people having a couple of coffees and calmly leaving a euro as a tip. That's 50 percent of the value of the product,"
Solbes said at a political rally to discuss economic issues ahead of next year's general elections.
"People haven't taken on board the value of a euro. 20 cents is 32 pesetas, a euro is 160," he said.
A propósito... também nunca percebi porque raio é que os senhores dos cafés e os "fogareiros" "têm" que ter gorjeta por sistema, só porque sim.
É nos pequenos pormenores que se faz a diferença e, realmente, dar um euro de gorjeta após dois cafés parece-me um exagero.
Don't tip so much, economy minister tells Spaniards
MADRID, Dec 15 (Reuters) - Spaniards still have not fully understood the value of a euro and often tip too much, adding to the sense that life is more expensive, Economy Minister Pedro Solbes said on Saturday.
"I see people having a couple of coffees and calmly leaving a euro as a tip. That's 50 percent of the value of the product,"
Solbes said at a political rally to discuss economic issues ahead of next year's general elections.
"People haven't taken on board the value of a euro. 20 cents is 32 pesetas, a euro is 160," he said.
A propósito... também nunca percebi porque raio é que os senhores dos cafés e os "fogareiros" "têm" que ter gorjeta por sistema, só porque sim.
terça-feira, dezembro 04, 2007
Fónix (*)
Ouvi esta no programa "A semana passada" da TSF e achei um mimo: Os CTT vão ter uma rede de telemóveis e querem ser a quarta rede do país.
Ora, tendo em conta que Portugal é dos países da União Europeia com mais assinaturas de telemóvel, segundo dados do Eurostat, nada é de estranhar.
A questão aqui está no fantástico nome escolhido para a rede: "Phone-ix".
É caso para dizer: "Fónix, esta merda não funciona, vamos ser gozados à grande".
Mas quem é que autorizou este nome?
(*) Bom, quer dizer, se a ideia era deixar as pessoas a falar disto, estão a conseguir.
Ora, tendo em conta que Portugal é dos países da União Europeia com mais assinaturas de telemóvel, segundo dados do Eurostat, nada é de estranhar.
A questão aqui está no fantástico nome escolhido para a rede: "Phone-ix".
É caso para dizer: "Fónix, esta merda não funciona, vamos ser gozados à grande".
Mas quem é que autorizou este nome?
(*) Bom, quer dizer, se a ideia era deixar as pessoas a falar disto, estão a conseguir.
quinta-feira, novembro 29, 2007
Desabafo (*)
Já não me acontecia há muitos anos e estava a ficar "destreinado". Talvez por isso me tenha feito mais impressão do que habitualmente: ontem voltei a dar de caras com um "tipo 4".
Antes de mais deixem-me explicar-vos que a minha experiência (!) de 33 anos me permite ter inventado para uso pessoal e intransmissível (pelo menos até hoje) uma catalogação das pessoas ditas "normais".
Há quatro tipos diferentes, passo a explicar:
1- as pessoas que te tratam normalmente, que te percebem e te ajudam quando necessário.
2- as pessoas que parece que te ignoram e quando passas começam a "bichanar" (habitualmente são pessoas de idade que têm conversas do género: "Coitadinho terá sido acidente?").
3- as pessoas que te abordam (habitualmente crianças que fazem perguntas ou pedidos do género: "Podes ir a correr até ali? Tens algum irmão como tu?).
4- as "pessoas" que te ofendem sem razão aparente só porque és deficiente.
Foi o que me voltou a acontecer ontem: duas pessoas num carro, eu a tentar atravessar a estrada junto a um passeio em obras e um esperto sorridente a gritar: "Ó aleijadinho endireita as pernas".
Enfim, só espero que o moço não tenha nenhum azar na vida.
(*) Desculpem este desabafo, não é habitual vir para aqui armar-me em Calimero, mas há dias assim...
Antes de mais deixem-me explicar-vos que a minha experiência (!) de 33 anos me permite ter inventado para uso pessoal e intransmissível (pelo menos até hoje) uma catalogação das pessoas ditas "normais".
