O desemprego é um dos flagelos dos tempos modernos. Só em Portugal são quase 500 mil os portugueses sem emprego. Acontece que, em todas as regras há excepções e, para alguns, ser despedido é uma mina de ouro.
Reparem na boa vida de boa parte dos treinadores de futebol que são despedidos por maus resultados.
Claro que há situações caricatas, como Fernando Santos que foi despedido na primeira jornada após um empate, mas o certo é que o senhor engenheiro, no espaço de poucos dias, recebeu a indemnização a que tinha direito do Benfica e foi para a Grécia treinar um clube. Resumindo, passou de um a dois ordenados, apesar de demitido.
Já a José Couceiro, ex-jogador, ex-sindicalista, ex-dirigente, actual "treinador", não lhe são conhecidos bons trabalhos no banco, mas seguramente a conta bancária deve estar bem recheada depois de passagens por Alverca, Setúbal e, especialmente, FC Porto e pelas selecções nacionais, onde comandou duas equipas com péssimos resultados. Abençoadas indemnizações que sustentam incompetentes.
Uma palavra final para um treinador que está há várias épocas arrumado e a quem já nem as "chicotadas psicológicas" devem encher o bolso.
Luís Campos chegou a ter a aura de "salvador", chegou a fazer boas épocas, em escalões inferiores e na I Liga, chegou a ser falado para o Benfica, mas aquela temporada em que conseguiu descer Setúbal e Varzim deu-lhe a alcunha de "Luís Campas" e arruinou-lhe a carreira.
Nem como comentador ou "paineleiro" o homem se tem safado. Ainda um dia destes gostava de falar com Luís Campos.
quinta-feira, setembro 13, 2007
domingo, setembro 09, 2007
Trabalhos domésticos
Há uns anos, um presidente no Benfica - de péssima memória - "tinha" um iate a que deu o nome fantástico - face ao personagem que era - de "Lucky Me".
Lembrei-me deste nome - ou, para ser exacto, da expressão - e dei por mim a pensá-la, quando ontem cheguei a casa.
Estive uma semana de férias fora, na casa dos meus pais no interir do país. A ideia era "recarregar baterias" antes do recomeço das aulas.
O plano foi "por água abaixo" quando percebi que na casa ao lado havia obras. Foi "certinho como o sol": oito da manhã, berbequim e martelada a servir de despertador.
Ontem, de regresso a Lisboa, chego a casa e está tudo virado do avesso: fazem-se pinturas... tudo desarrumado, o cheiro da tinta, tudo a partir das 8h30... só me apetece fugir.
Sorte a minha...
Lembrei-me deste nome - ou, para ser exacto, da expressão - e dei por mim a pensá-la, quando ontem cheguei a casa.
Estive uma semana de férias fora, na casa dos meus pais no interir do país. A ideia era "recarregar baterias" antes do recomeço das aulas.
O plano foi "por água abaixo" quando percebi que na casa ao lado havia obras. Foi "certinho como o sol": oito da manhã, berbequim e martelada a servir de despertador.
Ontem, de regresso a Lisboa, chego a casa e está tudo virado do avesso: fazem-se pinturas... tudo desarrumado, o cheiro da tinta, tudo a partir das 8h30... só me apetece fugir.
Sorte a minha...
quinta-feira, agosto 30, 2007
Se fosse por cá...
Portugal, já se sabe, sofre de doença bipolar: tão depressa tem tiques de "prima dona" e "novo riquismo" ou então ataques próprios de países do terceiro mundo e autênticas paralisias cerebrais.
Talvez por isso os portugueses vivam numa espécie de montanha russa em que passam do oito para o oitenta e vice-versa em menos de um fósforo, ao mesmo tempo que são capazes de criticar o que fazemos bem - às vezes melhor que os outros - tão bem como criticamos - justamente - o que fazemos mal.
O que é certo é que não somos os únicos a fazer asneiras e, às vezes, apercebemo-nos disse de forma trágica.
O que aconteceu aqui ao lado, em Espanha, com António Puerta dá que pensar.
Como é possível que os médicos tenham deixado o jogador do Sevilha sair do campo pelo próprio pé poucos segundos depois de ter uma paragem cardíaca? Onde estavam os bombeiros?
Podia não ter ajudado Puerta, que depois teve mais uma mão cheia de paragens cardiacas, mas lá que é muito estranho, lá isso é.
O que é certo é que é mais uma morte de um desportista de alta competição, com testes físicos constantes, que cai em pleno relvado. Infelizmente, 24 horas depois, outro jogador morreu em campo.
São já muitos os casos...
Talvez por isso os portugueses vivam numa espécie de montanha russa em que passam do oito para o oitenta e vice-versa em menos de um fósforo, ao mesmo tempo que são capazes de criticar o que fazemos bem - às vezes melhor que os outros - tão bem como criticamos - justamente - o que fazemos mal.