Há quatro tipos diferentes, passo a explicar:
1- as pessoas que te tratam normalmente, que te percebem e te ajudam quando necessário.
2- as pessoas que parece que te ignoram e quando passas começam a "bichanar" (habitualmente são pessoas de idade que têm conversas do género: "Coitadinho terá sido acidente?").
3- as pessoas que te abordam (habitualmente crianças que fazem perguntas ou pedidos do género: "Podes ir a correr até ali? Tens algum irmão como tu?).
4- as "pessoas" que te ofendem sem razão aparente só porque és deficiente.
Foi o que me voltou a acontecer ontem: duas pessoas num carro, eu a tentar atravessar a estrada junto a um passeio em obras e um esperto sorridente a gritar: "Ó aleijadinho endireita as pernas".
Enfim, só espero que o moço não tenha nenhum azar na vida.
(*) Desculpem este desabafo, não é habitual vir para aqui armar-me em Calimero, mas há dias assim...
segunda-feira, novembro 26, 2007
Deve ser do cansaço
O líder da Juventude Centrista disse que era preciso "apontar com frontalidade" alguns dos principais responsáveis por actos como os "sequestros e incêndios às sedes do CDS-PP logo após a revolução de Abril de 1974 e que continuam hoje no activo".
Eu, que sou pela "frontalidade", acho bem e, por isso, aqui estou solidário com a indignação de Pedro Moutinho.
O rapaz, depois de um almoço com os seus camaradas (perdão, colegas) de partido, deu alguns exemplos de pessoas que estiveram envolvidos nos "distúrbios revolucionários":
"Falo do actual presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, que mais tarde se renderia às virtudes do capitalismo. Falo também das bombas das FP 25 de Abril e políticos actuais como Francisco Louçã, Luís Fazenda, Jerónimo de Sousa, Odete Santos e Bernardino Soares".
Ora bem, eu confesso que não sei exactamente quais são as brincadeiras de infância dos meninos do CDS-PP, mas, se calhar, a organização de revoluções e colocação de bombas fazem parte do leque de jogos habituais.
É que convém lembrar ao jovem líder da JC que, por alturas do Verão Quente, o perigoso Bernardino Soares, do PCP, tinha quatro (4) anos.
Alguém coloca bombas com quatro anos? Parece-me difícil, não sei. Eu cá brincava com carrinhos e queria era jogar à bola.
Eu, que sou pela "frontalidade", acho bem e, por isso, aqui estou solidário com a indignação de Pedro Moutinho.
O rapaz, depois de um almoço com os seus camaradas (perdão, colegas) de partido, deu alguns exemplos de pessoas que estiveram envolvidos nos "distúrbios revolucionários":
"Falo do actual presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, que mais tarde se renderia às virtudes do capitalismo. Falo também das bombas das FP 25 de Abril e políticos actuais como Francisco Louçã, Luís Fazenda, Jerónimo de Sousa, Odete Santos e Bernardino Soares".
Ora bem, eu confesso que não sei exactamente quais são as brincadeiras de infância dos meninos do CDS-PP, mas, se calhar, a organização de revoluções e colocação de bombas fazem parte do leque de jogos habituais.
É que convém lembrar ao jovem líder da JC que, por alturas do Verão Quente, o perigoso Bernardino Soares, do PCP, tinha quatro (4) anos.
Alguém coloca bombas com quatro anos? Parece-me difícil, não sei. Eu cá brincava com carrinhos e queria era jogar à bola.
quarta-feira, novembro 21, 2007
Opinião Pública
Lembro-me, há uns tempos, de um estudo de opinião em que os jornalistas eram a segunda ou terceira profissão em que os portugueses mais confiavam.
Ontem, no comboio, um velhote lia um daqueles jornais gratuitos que nos são oferecidos à entrada da gare.
Ao reparar que eu estava a espreitar por cima do ambro, aquela atitude habitual e tão irritante dos portugueses, perguntou-me:
"Quer ler o jornaleco? Isto é só mentiras, mas sempre pode ser que acertem alguma".
Recusei e fiquei a pensar: "Será que este é um sentimento comum entre as pessoas? Será que a opinião da opinião pública está a mudar?"
A maneira como têm sido geridos alguns dos últimos casos mais mediáticos talvez tenha (des)ajudado.
Ontem, no comboio, um velhote lia um daqueles jornais gratuitos que nos são oferecidos à entrada da gare.
Ao reparar que eu estava a espreitar por cima do ambro, aquela atitude habitual e tão irritante dos portugueses, perguntou-me:
"Quer ler o jornaleco? Isto é só mentiras, mas sempre pode ser que acertem alguma".
Recusei e fiquei a pensar: "Será que este é um sentimento comum entre as pessoas? Será que a opinião da opinião pública está a mudar?"
A maneira como têm sido geridos alguns dos últimos casos mais mediáticos talvez tenha (des)ajudado.
segunda-feira, novembro 19, 2007
Flexibilidade e polivalência
Esta é uma das ideias base que o Governo quer impingir aos funcionários públicos e que, mais tarde ou mais cedo, vai chegar aos privados.
O curioso é que, muito antes desta ideia peregrina, já alguns dos comentadores televisivos tinham aderido a este princípio.
Dois exemplos paradigmáticos: Nuno Rogeiro, nascido para o mundo do comentarismo internacional aquando da Guerra do Golfo de 1991; e, claro, o impagável professor Marcelo, que todos os órgãos de comunicação ouvem religiosamente aos domingos à noite em busca de um qualquer rasgo.
Neste seguimento, eis que se está a formar uma nova classe: os gestores públicos polivalentes.
É indiferente qual é a empresa, qual o ramo, qual a situação. A questão é: "Há problemas? Vai-se buscar o Almerindo".
"Mas o homem percebe alguma coisa de estradas? - Não pá, mas também não é preciso. O gajo não percebia de televisão e endireitou a RTP. - Ah... - Pois, e ainda por cima foi nomeado pelo PSD, por isso, agora não podemos ser criticados. - Ah, ok, percebi-te".
O curioso é que, muito antes desta ideia peregrina, já alguns dos comentadores televisivos tinham aderido a este princípio.
Dois exemplos paradigmáticos: Nuno Rogeiro, nascido para o mundo do comentarismo internacional aquando da Guerra do Golfo de 1991; e, claro, o impagável professor Marcelo, que todos os órgãos de comunicação ouvem religiosamente aos domingos à noite em busca de um qualquer rasgo.
Neste seguimento, eis que se está a formar uma nova classe: os gestores públicos polivalentes.
É indiferente qual é a empresa, qual o ramo, qual a situação. A questão é: "Há problemas? Vai-se buscar o Almerindo".
"Mas o homem percebe alguma coisa de estradas? - Não pá, mas também não é preciso. O gajo não percebia de televisão e endireitou a RTP. - Ah... - Pois, e ainda por cima foi nomeado pelo PSD, por isso, agora não podemos ser criticados. - Ah, ok, percebi-te".
sexta-feira, novembro 16, 2007
O outro lado das notícias...
Nos primeiros dias do "processo Maddie" foi divulgada uma fotografia - e a partir dai lançada uma mega-campanha - de Madeleine McCann em que o destaque era dado a um sinal distintivo num dos olhos da menina.
Com aquela marca caracteristica no olho direito, seguramente, só a pequena menina inglesa.
Ora, como está bom de ver, esse foi, claramente, um erro de estratégia porque, se fosse caso disso, o tal sinal característico seria (terá sido) uma autêntica "sentença de morte" - isto, claro, para quem acredita na tese de rapto - para Maddie.
Outro caso tem a ver com o que aconteceu ontem: passaram de um blog para as televisões e um jornal nacional as ameaças de um bando de energúmenos a elementos da polícia que está a tomar conta das claques.
Este "alastrar da notícia" não facilita o trabalho dessa força porque pode incendiar o ambiente, especialmente a poucos dias de um Benfica-FC Porto.