O que é certo é que não somos os únicos a fazer asneiras e, às vezes, apercebemo-nos disse de forma trágica.
O que aconteceu aqui ao lado, em Espanha, com António Puerta dá que pensar.
Como é possível que os médicos tenham deixado o jogador do Sevilha sair do campo pelo próprio pé poucos segundos depois de ter uma paragem cardíaca? Onde estavam os bombeiros?
Podia não ter ajudado Puerta, que depois teve mais uma mão cheia de paragens cardiacas, mas lá que é muito estranho, lá isso é.
O que é certo é que é mais uma morte de um desportista de alta competição, com testes físicos constantes, que cai em pleno relvado. Infelizmente, 24 horas depois, outro jogador morreu em campo.
São já muitos os casos...
quinta-feira, agosto 23, 2007
Os deuses devem estar loucos
Alguém me explica esta nova loucura televisiva pela conquista do "prime-time" entre as 3h e as 4h da manhã?
O que é que se passa com a televisão em Portugal que "obriga" quem de direito a investir em concursos em directo que dão milhares de euros por noite?
E, mais do que isso, o que leva dezenas (centenas?) de pessoas a participar nestes concursos televisivos sem qualidade a horas absolutamente "impróprias para consumo"?
Será que percebem que estão a ser "endrominadas"?
O que é que se passa com a televisão em Portugal que "obriga" quem de direito a investir em concursos em directo que dão milhares de euros por noite?
E, mais do que isso, o que leva dezenas (centenas?) de pessoas a participar nestes concursos televisivos sem qualidade a horas absolutamente "impróprias para consumo"?
Será que percebem que estão a ser "endrominadas"?
terça-feira, agosto 21, 2007
Mundo perfeito
Queria dar-vos a notícia com todos os pormenores mas, infelizmente, não ouvi a "estória" desde o início e não consigo colocar todos os "pontos nos ii". Mas aqui fica o essencial.
Os administradores de um hospital português recusaram comprar as viaturas a que tinham direito pelo cargo que ocupam e preferiram utilizar esse dinheiro para adquirir material necessário para o serviço.
Infelizmente não sei qual é a unidade hospitalar em causa, nem o nome dos administradores, mas não quero deixar de homenagear quem se lembrou deste "quase" milagre.
Era bom que pudessemos dar mais notícias assim. Seria mesmo um "Mundo Perfeito" se esta excepção fosse a regra.
Os administradores de um hospital português recusaram comprar as viaturas a que tinham direito pelo cargo que ocupam e preferiram utilizar esse dinheiro para adquirir material necessário para o serviço.
Infelizmente não sei qual é a unidade hospitalar em causa, nem o nome dos administradores, mas não quero deixar de homenagear quem se lembrou deste "quase" milagre.
Era bom que pudessemos dar mais notícias assim. Seria mesmo um "Mundo Perfeito" se esta excepção fosse a regra.
sábado, agosto 18, 2007
Não, não "Acontece só aos outros"
Os números têm vindo a diminuir nos últimos anos, mas o certo é que as mortes na estrada continuam verdadeiramente assustadores.
Até 14 de Agosto - e só durante este mês - ocorreram 3943 acidentes, dos quais resultaram 41 mortos, 113 feridos graves e 1184 feridos ligeiros.
De acordo com dados da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, desde 1 de Janeiro até 12 de Agosto, os acidentes nas estradas de Portugal continental provocaram 500 mortos, mais cinco que no mesmo período de 2006.
Para ajudar a combater este flagelo, esta autêntica guerra civil, a RTP tem agora uma rubrica de verdadeiro serviço público.
Todas as sextas-feiras, após o Telejornal, o “Só Acontece aos Outros” é um programa de 15 minutos que faz prevenção rodoviária, lembra casos trágicos que ficaram marcados na mente das pessoas.
Não sei se ajuda alguma coisa… mas lá que faz impressão, lá isso faz.
Até 14 de Agosto - e só durante este mês - ocorreram 3943 acidentes, dos quais resultaram 41 mortos, 113 feridos graves e 1184 feridos ligeiros.
De acordo com dados da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, desde 1 de Janeiro até 12 de Agosto, os acidentes nas estradas de Portugal continental provocaram 500 mortos, mais cinco que no mesmo período de 2006.
Para ajudar a combater este flagelo, esta autêntica guerra civil, a RTP tem agora uma rubrica de verdadeiro serviço público.
Todas as sextas-feiras, após o Telejornal, o “Só Acontece aos Outros” é um programa de 15 minutos que faz prevenção rodoviária, lembra casos trágicos que ficaram marcados na mente das pessoas.