Às vezes, era bom ter atenção ao que se dá, como se dá...
Com aquela marca caracteristica no olho direito, seguramente, só a pequena menina inglesa.
Ora, como está bom de ver, esse foi, claramente, um erro de estratégia porque, se fosse caso disso, o tal sinal característico seria (terá sido) uma autêntica "sentença de morte" - isto, claro, para quem acredita na tese de rapto - para Maddie.
Outro caso tem a ver com o que aconteceu ontem: passaram de um blog para as televisões e um jornal nacional as ameaças de um bando de energúmenos a elementos da polícia que está a tomar conta das claques.
Este "alastrar da notícia" não facilita o trabalho dessa força porque pode incendiar o ambiente, especialmente a poucos dias de um Benfica-FC Porto.
Às vezes, era bom ter atenção ao que se dá, como se dá...
quinta-feira, novembro 15, 2007
No comments
O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais afirmou na Comissão Parlamentar de Finanças e Orçamento, no Parlamento, que muitas das grandes empresas portuguesas são fraudulentas em termos fiscais.
Amaral Tomaz diz que “em Portugal enraizou-se sempre a convicção de que as grandes empresas não cometem fraude fiscal, mas a realidade é diferente daquilo que podemos pensar".
A sério? Ninguém diria.
Amaral Tomaz diz que “em Portugal enraizou-se sempre a convicção de que as grandes empresas não cometem fraude fiscal, mas a realidade é diferente daquilo que podemos pensar".
A sério? Ninguém diria.
quinta-feira, novembro 08, 2007
Apitadela...
Andar na estrada em Lisboa é um “must”, isto claro, se se conseguir o distanciamento suficiente para apreciar o “espectáculo”.
Os portugueses, na generalidade, conduzem mal, mas, curiosamente, têm a mania que conduzem bem.
E o engraçado disto é apreciar dois “artistas do volante” em competição.
Claro que há sempre a hipótese de pararem as viaturas e resolverem a querela à pancada.
Mas, há também outras duas alternativas de resolver as questões bem "à homem".
Uma é o célebre “picanço” nos semáforos. Como é giro vê-los a acelerar à espera do verde para ganhar a corrida ao outro “armandinho” até ao outro sinal luminoso.
A outra é a “apitadela”. O outro otário faz um erro inacreditável e nós, como seres superiores, vamos mostrar-lhe que se enganou buzinando incessantemente. Claro que o outro, nada convencido, tem resposta à altura: apitar ainda durante mais tempo, de preferência com uma buzina ainda mais ruidosa (tipo daquelas de camião).
E assim vamos (des)andando…
Os portugueses, na generalidade, conduzem mal, mas, curiosamente, têm a mania que conduzem bem.
E o engraçado disto é apreciar dois “artistas do volante” em competição.
Claro que há sempre a hipótese de pararem as viaturas e resolverem a querela à pancada.
Mas, há também outras duas alternativas de resolver as questões bem "à homem".
Uma é o célebre “picanço” nos semáforos. Como é giro vê-los a acelerar à espera do verde para ganhar a corrida ao outro “armandinho” até ao outro sinal luminoso.
A outra é a “apitadela”. O outro otário faz um erro inacreditável e nós, como seres superiores, vamos mostrar-lhe que se enganou buzinando incessantemente. Claro que o outro, nada convencido, tem resposta à altura: apitar ainda durante mais tempo, de preferência com uma buzina ainda mais ruidosa (tipo daquelas de camião).
E assim vamos (des)andando…
Com aumentos destes...
Eu ainda sou do tempo em que uma pastilha elástica custava 2$50.
O Governo reafirmou esta quarta-feira que o aumento de salários para os funcionários públicos no próximo ano vai ser de 2.1% - um valor igual ao previsto para a inflação.
Ora, a confirmar-se, esta subida equivale a "aumento zero" e vem juntar-se a mais (penso que sete) anos em que os aumentos não foram líquidos.
Curioso é que o subsídio de refeição deverá também ser actualizado na mesma percentagem, o que quer dizer que cada funcionário público vai receber mais oito (8) cêntimos para comer.
A pergunta que se coloca é: o que é que se compra com mais oito cêntimos por dia? Eventualmente pastilhas elásticas para enganar a fome.
O Governo reafirmou esta quarta-feira que o aumento de salários para os funcionários públicos no próximo ano vai ser de 2.1% - um valor igual ao previsto para a inflação.
Ora, a confirmar-se, esta subida equivale a "aumento zero" e vem juntar-se a mais (penso que sete) anos em que os aumentos não foram líquidos.
Curioso é que o subsídio de refeição deverá também ser actualizado na mesma percentagem, o que quer dizer que cada funcionário público vai receber mais oito (8) cêntimos para comer.
A pergunta que se coloca é: o que é que se compra com mais oito cêntimos por dia? Eventualmente pastilhas elásticas para enganar a fome.
segunda-feira, novembro 05, 2007
Grandes vidas...
Qualquer Universidade que se preze tem a cadeira de BAR (desculpem, não é a sigla de nenhuma disciplina complicada tipo Biologia Arqueológica Retroactiva ou algo do género. é mesmo bar, de cafetaria).
Ele é ver, diariamente, centenas de alunos a baldarem-se às aulas para ficarem no bar... a jogar às cartas.
E aí, seguramente, tiram boas notas, dado o empenho e as horas que gastam nessas "matérias".
Vem isto a propósito de uma notícia que saiu na imprensa de hoje: um português ficou em terceiro lugar no Europeu de Poker (!?).
Em primeiro lugar desconhecia que se realizavam tais campeonatos; em segundo lugar achava altamente improvável que houvesse profissionais de tal modalidade. Mas eis que existem, até em Portugal.
Já estou a ver o miúdo quando chegou a casa: "Mamã, papá já sei o que quero fazer quando for grande". "Então, meu filho, diz lá: advogado, médico, arquitecto?". "Não pá, que horror, quero é... jogar às cartas!"(*).
Há grandes vidas pá... Faz-me lembrar aqueles miúdos que nos Estados Unidos (claro) ganham milhares de dólares como profissionais de video-jogos!
(*) Convém só acrescentar que o vencedor deste torneio, um sueco, levou para casa 21 mil euros por ter estado umas horas a jogar às cartas.
Ele é ver, diariamente, centenas de alunos a baldarem-se às aulas para ficarem no bar... a jogar às cartas.
E aí, seguramente, tiram boas notas, dado o empenho e as horas que gastam nessas "matérias".
Vem isto a propósito de uma notícia que saiu na imprensa de hoje: um português ficou em terceiro lugar no Europeu de Poker (!?).
Em primeiro lugar desconhecia que se realizavam tais campeonatos; em segundo lugar achava altamente improvável que houvesse profissionais de tal modalidade. Mas eis que existem, até em Portugal.
Já estou a ver o miúdo quando chegou a casa: "Mamã, papá já sei o que quero fazer quando for grande". "Então, meu filho, diz lá: advogado, médico, arquitecto?". "Não pá, que horror, quero é... jogar às cartas!"(*).
Há grandes vidas pá... Faz-me lembrar aqueles miúdos que nos Estados Unidos (claro) ganham milhares de dólares como profissionais de video-jogos!
(*) Convém só acrescentar que o vencedor deste torneio, um sueco, levou para casa 21 mil euros por ter estado umas horas a jogar às cartas.
quarta-feira, outubro 31, 2007
Cúmulo do desperdício
Amanhã é 1 de Novembro...
Amanhã é feriado...
Amanhã estou de folga...
Que desperdício.
Amanhã é feriado...
Amanhã estou de folga...
Que desperdício.
quarta-feira, outubro 17, 2007
Só?
Foram assinados esta quinta-feira os programas operacionais do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN).
Traduzindo: vêm aí cerca de 21,5 mil milhões de euros comunitários para Portugal gastar até 2013.
Ora, isto quer dizer que o nosso país vai receber 9.8 milhões de euros todos os dias até ao final de 2013.