Não sei se ajuda alguma coisa… mas lá que faz impressão, lá isso faz.
sábado, agosto 11, 2007
Cem dias, sem certezas
Costuma dizer-se que os Governos têm 100 dias de "estado de graça". Não sei se esta premissa também se aplica à Polícia Judiciária... o certo é que Madeleine McCann desapareceu faz hoje, precisamente, 100 dias.
Certezas sobre o que aconteceu ainda não há, pelo menos publicamente, mas a PJ veio confirmar este sábado, curiosamente em declarações à BBC, que Maddie pode mesmo estar morta.
Primeiro, a tese de rapto levava vantagem, agora, há cerca de um mês, a hipótese de assassinato ganha força. Eu não sei o que aconteceu, espero que quem de direito saiba e muito em breve.
O que é certo é que continua a haver muitas questões no ar e muitas pontas soltas. Vamos recordar algumas:
como ficaram três menores sozinhos em casa?
porque é que os gémeos não acordaram?
porque demoraram os pais duas horas a avisar a polícia?
porque não foram fechadas as fronteiras?
porque é que a polícia diz que há um suspeito de rapto, com direito a retrato-robot e tudo, e agora, afinal, já foi assassinato?
porque demoraram a chegar os cães pisteiros?
como é que só se vê uma mancha de sangue três meses depois?
a pressão da comunicação social ajudou ou desajudou a PJ?
os pais mudaram de atitude em relação à comunicação social porquê?
Enfim, estas são algumas das questões que me assaltam neste dia. Responda quem puder ou souber.
Certezas sobre o que aconteceu ainda não há, pelo menos publicamente, mas a PJ veio confirmar este sábado, curiosamente em declarações à BBC, que Maddie pode mesmo estar morta.
Primeiro, a tese de rapto levava vantagem, agora, há cerca de um mês, a hipótese de assassinato ganha força. Eu não sei o que aconteceu, espero que quem de direito saiba e muito em breve.
O que é certo é que continua a haver muitas questões no ar e muitas pontas soltas. Vamos recordar algumas:
como ficaram três menores sozinhos em casa?
porque é que os gémeos não acordaram?
porque demoraram os pais duas horas a avisar a polícia?
porque não foram fechadas as fronteiras?
porque é que a polícia diz que há um suspeito de rapto, com direito a retrato-robot e tudo, e agora, afinal, já foi assassinato?
porque demoraram a chegar os cães pisteiros?
como é que só se vê uma mancha de sangue três meses depois?
a pressão da comunicação social ajudou ou desajudou a PJ?
os pais mudaram de atitude em relação à comunicação social porquê?
Enfim, estas são algumas das questões que me assaltam neste dia. Responda quem puder ou souber.
sexta-feira, agosto 10, 2007
Nazaré
Pois é, tudo o que é bom acaba depressa e lá se foram as três semanas de férias.
Como a tradição ainda é o que era, lá estive na praia de sempre.
As mesmas nazarenas "chatas" a oferecer "chambres" ou "barraquinhas" todo o santo dia, as mesmos fantásticos bolos da Batel, a mesma senhora da bolacha Americana (bem caras por acaso), a mesma água fria (gelada mesmo), as mesmas ondas (às vezes)...
Apesar de tudo, nem tudo foi como dantes: o peixe-aranha, visita habitual dos banhistas na Nazaré, esteve quase ausente, para descanso dos nossos pezinhos (e como dói!).
Faltaram também - e especialmente - alguns amigos clássicos destas alturas e que tanta falta fizeram para dar mais cor a estas férias. Tenho saudades deles...
Mas, mesmo assim, deu para descansar (objectivo prioritário), apanhar um solzinho, comer a tempo e horas, ler uns livrinhos.
Agora... é trabalhar. Cada um tem a cruz que merece.
Como a tradição ainda é o que era, lá estive na praia de sempre.
As mesmas nazarenas "chatas" a oferecer "chambres" ou "barraquinhas" todo o santo dia, as mesmos fantásticos bolos da Batel, a mesma senhora da bolacha Americana (bem caras por acaso), a mesma água fria (gelada mesmo), as mesmas ondas (às vezes)...
Apesar de tudo, nem tudo foi como dantes: o peixe-aranha, visita habitual dos banhistas na Nazaré, esteve quase ausente, para descanso dos nossos pezinhos (e como dói!).
Faltaram também - e especialmente - alguns amigos clássicos destas alturas e que tanta falta fizeram para dar mais cor a estas férias. Tenho saudades deles...
Mas, mesmo assim, deu para descansar (objectivo prioritário), apanhar um solzinho, comer a tempo e horas, ler uns livrinhos.
Agora... é trabalhar. Cada um tem a cruz que merece.
segunda-feira, julho 16, 2007
"Tiro ao Alvo" a banhos
Nas próximas semanas, o "Tiro ao Alvo" vai estar "numa praia perto de si" e incontactável por qualquer via informática.
Reabriremos nos primeiros dias de Agosto com "pontaria afinada" ao que se for passando "no país e no mundo".
Sim, porque eu "vou andar por aí"...
Reabriremos nos primeiros dias de Agosto com "pontaria afinada" ao que se for passando "no país e no mundo".
Sim, porque eu "vou andar por aí"...
sexta-feira, julho 13, 2007
Fone
Não sei se alguma vez já ficaram "enrrascados" sem saldo no telemóvel. Infelizmente, a mim acontece-me recorrentemente.
Deve ter sido a pensar em gajos como eu (na última vez que, esta semana, tinha 3 cêntimos para gastar) que a empresa telefónica "inventou" um serviço que nos safa de situações complicadas.
Como é que a coisa se passa? É só mandar um SMS para o número certo com uma simples palavra de cinco letras. Pouco depois, aí está a "prenda" (2.5€) para gastar como quisermos, com a mensagem: "Reembolso no próximo carregamento".
Ok, tudo bem. A questão é que, assim que fazemos o carregamento - é quase instantâneo - recebemos uma mensagem a avisar que nos tiraram 3€.
Ora aí está... em poucas horas, assim se papam 100 paus a um gajo que estava entalado.
O mundo "pula e avança" (é verdade que nem sempre no bom sentido) com a circulação de dinheiro... Todas as empresas querem facturar, precisam disso... todos precisamos. Parece-me normal.
O que me chateia é que, mais uma vez, é quem precisa, quem não pode esperar, quem não tem ali um telefone fixo à mão... que se lixa.
E depois, lá vamos ouvir dizer, no fim do ano, que a empresa "x", tal como os bancos aliás, teve um lucro superior não sei quantos por cento ao do ano passado.
Não sei se as outras operadoras também têm este serviço mas, desde já, "Obrigadinho pela ajuda, sim...". Chulos.
Deve ter sido a pensar em gajos como eu (na última vez que, esta semana, tinha 3 cêntimos para gastar) que a empresa telefónica "inventou" um serviço que nos safa de situações complicadas.
Como é que a coisa se passa? É só mandar um SMS para o número certo com uma simples palavra de cinco letras. Pouco depois, aí está a "prenda" (2.5€) para gastar como quisermos, com a mensagem: "Reembolso no próximo carregamento".
Ok, tudo bem. A questão é que, assim que fazemos o carregamento - é quase instantâneo - recebemos uma mensagem a avisar que nos tiraram 3€.
Ora aí está... em poucas horas, assim se papam 100 paus a um gajo que estava entalado.
O mundo "pula e avança" (é verdade que nem sempre no bom sentido) com a circulação de dinheiro... Todas as empresas querem facturar, precisam disso... todos precisamos. Parece-me normal.
O que me chateia é que, mais uma vez, é quem precisa, quem não pode esperar, quem não tem ali um telefone fixo à mão... que se lixa.
E depois, lá vamos ouvir dizer, no fim do ano, que a empresa "x", tal como os bancos aliás, teve um lucro superior não sei quantos por cento ao do ano passado.
Não sei se as outras operadoras também têm este serviço mas, desde já, "Obrigadinho pela ajuda, sim...". Chulos.
segunda-feira, julho 09, 2007
Maravilha

Antes de mais peço desculpa: este é um post nada isento, faccioso mesmo, que serve para homenagear uma das Sete Maravilhas de Portugal.
Eu sei que esta era apenas mais uma mega operação de marketing, um concurso de televisão para promover umas quantas pessoas e alguns locais, sem nenhuma base científica, que nem a UNESCO patrocina...
Eu sei isso tudo, mas quando o nosso país entra nesta "estória", se cola às Maravilhas do Mundo e decide avançar com a sua própria escolha... quando um dos finalistas é o "ex-libris" da minha terra, aí não posso ficar indiferente a esta grande vitória.
sexta-feira, julho 06, 2007
Casa arrombada...
Já tive que ir duas vezes a uma Junta Médica. A primeira vez, no 12º ano, para saber se podia concorrer à Universidade pelo "contingente de deficiente" e, a segunda, alguns anos mais tarde, para que fosse avaliado o meu "grau de incapacidade" e, assim, pudesse "beneficiar" de redução de impostos.
No primeiro caso "chumbei". Não fui considerado pelos doutores suficientemente deficiente para entrar pelo contingente especial... acabei numa privada porque a média de entrada no ensino público nesse ano era acima de 18 valores.