Esta é a última oportunidade antes de se "fechar a torneira".
Como era bom que soubessemos aproveitar esta "massa" para evoluir... Infelizmente, tenho dúvidas.
Convém não esquecer que há 19% de pobres em Portugal (dois milhões de pessoas) e que, caso não fossem contabilizadas as várias ajudas sociais, em 2005, 41% da população estaria em risco de pobreza.
Traduzindo: vêm aí cerca de 21,5 mil milhões de euros comunitários para Portugal gastar até 2013.
Ora, isto quer dizer que o nosso país vai receber 9.8 milhões de euros todos os dias até ao final de 2013.
Esta é a última oportunidade antes de se "fechar a torneira".
Como era bom que soubessemos aproveitar esta "massa" para evoluir... Infelizmente, tenho dúvidas.
Convém não esquecer que há 19% de pobres em Portugal (dois milhões de pessoas) e que, caso não fossem contabilizadas as várias ajudas sociais, em 2005, 41% da população estaria em risco de pobreza.
segunda-feira, outubro 15, 2007
Deve ser do cansaço
O presidente da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas critica o Governo e, mais especificamente, a sua proposta de Orçamento de Estado.
Em causa a proposta do Executivo de aumentar as deduções, em sede de IRS, para os pais com filhos até aos 3 anos. Diz Fernando Castro que este é um benefício que “não se compreende”.
Ora, até aqui, nada de especial, é uma opinião respeitável, que pode até ser verdadeira e que não contesto, até porque não conheço o Orçamento em profundidade.
O que acho extraordinário é a justificação… e cito:
“O que vai acontecer é que, quando uma criança fizer três anos de idade, vai ser uma data muito infeliz e triste para a família porque, não só vai passar a receber menos de abono de família, como se isso não bastasse, vai passar a pagar mais IRS. Não faz sentido”, disse.
Pois não, “Não faz sentido”. Pai que é pai não pode dizer isto, seja em que contexto for.
Há justificações que, realmente, não justificam nada.
Em causa a proposta do Executivo de aumentar as deduções, em sede de IRS, para os pais com filhos até aos 3 anos. Diz Fernando Castro que este é um benefício que “não se compreende”.
Ora, até aqui, nada de especial, é uma opinião respeitável, que pode até ser verdadeira e que não contesto, até porque não conheço o Orçamento em profundidade.
O que acho extraordinário é a justificação… e cito:
“O que vai acontecer é que, quando uma criança fizer três anos de idade, vai ser uma data muito infeliz e triste para a família porque, não só vai passar a receber menos de abono de família, como se isso não bastasse, vai passar a pagar mais IRS. Não faz sentido”, disse.
Pois não, “Não faz sentido”. Pai que é pai não pode dizer isto, seja em que contexto for.
Há justificações que, realmente, não justificam nada.
domingo, outubro 14, 2007
Pão nosso de cada dia
A obesidade é uma doença que cada vez mais preocupa as sociedades modernas, mas o nosso país está atento e já estão a ser tomadas medidas.
A bem da saúde, é preciso evitar que as pessoas engordem e, como se sabe, o pão é um dos alimentos que, dizem os nutricionistas, mais ajuda a ganhar peso.
O Ministério da Saúde, em colaboração com o Ministério das Finanças, já se está a precaver...
Assim, até Janeiro de 2008, o pão, esse produto “maléfico” para a linha dos portugueses, vai aumentar "só" 3o% (trinta por cento).
A confirmação foi feita ao “Expresso” por Carlos Alberto Santos, presidente da Associação de Comércio e Indústria de Panificação, Pastelaria e Afins.
Ora, nada mais justo, se o pão engorda... obriga-se as pessoas a cortar no dito. Até aqui tudo certo, é “a bem da nossa saúde”.
A questão é que - recorde-se - desde o início do ano, o pão já aumentou 20% no preço de venda ao público.
Entretanto, o “Expresso” acrescenta que "outros bens - como leite e derivados, ovos, azeite ou carne de vaca – vão registar subidas significativas. Nenhuma entidade contactada arrisca uma previsão, mas fontes da indústria agro-alimentar apontam para acréscimos entre os 5% e os 10%".