No segundo caso a "coisa" foi mais "engraçada": fui à consulta, três doutores, o meu processo em cima da mesa, duas ou três perguntas genéricas e... caso encerrado. Veredicto: 65% de incapacidade.
"Boa, é bom para si. Agora só paga Segurança Social, não paga IRS", disse-me alguém. Eu bem dispensava tal sorte, mas enfim...
O curioso é que os senhores (não sei se doutores no sentido clinico do termo) nem me tocaram, não me pediram para andar, não me fizeram nenhuma pergunta sobre as minhas eventuais dificuldades, nada. A única questão foi se eu tinha carta ou se a estava a tirar só porque, percebi depois, isso alterava o artigo que tinham que invocar na justificação.
Voltei a lembrar-me disto depois de se ter sabido ontem que os Ministérios das Finanças e da Saúde convidaram a Ordem dos Médicos a dar sugestões sobre formas de melhorar o actual modelo das juntas médicas da Caixa Geral de Aposentações (CGA).
A polémica estalou depois de ter sido recusada a aposentação antecipada a dois professores, um com cancro na traqueia e outra com leucemia. Os dois docentes faleceram entretanto.
As decisões do gabinete das juntas médicas, que seguiu para a CGA, foram tomadas depois de relatórios do IPO que confirmava que as doenças estavam em remissão, o que parece ter sido suficiente para que os professores não fossem considerados "totalmente incapazes de trabalhar".
Parece-me extraordinário que se tenha que levar à letra estas declarações porque, realmente, a ser assim, só mesmo um morto pode ser dado como "inapto" para trabalhar.
Não sei se o senhor coordenador do gabinete é médico, não sei se as juntas são constituidas só por médicos... o que sei é que estas duas decisões foram, no mínimo, de uma insensibilidade vergonhosa.
Espero, sinceramente, que se melhorem estes processos para que se evitem casos destes.
No primeiro caso "chumbei". Não fui considerado pelos doutores suficientemente deficiente para entrar pelo contingente especial... acabei numa privada porque a média de entrada no ensino público nesse ano era acima de 18 valores.
No segundo caso a "coisa" foi mais "engraçada": fui à consulta, três doutores, o meu processo em cima da mesa, duas ou três perguntas genéricas e... caso encerrado. Veredicto: 65% de incapacidade.
"Boa, é bom para si. Agora só paga Segurança Social, não paga IRS", disse-me alguém. Eu bem dispensava tal sorte, mas enfim...
O curioso é que os senhores (não sei se doutores no sentido clinico do termo) nem me tocaram, não me pediram para andar, não me fizeram nenhuma pergunta sobre as minhas eventuais dificuldades, nada. A única questão foi se eu tinha carta ou se a estava a tirar só porque, percebi depois, isso alterava o artigo que tinham que invocar na justificação.
Voltei a lembrar-me disto depois de se ter sabido ontem que os Ministérios das Finanças e da Saúde convidaram a Ordem dos Médicos a dar sugestões sobre formas de melhorar o actual modelo das juntas médicas da Caixa Geral de Aposentações (CGA).
A polémica estalou depois de ter sido recusada a aposentação antecipada a dois professores, um com cancro na traqueia e outra com leucemia. Os dois docentes faleceram entretanto.
As decisões do gabinete das juntas médicas, que seguiu para a CGA, foram tomadas depois de relatórios do IPO que confirmava que as doenças estavam em remissão, o que parece ter sido suficiente para que os professores não fossem considerados "totalmente incapazes de trabalhar".
Parece-me extraordinário que se tenha que levar à letra estas declarações porque, realmente, a ser assim, só mesmo um morto pode ser dado como "inapto" para trabalhar.
Não sei se o senhor coordenador do gabinete é médico, não sei se as juntas são constituidas só por médicos... o que sei é que estas duas decisões foram, no mínimo, de uma insensibilidade vergonhosa.
Espero, sinceramente, que se melhorem estes processos para que se evitem casos destes.
sexta-feira, junho 29, 2007
Jocoso não, perigoso
A coisa está a complicar-se e, como não sei o que vai acontecer no futuro, queria aproveitar esta oportunidade para escrever mais um post.
Sobre quê? Não interessa.
É mesmo só aproveitar, enquanto posso, para escrever o que me apetece, sobre tudo ou sobre nada, até que alguém me corte o pio.
Depois do "caso Charrua" e do blog que descobriu o "caso do curso Sócrates", temos agora o "caso do cartaz" e a demissão da directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho.
O que é extraordinário é que este último caso começa com declarações do próprio ministro da Saúde que disse - efectivamente - que, se necessitasse, nunca iria a um SAP (logo aqui, devia ter sido, pura e simplesmente, demitido).
Mais uma vez digo e reafirmo: algo de grave se está a começar a passar neste país com o regresso das "queixinhas pidescas" a terem consequências sérias que estão a levar até a demissões.
Entretanto, vou tomando nota:- não se pode dizer piadas sobre o Primeiro-ministro;- não se podem fazer comentários a declarações infelizes de Correia de Campos;- ...
Este Governo socialista (?!), de maioria, está com grandes dificuldades em conviver com a chamada "liberdade democrática".
Acho que podia e devia preocupar-se com outras coisas bem mais graves que um "cartaz jocoso" colocado por um médico.
Até à próxima, espero eu.
Sobre quê? Não interessa.
É mesmo só aproveitar, enquanto posso, para escrever o que me apetece, sobre tudo ou sobre nada, até que alguém me corte o pio.
Depois do "caso Charrua" e do blog que descobriu o "caso do curso Sócrates", temos agora o "caso do cartaz" e a demissão da directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho.
O que é extraordinário é que este último caso começa com declarações do próprio ministro da Saúde que disse - efectivamente - que, se necessitasse, nunca iria a um SAP (logo aqui, devia ter sido, pura e simplesmente, demitido).
Mais uma vez digo e reafirmo: algo de grave se está a começar a passar neste país com o regresso das "queixinhas pidescas" a terem consequências sérias que estão a levar até a demissões.
Entretanto, vou tomando nota:- não se pode dizer piadas sobre o Primeiro-ministro;- não se podem fazer comentários a declarações infelizes de Correia de Campos;- ...
Este Governo socialista (?!), de maioria, está com grandes dificuldades em conviver com a chamada "liberdade democrática".
Acho que podia e devia preocupar-se com outras coisas bem mais graves que um "cartaz jocoso" colocado por um médico.
Até à próxima, espero eu.
segunda-feira, junho 25, 2007
No comments...
domingo, maio 27, 2007
Pois é...
Domingo, 8h30... Depois de ver o terceiro acidente da manhã, pergunta-me o taxista: "Onde é que está o trânsito para haver tantos acidentes?".
"Há cada selvagem a conduzir!", conclui o homem, já furioso.
Não respondi ao senhor, mas confesso que sempre me fez confusão o número de acidentes e vítimas nas estradas portuguesas.
É certo que a sinalização é péssima e as estradas são más mas, seguramente, há muita culpa dos condutores.
Por mim - que não tenho carta - acho que todos os condutores deviam voltar às escolinhas de condução para realizar testes de "reciclagem".
"Há cada selvagem a conduzir!", conclui o homem, já furioso.
Não respondi ao senhor, mas confesso que sempre me fez confusão o número de acidentes e vítimas nas estradas portuguesas.
É certo que a sinalização é péssima e as estradas são más mas, seguramente, há muita culpa dos condutores.
Por mim - que não tenho carta - acho que todos os condutores deviam voltar às escolinhas de condução para realizar testes de "reciclagem".
quarta-feira, maio 23, 2007
"Democracia" "rosa"
Que o mundo não é cor-de-rosa já se sabia, mas algo vai muito mal no nosso país quando uma “piada de mau gosto” “dá” suspensão e processo disciplinar a professor.
O facto da anedota ter como “actor principal” o Primeiro-ministro, tudo se torna ainda mais grave.
Ao que se sabe, o professor em causa fez um “comentário jocoso” sobre José Sócrates no gabinete, comentário esse que foi ouvido por outra pessoa que terá feito queixa.
O Ministério da Educação considerou “ofensivo” o comentário e o professor está em maus lençóis, muito por culpa de um “amigo bufo”, ao velho estilo da PIDE.
Ora, se já nem no gabinete se pode ter “licença” para dizer uma piada, seja sobre quem for, incluindo um qualquer Primeiro-ministro, então algo de efectivamente grave se passa.
Fica também por saber se, de todo, não se pode fazer piadas sobre Sócrates ou se só não pode fazer comentários quem for do PSD.
Pensava eu, na minha inocência, que Portugal era um país democrático, com “liberdade de expressão”, mais de 30 anos depois do 25 de Abril.
Afinal, se calhar, enganei-me e isso deixa-me muito preocupado.
O facto da anedota ter como “actor principal” o Primeiro-ministro, tudo se torna ainda mais grave.
Ao que se sabe, o professor em causa fez um “comentário jocoso” sobre José Sócrates no gabinete, comentário esse que foi ouvido por outra pessoa que terá feito queixa.
O Ministério da Educação considerou “ofensivo” o comentário e o professor está em maus lençóis, muito por culpa de um “amigo bufo”, ao velho estilo da PIDE.
Ora, se já nem no gabinete se pode ter “licença” para dizer uma piada, seja sobre quem for, incluindo um qualquer Primeiro-ministro, então algo de efectivamente grave se passa.