Eu cá só gostava de saber como é que a maioria dos portugueses, especialmente os pensionistas, se vão governar com os preços que se estão a preparar.
Ainda bem que este é um Governo (dito) socialista, com preocupações sociais... faria se não fosse.
PS: Post reciclado de 2003 porque, afinal, há coisas que, infelizmente, se repetem. "Só mudam as moscas", diz o ditado.
A bem da saúde, é preciso evitar que as pessoas engordem e, como se sabe, o pão é um dos alimentos que, dizem os nutricionistas, mais ajuda a ganhar peso.
O Ministério da Saúde, em colaboração com o Ministério das Finanças, já se está a precaver...
Assim, até Janeiro de 2008, o pão, esse produto “maléfico” para a linha dos portugueses, vai aumentar "só" 3o% (trinta por cento).
A confirmação foi feita ao “Expresso” por Carlos Alberto Santos, presidente da Associação de Comércio e Indústria de Panificação, Pastelaria e Afins.
Ora, nada mais justo, se o pão engorda... obriga-se as pessoas a cortar no dito. Até aqui tudo certo, é “a bem da nossa saúde”.
A questão é que - recorde-se - desde o início do ano, o pão já aumentou 20% no preço de venda ao público.
Entretanto, o “Expresso” acrescenta que "outros bens - como leite e derivados, ovos, azeite ou carne de vaca – vão registar subidas significativas. Nenhuma entidade contactada arrisca uma previsão, mas fontes da indústria agro-alimentar apontam para acréscimos entre os 5% e os 10%".
Eu cá só gostava de saber como é que a maioria dos portugueses, especialmente os pensionistas, se vão governar com os preços que se estão a preparar.
Ainda bem que este é um Governo (dito) socialista, com preocupações sociais... faria se não fosse.
PS: Post reciclado de 2003 porque, afinal, há coisas que, infelizmente, se repetem. "Só mudam as moscas", diz o ditado.
sexta-feira, outubro 12, 2007
Fado, Futebol e Fátima
Fui a Fátima a última vez a 2 de Setembro, era domingo e, talvez por isso, estava muita gente no Santuário.
Confesso que não vou a Fátima muitas vezes mas, ano após ano, continua a fazer-me grande impressão toda aquele negócio que cresceu desmesuradamente à volta das Aparições. Tudo se vende sem o mínimo de respeito.
A nova Basílica estava ainda em construção e não foi possível ver nada, mas a zona do Santuário mantém aquela mística, aquela aura, que é dificil explicar.
Vi, em directo, a cores e ao vivo, a cerimónia do adeus à Virgem que, também naquela tarde, foi especial e, como sempre, me fez chorar.
Escrevo estas linhas na altura em que se inaugura a nova igreja da Santíssima Trindade. Estão altas individualidades religiosas, políticas e sociais na cerimónia.
A RTP transmite à mesma hora um jogo de futebol da selecção de Sub-21 na Bulgária e o país político aguarda ainda a apresentação do Orçamento de Estado e o início do congresso do PSD.
Confesso que não vou a Fátima muitas vezes mas, ano após ano, continua a fazer-me grande impressão toda aquele negócio que cresceu desmesuradamente à volta das Aparições. Tudo se vende sem o mínimo de respeito.
A nova Basílica estava ainda em construção e não foi possível ver nada, mas a zona do Santuário mantém aquela mística, aquela aura, que é dificil explicar.
Vi, em directo, a cores e ao vivo, a cerimónia do adeus à Virgem que, também naquela tarde, foi especial e, como sempre, me fez chorar.
Escrevo estas linhas na altura em que se inaugura a nova igreja da Santíssima Trindade. Estão altas individualidades religiosas, políticas e sociais na cerimónia.
A RTP transmite à mesma hora um jogo de futebol da selecção de Sub-21 na Bulgária e o país político aguarda ainda a apresentação do Orçamento de Estado e o início do congresso do PSD.
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