Fica também por saber se, de todo, não se pode fazer piadas sobre Sócrates ou se só não pode fazer comentários quem for do PSD.
Pensava eu, na minha inocência, que Portugal era um país democrático, com “liberdade de expressão”, mais de 30 anos depois do 25 de Abril.
Afinal, se calhar, enganei-me e isso deixa-me muito preocupado.
terça-feira, maio 22, 2007
Diferenças
De vez em quando sabe bem sair da grande cidade para ir "arejar a cabeça".
E nem sequer é preciso ir muito longe: duas horas e pouco de caminho são suficientes para "entrar noutra dimensão".
Aqui chegados... as diferenças são abismais e, não, não estou a falar de capacidade financeira ou condições de vida.
É verdade que não há algumas modernices como a TV Cabo e que é difícil ter rede de telemóvel, mas isso, como diz a outra, "não interessa nada".
Para além do ar puro que se respira na aldeia e na serra ali ao lado, o que mais impressiona é o comportamento das pessoas: Quase todos se conhecem, todos se cumprimentam e, quando a chave está na porta, todos podem entrar sem pedir licença.
E depois é quase inacreditável a generosidade dos amigos e vizinhos: "Olha, toma lá umas cerejinhas", "Está aqui uma dúzia de ovos" ou "Sei que gostas deste arroz doce"... São ofertas, desinteressadas, sem pedir nada em troca.
Foram 46 horas na aldeia... como é bom saber que ainda há sítios assim.
E nem sequer é preciso ir muito longe: duas horas e pouco de caminho são suficientes para "entrar noutra dimensão".
Aqui chegados... as diferenças são abismais e, não, não estou a falar de capacidade financeira ou condições de vida.
É verdade que não há algumas modernices como a TV Cabo e que é difícil ter rede de telemóvel, mas isso, como diz a outra, "não interessa nada".
Para além do ar puro que se respira na aldeia e na serra ali ao lado, o que mais impressiona é o comportamento das pessoas: Quase todos se conhecem, todos se cumprimentam e, quando a chave está na porta, todos podem entrar sem pedir licença.
E depois é quase inacreditável a generosidade dos amigos e vizinhos: "Olha, toma lá umas cerejinhas", "Está aqui uma dúzia de ovos" ou "Sei que gostas deste arroz doce"... São ofertas, desinteressadas, sem pedir nada em troca.
Foram 46 horas na aldeia... como é bom saber que ainda há sítios assim.
segunda-feira, maio 14, 2007
Ninguém merece...
Viver num "Bairro da Desgraça".
O nome diz tudo... estamos, obviamente, a falar de um bairro de barracas, desta vez em Coruche.
A Polícia Judiciária deu a conhecer uma operação, realizada pela Direcção Central de Investigação do Tráfico de Estupefacientes, neste bairro e, ao que parece, a "colheita" foi proveitosa.
Diz a Lusa:
Além de "pequenas quantidades" de cocaína e heroína, parcialmente já embaladas em doses individuais, as autoridades policiais apreenderam uma pistola de guerra 9mm, duas pistolas 6.35, um revólver 3.57 magnum, duas caçadeiras, uma pistola de gás e "elevado número" de munições.
Foram ainda apreendidas "elevadas quantidades" de dinheiro em notas de euro e de artefactos e peças de ouro, bem como cinco viaturas automóveis e um motociclo de alta cilindrada.
No âmbito da operação em causa, foram efectuadas várias buscas domiciliárias e detidos cinco homens e quatro mulheres, com idades entre 25 e 43 anos, por suspeitas de tráfico de estupefacientes e posse de armas proibidas.
Como é que se melhora a situação e se acaba com estes casos? Não sei.
Talvez não fosse mau começar por mudar o nome dos bairros.
O nome diz tudo... estamos, obviamente, a falar de um bairro de barracas, desta vez em Coruche.
A Polícia Judiciária deu a conhecer uma operação, realizada pela Direcção Central de Investigação do Tráfico de Estupefacientes, neste bairro e, ao que parece, a "colheita" foi proveitosa.
Diz a Lusa:
Além de "pequenas quantidades" de cocaína e heroína, parcialmente já embaladas em doses individuais, as autoridades policiais apreenderam uma pistola de guerra 9mm, duas pistolas 6.35, um revólver 3.57 magnum, duas caçadeiras, uma pistola de gás e "elevado número" de munições.
Foram ainda apreendidas "elevadas quantidades" de dinheiro em notas de euro e de artefactos e peças de ouro, bem como cinco viaturas automóveis e um motociclo de alta cilindrada.
No âmbito da operação em causa, foram efectuadas várias buscas domiciliárias e detidos cinco homens e quatro mulheres, com idades entre 25 e 43 anos, por suspeitas de tráfico de estupefacientes e posse de armas proibidas.
Como é que se melhora a situação e se acaba com estes casos? Não sei.
Talvez não fosse mau começar por mudar o nome dos bairros.
quarta-feira, maio 09, 2007
Cruzes, canhoto
Sim, é verdade, eu escrevo com a mão esquerda e, confesso, sempre me fizeram impressão as definições e “estórias” que fui ouvindo e lendo sobre os que “padecem do mesmo mal”.
Lembrei-me disto mais uma vez ontem quando tentei cortar uma folha com uma tesoura de “normais” e, claro, não consegui.
É verdade que há uns anos chegou a haver uma loja só com produtos para “canhotos”, mas a coisa faliu. Deve ser do “azar” que está ligado à palavra.
Reparem só o que diz o dicionário quando se procura a palavra “canhoto”: “Esquerdo, sinistro, falto de habilidade, desajeitado, demónio”.
Simpático, não?
A “maldição” continua se fizermos uma simples busca no Google.
Para os egípcios, “o olho esquerdo do Sol” era considerado o mal e o Diabo;
Buda diz que o caminho para o Nirvana se divide em duas partes e o da mão esquerda representa a maneira errada de viver e deve evitar-se;
Nos países muçulmanos e na Índia a mão direita é a “mão limpa”;
Isto já para não falar da “sorte” que dá “entrar com o pé direito”.
Para me vingar, se calhar, daqui a uns dias faço um “post” com os aspectos positivos – pois que os há – de ser canhoto.
Lembrei-me disto mais uma vez ontem quando tentei cortar uma folha com uma tesoura de “normais” e, claro, não consegui.
É verdade que há uns anos chegou a haver uma loja só com produtos para “canhotos”, mas a coisa faliu. Deve ser do “azar” que está ligado à palavra.
Reparem só o que diz o dicionário quando se procura a palavra “canhoto”: “Esquerdo, sinistro, falto de habilidade, desajeitado, demónio”.
Simpático, não?
A “maldição” continua se fizermos uma simples busca no Google.
Para os egípcios, “o olho esquerdo do Sol” era considerado o mal e o Diabo;
Buda diz que o caminho para o Nirvana se divide em duas partes e o da mão esquerda representa a maneira errada de viver e deve evitar-se;
Nos países muçulmanos e na Índia a mão direita é a “mão limpa”;
Isto já para não falar da “sorte” que dá “entrar com o pé direito”.
Para me vingar, se calhar, daqui a uns dias faço um “post” com os aspectos positivos – pois que os há – de ser canhoto.
sexta-feira, maio 04, 2007
Há dias assim...
Quando se está em maré de azar, não há nada a fazer e parece que se entra numa versão "light" da "Lei de Murphy".
O meu dia de hoje começou mal e acabou pior.
Primeiro dormi mal, o que se agravou porque tinha que me levantar cedo, depois perdi o comboio e cheguei em cima da hora (literalmente) ao local onde tinha que estar.
A seguir passei a tarde a lutar com computadores e minidisc que me dificultaram a vida durante seis horas, o que me fez ganhar uma grande dor de cabeça.
Como se não bastasse, ainda tive um encontro imediato e próximo com um passeio "em obras" e, mais à frente, quase fui atropelado por um "chico-esperto" que não respeitou a passadeira.
Já "com os azeites", para não dizer pior, apanhei um táxi para casa. Paguei, desconfiado porque achei o preço exagerado, sai do carro e quando meto a mão no bolso... não tinha o porta-chaves.
O taxista nunca mais o vi e, vários telefonemas depois, para todas as empresas de Lisboa, desisti e lamentei a puta de sorte de um dia como o de hoje.
Mas porque é que não pedi a merda da factura?
O meu dia de hoje começou mal e acabou pior.
Primeiro dormi mal, o que se agravou porque tinha que me levantar cedo, depois perdi o comboio e cheguei em cima da hora (literalmente) ao local onde tinha que estar.
A seguir passei a tarde a lutar com computadores e minidisc que me dificultaram a vida durante seis horas, o que me fez ganhar uma grande dor de cabeça.
Como se não bastasse, ainda tive um encontro imediato e próximo com um passeio "em obras" e, mais à frente, quase fui atropelado por um "chico-esperto" que não respeitou a passadeira.
Já "com os azeites", para não dizer pior, apanhei um táxi para casa. Paguei, desconfiado porque achei o preço exagerado, sai do carro e quando meto a mão no bolso... não tinha o porta-chaves.
O taxista nunca mais o vi e, vários telefonemas depois, para todas as empresas de Lisboa, desisti e lamentei a puta de sorte de um dia como o de hoje.
Mas porque é que não pedi a merda da factura?
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